739: Estrela rara (e explosiva) apanhada a produzir poderosos raios gama

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

DESY / HESS, Science Communication Lab
Conceito artístico do sistema binário RS Ophiuchim, formado por uma anã branca e uma gigante vermelha

A erupção do sistema binário RS Ophiuchi revelou que a onda de choque que se expande para o Espaço actua como um acelerador de partículas que produz radiação gama.

Uma estrela binária rara, que explode repetidamente, está a produzir a forma de luz mais energética do Universo: raios gama.

Os astrónomos analisaram a erupção do sistema RS Ophiuchi, que revelou uma onda de choque que actua como um acelerador de partículas que, por sua vez, gera radiação gama.

Segundo o Science Alert, o sistema é formado por uma anã branca e uma gigante vermelha, e a cada 15 anos (ou mais) ocorre um evento de explosão graças ao “vampirismo estelar” – quando uma anã branca rouba o material da sua companheira gigante vermelha até ter material suficiente para desencadear uma reacção termonuclear.

Quando esse evento acontece, o excesso de material da anã branca é expelido violentamente para o Espaço, à velocidade de 2.600 quilómetros por segundo.

No caminho, parte do material encontra-se com o vento estelar da gigante vermelha: os protões são acelerados em energias muito altas e colidem uns com os outros para produzir fotões de raios gama.

Além de sugerir que os raios gama podem ser produzidos em condições menos extremas do que se pensava, esta descoberta indica que explosões maiores, como super-novas, possam ser aceleradores de partículas ainda mais potentes, produzindo raios cósmicos com energias superiores a um quatrilião de electrão-volts.

“É a primeira vez que conseguimos realizar observações como esta, e isto permitirá obter insights futuros ainda mais precisos sobre como funcionam as explosões cósmicas”, reagiu o astrofísico Dmitry Khangulyan, da Universidade Rikkyo, em Tóquio.

No futuro, os astrónomos poderão eventualmente descobrir “que as novas contribuem para o sempre presente mar de raios cósmicos e, portanto, têm um efeito considerável na dinâmica dos seus arredores imediatos”.

O artigo científico foi publicado, a 10 de Março, na Science.

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16 Março, 2022