621: Adeus à má wifi. Uma mesh para dominar toda a Internet de casa

TECNOLOGIA/WIFI

A solução para casas grandes ou com muitas paredes: pontos de wifi mesh. E nunca mais volta a ter falta de Internet sem fios onde quer que esteja. Prometemos.

O kit ASUS ZenWi-Fi XD6 é dos mais rápidos do mercado. Promete boa e extensa cobertura e velocidade suficiente para vídeo 8k. Mas tem um preço elevado.
© ASUS

Um dos maiores “problemas de primeiro mundo” nas habitações actuais: a falta de wifi em certas zonas da casa. Algo que, digam o que disserem na publicidade as empresas de telecomunicações que fornecem também os routers/modems que nos ligam à Internet, acaba por ocorrer.

A mais habitual solução para o problema é simplesmente comprar um repetidor de rede, que “clona” o wifi e “estica” o seu alcance. Mas esta solução tem um problema permanente: corta a largura de banda — ou seja, a velocidade da ligação — para metade. Isto porque o repetidor (por norma) tem de usar a mesma frequência de rádio para fazer a ligação aos aparelhos que está a servir e ao router de Internet original. Os dados vão para um lado (para o utilizador) e vão para o outro (para o router clonado), pelo que a velocidade é cortada, sensivelmente, ao meio.

Há, no entanto, um sistema de expansão de uma rede já existente que não tem este problema. E ainda por cima instala-se com enorme facilidade — e para quem o usa é como se estivesse ligado a um só ponto de rede: ​​​​​​falamos do mesh.

Trata-se de uma solução que à primeira vista parece resultar num ou dois repetidores de rede espalhados pela casa, mas na realidade é concebida de raiz para não ter os problemas daqueles e todas as vantagens dos pontos de acesso (hotspots) modernos.

Uma rede em vários dispositivos

Apesar de a solução de dividir o wifi doméstico por repetidores em teoria permitir colocar o mesmo nome de rede (SSID) em todos os pontos de acesso, por norma consegue-se maior estabilidade nas ligações dos aparelhos a ele ligados definindo-se um SSID diferente para cada um.

Isto porque a solução dos repetidores não está verdadeiramente preparada de origem para que haja um “hand-over” sem interrupções da ligação de um hotspot para o outro. Ainda que o aparelho ligado (o telemóvel ou o computador) possa conseguir fazer essa gestão, é possível que, por exemplo, quando estiver a ver um vídeo, se começar a deambular pela casa, ao passar de um hotspot para outro o streaming pare.

Isto não acontece com o mesh. O aparelho que está ligado à rede, como o telemóvel, por exemplo, “salta” automaticamente entre pontos de acesso sem que o utilizador sequer dê por isso, sem quebras de ligação, sempre com o mesmo nome de rede.

Dois ou três ou…

Outra das vantagens destas soluções é poderem “crescer” facilmente. Por norma, os kits vendem-se com dois ou três aparelhos: um que fica junto do router original e o(s) outro(s) a colocar de forma a cobrir as zonas onde o wifi não chega.

Ora pode acontecer concluir-se que afinal é preciso mais um hotspot. Ou mudar-se de casa para uma maior — uma vivenda com vários pisos, por exemplo. Com o mesh, bastará comprar mais um ou dois hotspots e adicioná-lo à rede já existente.

A configuração destes sistemas é por norma muito simples: basicamente, eles são praticamente auto-configuráveis E como hoje em dia é quase obrigatório, têm apps de telemóvel associadas, com tutoriais e formulários básicos para preencher (definir SSID e passwords e pouco mais).

O kit de entrada TP-Link Deco M4 vem com três routers e tem um preço bem abaixo dos 150 euros.
© TP-Link

O que escolher então?

Velocidade (muita) e capacidade de lidar com múltiplas ligações em simultâneo são, provavelmente, as duas maiores exigências, hoje em dia, para quem tem uma casa totalmente ligada. Estamos a pensar em alguém cuja família usa o wifi para fazer streaming de vídeo e jogar, ao mesmo tempo, e que simultaneamente tem uns 50 aparelhos — entre Alexas ou Google Assistants, as respectivas lâmpadas inteligentes e outras coisas do género — conectadas ao mesmo tempo.

(Para os mais distraídos, se não sabia, sim, nós existimos. E não somos tão poucos quanto isso!)

Para estas pessoas, o kit mesh mais recomendado será o ASUS ZenWi-Fi XD6. Já é compatível com o novo protocolo wifi 6, permite velocidades até 5400 Mbps (para streaming de vídeo de 8k) e canais de 160 Mhz de comunicação entre hotspots.

O kit de duas unidades custa uns elevados 415 euros (Amazon.es), mas promete cobertura até 501 metros quadrados. Claro que isto é em terreno aberto, sem paredes, nem escadas, nem…. Pense aí talvez num T4…

O Deco M5 é um modelo estaticamente mais agradável.
© TP-Link

Então e não há mais barato?

Não é, no entanto, preciso gastar tanto para montar uma mesh de qualidade. Em especial se na realidade “apenas” tem uma dúzia de computadores e tablets para ligar ao wifi ao mesmo tempo.

Uma solução com melhores críticas em tudo o que é publicação especializada chama-se TP-Link Deco M4. Trata-se de um kit com três componentes, que garante ligações até 1167 Mbps e refere “uma área de cobertura de até 370 metros quadrados”.

Não é compatível com wifi 6 (apenas 5 e 2.4), mas por 122 euros — na Amazon.es — não se pode pedir mais.

Além disso, é compatível com os outros Deco. Assim, se acha o formato cilíndrico destes aparelhos feio para, por exemplo, a sala, mas não se importa de o ter no escritório e nos quartos, pode comprar um módulo do mais estético Deco M5 e adicioná-lo à rede. Antigamente chamava-se isto o elemento de aceitação feminino das tecnologias, mas agora não é politicamente correto fazê-lo. É melhor não…

Diário de Notícias
Ricardo Simões Ferreira
22 Fevereiro 2022 — 00:18

– Lamentável o autor deste artigo ter apenas mencionado a Amazon.es (Espanha) para compra deste equipamento, quando na Worten/Portugal o
Sistema Mesh TP-LINK Deco M4 2 Unid. (AC1200 – 300 + 867 Mbps) encontra-se à venda por € 93,99. (https://www.worten.pt/smarthome-e-redes/redes/routers-modems/sistema-mesh/sistema-mesh-tp-link-deco-m4-2-unid-ac1200-300-867-mbps-6815016)