819: É incrível a nova imagem do Sol divulgada pela NASA

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A NASA e outras agências, como a ESA, têm-nos presenteado com imagens incríveis do Sol. Através das captações da sonda Solar Orbiter, a humanidade estuda hoje a sua estrela com muito mais detalhe. E são esses detalhes que surpreendem e que permitem vermos o Sol como nunca o vimos.

Uma das imagens captada pelo Extreme Ultraviolet Imager (EUI) mostra o Disco Solar completo com a coroa à distância de 75 milhões de quilómetros.

Para dar uma ideia, esta sonda está actualmente a metade da distância entre o Sol e a Terra.

E como se consegue uma imagem com tanto detalhe?

A imagem captada é, na verdade, um conjunto de várias imagens. O mosaico encaixa 25 imagens individuais que, tendo em conta o seu tamanho gigante, demorou cerca de 4 horas para ser concluída.

A captação exigiu que fossem tiradas várias imagens do mesmo local e, para isso, foi necessário esperar que cada ciclo fosse repetido – para cada um destes quadros foi necessário esperar, em média, 10 minutos.

O resultado pode ser observado abaixo e, originalmente, conta com mais de 83 milhões de pixeis. O principal aspecto destacado foi a clareza na qual a coroa solar é visualizada.

SPICE em acção para detalhar a estrela da Terra

Segundo foi referido, nesta acção foi usado também outro instrumento. É conhecido como SPICE e foi capaz de delinear as camadas na atmosfera do Sol, passando pela coroa e pela cromosfera.

Foi possível reproduzir uma captação visual com um comprimento de onda da luz ultravioleta manifestada pelo hidrogénio gasoso.

O método foi parecido com o anterior, e várias imagens foram utilizadas para criar mosaicos de cores diferentes, que servem para ilustrar as temperaturas dos elementos presentes, como o carbono (temperatura: 32.000 °C) em azul, o hidrogénio gasoso (temperatura: 10.000 °C) em roxo, o oxigénio (temperatura: 320.000 ºC) em verde, e o néon (temperatura: 630.000 ºC), ilustrado pela cor amarela.

Apesar de não nos trazer, ao comum mortal, uma luxúria de detalhes, a verdade é que os resultados excedem o que os nossos olhos conseguem perceber.

Com os dados obtidos, os físicos poderão delinear as erupções que acontecem da coroa solar até as camadas atmosféricas internas, e também poderão investigar o motivo que faz a coroa exceder 1 milhão de graus Celsius, enquanto outros segmentos, como a superfície, possui uma temperatura de “apenas” 5.000 °C.

Apesar de a Solar Orbiter estar mais perto do Sol do que alguma vez esteve, ainda não atingiu o seu limite. Na verdade, e segundo estima a NASA, até ao dia 26, a sonda estará no ponto de maior proximidade do Sol.

Actualmente, o instrumento recolhe dados e fotos das partículas do vento solar no interior da órbita de Mercúrio.

Pplware
Autor: Vítor M.
26 Mar 2022

 



 

455: Saúde mental e suas consequências

Hoje, desloquei-me para fora do meu habitáculo de confinamento voluntário, porque senti necessidade de apanhar um pouco de vitamina D.

A vitamina D, também conhecida como a vitamina do Sol, é uma vitamina lipossolúvel (que se dissolve na gordura) essencial para o bom funcionamento e equilíbrio do nosso organismo. … Ao contrário das outras vitaminas, a vitamina D pode ser produzida pela pele, através da exposição aos raios ultravioletas.

Bom… mas se por um lado é bom – e necessária – esta vitamina D, também é facto que a saúde mental necessita ser resguardada de eventuais danos colaterais. E o facto é que, cada vez (poucas) que tenho de sair para o exterior, a minha saúde mental fica abalada porque preocupo-me com o que vejo.

E o que vejo, tendo conhecimento das estatísticas diárias das infecções (ontem, foram ultrapassadas as 65.000 com 41 mortes por Covid-19), é que as gentes que circulam pelas ruas, não têm a menor noção não só do perigo que correm por andarem sem máscara ou com ela pendurada nos queixos ou nos braços, como de eventualmente poderem infectar terceiros.

E, cientificamente, já está provado que, mesmo com as duas doses vacinais mais a de reforço, podem ser infectados ou infectar.

As estatísticas destes acontecimentos, com origem na DGS, são publicadas diariamente no meu Blogue Portal da Saúde.

Mas regressando ao início, passei por uma superfície comercial e, mais uma vez, constatei o espírito de civismo que é latente em muita gente. Na zona de Cafetaria, com várias mesas – e já não é a primeira vez que constato esta situação -, as gentes comem o que têm a comer mas depois deixam o tabuleiro e os restos em cima da mesa.

Porque de tempos a tempos, uma funcionária vai recolher esses dejectos alimentícios e desinfectar a mesa. Felizmente ainda existem pessoas que terminado o repasto, levam o tabuleiro com os restos e despejam no receptáculo existente para esse fim.

Quem costuma frequentar estes espaços sabe que é assim que se devia proceder por uma razão higiénica e não fazer das funcionárias nossas criadas.

Mas regressando novamente ao exterior, no ano passado, mês de Novembro ou Dezembro, em Santo Amaro/Lisboa, instalações da Carris encontram-se em obras.

Na altura até publiquei uma imagem onde um tapume dessas obras cobria totalmente o passeio, obrigando as pessoas a circularem pela estrada, com a linha do eléctrico a um passo de distância, ou seja, se na altura existisse alguém a circular nessa zona, o eléctrico teria de parar.

Inconcebível esta situação e alguém escreveu nesse tapume E OS PEÕES ?

Hoje, ao passar por esse local, existia um sinal (que não consta, que eu saiba, no Código da Estrada) a avisar PASSAGEM OBRIGATÓRIA DE PEÕES!

Obrigatória?

Quem tem a infelicidade de mobilidade reduzida – e porque a paragem de várias carreiras é depois desse tapume (porque não passá-las para o espaço anterior onde existem mais paragens da Carris?) -, tem de atravessar a estrada antes do tapume e voltar a atravessa a estrada após o tapume para se dirigir às paragens existentes.

Será que as cabecinhas pensadoras que decidiram estupidamente esta situação, têm a perfeita noção da merda que projectaram?

Não, não têm porque suas excelências têm pópó e não andam de transportes públicos e quem lhes paga os ordenados ao fim do mês, são os que têm de levar com os projectos destes acéfalos.

E por hoje é tudo.

Francisco Gomes
28.01.2022

 



 

201: Lisboa. Inferno do trânsito voltou em força e está pior que pré-pandemia

– O maior problema é que quem utiliza transporte próprio em detrimento dos transportes colectivos, tenham estes os defeitos que tiverem, são labregos que não querem misturar-se com a ralé embora eles mesmos sejam a ralé. Presunção e água benta, cada qual toma a que quer. E depois verifica-se o estacionamento selvagem em cima dos passeios, das passadeiras, nas paragens dos transportes colectivos em infracção aos artigos 48º. e 49º. do Código da Estrada sem que as autoridades competentes – neste caso de Lisboa, a Polícia Municipal -, tomem as devidas providências para acabar com estes abusos. Porque o lema destes labregos é “eu estou bem, os outros que se lixem (para não empregar uma palavra mais dura)”

SOCIEDADE/TRÂNSITO

O trânsito na capital já está a voltar aos níveis de 2019, tendo havido mesmo nas últimas semanas dias em que os valores ultrapassaram os valores pré-pandemia. Especialistas em transportes e ambientalistas apontam o receio que as pessoas ainda têm de usar os transportes públicos como o principal factor.

O trânsito na Segunda Circular, junto à Escola Alemã, no passado dia 15, sexta-feira, ao final da tarde.
© André Luís Alves / Global Imagens

Os dias em que se podia circular de automóvel nas ruas de Lisboa sem apanhar trânsito são cada vez mais uma recordação dos tempos de confinamento. Se não vejamos: de acordo com os dados da TomTom Traffic Index, se nos primeiros 259 dias deste ano (37 semanas) apenas em um houve mais trânsito do que em 2019, nos 22 dias seguintes já se registaram nove dias com mais trânsito. De 27 de Setembro a 3 de Outubro, foi a primeira semana de 2021 em que o tráfego em Lisboa foi superior à semana homóloga de 2019, registando um valor 3% superior (em 2020, a capital tinha apresentado uma diminuição de congestionamento de 30%, quando comparado com o ano anterior).

No acumulado da semana seguinte (4 a 10 de Outubro) esse aumento não se repetiu, porque os números foram influenciados pelo facto de o feriado de 5 de Outubro ter acontecido numa terça-feira (em 2019, tinha sido num sábado, por isso sem influência no trânsito); a segunda-feira, 4 de Outubro, também ficou muito abaixo dos números de pré-pandemia, pois muita gente fez ponte. Mas nos restantes dias da semana, o trânsito em Lisboa superou os valores de 2019.

“Este aumento de tráfego deve-se essencialmente a vários factores. Um deles é o desconfinamento e a retoma progressiva da actividade normal, com relevância para o início do ano lectivo com aulas presenciais. Outro factor é a utilização do automóvel para levar os filhos à escola e que é responsável por cerca de 20% do tráfego em Lisboa.

Há ainda que ter em conta que enquanto a memória da pandemia estiver presente, e o receio de uma nova variante que provoque uma nova vaga de pandemia estiverem presentes, a preferência pelo transporte individual manter-se-á. A parte das pessoas que podem funcionar em teletrabalho são uma percentagem reduzida em relação ao total do número de trabalhadores e cinge-se ao sector terciário superior, pelo que a sua contribuição para a redução do tráfego não será suficiente para cobrir os que passaram a optar pelo automóvel particular devido ao receio de utilizar os transportes colectivos”, explica ao DN Fernando Nunes da Silva, professor do Instituto Superior Técnico e especialista em transportes e urbanismo.

Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista ZERO, fala em “altura absolutamente desastrosa”. “Está a acontecer aquilo que nós não queríamos que acontecesse, porque basicamente o trânsito significa ruído, significa poluição do ar, significa baixa produtividade por causa das horas passadas em congestionamentos, significa mais gastos para as famílias, significa menos uso do transporte público.

Ou seja, efectivamente aquilo que se tem verificado nas últimas semanas é tudo aquilo que não poderia acontecer e rapidamente nós precisamos de contrariar esse efeito, quer por medidas estruturantes nas grandes cidades, quer por uma mudança de paradigma das pessoas que não usam o transporte público…”.

Os transportes públicos em Lisboa estão de facto numa trajectória contrária à dos automóveis em termos de utilização, apresentando em Setembro números inferiores aos do mesmo mês de 2019. “O Metropolitano de Lisboa registou 8 442 194 validações em Setembro de 2021. Este valor corresponde a 57,2% das validações do período homólogo de 2919, quando o ML registou 14 760 700 validações.

Entretanto, quando comparado a Setembro de 2020, quando o Metropolitano de Lisboa registou 6 878 768 validações, nota-se uma evolução positiva da procura de 22,7%. De um modo geral, o total de passageiros de Janeiro a Setembro de 2021 continua a ser inferior relativamente ao total de passageiros de 2019 e até de 2020 (ano atípico de pandemia)”, adianta ao DN fonte do Metropolitano. “No entanto, quando analisado mensalmente, verifica-se um aumento gradual na recuperação dos passageiros quando comparamos 2021 com 2019 e 2020, tendo-se acentuado este aumento no mês de Setembro, em resultado do início do novo ano lectivo, bem como o regresso ao trabalho presencial”, acrescenta a mesma fonte.

No que diz respeito à Carris, o cenário é semelhante. Os números provisórios de Setembro apontam para 8,9 milhões de passageiros, menos 27% quando comparados com os 12,2 milhões do mesmo mês de 2019. Quando a comparação é feita com os 7,5 milhões de passageiros de Setembro do ano passado, a Carris regista agora uma subida de 18%.

“Na segunda metade do mês de Setembro já se sentiu um aumento mais acentuado da procura, estimando-se que nas últimas semanas a procura já tenha sido cerca de 75% da procura registada em período homólogo de 2919”, nota fonte da Carris. No acumulado entre Janeiro e Setembro, a empresa pública de autocarros de Lisboa registou 61 milhões de passageiros, uma diminuição de 40% quando comparado com os 101,9 milhões de 2019. Comparando o corrente ano com os 58,3 milhões do acumulado até Setembro de 2020, houve um aumento de 5%.

Na opinião de Fernando Nunes da Silva, estes valores são explicados pelo receio que as pessoas ainda têm de usar os transportes públicos, sendo que este especialista acredita que é muito provável que o fluxo de trânsito em Lisboa seja cada vez mais superior aos valores pré-pandemia.

“Enquanto a memória da pandemia e o receio de contágio persistir, é natural que as pessoas procurem evitar a utilização de modos de transporte em que o contacto e a utilização de espaços fechados e pouco arejados seja frequente. Durante a pandemia, mesmo quando o confinamento foi mais reduzido, um estudo europeu veio mostrar que os meios de transporte que mais cresceram em seis países do centro e norte da Europa foram o transporte individual e o andar a pé.

Os transportes colectivos perderam mais de 50% e até o andar de bicicleta teve redução”, comenta o professor do Técnico. “É importante não esquecer que o recurso ao teletrabalho está restrito a grupos profissionais do terciário superior ou a algumas profissões liberais, de modo algum são a maioria dos que têm que se deslocar. Por outro lado, mesmo esses, como se deslocam menos, quando precisam de aceder a actividades presenciais, vão preferir o transporte individual: já que se deslocam menos, preferem fazê-lo com maior liberdade e conforto”, acrescenta o mesmo especialista.

Como utilizador de transportes públicos, Francisco Ferreira tem notado por experiência própria este decréscimo de passageiros, apontando que, perante o actual preço dos combustíveis e o valor dos passes, a questão passa muito pela confiança das pessoas.

“Há aqui dois problemas: um é que precisamos de confiança por parte das pessoas, para isso é também fundamental as autoridades de saúde darem mais informação e os gestores dos vários transportes também apresentarem publicamente as medidas que estão em curso para garantir a segurança na frequência dos transportes públicos. Há aqui uma acção de sensibilização dos operadores de transporte, do governo, da própria ZERO, do Ministério da Saúde, no sentido de dar confiança às pessoas. Depois, foi dado um sinal errado em vários municípios, nomeadamente em Lisboa, quando se disse que os valores do estacionamento deviam diminuir, que não se devia colocar tantos obstáculos à utilização do automóvel no centro de Lisboa e isso é o oposto da sustentabilidade. Noutras cidades europeias, as medidas que estão a ser implementadas vão em sentido completamente contrário”, nota o ambientalista.

Aposta única nas bicicletas não é solução

Nunes da Silva dá o exemplo de Barcelona e Paris como cidades que souberam aproveitar a pandemia para implementar medidas numa tentativa de diminuir o trânsito. “Para além do espaçamento dos horários de abertura (e consequente entrada ao serviço dos seus trabalhadores) das diferentes actividades económicas e de administração, da combinação entre dias de trabalho ou aulas presenciais e à distância, da reorganização da oferta do transporte colectivo rodoviário no sentido de o aproximar mais dos potenciais utilizadores e diminuir a concentração de pessoas em poucos eixos, foram desenvolvidas outras acções no sentido de apoiar o comércio de bairro, a criação de mais espaços para a circulação de pessoas e bicicletas e restrições ao acesso automóvel (salvo para residentes e serviços urbanos) em bairros e áreas centrais, no sentido de facilitar o andar a pé nesses espaços e providenciar locais de lazer e estar com menor concentração de pessoas”, refere o professor do Instituto Superior Técnico.

Fernando Nunes da Silva viu a pandemia como uma oportunidade perdida para as autoridades portuguesas implementarem medidas para tentarem diminuir o trânsito nas grandes cidades, nomeadamente na capital.

“Infelizmente para nós, e particularmente em Lisboa, uma visão ideologizada do problema levou a centrar todas as medidas na promoção do uso da bicicleta, esquecendo que esse modo de transporte, sendo importante e devendo ser promovido, não tinha capacidade de resposta para o volume de deslocações que se devia satisfazer, além de que não é de um dia para o outro que as pessoas passam a andar de bicicleta, mesmo que tenham idade e condições físicas para isso.

Ao contrário das duas cidades citadas, que a par da utilização da bicicleta tomaram importantes medidas para desfazer a concentração das deslocações no espaço e no tempo, assim como o reforço das redes de transportes colectivos de proximidade, em Lisboa procedeu-se a uma redução uniforme da oferta de transportes colectivos, o que levou a situações de congestionamento nas primeiras e últimas horas de ponta superiores às que existiam antes da pandemia. Essa situação levou a que, quem pudesse, se afastasse dos transportes colectivos e levará tempo a que regressa a eles”.

Quanto ao futuro do trânsito em Lisboa, Francisco Ferreira nota que as propostas da coligação Novos Tempos, liderada por Carlos Moedas, vão em sentido contrário de ter uma cidade com menos carros. “E nós estamos obviamente apreensivos com aquilo que poderá vir a acontecer”, diz o líder da ZERO, para quem há três medidas que o novo presidente da Câmara de Lisboa deve tomar para ter uma capital com menos trânsito e poluição. “A primeira é ter uma zona zero emissões.

Uma zona mesmo só para veículos eléctricos, bicicletas, trotinetas, andar a pé. Isso está a ser implementado também noutras cidades europeias e nós queríamos que Lisboa tivesse a zona mais central, a zona da Baixa, dos Restauradores, como uma zona zero emissões. Depois, que a zona de emissões reduzidas seja revista, porque ela não é revista há seis anos e, portanto, ela neste momento é pouco eficaz. E, por outro lado, que o estacionamento seja menor e tão ou mais dispendioso, a par de uma melhor oferta de transportes públicos, porque nós precisamos mesmo de menos carros em Lisboa e a vir para Lisboa”.

A ZERO teve uma reunião com Carlos Moedas, mas também com os outros candidatos, durante a campanha para as autárquicas, a quem explicaram estas ideias. “Eu acho que ele [Moedas] reagiu favoravelmente, mas depois também vimos que algumas das suas propostas vão em sentido contrário. Portanto, vamos ver”, diz Francisco Ferreira.

ana.meireles@dn.pt

Diário de Notícias
Ana Meireles
19 Outubro 2021 — 00:07