13.Jun.1964 – 13.Jun.2022

RECORDAÇÕES

Na qualidade de ateu convicto, não celebro datas de cariz religioso como a de hoje. Contudo, faz hoje 58 anos que uni o meu destino à esposa com quem estive casado durante 52 anos.

Foi num arraial, no mercado de Algés, era eu músico nessa época e fazia parte de um Conjunto Musical que actuava neste dia nesse mercado.

Recordações que nunca esquecem, passem os anos que passarem.

13.06.2022


 

“A Avenida de Roma tinha uma mancha escura. As pessoas vestiam-se de preto”

“… … “A Avenida de Roma, que era nova e muito bonita, tinha uma mancha escura. As pessoas que se viam nas ruas vestiam-se de preto, de forma pesada, muito fechada. As mulheres vestiam-se de escuro, só as estrangeiras usavam roupa garrida.” Mesmo no tempo de Marcello Caetano, do qual nunca acreditou que protagonizaria um regime mais aberto. “Em casa do meu pai, jovem, assistia aos discursos da Emissora Nacional do Salazar, do Marcello Caetano. Ele tinha sido comissário nacional da Mocidade Portuguesa, diziam que podia ser a primavera, nunca acreditei nisso.””

Tenho 76 anos de idade, comecei a trabalhar aos 14 anos, em 1960, na Baixa lisboeta e sinceramente, nunca dei por “As pessoas que se viam nas ruas vestiam-se de preto, de forma pesada“…

Diariamente, cruzava-me com milhares de pessoas que se vestiam normalmente, o preto, na época, era usado como forma de luto pelo falecimento de um parente chegado. Eu usei um “fumo” (como se designava uma tira de flanela preta) numa das mangas do casaco e na lapela, em sinal de luto, além da gravata preta.

No Verão, as mulheres vestiam cores normais, por isso, não sei onde esta senhora viu “As pessoas que se viam nas ruas vestiam-se de preto, de forma pesada“…

A Avenida de Roma era, na época, uma avenida “chic” onde morava a “gente fina”, endinheirada, nunca passei por lá, diariamente a minha vida era desenvolvida nos Restauradores e em todas as ruas da Baixa lisboeta.

Ia tomar o pequeno almoço à Solmar, na Rua das Portas de Santo Antão, à saída do emprego, íamos beber um “pirata” nos Restauradores, ao lado do cinema Éden-Teatro que começou a funcionar como cinema em 1938 e como tinha duas horas para almoçar, o resto do tempo passava a percorrer as Ruas do Ouro, Augusta, Fanqueiros, Chiado, a ver as montras a fim de passar o tempo.

Antes de tomar o eléctrico ou o autocarro para casa, na Praça da Figueira, ou ia à Pastelaria Suiça ou à Nacional, beber uma bica. Comprei muitas camisas Tripple Marfel e camisas TV na Camisaria Moderna no Rossio, gravatas n’ A Bretanha da Rua do Ouro, fatos no Loureço & Santos dos Restauradores.

As camisas TV eram de nylon, tive-as nas cores cinzento claro, creme e branca e eram muito “frescas” no Verão, um produto da Fábrica 1921 de Simões & Cª., Lda..

Os sapatos, regra geral, eram adquiridos na Sapataria Charles, na Rua do Carmo porque tinham a vantagem de oferecerem “meios” números, ou seja, 38, 38½, 39, 39½, etc.. Algumas vezes, eu e os meus colegas de profissão, sentávamo-nos na esplanada do Café Nicola no Rossio, normalmente na época de Verão ou íamos até ao Café Brasileira do Chiado, na Rua Garret.

Bons tempos, embora prevalecesse na época a ditadura fascista de António de Oliveira Salazar. Lembro-me que tinha de comprar uma Licença de Isqueiro no Governo Civil (era fumador na época) para o usar na via pública, senão era autuado pelos fiscais das finanças.

Leiam o artigo AQUI, quem estiver interessado.

Francisco Gomes
21.03.2022

 



 

Recordações…

Hoje, em quase final de ano 2021, decidi publicar duas datas que marcaram a minha já longa existência como ser humano.

A primeira, é a de 31 de Dezembro de 1968. Faz hoje precisamente 53 anos.  Estava em comissão militar obrigatória na Guiné-Bissau, em pleno mato, depois de um ataque cerrado à base onde me encontrava, pelos anti-colonialistas treinados, armados e municiados pela ex-URSS, Cuba e China, com uma ajudinha velada dos EUA.

Localidade: Buba, uma povoação fortemente fustigada pelo IN, banhada pelo Rio Grande de Buba. Meia-note, passagem de ano 1968/69. Para refrescar os ânimos, uns mergulhos no rio com a G3 sempre à mão de semear… porque era da outra margem que surgia a flagelação.

Não existiu mais foguetório durante o resto da noite, mas dormir era com um olho fechado e outro bem aberto…

Buba, Guiné-Bissau, Rio Grande de Buba

A outra data marcante, pelo seu destino e celebração, foi a ida à Ilha do Pico/Açores, para o Réveillon da Passagem do Milénio 1999/2000.

Na altura, fazia parte de um trio de música para baile e fomos convidados para festejar o Réveillon de Passagem de Ano e do Milénio. O trio, por coincidência, chamava-se Millennium 2000.

Outras datas marcantes, foram os três Réveillons consecutivos no antigo Hotel Estoril Sol, no Hotel Embaixador, no Restaurante Castanheira, no Lumiar, um restaurante com várias salas, tendo o salão principal pista de dança e os músicos actuavam numa espécie de balcão de cinema, acima do salão.

Também recordo os vários Réveillons em que participei como cantor de um Conjunto de música para Baile, privativo durante cerca de nove anos na Sociedade Filarmónica Alunos de Apollo, em Campo de Ourique, no Clube Oriental de Lisboa, no Poço do Bispo e em muitos outros.

Foram mais de cinquenta anos de actividade musical, paralela à minha actividade profissional administrativa e financeira.

Francisco Gomes
31.12.2021