1328: Rover Curiosity faz inventário de ingrediente-chave da vida

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE/CURIOSITY

A partir de uma posição na depressão rasa “Yellowknife Bay”, o rover Curiosity da NASA utilizou a sua Mastcam (câmara do lado direito do mastro) para obter as imagens combinadas neste panorama de diversidade geológica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Utilizando dados do rover Curiosity da NASA, cientistas mediram pela primeira vez o carbono orgânico total – um componente chave nas moléculas da vida – nas rochas marcianas.

“O carbono orgânico total é uma das várias medições [ou índices] que nos ajudam a compreender quanto material está disponível como matéria-prima para a química pré-biótica e potencialmente biológica”, disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

“Encontrámos pelo menos 200 a 273 partes por milhão de carbono orgânico. Isto é comparável ou mesmo superior à quantidade encontrada nas rochas em locais de muito pouca vida na Terra, tais como partes do Deserto do Atacama na América do Sul, e mais do que foi detectado nos meteoritos marcianos.”

O carbono orgânico é carbono ligado a um átomo de hidrogénio. É a base das moléculas orgânicas, que são criadas e utilizadas por todas as formas de vida conhecidas. No entanto, o carbono orgânico em Marte não prova a existência de vida porque também pode vir de fontes não vivas, tais como meteoritos e vulcões, ou ser formado no local por reacções à superfície.

O carbono orgânico já tinha sido encontrado anteriormente em Marte, mas as medições anteriores apenas produziram informação sobre determinados compostos, ou representavam medições que capturam apenas uma porção do carbono nas rochas. A nova medição indica a quantidade total de carbono orgânico nestas rochas.

Embora a superfície de Marte seja agora inóspita para a vida, existem evidências de que há milhares de milhões de anos o clima era mais semelhante ao da Terra, com uma atmosfera mais espessa e água líquida que fluía em rios e mares. Uma vez que a água líquida é necessária para a vida tal como a entendemos, os cientistas pensam que a vida marciana, se é que alguma vez evoluiu, poderia ter sido sustentada por ingredientes chave como o carbono orgânico, se presente em quantidades suficientes.

O Curiosity está a avançar no campo da astrobiologia ao investigar a habitabilidade de Marte, estudando o seu clima e geologia. O rover perfurou amostras de rochas lamacentas com 3,5 mil milhões de anos na formação denominada “Yellowknife Bay” da Cratera Gale, o local de um antigo lago marciano.

Este lamito na Cratera Gale foi formado como sedimento muito fino (a partir do desgaste físico e químico das rochas vulcânicas) que assentou no fundo do lago e foi enterrado.

O carbono orgânico fazia parte deste material e foi incorporado no lamito. Além de água líquida e carbono orgânico, a Cratera Gale tinha outras condições propícias à vida, tais como fontes de energia química, baixa acidez e outros elementos essenciais para a biologia, tais como oxigénio, azoto e enxofre.

“Basicamente, este local teria oferecido um ambiente habitável para a vida, se é que alguma vez esteve presente”, disse Stern, autora principal de um artigo sobre esta investigação publicado dia 27 de Junho na revista PNAAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Para fazer a medição, o Curiosity entregou a amostra ao seu instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), onde um forno aqueceu a rocha em pó a temperaturas progressivamente mais elevadas. Esta experiência utilizou oxigénio e calor para converter o carbono orgânico em dióxido de carbono (CO2), cuja quantidade é medida para obter a quantidade de carbono orgânico nas rochas.

A adição de oxigénio e calor permite que as moléculas de carbono se partam e reajam com o oxigénio para produzir CO2. Algum carbono está fixado em minerais, pelo que o forno aquece a amostra a temperaturas muito elevadas para decompor esses minerais e libertar o carbono para o converter em CO2.

A experiência foi realizada em 2014, mas foram necessários anos de análise para compreender os dados e colocar os resultados no contexto de outras descobertas da missão na Cratera Gale. A experiência de recursos intensivos foi realizada apenas uma vez durante os 10 anos do Curiosity em Marte.

Este processo também permitiu com que o SAM medisse as proporções de isótopos de carbono, o que ajuda a compreender a fonte de carbono. Os isótopos são versões de um elemento com pesos (massas) ligeiramente diferentes, devido à presença de um ou mais neutrões extra no centro (núcleo) dos seus átomos. Por exemplo, o carbono-12 tem seis neutrões enquanto o mais pesado carbono-13 tem sete neutrões.

Uma vez que os isótopos mais pesados tendem a reagir um pouco mais lentamente do que os isótopos mais leves, o carbono da vida é mais rico em carbono-12. “Neste caso, a composição isotópica só nos pode realmente dizer que parte do carbono total é carbono orgânico e que parte é carbono mineral”, disse Stern.

“Embora a biologia não possa ser completamente excluída, os isótopos também não podem ser realmente utilizados para suportar uma origem biológica para este carbono, porque o intervalo de variação sobrepõe-se ao carbono ígneo (vulcânico) e ao material orgânico meteorítico, que são muito provavelmente a fonte deste carbono orgânico.”

Astronomia On-line
1 de Julho de 2022

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1227: Rover da NASA descobriu lixo em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Conforme temos vindo a ser avisados, a Terra está inegavelmente poluída e os milhares de milhões de pessoas do mundo produzem uma quantidade inimaginável de lixo. Aparentemente, não nos ficamos apenas pelo no nosso planeta e também já foram encontrados vestígios em Marte.

Aparentemente, o Perseverance da NASA já deixou a sua marca.

O rover Perseverance da NASA rumou a Marte para descobrir mais acerca do planeta vermelho e, se possível, encontrar evidência sobre vida. No entanto, enquanto procurava vida microbiana, o rover avistou lixo originado pela aterragem de um objecto.

Aparentemente, esse vestígio é material térmico que a NASA usou para proteger o Perseverance de temperaturas extremas enquanto ele viajar para Marte e entrava na atmosfera marciana. Os seres humanos já deixaram, no planeta vermelho, sinais de exploração.

A minha equipa detectou algo inesperado: é um pedaço de cobertor térmico que pensam ter vindo do momento da minha descida, a mochila a jacto movida a foguetes que me fez descer no dia da aterragem em 2021.

Disse a NASA, num tweet feito a partir da conta do Perseverance.

A agência espacial está na dúvida relativamente à trajectória que o lixo percorreu. Isto, porque pode ter aterrado naquele exacto local ou ter chegado lá com a ajuda do vento. Aliás, esta foi uma questão levantada pela própria NASA.

Os vestígios deixados por Marte foram, então, deixados pelo Perseverance, pois, em Fevereiro de 2021, ao descer, a nave que segurava o rover descartou uma panóplia de instrumentos e objectos, incluindo o tal cobertor térmico, um para-quedas supersónico e uma grua que permitiu que o Perseverance pousasse na superfície de Marte. Portanto, este lixo encontrado agora não é de estranhar.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
17 Jun 2022


 

1193: Rover Curiosity da NASA descobriu formas bizarras em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Marte é um planeta ainda misterioso, pouco conhecido e cheio de locais com muito interesse. Os habitantes do planeta, os robôs da Terra, palmilham lentamente e descobrem formas bizarras que o tempo esculpiu no solo. Há dias vimos uma porta escavada nas rochas e agora o rover da NASA, o Curiosity, descobriu umas formas bizarras, uma escultura em forma de espigões, que acicatam a curiosidade dos investigadores.

Estas novas formas naturais levantam algumas questões que ajudam a perceber o que se passou no planeta, em tempos que se suspeitava ter água em abundância.

Estranhos espigões brotam do solo de Marte

O rover Curiosity da NASA detectou mais formações rochosas estranhas em Marte, desta vez com a forma de caules de plantas sinuosas, de acordo com uma fotografia recente publicada na base de dados de imagens em bruto da missão.

O rover fotografou as esculturas marcianas naturais a 15 de maio, apenas uma semana depois de ter encontrado uma bizarra fractura rochosa que provocou um espanto mediático porque se assemelha a uma porta alienígena.

Os “espigões” estreitos de rocha na nova imagem são provavelmente “os preenchimentos cimentados de fracturas antigas numa rocha sedimentar”, segundo o Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI) Institute, uma organização de investigação sem fins lucrativos fundada para caçar vida extraterrestre.

Estes recheios são as últimas partes remanescentes de uma estrutura rochosa maior que tem sofrido erosão ao longo dos anos, disse o instituto num tweet.

NASA: Curiosity continua a sua missão para descobrir o planeta vermelho

A recente inundação de imagens interessantes extraterrestres é um lembrete de que o Curiosity ainda faz novas descobertas à medida que sobe a encosta de uma montanha marciana, quase dez anos depois de ter aterrado no planeta vermelho.

Para além deste rover, Marte é o lar de duas outras missões de superfície operacionais da NASA: Perseverance, outro rover que está actualmente a recolher amostras que, segundo se espera, serão devolvidas à Terra um dia, e o InSight, um terrestre que provavelmente irá morrer em breve.

A China também está a explorar a superfície marciana com o seu rover Zhurong, que também já encontrou a sua quota-parte de rochas estranhas desde que aterrou no planeta no ano passado.

Pplware
Autor: Vítor M.


 

1183: O rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

O rover Perseverance da NASA utilizou a sua câmara de navegação para capturar estes diabos de poeira que rodopiam pela Cratera de Jezero a 20 de Julho de 2021, o 148.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

Os sensores meteorológicos do rover Perseverance testemunharam redemoinhos diários, e mais, enquanto estudavam o Planeta Vermelho.

Durante o seu primeiro par de centenas de dias na Cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA viu alguma da actividade mais intensa de poeira jamais testemunhada por uma missão enviada para a superfície do Planeta Vermelho. Não só o rover detectou centenas de redemoinhos de poeira chamados diabos de poeira, como o Perseverance capturou o primeiro vídeo de rajadas de vento a levantar uma enorme nuvem de poeira marciana.

Um artigo recentemente publicado na revista Science Advances detalha os fenómenos meteorológicos observados nos primeiros 216 dias marcianos, ou sols. Os novos achados permitem aos cientistas compreender melhor os processos de poeira em Marte e contribuir para um corpo de conhecimentos que poderá um dia ajudá-los a prever as tempestades de poeira pelas quais Marte é famoso – e que constituem uma ameaça para os futuros exploradores robóticos e humanos.

“De cada vez que aterramos num novo lugar em Marte, é uma oportunidade de melhor compreender o tempo do planeta,” disse a autora principal do artigo, Claire Newman da Aeolis Research, uma empresa de investigação centrada nas atmosferas planetárias. Ela acrescentou que pode haver meteorologia mais excitante a caminho: “Tivemos uma tempestade de poeira regional mesmo em cima de nós em Janeiro, mas ainda estamos a meio da estação da poeira, por isso é muito provável que vejamos mais tempestades.”

O Perseverance fez estas observações principalmente com as câmaras do rover e um conjunto de sensores pertencentes ao MEDA (Mars Environmental Dynamics Analyzer), um instrumento científico liderado pelo Centro de Astrobiologia da Espanha em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês e o JPL da NASA no sul da Califórnia. O MEDA inclui sensores de vento, sensores de luz que podem detectar redemoinhos à medida que dispersam luz solar à volta do rover e uma câmara apontada para o céu para captar imagens de poeira e nuvens.

“A Cratera Jezero pode estar numa das fontes de poeira mais activas do planeta,” disse Manuel de la Torre Juarez, investigador principal adjunto do MEDA no JPL. “Tudo o que aprendermos sobre a poeira será útil para futuras missões.”

Redemoinhos frequentes

Os autores do estudo descobriram que pelo menos quatro redemoinhos passam pelo Perseverance num típico dia marciano e que mais de um por hora passa durante um período de pico logo após o meio-dia.

As câmaras do rover também documentaram três ocasiões nas quais rajadas de vento levantaram grandes nuvens de poeira. O maior destes eventos criou uma enorme nuvem cobrindo 4 quilómetros quadrados. O artigo estimou que estas rajadas de vento podem levantar, colectivamente, tanta ou mais poeira do que os redemoinhos, redemoinhos estes que existem em muitos maiores números.

Esta série de imagens de uma câmara de navegação a bordo do rover Perseverance rover da NASA mostra uma rajada de vento a varrer a planície marciana para além dos trilhos do rover no dia 18 de Junho de 2021 (o 117.º sol, ou dia marciano, da missão). A nuvem de poeira neste GIF foi estimada em 4 quilómetros quadrados de tamanho; foi a primeira nuvem de poeira marciana desta escala alguma vez capturada em imagens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

“Pensamos que estas rajadas são pouco frequentes, mas podem ser responsáveis por uma grande fracção da poeira de fundo que paira constantemente na atmosfera marciana,” disse Newman.

Porque é que Jezero é diferente?

Embora o vento e a poeira sejam prevalecentes por todo o planeta Marte, o que os investigadores estão a encontrar parece destacar Jezero. Esta maior actividade pode estar ligada ao facto de a cratera estar perto do que Newman descreve como uma “pista de tempestades de poeira” que corre de norte a sul ao longo do planeta, levantando frequentemente poeira durante a época de tempestades de poeira.

Newman acrescentou que a maior actividade em Jezero pode dever-se a factores como a rugosidade da sua superfície, o que pode facilitar com que o vento levante poeira. Esta pode ser uma explicação para que o módulo InSight da NASA – em Elysium Planitia, a cerca de 3452 km de distância da cratera Jezero – ainda esteja à espera que um diabo marciano limpe os seus painéis solares carregados de poeira, enquanto o Perseverance já mediu a remoção de poeira da superfície próxima por vários redemoinhos passageiros.

“O Perseverance é nuclear, mas se tivéssemos ao invés painéis solares, provavelmente não teríamos de nos preocupar com a acumulação de poeira,” disse Newman. “Geralmente há mais levantamento de poeira na Cratera Jezero, embora a velocidade média do vento seja aí mais baixa e a velocidade do vento no pico e a criatividade dos redemoinhos sejam comparáveis a Elysium Planitia.”

Na verdade, o levantamento de poeira em Jezero tem sido mais intenso do que a equipa teria desejado: a areia transportada nos redemoinhos danificou os dois sensores de vento do MEDA. A equipa suspeita que os grãos de areia danificaram os finos fios dos sensores de vento, que se destacam do mastro do Perseverance.

Estes sensores são particularmente vulneráveis porque têm que permanecer expostos ao vento a fim de o medir correctamente. Os grãos de areia soprados pelo vento, e provavelmente transportados em redemoinhos, também danificaram um dos sensores de vento do rover Curiosity (o outro sensor de vento do Curiosity foi danificado por detritos levantados durante a sua aterragem na Cratera Gale).

Tendo em mente os danos do Curiosity, a equipa do Perseverance acrescentou um revestimento protector adicional aos fios do MEDA. No entanto, a meteorologia de Jezero ainda levou a melhor. De la Torre Juarez disse que a equipa está a testar alterações de software que deverão permitir com que os sensores de vento continuem a funcionar.

“Recolhemos muitos dados científicos,” disse de la Torre Juarez. “Os sensores de vento estão gravemente afectados, ironicamente, porque conseguimos obter aquilo que queríamos medir.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1053: Rover da NASA, o Curiosity, descobriu uma “porta” em Marte… uma porta???

CIÊNCIA/MARTE/DESCOBERTAS

Marte ainda é um planeta desconhecido, misterioso, vítima de muitas fantasias e enigmas. Contudo, ao longo destas últimas décadas, os robôs que vagueiam pelo solo e as naves que passaram na órbita do planeta vermelho, conseguiram muitas imagens incríveis. Claro, há fotografias que não deixaram ninguém indiferente, como, por exemplo, uma captada no dia 7 de Maio, que nos mostra uma “porta”.

Tem aspecto de porta, dimensões de porta, portanto… será mesmo uma porta?

Podemos deixar-nos levar pela imaginação e extrapolar que finalmente foi captada a prova que no planeta Marte existe uma civilização inteligente de marcianos. Bom, esta é uma das abordagens que levou já milhares de pessoas a ter nos mais convencionais locais de debate.

Calma, a verdade é que esta não é a primeira vez que vemos algo assim e, infelizmente, é altamente improvável que esta porta seja a entrada para um rústico santuário marciano.

Uma porta que não é uma porta

O epicentro do debate está na rede social Reddit. Lá, os utilizadores apresentam todo o tipo de teorias para explicar esta imagem enigmática, que pode ser vista por qualquer pessoa na plataforma de imagem panorâmica GigaPan. As ideias mais extremas falam de vida extraterrestre, enquanto as mais razoáveis argumentam que a “porta marciana” é o produto da actividade geológica.

(NASA link in comments) This image was taken by NASA’s Mars rover Curiosity on Sol 3466 from nasa

A NASA, a agência espacial por detrás da missão Mars Curiosity Rover, não se pronunciou sobre este assunto. Contudo, há pelo menos duas explicações possíveis para esta imagem enigmática. Uma delas é que a “porta” poderia ter sido formada por uma fractura de cisalhamento, produzida pelo efeito do stress sobre a rocha após um terramoto.

Como temos visto, os sismos são bastante comuns em Marte e um exemplo disso aconteceu no passado dia 4 de maio. Foi captado o maior terramoto de que há registo no planeta. De acordo com dados da plataforma InSight Mars da NASA, o movimento foi considerável para o planeta vermelho, embora na Terra teria sido de magnitude intermédia.

Outra explicação, que complementa a anterior, é a paridolia. Este é um fenómeno psicológico descrito por Jeff Hawkins na sua teoria de previsão da memória, onde uma imagem aleatória é erroneamente percebida como uma forma reconhecível.

Lembra-se da misteriosa cabana detectada pelo rover Yutu-2 chinês na Lua? Bem, não era uma cabana, mas sim uma pequena rocha. Isto significa que se nos deixarmos levar pelo que pensamos ver, acabamos por ver objectos onde não há nenhum. Em qualquer caso, desde que o rover Curiosity aterrou em Marte em 2012, tem feito um trabalho espectacular.

Este caríssimo equipamento humano já permitiu descobrir que as nuvens do planeta são cinzentas, brilhantes e surpreendentemente semelhantes às nossas. Também nos divertimos com as suas selfies, e até conseguimos construir um panorama interactivo para explorar a superfície.

Pplware
Autor: Vítor M


865: O que os sons capturados pelo rover Perseverance revelam sobre Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE/PERSEVERANCE

Esta ilustração indica a colocação dos dois microfones do Perseverance. O microfone no mastro faz parte do instrumento científico SuperCam. O microfone na lateral do rover destinava-se a captar os sons de entrada, descida, e aterragem para o envolvimento público.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Um novo estudo baseado em gravações feitas pelo rover Perseverance descobriu que a velocidade do som é mais lenta no Planeta Vermelho do que na Terra e que, sobretudo, prevalece um silêncio profundo.

Ouça atentamente os sons de Marte, registados pelo Perseverance da NASA: o “choramingar” e clicar mecânicos do rover num leve vento marciano; o zumbido dos rotores no Ingenuity, o helicóptero de Marte; o bater crepitante de um laser na rocha.

Uma equipa internacional de cientistas fez precisamente isso, realizando a primeira análise da acústica no Planeta Vermelho. O seu novo estudo revela a rapidez com que o som percorre a atmosfera extremamente fina, sobretudo de dióxido de carbono, como Marte pode soar aos ouvidos humanos e como os cientistas podem usar gravações áudio para sondar alterações subtis da pressão do ar noutro mundo – e para avaliar a saúde do rover.

“É um novo sentido de investigação que nunca utilizámos antes em Marte,” disse Sylvestre Maurice, astrofísico da Universidade de Toulouse na França e autor principal do estudo. “Espero que surjam muitas descobertas, utilizando a atmosfera como fonte de som e meio de propagação.”

A maioria dos sons do estudo, publicado dia 1 de Abril na revista Nature, foram gravados utilizando o microfone do instrumento SuperCam do Perseverance, montado na cabeça do mastro do rover. O estudo também se refere a sons gravados por outro microfone montado no chassis do rover. Este segundo microfone gravou recentemente os sopros e “pings” do gDRT (Gaseous Dust Removal Tool) do rover, que sopra aparas de rochas que o rover raspou para poder examinar.

O resultado das gravações: uma nova compreensão das características estranhas da atmosfera marciana, onde a velocidade do som é mais lenta do que na Terra – e varia com o tom (ou frequência). Na Terra, os sons viajam tipicamente a 343 metros por segundo. Mas em Marte, os sons graves viajam a cerca de 240 metros por segundo, enquanto os sons mais agudos se movem a 250 metros por segundo.

As velocidades variáveis do som no Planeta Vermelho são um efeito da fina e fria atmosfera de dióxido de carbono. Antes da missão, os cientistas esperavam que a atmosfera de Marte influenciasse a velocidade do som, mas o fenómeno nunca tinha sido observado até estas gravações terem sido feitas. Outro efeito desta atmosfera fina: os sons viajam apenas uma curta distância, e os tons mais agudos não viajam quase nada. Na Terra, o som pode cair após cerca de 65 metros; em Marte, vacila a apenas 8 metros, com os sons agudos a perderem-se completamente a essa distância.

As gravações do microfone do SuperCam também revelam variações de pressão anteriormente não observadas produzidas pela turbulência na atmosfera marciana à medida que a sua energia muda a escalas minúsculas. Também foram medidas rajadas de vento em escalas de tempo muito curtas.

Uma das características mais marcantes das gravações sonoras, disse Maurice, é o silêncio que parece prevalecer em Marte. “A dada altura, pensámos que o microfone estava avariado, era tudo tão silencioso,” acrescentou.

Isso também é uma consequência de Marte ter uma atmosfera tão fina.

“Marte é muito silencioso devido à baixa pressão atmosférica,” disse Baptiste Chide do Laboratório Nacional de Los Alamos, no estado norte-americano de Novo México, também co-autor do estudo. “Mas a pressão muda com as estações do ano em Marte.”

Isso significa que, nos próximos meses de outono, Marte poderá tornar-se mais ruidoso – e fornecer ainda mais informações sobre o seu ar e clima do outro mundo.

“Estamos a entrar numa estação de alta pressão,” disse Chide. “Talvez o ambiente acústico em Marte seja menos silencioso do que era quando aterrámos.”

Sons da Missão

A equipa acústica também estudou o que o microfone do instrumento SuperCam captou dos rotores duplos e giratórios do Ingenuity, o helicóptero marciano que é o companheiro de viagem do rover e o seu batedor aéreo. Girando a 2500 rotações por minuto, os rotores produzem “um som distinto e de baixa intensidade a 84 hertz,” disse Maurice, referindo-se à medida acústica padrão das vibrações por segundo e à taxa de rotação para ambos os rotores.

Por outro lado, quando o laser do SuperCam, que vaporiza pedaços de rocha à distância para estudar a sua composição, atinge um alvo, faz faíscas que criam um ruído agudo acima dos 2 quilohertz.

O estudo dos sons gravados pelos microfones do rover não só revela detalhes da atmosfera marciana, mas também ajuda os cientistas e engenheiros a avaliar a saúde e funcionamento dos muitos sistemas do rover, tal como se pode notar um ruído perturbador ao conduzir um carro.

Entretanto, o instrumento-chave do estudo, o microfone do SuperCam, continua a exceder as expectativas.

“O microfone é agora utilizado várias vezes por dia e tem um desempenho extremamente bom; o seu desempenho global é melhor do que o que tínhamos modelado e até testado num ambiente semelhante ao de Marte na Terra,” diz David Mimoun, professor no ISAE-SUPAERO (Institut Supérieur de l’Aéronautique et de l’Espace) e líder da equipa que desenvolveu a experiência do microfone. “Poderíamos até gravar o zumbido do helicóptero marciano a longa distância.”

Mais sobre a Missão

Um objectivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
5 de abril de 2022

 



 

758: Agência Espacial Europeia anuncia suspensão da missão espacial ExoMars, desenvolvida em parceria com cientistas russos

CIÊNCIA/MARTE/EXOMARS

NASA
Rover Perseverance em Marte

As duas partes anunciaram que vão tentar manter os projectos e finalizá-los separadamente.

Uma missão espacial que iria unir esforços europeus e russos tendo em vista o lançamento de um rover para Marte foi suspensa como consequência da invasão russa à Ucrânia. O anúncio foi feito pela Agência Espacial Europeia, que justificou a decisão com o conflito e com as sanções que se seguiram. O organismo fez saber que a sua intenção é procurar formas alternativas de lançar a ExoMars e outras quatro missões previstas com a participação russa.

“Lamentamos profundamente as baixas humanas e as trágicas consequências da agressão contra a Ucrânia”, disse a agência numa declaração. “Embora reconhecendo o impacto na exploração científica do Espaço, a ESA está totalmente alinhada com as sanções impostas à Rússia”.

Do lado russo, as palavras foram também de lamento, mas Dmitry Rogozin, responsável pela agência russa, a Roscosmos, também anunciou que os astrónomos e cientistas do pais se vão esforçar por prosseguir com os planos sozinhos. “Esta é uma decisão amarga para todos os entusiastas do espaço.” No Telegram, Rogozin explicou que os projectos vão demorar perder vários anos, no entanto, a Rússia “conduzirá esta expedição de investigação” por sua conta.

O cientista acrescentou ainda que estes passos serão dados “sem os amigos europeus“.

A ExoMars estava inicialmente prevista para 2020, mas foi adiada devido à pandemia da covid-19. O novo lançamento estava agendado para Setembro, no Cazaquistão, através de um foguete russo.

Após reunião em Paris na quinta-feira, a direcção da ESA afirmou, pela voz do seu director-geral, Josef Aschbacher, que iria “realizar um estudo industrial acelerado para melhor definir as opções disponíveis para uma forma de implementar a missão ExoMars rover”.

“Este ano o lançamento foi cancelado“, esclareceu Aschbacher em conferência de imprensa, citado pela France 24. O responsável acrescentou que o lançamento não será possível até pelo menos 2026, acrescentando que “a cooperação com a NASA é uma opção” que a ESA iria analisar.

  ZAP //

ZAP
17 Março, 2022

 



 

659: Curiosity encontrou uma rocha misteriosa em Marte, em forma de flor

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Kevin Gill / Flickr
Imagem captada pelo rover Curiosity

O Curiosity captou uma fotografia de algo bastante curioso esta semana, na superfície de Marte, com o formato de uma flor.

Embora o objecto em questão pareça uma pequena flor ou talvez até algum tipo de característica orgânica, a equipa do Curiosity confirmou que o objecto é uma formação mineral, com estruturas delicadas que se formam por precipitação mineral a partir da água, segundo noticia o Universe Today.

O Curiosity já tinha visto antes este tipo de características, que se chamam clusters de cristais diagénicos.

Diagenética significa a recombinação ou rearranjo de minerais, e estas características consistem em aglomerados de cristais tridimensionais, provavelmente feitos de uma combinação de minerais.

A cientista adjunta do projecto Curiosity, Abigail Fraeman, disse no Twitter que estas características, já observadas anteriormente, eram feitas de sais chamados sulfatos.

A partir de estudos de características anteriores como estas encontradas em Marte, originalmente a característica estava embutida dentro de uma rocha, que se foi desgastando com o tempo. Estes aglomerados de minerais, contudo, parecem ser resistentes à erosão.

Outro nome para estas características é concreção, que podem trazer memórias do rover Opportunity, quando observou características apelidadas de ‘mirtilos’, uma vez que eram pequenas e redondas.

A equipa de investigadores do rover Curiosity observou esta característica no início desta semana e chamou-lhe “Sal Blackthorn“.

Eles usaram o Mars Hand Lens Imager do rover, chamado MAHLI, para tirar estas imagens de grande plano.

Esta câmara é a versão do rover da lente de ampliação que os geólogos costumam levar consigo para o campo. As imagens de grande plano de MAHLI revelam os minerais e texturas das superfícies rochosas.

O Curiosity encontrou outra característica floral em 2013, e o rover Spirit encontrou rochas de aspecto semelhante, que foram chamadas de ‘couve-flor’ por causa das suas feições.



 

453: Curiosity descobre novos vestígios promissores de vida passada em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

NASA / JPL-Caltech

Ainda não há certezas da sua origem, mas várias amostras recolhidas pelo rover da NASA têm vestígios de carbono-12, um componente orgânico associado à vida.

O rover Curiosity da NASA descobriu novos compostos orgânicos e Marte que podem ser sinais de vida passada no planeta, nota o Live Science.

Algumas das amostras de rochas em pó que foram recolhidas têm vestígios orgânicos ricos num tipo de carbono que é associado à vida na Terra, concluiu um novo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences. A equipa ressalva que ainda não há garantias porque não se sabe a origem destes químicos.

Os investigadores analisaram cerca de vinte amostras de rochas em pó que o Curiosity recolheu entre Agosto de 2012 e Julho de 2021. O rover alimentou o material ao SAM, que identifica e caracteriza as moléculas orgânicas.

Os cientistas descobriram que quase metade das amostras eram ricas em carbono-12, o mais leve dos dois isótopos de carbono estáveis, em comparação em outras medições anteriores de meteoritos e da atmosfera marciana.

Na Terra, os organismos preferem usar o carbono-12 para os seus processos metabólicos, pelo que esta descoberta em Marte pode indicar a existência de vida. No entanto, ainda não temos informações suficientes sobre os ciclos de carbono no planeta para podermos tirar já conclusões.

Os autores do estudo já propuseram três hipóteses para explicar o fenómeno. A primeira é de que micróbios em Marte produziram metano, que foi depois convertido em moléculas orgânicas mais complexas, após a interacção com a luz ultravioleta do ar. Estas moléculas foram depois incorporadas nas rochas.

Também está em cima da mesa a possibilidade da causa ter sido uma reacção entre luz UV e do dióxido de carbono não-biológico, o gás mais abundante na atmosfera de Marte. O Sistema Solar também pode ter derivado por uma nuvem molecular gigante rica em carbono-12 há muito tempo, o que explica a sua presença em Marte.

Esta não é a primeira vez que o Curiosity detecta compostos orgânicos em Marte, tendo já sido encontrados vestígios de metano várias vezes, cuja origem ou data são desconhecidas. Há teorias sobre que defendem que o composto é criado por micróbios debaixo da superfície do planeta e outras que apontam para que a sua produção seja um resultado das interacções entre rocha e água quente.

A equipa de investigadores já fez saber que são precisos mais estudos e mais informações para se descobrir a origem destes componentes orgânicos. Com o lançamento do outro rover em Marte, o Perseverance, em Fevereiro de 2021, há esperança de que se descubram novas informações em breve, especialmente com o plano de regresso deste robô com amostras à Terra em 2031.

Adriana Peixoto
27 Janeiro, 2022