1227: Rover da NASA descobriu lixo em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Conforme temos vindo a ser avisados, a Terra está inegavelmente poluída e os milhares de milhões de pessoas do mundo produzem uma quantidade inimaginável de lixo. Aparentemente, não nos ficamos apenas pelo no nosso planeta e também já foram encontrados vestígios em Marte.

Aparentemente, o Perseverance da NASA já deixou a sua marca.

O rover Perseverance da NASA rumou a Marte para descobrir mais acerca do planeta vermelho e, se possível, encontrar evidência sobre vida. No entanto, enquanto procurava vida microbiana, o rover avistou lixo originado pela aterragem de um objecto.

Aparentemente, esse vestígio é material térmico que a NASA usou para proteger o Perseverance de temperaturas extremas enquanto ele viajar para Marte e entrava na atmosfera marciana. Os seres humanos já deixaram, no planeta vermelho, sinais de exploração.

A minha equipa detectou algo inesperado: é um pedaço de cobertor térmico que pensam ter vindo do momento da minha descida, a mochila a jacto movida a foguetes que me fez descer no dia da aterragem em 2021.

Disse a NASA, num tweet feito a partir da conta do Perseverance.

A agência espacial está na dúvida relativamente à trajectória que o lixo percorreu. Isto, porque pode ter aterrado naquele exacto local ou ter chegado lá com a ajuda do vento. Aliás, esta foi uma questão levantada pela própria NASA.

Os vestígios deixados por Marte foram, então, deixados pelo Perseverance, pois, em Fevereiro de 2021, ao descer, a nave que segurava o rover descartou uma panóplia de instrumentos e objectos, incluindo o tal cobertor térmico, um para-quedas supersónico e uma grua que permitiu que o Perseverance pousasse na superfície de Marte. Portanto, este lixo encontrado agora não é de estranhar.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
17 Jun 2022


 

1183: O rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

O rover Perseverance da NASA utilizou a sua câmara de navegação para capturar estes diabos de poeira que rodopiam pela Cratera de Jezero a 20 de Julho de 2021, o 148.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

Os sensores meteorológicos do rover Perseverance testemunharam redemoinhos diários, e mais, enquanto estudavam o Planeta Vermelho.

Durante o seu primeiro par de centenas de dias na Cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA viu alguma da actividade mais intensa de poeira jamais testemunhada por uma missão enviada para a superfície do Planeta Vermelho. Não só o rover detectou centenas de redemoinhos de poeira chamados diabos de poeira, como o Perseverance capturou o primeiro vídeo de rajadas de vento a levantar uma enorme nuvem de poeira marciana.

Um artigo recentemente publicado na revista Science Advances detalha os fenómenos meteorológicos observados nos primeiros 216 dias marcianos, ou sols. Os novos achados permitem aos cientistas compreender melhor os processos de poeira em Marte e contribuir para um corpo de conhecimentos que poderá um dia ajudá-los a prever as tempestades de poeira pelas quais Marte é famoso – e que constituem uma ameaça para os futuros exploradores robóticos e humanos.

“De cada vez que aterramos num novo lugar em Marte, é uma oportunidade de melhor compreender o tempo do planeta,” disse a autora principal do artigo, Claire Newman da Aeolis Research, uma empresa de investigação centrada nas atmosferas planetárias. Ela acrescentou que pode haver meteorologia mais excitante a caminho: “Tivemos uma tempestade de poeira regional mesmo em cima de nós em Janeiro, mas ainda estamos a meio da estação da poeira, por isso é muito provável que vejamos mais tempestades.”

O Perseverance fez estas observações principalmente com as câmaras do rover e um conjunto de sensores pertencentes ao MEDA (Mars Environmental Dynamics Analyzer), um instrumento científico liderado pelo Centro de Astrobiologia da Espanha em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês e o JPL da NASA no sul da Califórnia. O MEDA inclui sensores de vento, sensores de luz que podem detectar redemoinhos à medida que dispersam luz solar à volta do rover e uma câmara apontada para o céu para captar imagens de poeira e nuvens.

“A Cratera Jezero pode estar numa das fontes de poeira mais activas do planeta,” disse Manuel de la Torre Juarez, investigador principal adjunto do MEDA no JPL. “Tudo o que aprendermos sobre a poeira será útil para futuras missões.”

Redemoinhos frequentes

Os autores do estudo descobriram que pelo menos quatro redemoinhos passam pelo Perseverance num típico dia marciano e que mais de um por hora passa durante um período de pico logo após o meio-dia.

As câmaras do rover também documentaram três ocasiões nas quais rajadas de vento levantaram grandes nuvens de poeira. O maior destes eventos criou uma enorme nuvem cobrindo 4 quilómetros quadrados. O artigo estimou que estas rajadas de vento podem levantar, colectivamente, tanta ou mais poeira do que os redemoinhos, redemoinhos estes que existem em muitos maiores números.

Esta série de imagens de uma câmara de navegação a bordo do rover Perseverance rover da NASA mostra uma rajada de vento a varrer a planície marciana para além dos trilhos do rover no dia 18 de Junho de 2021 (o 117.º sol, ou dia marciano, da missão). A nuvem de poeira neste GIF foi estimada em 4 quilómetros quadrados de tamanho; foi a primeira nuvem de poeira marciana desta escala alguma vez capturada em imagens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

“Pensamos que estas rajadas são pouco frequentes, mas podem ser responsáveis por uma grande fracção da poeira de fundo que paira constantemente na atmosfera marciana,” disse Newman.

Porque é que Jezero é diferente?

Embora o vento e a poeira sejam prevalecentes por todo o planeta Marte, o que os investigadores estão a encontrar parece destacar Jezero. Esta maior actividade pode estar ligada ao facto de a cratera estar perto do que Newman descreve como uma “pista de tempestades de poeira” que corre de norte a sul ao longo do planeta, levantando frequentemente poeira durante a época de tempestades de poeira.

Newman acrescentou que a maior actividade em Jezero pode dever-se a factores como a rugosidade da sua superfície, o que pode facilitar com que o vento levante poeira. Esta pode ser uma explicação para que o módulo InSight da NASA – em Elysium Planitia, a cerca de 3452 km de distância da cratera Jezero – ainda esteja à espera que um diabo marciano limpe os seus painéis solares carregados de poeira, enquanto o Perseverance já mediu a remoção de poeira da superfície próxima por vários redemoinhos passageiros.

“O Perseverance é nuclear, mas se tivéssemos ao invés painéis solares, provavelmente não teríamos de nos preocupar com a acumulação de poeira,” disse Newman. “Geralmente há mais levantamento de poeira na Cratera Jezero, embora a velocidade média do vento seja aí mais baixa e a velocidade do vento no pico e a criatividade dos redemoinhos sejam comparáveis a Elysium Planitia.”

Na verdade, o levantamento de poeira em Jezero tem sido mais intenso do que a equipa teria desejado: a areia transportada nos redemoinhos danificou os dois sensores de vento do MEDA. A equipa suspeita que os grãos de areia danificaram os finos fios dos sensores de vento, que se destacam do mastro do Perseverance.

Estes sensores são particularmente vulneráveis porque têm que permanecer expostos ao vento a fim de o medir correctamente. Os grãos de areia soprados pelo vento, e provavelmente transportados em redemoinhos, também danificaram um dos sensores de vento do rover Curiosity (o outro sensor de vento do Curiosity foi danificado por detritos levantados durante a sua aterragem na Cratera Gale).

Tendo em mente os danos do Curiosity, a equipa do Perseverance acrescentou um revestimento protector adicional aos fios do MEDA. No entanto, a meteorologia de Jezero ainda levou a melhor. De la Torre Juarez disse que a equipa está a testar alterações de software que deverão permitir com que os sensores de vento continuem a funcionar.

“Recolhemos muitos dados científicos,” disse de la Torre Juarez. “Os sensores de vento estão gravemente afectados, ironicamente, porque conseguimos obter aquilo que queríamos medir.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

865: O que os sons capturados pelo rover Perseverance revelam sobre Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE/PERSEVERANCE

Esta ilustração indica a colocação dos dois microfones do Perseverance. O microfone no mastro faz parte do instrumento científico SuperCam. O microfone na lateral do rover destinava-se a captar os sons de entrada, descida, e aterragem para o envolvimento público.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Um novo estudo baseado em gravações feitas pelo rover Perseverance descobriu que a velocidade do som é mais lenta no Planeta Vermelho do que na Terra e que, sobretudo, prevalece um silêncio profundo.

Ouça atentamente os sons de Marte, registados pelo Perseverance da NASA: o “choramingar” e clicar mecânicos do rover num leve vento marciano; o zumbido dos rotores no Ingenuity, o helicóptero de Marte; o bater crepitante de um laser na rocha.

Uma equipa internacional de cientistas fez precisamente isso, realizando a primeira análise da acústica no Planeta Vermelho. O seu novo estudo revela a rapidez com que o som percorre a atmosfera extremamente fina, sobretudo de dióxido de carbono, como Marte pode soar aos ouvidos humanos e como os cientistas podem usar gravações áudio para sondar alterações subtis da pressão do ar noutro mundo – e para avaliar a saúde do rover.

“É um novo sentido de investigação que nunca utilizámos antes em Marte,” disse Sylvestre Maurice, astrofísico da Universidade de Toulouse na França e autor principal do estudo. “Espero que surjam muitas descobertas, utilizando a atmosfera como fonte de som e meio de propagação.”

A maioria dos sons do estudo, publicado dia 1 de Abril na revista Nature, foram gravados utilizando o microfone do instrumento SuperCam do Perseverance, montado na cabeça do mastro do rover. O estudo também se refere a sons gravados por outro microfone montado no chassis do rover. Este segundo microfone gravou recentemente os sopros e “pings” do gDRT (Gaseous Dust Removal Tool) do rover, que sopra aparas de rochas que o rover raspou para poder examinar.

O resultado das gravações: uma nova compreensão das características estranhas da atmosfera marciana, onde a velocidade do som é mais lenta do que na Terra – e varia com o tom (ou frequência). Na Terra, os sons viajam tipicamente a 343 metros por segundo. Mas em Marte, os sons graves viajam a cerca de 240 metros por segundo, enquanto os sons mais agudos se movem a 250 metros por segundo.

As velocidades variáveis do som no Planeta Vermelho são um efeito da fina e fria atmosfera de dióxido de carbono. Antes da missão, os cientistas esperavam que a atmosfera de Marte influenciasse a velocidade do som, mas o fenómeno nunca tinha sido observado até estas gravações terem sido feitas. Outro efeito desta atmosfera fina: os sons viajam apenas uma curta distância, e os tons mais agudos não viajam quase nada. Na Terra, o som pode cair após cerca de 65 metros; em Marte, vacila a apenas 8 metros, com os sons agudos a perderem-se completamente a essa distância.

As gravações do microfone do SuperCam também revelam variações de pressão anteriormente não observadas produzidas pela turbulência na atmosfera marciana à medida que a sua energia muda a escalas minúsculas. Também foram medidas rajadas de vento em escalas de tempo muito curtas.

Uma das características mais marcantes das gravações sonoras, disse Maurice, é o silêncio que parece prevalecer em Marte. “A dada altura, pensámos que o microfone estava avariado, era tudo tão silencioso,” acrescentou.

Isso também é uma consequência de Marte ter uma atmosfera tão fina.

“Marte é muito silencioso devido à baixa pressão atmosférica,” disse Baptiste Chide do Laboratório Nacional de Los Alamos, no estado norte-americano de Novo México, também co-autor do estudo. “Mas a pressão muda com as estações do ano em Marte.”

Isso significa que, nos próximos meses de outono, Marte poderá tornar-se mais ruidoso – e fornecer ainda mais informações sobre o seu ar e clima do outro mundo.

“Estamos a entrar numa estação de alta pressão,” disse Chide. “Talvez o ambiente acústico em Marte seja menos silencioso do que era quando aterrámos.”

Sons da Missão

A equipa acústica também estudou o que o microfone do instrumento SuperCam captou dos rotores duplos e giratórios do Ingenuity, o helicóptero marciano que é o companheiro de viagem do rover e o seu batedor aéreo. Girando a 2500 rotações por minuto, os rotores produzem “um som distinto e de baixa intensidade a 84 hertz,” disse Maurice, referindo-se à medida acústica padrão das vibrações por segundo e à taxa de rotação para ambos os rotores.

Por outro lado, quando o laser do SuperCam, que vaporiza pedaços de rocha à distância para estudar a sua composição, atinge um alvo, faz faíscas que criam um ruído agudo acima dos 2 quilohertz.

O estudo dos sons gravados pelos microfones do rover não só revela detalhes da atmosfera marciana, mas também ajuda os cientistas e engenheiros a avaliar a saúde e funcionamento dos muitos sistemas do rover, tal como se pode notar um ruído perturbador ao conduzir um carro.

Entretanto, o instrumento-chave do estudo, o microfone do SuperCam, continua a exceder as expectativas.

“O microfone é agora utilizado várias vezes por dia e tem um desempenho extremamente bom; o seu desempenho global é melhor do que o que tínhamos modelado e até testado num ambiente semelhante ao de Marte na Terra,” diz David Mimoun, professor no ISAE-SUPAERO (Institut Supérieur de l’Aéronautique et de l’Espace) e líder da equipa que desenvolveu a experiência do microfone. “Poderíamos até gravar o zumbido do helicóptero marciano a longa distância.”

Mais sobre a Missão

Um objectivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
5 de abril de 2022