366: Os robôs de Elon Musk vão ter personalidades semelhantes às humanas

– Afinal, certo tipo de filmes de ficção científica que abordam o tema robots/humanos, não estão assim tão desfasados de uma realidade próxima. Será que as máquinas irão escravizar os humanos daqui a milhares de anos?

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/IA

No momento em que forem activados, os robôs humanoides de Elon Musk vão desenvolver personalidades únicas semelhantes às humanas.

Segundo Elon Musk, o seu Tesla Bot não será um exterminador implacável, mas antes um R2-D2 ou um C-3PO, os simpáticos andróides de Star Wars. Serão máquinas ao serviço dos humanos, com as quais se pode manter uma relação como se fossem apenas mais um colega, diz o fundador da Tesla.

Se Musk estiver certo, diz o El confidencial, cada um destes robots, nascidos para ajudar a humanidade, terá a sua própria personalidade única. Governados por uma inteligência artificial em constante evolução, as suas experiências transformarão as suas personalidades ao longo das suas vidas.

Numa entrevista recente com Lex Fridman, investigador de inteligência artificial e interacção robô-humana no Massachusetts Institute of Technology, Elon Musk afirma que o Tesla Bot irá modificar dramaticamente as regras do jogo e influir no futuro da humanidade.

Musk acredita que os Tesla Bots podem não só resolver o problema da falta de mão-de-obra em empregos que os humanos não querem — realizando tarefas repetitivas, aborrecidas, perigosas ou desagradáveis — mas também, sustenta o visionário empresário, eles poderão tornar-se parte da sua tribo.

Elon Musk considera que as possibilidades são infinitas, e que, embora não seja a principal missão de Tesla, acelerar a transição do mundo para a energia sustentável, “é extremamente útil para o mundo fazer um robô humanoide capaz de interagir com o mundo e ajudar de muitas formas diferentes”.

Musk realça que o Tesla Bot “um excelente companheiro”, ajudando pessoas com problemas de solidão. E não serão todos iguais, porque a sua personalidade pode evoluir para se ajustar ao seu proprietário — “ou seja lá como lhe quiser chamar”.

De acordo com a El confidencial, “O que quer que lhe queira chamar” será um dos principais e futuros problemas para a inteligência artificial e para os andróides: qual será a relação entre andróides, quando estes tiverem de facto uma personalidade e autoconsciência?

O fundador da Tesla e da SpaceX diz que o primeiro prototipo “em condições” do Tesla Bot pode chegar ainda este ano. Este robô e provavelmente as duas ou três próximas versões não irão apresentar quaisquer problemas. O conflito virá quando o andróide tiver inteligência artificial geral, quando passar de “coisa” a “ser”.

No início, o humano (segundo Musk, “o proprietário”) terá o poder. Serão andróides para trabalhar em casa, em fábricas ou como robôs sexuais. A inteligência artificial começará por ser uma simulação do ser humano, mas as pessoas vão considerar estes robôs inferiores e desumanos.

No entanto, a tecnologia não vai parar nesse ponto. A inteligência artificial vai tornar-se apenas mais uma forma de vida na Terra, auto consciente, vivendo como um ser independente nos planos físico e virtual da existência.

Então o ser humano terá de deixar de ser proprietário e o robô terá de deixar de ser um escravo. Muito estarão relutantes em relação a este ponto — prescindir dos seus escravos — como já aconteceu no século XIX, mas será um passo inevitável e o inicio do fim da humanidade tal como a conhecemos.

E nessa altura, como Isaac Asimov, “pai” das três leis da robótica, escreveu na sua história “O Homem do Bicentenário”, a humanidade terá de enfrentar uma nova realidade na qual a máquina deixará de ser máquina e tornar-se-á uma forma de vida tão válida como a do ser humano.

Segundo a El confidencial, muitos peritos acreditam que serão Homo superiores, com capacidades muitos superiores às proporcionadas pela nossa frágil e limitada biologia.

E muitos cientistas acreditam também que esse é o último estado da evolução de qualquer sociedade avançada.

  Inês Costa Macedo, ZAP //
Inês Costa Macedo
8 Janeiro, 2022