791: Uma grande tempestade solar pode derrubar a rede eléctrica e a Internet

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

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Hoje em dia, uma grande tempestade solar poderia ter efeitos devastadores em vários ramos, desde a energia à Internet.

Nos dias 1 e 2 de Setembro de 1859, sistemas de telégrafo de todo o mundo falharam catastroficamente. Os operadores dos telégrafos relataram receber choques eléctricos, papel de telégrafo a incendiar-se e serem capazes de operar equipamentos com baterias desconectadas.

Durante a noite, a aurora boreal podia ser vista até ao sul da Colômbia. Normalmente, essas luzes são visíveis apenas em latitudes mais altas, no norte do Canadá, Escandinávia e Sibéria.

O que o mundo presenciou naquele dia, agora conhecido como Evento Carrington, foi uma enorme tempestade geomagnética. Estas tempestades ocorrem quando uma grande bolha de gás sobreaquecido chamada plasma é ejectada da superfície do Sol e atinge a Terra. Essa bolha é conhecida como ejecção de massa coronal.

O plasma de uma ejecção de massa coronal consiste numa nuvem de protões e electrões, que são partículas electricamente carregadas. Quando essas partículas atingem a Terra, interagem com o campo magnético que circunda o planeta.

Essa interacção faz com que o campo magnético se deforme e enfraqueça, o que, por sua vez, leva ao comportamento estranho da aurora boreal e de outros fenómenos naturais.

As tempestades geomagnéticas também ameaçam causar interrupções na energia e na Internet, avisa o engenheiro eléctrico David Wallace.

Hoje, uma tempestade geomagnética da mesma intensidade que o Evento Carrington afectaria muito mais do que fios de telégrafo e poderia ser catastrófica.

Com a dependência cada vez maior de electricidade e tecnologia emergente, qualquer interrupção pode levar a biliões de dólares em perdas e risco de vidas. A tempestade afectaria a maioria dos sistemas eléctricos que as pessoas usam todos os dias.

As tempestades geomagnéticas geram correntes induzidas, que fluem através da rede eléctrica. As correntes geo-magneticamente induzidas, que podem ser superiores a 100 amperes, fluem para os componentes eléctricos conectados à rede, como transformadores e sensores.

Cem amperes equivalem ao serviço eléctrico fornecido a muitas residências. Correntes deste tamanho podem causar danos internos nos componentes, levando a cortes de energia em grande escala.

Uma tempestade geomagnética três vezes menor do que o Evento Carrington ocorreu em Quebeque, Canadá, em Março de 1989. A tempestade causou o colapso da rede eléctrica Hydro-Quebec.

Além das falhas eléctricas, as comunicações seriam interrompidas em escala mundial. Os provedores de serviços de Internet podem cair, o que, por sua vez, tiraria a capacidade de diferentes sistemas de comunicarem.

Os sistemas de comunicação de alta frequência seriam interrompidos. Satélites em órbita ao redor da Terra podem ser danificados por correntes induzidas da tempestade geomagnética queimando as suas placas de circuitos. Isto levaria a interrupções no telefone, Internet, rádio e televisão por satélite.

Uma outra área de ruptura que potencialmente afectaria a vida quotidiana são os sistemas de navegação. Praticamente todos os meios de transporte, de carros a aviões, usam GPS para navegação e rastreamento.

Mesmo dispositivos portáteis, como telemóveis e smartwatches, dependem de sinais de GPS enviados por satélites. Os sistemas militares são fortemente dependentes do GPS para coordenação. Outros sistemas de detecção militar, como radares e sistemas de detecção de submarinos, podem ser interrompidos, o que prejudicaria a defesa nacional.

Em termos de Internet, uma tempestade geomagnética na escala do Evento Carrington poderia produzir correntes geo-magneticamente induzidas nos cabos submarinos e terrestres que formam a espinha dorsal da Internet, bem como nos data centers que armazenam e processam tudo, desde e-mails e mensagens de texto a conjuntos de dados científicos e ferramentas de inteligência artificial.

Isto potencialmente interromperia toda a rede e impediria que os servidores se conectassem uns aos outros.

ZAP
24 Março, 2022

 



 

492: O gelo não engana: houve uma misteriosa tempestade solar há 9.200 anos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

NASA / Unsplash

Costuma dizer-se que o algodão não engana, mas no que toca à geologia, o mesmo pode dizer-se em relação ao gelo.

Através da análise de gelo da Gronelândia e da Antárctida, uma equipa de investigadores encontrou evidências de uma enorme tempestade solar que ocorreu há cerca de 9.200 anos.

No entanto, esta não foi uma típica tempestade solar. A tempestade observada pelos cientistas ocorreu durante uma das fases mais calmas do Sol — durante a qual acredita-se que a Terra esteve menos exposto a tais eventos.

Prever tempestades solares é um exercício complicado. Acredita-se que são mais prováveis durante uma fase activa do Sol. Contudo, este novo estudo, publicado este mês na revista científica Nature Communications mostra que esse pode nem sempre ser o caso.

“Estudamos testemunhos de perfuração da Gronelândia e da Antárctida e descobrimos vestígios de uma enorme tempestade solar que atingiu a Terra durante uma das fases passivas do Sol há cerca de 9.200 anos“, anunciou Raimund Muscheler, da Universidade de Lund, na Suécia, citado pelo SciTechDaily.

Os cientistas procuraram especificamente picos dos isótopos radioactivos berílio-10 e cloro-36. Estes isótopos são produzidos por partículas cósmicas de alta energia e podem ser preservados em gelo.

Uma tempestade solar semelhante nos dias de hoje poderia ter consequências devastadoras. Além de falhas de energia e danos em satélites, podia representar um perigo para o tráfego aéreo, bem como resultar no colapso de vários sistemas de comunicação.

As tempestades solares não constituem um perigo directo para os humanos e outros seres vivos na Terra, mas podem provocar prejuízos de muitos milhares de milhões de euros.

  ZAP //

ZAP
2 Fevereiro, 2022


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