688: A Força Espacial dos EUA planeia começar a patrulhar a área à volta da Lua

TECNOLOGIA/EUA/SPACE FORCE

James Richardson Jr / US Space Force

A Força Espacial dos Estados Unidos anunciou esta semana que planeia começar a fazer rondas de patrulha na área à volta da Lua.

Esta semana, o Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA divulgou um vídeo no YouTube que não mereceu muita atenção, segundo a Ars Technica.

Mas fez um anúncio que é bastante significativo — os planos militares dos EUA de alargar as suas capacidades espaciais para além da órbita geo-estacionária, até à Lua.

“Até agora, a missão espacial dos Estados Unidos estendeu-se a 22.000 milhas acima da Terra”, diz o narrador do vídeo.

“Isso foi nessa altura, isto é agora”. O Laboratório de Investigação da Força Aérea está a aumentar esse alcance em 10 vezes e a área de operações dos Estados Unidos em 1.000 vezes, alcançando até o lado mais distante da Lua.

Os militares norte-americanos já tinham falado em alargar o seu domínio operacional, mas agora estão a tomar medidas.

Planeiam lançar um satélite, provavelmente equipado com um poderoso telescópio, para o espaço cislunar. De acordo com o vídeo, o satélite será chamado Sistema de Patrulha Rodoviário Cislunar (CHPS).

O laboratório de investigação planeia emitir um “pedido de propostas de protótipos” para o satélite CHPS a 21 de Março e anunciar a adjudicação do contrato em Julho. O programa CHPS será gerido por Michael Lopez, da Direcção de Veículos Espaciais do laboratório.

Este esforço incluirá a participação de várias organizações militares, mas o laboratório da Força Aérea irá supervisionar o desenvolvimento do satélite.

A Força Espacial dos EUA irá então adquirir esta capacidade de utilização pelo Comando Espacial dos EUA, que é responsável pelas operações militares no espaço.

Efectivamente, este satélite é o início de uma extensão das operações do Comando Espacial dos EUA, do espaço geo-estacionário para além da Lua.

“É o primeiro passo para eles poderem saber o que se passa no espaço cislunar e depois identificar quaisquer potenciais ameaças às actividades dos EUA“, disse Brian Weeden, director de planeamento de programas da Secure World Foundation.

Weeden afirmou que não pensa que o satélite CHPS incluirá capacidades para responder a quaisquer ameaças, mas servirá principalmente para fornecer uma consciência situacional.

Então, porque está o Comando Espacial dos EUA interessado em expandir o seu teatro de operações para incluir a Lua?

A principal razão citada no vídeo é a gestão do crescente tráfego espacial no ambiente lunar, incluindo várias missões comerciais patrocinadas pela NASA, o programa Artemis da agência espacial, e de outras nações.

Um relatório recente do Center for Strategic & International Studies, Fly Me to the Moon, examina as dezenas de missões planeadas para a Lua durante a próxima década.

Com o satélite CHPS, e possíveis missões de seguimento, os militares americanos procuram assegurar o “desenvolvimento pacífico” do espaço cislunar e proporcionar um ambiente “seguro e protegido” para a exploração e desenvolvimento comercial.

Weeden acredita que há também outro elemento estratégico para este novo programa. Os líderes militares, segundo o dirigente, estão preocupados com objectos espaciais que são colocados no espaço cislunar por outros governos e são depois perdidos pelas redes espaciais existentes de consciência situacional, centradas na baixa órbita terrestre e na órbita geo-estacionária.

Tais objectos, segundo Weeden, podem oscilar à volta da Lua e potencialmente voltar para atacar um satélite militar dos EUA no espaço geo-estacionário.

“Penso que isso é rebuscado, mas é viável de uma perspectiva física e exploraria definitivamente uma lacuna na sua actual consciência do domínio espacial”, explicou. ”

Penso que estão muito mais preocupados com isso do que quaisquer ameaças reais no espaço cislunar, porque os EUA não têm neste momento qualquer recurso militar no espaço cislunar”.

  Alice Carqueja, ZAP //
Alice Carqueja
6 Março, 2022



 

624: Lixo no espaço: a “tempestade perfeita” criada por satélite russo

SOCIEDADE/LIXO ESPACIAL/SATÉLITES

Demonstração criou lixo metálico espacial. Satélite Cosmos 1408 foi destruído e criou milhares de pedaços de detritos orbitais.

A demonstração de uma arma anti-satélite, por parte da Rússia, originou o aparecimento de milhares de pedaços de lixo metálico espacial.

A RTP cita especialistas que avisam que, em alguns casos, há dezenas de milhares de hipóteses de colisão por semana.

O teste russo ASAT foi realizado no dia 15 de Novembro e destruiu o satélite Cosmos 1408. E foi essa destruição que originou o lixo espacial, que agora cria várias ondas de aproximações a satélites activos em órbita baixa da Terra.

São “rajadas de conjunção” que já foram anotadas pela COMSPOC, empresa que controla as operações no espaço.

Um vice-presidente dessa empresa, Travis Langster, avisou que, na primeira semana de Abril, haverá 40 mil conjunções exclusivamente relacionadas com a destruição deste satélite. E o pico pode chegar a 50 mil conjunções por dia.

O Cosmos 1408 – ou os restos desse satélite – está na órbita de diversos e importante satélites sensoriais remotos, que fazem monitorização terrestre, marinha e meteorológica.

Esses detritos, além de se sobreporem órbitas dos outros satélites, estão a deslocar-se na direcção oposta, o que terminará com choque frontal.

“Quando os detritos se sincronizam, provocam a tempestade perfeita: estão no mesmo plano de órbita, mas a viajar em sentido contrário, cruzando-se duas vezes numa órbita, repetidamente”, analisou o director da COMSPOC, Dan Oltrogge.

As órbitas só deixarão de estar em sincronia daqui a alguns (ou muitos) dias.

Nuno Teixeira da Silva
22 Fevereiro, 2022



 

478: Outro satélite da Starlink “entrou” na atmosfera e a explosão foi vista no Brasil

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/STARLINK

Há cerca de uma semana, o satélite da Starlink 2200 saiu de órbita e desintegrou-se na atmosfera da Terra. Na altura a bola de fogo foi vista na Península Ibérica. Ontem, no outro lado do Atlântico, apareceu um estranho fenómeno luminoso no céu do Maranhão e do Tocantins.

Segundo especialistas, foi uma reentrada indesejada na nossa atmosfera – talvez um pequeno satélite Starlink, lançado em 2020.

Starlink perde mais um satélite

A SpaceX tem planos para colocar a funcionar uma constelação de 12 mil satélites (com potencial de expansão para 42 mil). Esta rede conseguirá fornecer banda larga para qualquer lugar do mundo.

Os satélites de Musk não são geo-estacionários. O plano é que eles ocupem órbitas muito mais baixas, entre 340 km e 1.150 km de altitude. Isso diminui a distância que o sinal necessita de percorrer e melhora a latência.

Estes pequenos satélites da rede proprietária da SpaceX pesam cerca de 260 kg. Quando avariam ou chegam ao fim de vida, o seu cemitério é a Terra.

Vídeos mostram satélite Starlink a cair sobre o Brasil

Os residentes da cidade de Imperatriz (MA) e de Araguaína (TO) puderam registar o momento em que um satélite sai de órbita e desintegrou-se na nossa atmosfera. A bola de fogo cruzou o céu por volta das 23 horas locais.

Um indício de que era lixo espacial foi a lenta velocidade da bola de fogo, isto é, a passagem durou mais de 20 segundos. Se fosse um meteorito era bem mais rápido, assim como se fosse um avião.

Era muito brilhante, tinha uma bola maior e muitas bolas pequenas juntas, e passou lentamente, e pelo ângulo vi que era como se estivesse a voltar ao ao chão, foi inacreditável.

Disse uma moradora que viu a bola de fogo e disse que tinha um brilho laranja.

De volta à atmosfera

Há cada vez mais satélites a preencher a órbita da Terra. Como tal, começa a ser “normal” as reentradas de peças, e de lixo espacial após o término da sua missão. Contudo, iremos começar a ver cada vez mais satélites a caminho da sua destruição na atmosfera.

Alguns deles têm uma data de validade, outros têm defeitos, e no final são “desfeitos”, incinerados pelo atrito ao atravessar as camadas de gases até chegarem ao solo. Estes acontecimentos nem sempre são controlados.

Quando chegam à nossa atmosfera a uma velocidade muito alta, e ao queimarem, geram um fenómeno de iluminação, como se viu ontem no Brasil. As cores do rasto dependem da construção do equipamento, do combustível e da contenção dos gases.

Alguém correu perigo?

Durante o processo, o objecto destrói-se,  desintegra-se, evapora-se quase por completo. Nesse sentido, se estas partículas atingirem o solo, serão muito pequenas. Portanto, fique descansado. O risco de ferimentos ou destruição a partir destes detritos é praticamente inexistente.

Esta reentrada era mais ou menos expectável. Segundo informações, o satélite n.º 1840 foi lançado a 25 de Novembro de 2020, a partir da Base Aérea do Cabo Canaveral, Florida (EUA), no 14.º lote do projecto.

Até agora, houve 34 lançamentos, que colocaram quase 2.000 mini-satélites Starlink na órbita da Terra.

Pplware
Autor: Vítor M.
30 Jan 2022


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