1120: Mais de metade dos portugueses contra fim do uso de máscaras

– Apenas os grunhos labregos rafeiros são contra o uso das máscaras, assim como continuam nas passeatas, festarolas de casamentos, baptizados, discotecas, etc., etc. e etc..

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/MÁSCARAS

Maioria continua a usar a protecção contra a covid-19. Satisfação com a forma como o país tem lidado com a pandemia é crescente, mas a situação ainda causa muita preocupação, sobretudo entre os mais velhos.

© Artur Machado / Global Imagens

Mais de metade dos portugueses está contra a decisão do governo de deixar cair a obrigatoriedade do uso de máscara de protecção contra a covid-19 nos espaços fechados. Muitos continuam a usá-la, sempre e às vezes, e só uma minoria (22%) admite que nunca a coloca. Apesar das críticas ao levantamento das máscaras, são cada vez mais os que consideram que Portugal tem lidado bem e muito bem com a pandemia.

A decisão de pôr fim às máscaras, com excepção dos serviços de saúde e transportes públicos, não agradou a 55% dos inquiridos na sondagem Aximage, realizada entre 19 e 24 de maio para o DN, JN e TSF. Outros 37% concordam com a decisão do governo e 8% não manifestaram opinião.

A maioria dos críticos é da região Norte, mas na Área Metropolitana do Porto, onde a pandemia também cresce a ritmo acelerado, há mais pessoas a concordar do que a discordar do alívio das máscaras. Olhando os grupos etários, salta à vista que são os mais velhos quem mais discorda do fim das máscaras. E o inverso também é notório: 49% dos inquiridos entre os 18 e os 34 anos acham que a decisão foi acertada.

22% nunca usam máscara

O comportamento dos portugueses parece acompanhar a crítica: 46% dos inquiridos garantem que continuam a usar sempre máscara e 32% referem fazê-lo às vezes. Apenas 22% dos inquiridos revelam que nunca usam máscara nos espaços onde já não é obrigatória.

Apesar de haver decisões que não convencem a maioria, são cada vez mais os portugueses satisfeitos com a forma como Portugal tem lidado com a pandemia: 49% consideram que o país tem estado “bem” e “muito bem”, 34% respondem “nem bem, nem mal” e 15% “mal ou muito mal”.

Comparativamente com os meses de Fevereiro e Julho do ano passado, há uma tendência crescente de respostas positivas e decrescente das negativas. A percentagem dos que respondem “nem bem, nem mal” não apresenta oscilações significativas.

As Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa, bem como o Sul do país e as ilhas, são as regiões mais satisfeitas com a evolução da pandemia em Portugal nos últimos meses.

Mais velhos pessimistas

Embora quase metade da população (47%) acredite que o pior período já passou, ainda há 13% que olham para o actual momento como o mais grave e 16% que crêem que o pior está para vir. As pessoas entre os 35 e os 49 anos são as mais confiantes – 57% acreditam que o pior já passou -, enquanto os mais velhos, a partir dos 50 anos, estão mais pessimistas: 40% acham que o futuro reserva piores dias.

Um pessimismo que encontra eco no nível de preocupação que os portugueses parecem sentir perante a actual situação da pandemia em Portugal e no resto do mundo: 68% dizem estar “bastante” e “muito” preocupados. O número é relevante, mas já foi pior.

Em Novembro de 2020, quando Portugal entrava na segunda vaga da pandemia e ainda não havia vacinas, 92% dos inquiridos manifestaram muita e bastante preocupação com a mesma.

Face ao anterior período em análise (Julho de 2021), há menos pessoas a admitir muita preocupação (de 45% para 17%) e mais a revelar “bastante” preocupação (de 45% para 51%). A percentagem dos que se dizem “nem muito, nem pouco” preocupados subiu de 5% para 18%.

FICHA TÉCNICA:

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objectivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a pandemia. O trabalho de campo decorreu entre os dias 19 e 24 de maio de 2022 e foram recolhidas 805 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 805 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma “margem de erro” – a 95% – de 3,45%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direcção técnica de Ana Carla Basílio.

ines@jn.pt

Diário de Notícias
Inês Schreck
28 Maio 2022 — 09:00


 

242: Costa com saldo ​​​​​​​negativo pela primeira vez. Marcelo sem rival na popularidade

– Se esta sondagem estiver correcta, quer dizer que a maioria dos eleitores portugueses tem saudades dos tempos negros do Estado Novo salazarista, porque apelidar de “democratas” a gente de direita, é pura falácia.

SOCIEDADE/POLÍTICA

Depois do cartão amarelo, em Julho, o cartão vermelho, em Novembro. O primeiro-ministro fica pela, primeira vez, com saldo negativo na avaliação dos portugueses, de acordo com o barómetro da Aximage para DN, JN e TSF. Ao contrário do que aconteceu no verão, a desilusão não se alarga ao Presidente da República, que, se já era o mais popular, passa também a ser o único líder político com uma imagem positiva junto dos portugueses.

Os sinais não são os melhores para António Costa, quando já está marcada a data das eleições legislativas antecipadas (30 de Janeiro). É certo que as intenções de voto no PS se mantêm altas (38,5%), mas a avaliação que os portugueses fazem do chefe de governo sofreu novo abalo. Depois da quarta vaga da pandemia, a explicação para os estragos reside agora no chumbo ao Orçamento do Estado e na consequente crise política.

O primeiro-ministro gozava, há pouco mais de seis meses, de um saldo positivo de 40 pontos percentuais (diferença entre avaliações positivas e negativas). Em maio, essa vantagem desceu para 23 pontos. Em Julho, reduziu-se para uns escassos seis pontos. E passa agora para um saldo negativo de dois pontos, com 39% dos inquiridos a darem nota negativa, contra 37% de avaliações positivas.

Seniores de regresso

Apesar de a queda ser generalizada, há segmentos da população que salvam António Costa de uma descida aos infernos: antes de todos, os portugueses com 65 ou mais anos, que não lhe tinham perdoado os passos em falso durante a quarta vaga da pandemia, mas que regressam agora, quando o que está em causa é a “coligação negativa” que chumbou o Orçamento e desencadeou a crise política: é apenas entre os mais velhos que o primeiro-ministro consegue um saldo positivo de 18 pontos (nos outros três grupos etários está no vermelho).

Quando o ângulo de análise aponta às escolhas partidárias, constata-se que a popularidade do primeiro-ministro depende agora quase exclusivamente dos eleitores do PS (76% de avaliações positivas). Deixou de contar com a indulgência de boa parte dos sociais-democratas (o saldo é agora de 42 pontos negativos quando, em maio passado, tinha tantos admiradores quanto detractores entre os que votariam no PSD), mas, a mudança fundamental regista-se mais à esquerda: passou de saldo positivo para saldo negativo entre bloquistas e comunistas.

Saldo presidencial

Também Marcelo Rebelo de Sousa tinha recebido, neste verão, um cartão amarelo (passou de 60 pontos de saldo positivo, em maio, para 37, em Julho). Mas, entrados no outono, o seu caminho separa-se definitivamente do de Costa (na política como na popularidade). Tem nesta altura os mesmos 55% de avaliações positivas de há quatro meses, contra 21% de negativas (mais três pontos), o que lhe garante um saldo positivo de 34 pontos percentuais.

Uma valoração que aconteceu quando os portugueses já tinham plena consciência de que iria dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas (o trabalho de campo do barómetro decorreu entre 28 e 31 de Outubro). E que faz do presidente o único líder político verdadeiramente popular (tal como Costa, todos os principais líderes partidários têm, nesta altura, um saldo negativo).

Lisboa faz a diferença

Quando se analisam os diferentes segmentos da amostra, percebe-se melhor que outras diferenças há entre Marcelo e Costa. O presidente mantém saldo positivo em todos os grupos etários e, ao contrário do primeiro-ministro, os mais velhos já não têm o peso de outras alturas. A sua popularidade é, aliás, maior nos dois escalões mais jovens. Ao nível regional, é Lisboa que faz a diferença: dois terços dão-lhe nota positiva, em espelho com o Porto, onde tem o seu pior resultado (tal como Costa).

No que diz respeito às preferências partidárias, percebe-se que os eleitores socialistas não levaram a mal o uso da “bomba atómica”, que terá como consequência o fim do actual governo. Talvez acreditem, como muitos analistas, que Costa desejava eleições. Assim volta a ser entre quem vota no PS que Marcelo tem maior popularidade (saldo positivo de 47 pontos), bem acima do eleitorado social-democrata (saldo de 35 pontos). O presidente só fica no vermelho entre os eleitores comunistas, liberais e radicais do Chega.

rafael@jn.pt

Diário de Notícias
Rafael Barbosa
06 Novembro 2021 — 09:00

236: Maioria dos portugueses concorda com eleições antecipadas

– Engraçadas estas “sondagens” dado que NUNCA me pronunciei sobre NENHUMA sondagem realizada em Portugal. Não sei como é que eles contactam as pessoas para saberem estes resultados, pessoalmente NÃO CONCORDO COM ELEIÇÕES ANTECIPADAS. Quanto à “A satisfação com a intervenção do Presidente é maioritária em quase todos os segmentos da população.” também NÃO CONCORDO com a intervenção do pR nesta matéria. Existiam outras formas sem ser a dissolução da AR e a convocação de eleições antecipadas, mas isso talvez convenha mais à ideologia natural do pR. E depois, falar em nome dos Portugueses é uma falácia completa!

Decisão que o Presidente da República vai hoje formalizar tem o apoio de 59% dos inquiridos. Mas também se afirma que é “mau para o país” (54%).

Marcelo Rebelo de Sousa vai hoje anunciar a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições. De acordo com uma sondagem da Aximage para DN, JN e TSF, a maioria dos portugueses concorda com a decisão (59%), ainda que seja mau para o país antecipar as legislativas (54%). Quanto aos principais responsáveis pelo chumbo do Orçamento do Estado, e consequente crise política, dois terços dos inquiridos fazem mira aos três partidos à esquerda (somam 67%), com o PS a sofrer o impacto maior (28%).

Isto não significa que os portugueses considerem o caminho virtuoso. Bem pelo contrário. Uma expressiva maioria (54%) entende que antecipar as legislativas é “mau para o país” (em particular para o eleitorado entre 50 e 64 anos). Mas há excepções, sobretudo quando se tem em conta como os inquiridos votaram em 2019: no caso do PSD, do PAN e do Chega, é maioritária a ideia de que “é bom para o país”. Os mais negativos? Os eleitores dos partidos da geringonça e em particular do PS (75%).

Marcelo aprovado

Marcelo nunca poderia agradar a rodos, e ainda menos numa questão divisiva e numa altura de tão grande volatilidade política (os inquéritos iniciaram-se no dia seguinte ao chumbo do Orçamento e terminaram no domingo passado). Mas, no que diz respeito à sua gestão da crise política, o saldo é positivo: 42% dos portugueses dão-lhe nota positiva e apenas 26% optam pela avaliação negativa (27% refugiam-se numa resposta neutra).

A satisfação com a intervenção do Presidente é maioritária em quase todos os segmentos da população. A unanimidade só se quebra quando o que está em causa são as preferências partidárias: há maior condescendência por parte dos eleitores mais ao centro (PSD e PS); um saldo negativo nos que estão mais à esquerda (PCP e BE); e divisão ente os liberais.

Bloco central

Os portugueses não estão a castigar o Presidente da República. Ou, pelo menos, não o fizeram nos primeiros dias desta crise, uma vez que, como qualquer outra sondagem, esta também é o retrato de um momento que já ficou para trás. Mas também acreditam que haveria outras saídas. Mais de metade (53%) gostariam de ter visto o PS a negociar com o PSD um novo Orçamento do Estado, mostrando que não partilham dos fantasmas sobre o bloco central. Só 30% dizem “não” a um entendimento entre os dois maiores partidos.

Também no caso de um bloco central no Orçamento há maioria em todos os segmentos: seja nas regiões, no género, nos grupos etários ou nas classes sociais. É só quando a análise detalha as preferências partidárias que a divisão é um pouco maior: os eleitores de 2019 do PSD (58%) e do PS (53%) apoiariam claramente esse cenário; os eleitores mais à esquerda (sobretudo os comunistas), bem como os liberais são os únicos que o rejeitam.

Demissão do governo

A divisão é maior quando se pergunta se o governo deve ou não demitir-se. Marcelo Rebelo de Sousa disse que não o faria, mesmo num cenário de eleições antecipadas. E António Costa garantiu, no próprio dia em que lhe chumbaram o Orçamento, que também não apresentaria a demissão. Há um maior número de portugueses a concordar com Marcelo e Costa (44%), mas a vantagem é de apenas três pontos relativamente aos que acham preferível que o governo seja “despedido” (41%).

Nesta matéria, há uma cisão entre direita e esquerda. Os eleitores que, em 2019, escolheram PS, BE e CDU são os mais firmes na afirmação de que Costa deve manter-se, sem entraves, como primeiro-ministro (em particular os que votaram nos socialistas, com 71%). Ao contrário, os que há dois anos optaram por PSD, Chega e Iniciativa Liberal preferem a demissão (no caso dos sociais-democratas é o que defendem 60%).

rafael@jn.pt

Diário de Notícias

Rafael Barbosa
04 Novembro 2021 — 08:00