1046: InSight regista sismo monstruoso em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Este espectro grama mostra o maior sismo alguma vez detectado noutro planeta. De magnitude estimada em 5, este terramoto foi descoberto pelo “lander” InSight da NASA no dia 4 de maio de 2022, o 1222.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ETH Zurique

O “lander” marciano InSight da NASA detectou o maior sismo alguma vez observado noutro planeta: uma magnitude estimada de 5 que ocorreu no dia 4 de maio de 2022, o 1222.º dia marciano, ou sol, da missão. Isto acrescenta ao catálogo de mais de 1313 sismos que o InSight detectou desde que pousou em Marte em Novembro de 2018. O maior sismo anteriormente registado teve uma magnitude estimada de 4,2, detectado no dia 25 de Agosto de 2021.

O Insight foi enviado para Marte com um sismómetro altamente sensível, fornecido pelo CNES (Centre National d’Études Spatiales) na França, para estudar o interior profundo do planeta. À medida que as ondas sísmicas passam ou são reflectidas do material na crosta, manto e núcleo de Marte, mudam de formas que os sismólogos podem estudar para determinar a profundidade e composição destas camadas. O que os cientistas aprendem sobre a estrutura de Marte pode ajudá-los a compreender melhor a formação de todos os mundos rochosos, incluindo a Terra e a sua Lua.

Um sismo de magnitude 5 é de tamanho médio em comparação com os sentidos na Terra, mas está próximo do limite superior do que os cientistas esperavam ver em Marte durante a missão do InSight. A equipa científica terá de estudar mais profundamente este novo tremor de terra antes de poder fornecer detalhes como a sua localização, a natureza da sua fonte e o que nos poderá dizer sobre o interior de Marte.

“Desde que colocámos o nosso sismómetro em Dezembro de 2018, temos estado à espera do ‘grande'”, disse Bruce Banerdt, investigador principal do InSight no JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera a missão. “Este sismo vai certamente proporcionar uma vista sobre o planeta como nenhum outro. Os cientistas vão analisar estes dados para aprenderem coisas novas sobre Marte nos próximos anos.”

O grande sismo surge à medida que o Insight enfrenta novos desafios com os seus painéis solares, que alimentam a missão. À medida que a localização do InSight em Marte entra no inverno, há mais poeira no ar, reduzindo a luz solar disponível. No dia 7 de maio de 2022, a energia disponível ao módulo caiu abaixo do limite que desencadeia o modo de segurança, onde o “lander” suspende todas as funções à excepção das mais essenciais. Esta reacção está concebida para proteger o módulo de aterragem e pode ocorrer novamente à medida que a energia disponível diminui lentamente.

Depois do “lander” ter completado a sua missão principal no final de 2020, cumprindo os seus objectivos científicos originais, a NASA prolongou a missão até Dezembro de 2022.

Astronomia On-line
13 de Maio de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
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by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

976: Registados os dois maiores sismos marcianos, do outro lado do planeta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Mapa de relevo da superfície de Marte mostrando a localização do InSight (triângulo laranja), outros sismos marcianos localizados (pontos roxos) que se aglomeram a cerca de 30º de distância, perto de Cerberus Fossae, e S0976a, localizado dentro de Valles Marineris, a norte de Sollis Planum. Prevê-se que a localização de S1000a esteja algures dentro da região sombreada entre 107º e 147º do InSight.
Crédito: Horleston et al. (2022), TSR

O sismómetro colocado em Marte pelo módulo InSight da NASA registou os seus dois maiores eventos sísmicos até à data: um de magnitude 4,2 e outro de magnitude 4,1. São os primeiros eventos registados no outro lado do planeta e são cinco vezes mais fortes do que o maior evento registado anteriormente.

Os investigadores do MQS (Marsquake Service) do InSight relataram na revista The Seismic Record que os dados de ondas sísmicas dos eventos podem ajudá-los a aprender mais sobre as camadas interiores de Marte, particularmente o seu limite núcleo-manto.

Anna Horleston da Universidade de Bristol e colegas foram capazes de identificar ondas PP e SS reflectidas do evento de magnitude 4,2, chamado S0976a, e localizar a sua origem em Valles Marineris, uma enorme rede de desfiladeiros que é uma das características geológicas mais distintivas de Marte e um dos maiores sistemas de fossas tectónicas no Sistema Solar. Imagens orbitais anteriores de falhas transversais e deslizamentos de terras sugeriram que a área seria sismicamente activa, mas o novo evento é a primeira actividade sísmica ali confirmada.

S1000a, o evento de magnitude 4,1 registado 24 dias depois, foi caracterizado por ondas PP e SS reflectidas, bem como ondas P-difratadas, ondas de pequena amplitude que atravessaram o limite do núcleo-manto. Esta é a primeira vez que foram registadas ondas P-difratadas pela missão InSight. Os investigadores não conseguiram identificar definitivamente a localização de S1000a mas, tal como S0976a, este teve origem no outro lado de Marte. A energia sísmica de S1000a também tem a distinção de ser a mais longa registada no Planeta Vermelho, durando 94 minutos.

Ambos os sismos marcianos ocorreram na zona de sombra do núcleo, uma região onde as ondas P e S não podem viajar directamente para o sismómetro do InSight porque são paradas ou dobradas pelo núcleo. As ondas PP e SS não seguem um caminho directo, mas são reflectidas pelo menos uma vez na superfície antes de viajarem para o sismómetro.

“O registo de eventos dentro da zona de sombra do núcleo é um verdadeiro avanço para a nossa compreensão de Marte. Antes destes dois eventos, a maioria da sismicidade estava a cerca de 40º de distância do InSight,” disse Savas Ceylan, co-autor na ETH Zurique. “Estando dentro da sombra do núcleo, a energia atravessa partes de Marte que nunca conseguimos amostrar sismologicamente antes.”

Os dois sismos marcianos diferem em alguns aspectos importantes. S0976a caracteriza-se apenas por energia de baixa frequência, como muitos dos sismos identificados até agora no planeta, enquanto S1000a tem um espectro de frequência muito amplo. “[S1000a] é um claro ‘outlier’ no nosso catálogo e será a chave para a nossa maior compreensão da sismologia marciana,” disse Horleston.

S0976a tem provavelmente uma origem muito mais profunda do que S1000a, disse. “Este último tem um espectro de frequências muito mais parecido com uma família de eventos que observamos que foram modelados como sismos superficiais e crustais, pelo que este evento pode ter ocorrido perto da superfície. S0976a assemelha-se a muitos dos eventos que localizámos em Cerberus Fossae – uma área de falhas extensivas – que têm profundidades modeladas em cerca de 50 km ou mais e é provável que este evento tenha uma fonte profunda e mecanismo semelhantes.”

Em comparação com o resto da actividade sísmica detectada pelo InSight, os dois novos abalos no outro lado do planeta são verdadeiros “outliers”, disseram os investigadores.

“Não só são os maiores e mais distantes eventos por uma margem considerável, S1000a tem um espectro e uma duração diferentes de qualquer outro acontecimento anteriormente observado. São verdadeiramente acontecimentos notáveis no catálogo sísmico marciano,” concluiu Horleston.

Astronomia On-line
26 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
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For the victims of the genocide practiced
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864: O magma faz com que sismos abalem o Planeta Vermelho

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

A estrutura interna de Marte.
Crédito: Shutterstock/Vadim Sadovski

Investigadores da Universidade Nacional Australiana sugerem que a actividade vulcânica sob a superfície de Marte pode ser responsável pelo desencadeamento de sismos repetitivos, semelhantes aos sismos na Terra, numa região específica do Planeta Vermelho.

Uma nova investigação publicada na revista Nature Communications mostra que cientistas da Universidade Nacional Australiana e da Academia Chinesa de Ciências de Pequim descobriram 47 sismos anteriormente não detectados sob a crosta marciana, numa área chamada Cerberus Fossae – uma região sismicamente activa em Marte com menos de 20 milhões de anos.

Os autores do estudo especulam que a actividade magmática no manto marciano, que é a camada interior de Marte que se encontra entre a crosta e o núcleo, é a causa destes sismos recentemente detectados.

Os resultados sugerem que o magma no manto marciano ainda está activo e é responsável pelos sismos vulcânicos, ao contrário do pensamento anterior dos cientistas de que estes eventos são provocados por forças tectónicas marcianas.

Segundo o geofísico e professor Hrvoje Tkalčić, da Universidade Nacional Australiana, a natureza repetitiva destes tremores e o facto de terem sido todos detectados na mesma área do planeta sugere que Marte é mais sismicamente activo do que os cientistas pensavam anteriormente.

“Verificámos que estes sismos ocorreram repetidamente em todas as alturas do dia marciano, enquanto os sismos detectados e relatados pela NASA no passado pareciam ter ocorrido apenas durante a calada da noite, quando o planeta está mais calmo,” disse o professor Tkalčić.

“Portanto, podemos assumir que o movimento da rocha derretida no manto marciano é o gatilho para estes 47 sismos recentemente detectados sob a região de Cerberus Fossae.”

O professor Tkalčić disse que a sismicidade contínua sugere que a região de Cerberus Fossae em Marte é “sismicamente muito activa”.

“Saber que o manto marciano ainda está activo é crucial para a nossa compreensão de como Marte evoluiu como um planeta,” disse.

“Pode ajudar-nos a responder a estas questões fundamentais sobre o Sistema Solar, sobre o estado do núcleo e do manto de Marte e sobre a evolução do seu campo magnético actualmente em falta.”

Os investigadores utilizaram dados recolhidos a partir de um sismómetro ligado ao módulo InSight da NASA, que tem vindo a recolher dados sobre sismos, sobre o clima marciano e sobre o interior do planeta desde que pousou no Planeta Vermelho em 2018.

Usando um algoritmo único, os investigadores puderam aplicar as suas técnicas aos dados da NASA para detectar os 47 sismos anteriormente não descobertos.

Os autores do estudo dizem que enquanto os sismos teriam provocado alguns abalos em Marte, os eventos sísmicos eram relativamente pequenos em magnitude e mal seriam sentidos se tivessem ocorrido na Terra. Os tremores foram detectados durante um período de cerca de 350 sóls – um termo usado para se referir a um dia solar em Marte – o que equivale a cerca de 359 dias na Terra.

De acordo com o professor Tkalčić, os achados sísmicos podem ajudar os cientistas a descobrir porque é que o Planeta Vermelho já não tem um campo magnético.

“Os sismos marcianos ajudam-nos indirectamente a compreender se a convecção está a ocorrer no interior do planeta e, se esta convecção estiver de facto a ocorrer, o que os nossos achados sugerem, então deve haver outro mecanismo em jogo que está a impedir que um campo magnético se desenvolva em Marte,” explicou.

“Toda a vida na Terra é possível graças ao campo magnético da Terra e à sua capacidade de nos proteger da radiação cósmica, pelo que sem um campo magnético a vida como a conhecemos simplesmente não seria possível.

“Portanto, compreender o campo magnético de Marte, como evoluiu e em que fase da história do planeta parou, é obviamente importante para futuras missões e crítico se os cientistas esperam um dia estabelecer vida humana em Marte.”

Astronomia On-line
5 de Abril de 2022