744: Cientistas descobrem nova espécie de peixe super-colorido nas Maldivas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Luiz Rocha / Academia de Ciência da Califórnia

Esta foi a primeira espécie de peixe a ser descoberta por um cientista das Maldivas. O estudo foi conseguido através da parceria internacional Hope for Reefs, que se dedica a estudar os recifes da região.

Um investigador das Maldivas descobriu uma nova espécie de peixe, com o nome científico Cirrhilabrus finifenmaa — Rose-Veiled Fairy Wrasse — e relatou o processo num novo estudo publicado na ZooKeys.

A investigação contou com a participação de cientistas da Academia de Ciências da Califórnia, da Universidade de Sidney, do Instituto de Investigação Marinha das Maldivas e do Museu Field.

“Têm sido sempre cientistas estrangeiros que têm descrevido as espécies encontradas nas Maldivas sem muito envolvimento de cientistas locais, mesmo das que são endémicas na região”, começa o co-autor Ahmed Najeeb. “Desta vez foi diferente e poder participar pela primeira vez foi entusiasmante”.

Inicialmente, quando foi detectada pela primeira vez nos anos 90, pensava-se que este peixe era apenas uma versão da adulta de outra espécieCirrhilabrus rubrisquamis —, mas o novo estudo fez uma análise mais detalhada de tantos os adultos como as crias do animal, tendo em conta a cor dos machos adultos, a altura da espinha que apoia a barbatana nas costas e o número de escamas em cada parte do corpo.

Estes detalhes, aliados a análises genéticas, mostraram definitivamente que se tratavam de duas espécies diferentes. “O que pensamos anteriormente que era uma espécie de peixe é na verdade duas, com uma distribuição potencialmente muito mais restrita. Isto exemplifica porque é que descrevermos uma nova espécie, e taxonomia em geral, é importante para a conservação e gestão da biodiversidade“, afirma Yi Kai-Tea, estudante de doutoramento na Universidade de Sidney.

Apesar de só agora ter sido oficialmente descoberta, a espécie está já a ser explorada no comércio para aquários, algo que preocupa dos cientistas, apesar do peixe, por enquanto, ser bastante abundante, revela o Scitech Daily.

A junção dos académicos de várias partes do mundo culminou na criação do projecto Hope for Reefs e nas pesquisas às águas das Maldivas que levaram a esta nova descoberta, os cientistas encontraram pelo menos oito outras potencialmente novas espécies que ainda não foram descritas.

Estas parcerias internacionais são importantes para se garantir um melhor esforço de conservação dos recifes de coral das Maldivas.

“Ninguém conhece estas águas melhor do que as pessoas das Maldivas. As nossas investigações são mais fortes quando são feitas em colaboração com cientistas e mergulhadores locais. Estou entusiasmado para continuar a nossa relação”, remata Luiz Rocha, director da iniciativa e autor principal do estudo.

  ZAP //

ZAP
17 Março, 2022

 



 

548: Os peixes “falam” (e muito). Agora, podemos ouvir as suas “vozes”

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ECOLOGIA

Há 155 milhões de anos, todos os tipos de coaxares, gemidos e ruídos profundos percorrem as águas da Terra, tal como os sons que enchem o ar da floresta.

Os lugares mais surpreendentemente ruidosos são os corais, e os peixes são quem provoca a maior parte desse mesmo ruído.

Citado pelo Science Alert, Aaron Rice, ecologista da Universidade de Cornell, diz saber há muito tempo que alguns peixes fazem sons — mas “os sons dos peixes foram sempre percebidos como odores raros“.

Era expectável que os peixes dependessem principalmente de outros meios de comunicação, desde sinais de cor e linguagem corporal, até à electricidade. Mas  descobertas recentes, no âmbito de um estudo publicado na BioOne, demonstraram que os peixes têm coros ao amanhecer e ao anoitecer, tal como os pássaros.

Segundo Andrew Bass, neuro-cientista evolucionário da Cornell, os peixes foram ignorados porque “não são facilmente ouvidos ou vistos, e a ciência da comunicação acústica subaquática tem-se concentrado principalmente nas baleias e golfinhos.”

“Mas os peixes têm vozes.”

Ao analisar registos de descrições anatómicas, gravações sonoras e relatos vocais, Rice e os colegas identificaram várias características fisiológicas que permitem perceber que os Actinopterygii, grupo de peixes com barbatanas, emitam estes ruídos sem cordas vocais. O grupo tem mais de 34,000 espécies actualmente vivas.

Os peixes “podem ranger os dentes ou fazer barulho de movimento na água”, diz Rice ao Syfy Wire.

“Provavelmente, a adaptação mais comum são os músculos associados às bexigas natatórias. De facto, os músculos da bexiga natatória do sapo são os músculos esqueléticos vertebrados de contracção mais rápida. Estas são adaptações de alto desempenho”, explica Rice.

De 175 famílias de peixes, dois terços comunicam provavelmente com som — há muito mais peixes falantes do que os 20% anteriormente estimados. A análise sugere que estas comunicações vocais podem ter evoluído individualmente pelo menos 33 vezes nos peixes.

Claramente, os peixes têm coisas importantes para dizer.

Além disso, dizem os autores do estudo, a língua dos peixes apareceu há cerca de 155 milhões de anos. Curiosamente, é mais ou menos a mesma altura em que surgiram as primeiras evidências de vocalização de animais terrestres com espinhas dorsais — dos quais acabámos por evoluir.

A equipa de investigação sugere que os resultados dos estudos apoiam fortemente a hipótese de que o “comportamento sonoro é antigo. Juntos, estes resultados realçam a forte pressão de selecção que favorece a evolução deste animal através de linhagens de vertebrados.”

Alguns grupos de peixes são mais faladores do que outros. O peixe-gato, por exemplo, está entre os mais verbosos.

Contudo, Rice e a equipa advertem que a sua análise apenas mostra a presença de peixes com vocalizações e não prova a sua ausência — pode ser que simplesmente ainda não tenhamos ouvido com atenção suficiente os outros grupos.

“Os peixes fazem tudo. Respiram, voam, comem tudo e qualquer coisa.  Nesta altura, nada me surpreenderia sobre os peixes e os sons que eles podem fazer”, conclui Rice.

Mas quando estamos a falar de conversas entre peixes, o que acontece no fundo do mar, fica no fundo do mar.

Inês Costa Macedo
11 Fevereiro, 2022


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530: Methuselah, o peixe que gosta de festas na barriga, é o mais velho do mundo

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Os cientistas acreditam que Methuselah, o peixe que gosta de comer figos frescos e que lhe esfreguem a barriga, tem cerca de 90 anos.

Methuselah é o peixe de aquário mais antigo do mundo: os biólogos da Academia de Ciências da Califórnia acreditam que tenha cerca de 90 anos, sem nenhum par vivo conhecido.

Mede 1,2 metros, pesa 18 quilogramas e possui pulmões, além de guelras. Pertence à espécie peixe-pulmonado-australiano, tendo sido noticiado pelo jornal San Francisco Chronicle, em 1947, que “estas estranhas criaturas — com escamas verdes semelhantes a folhas de alcachofras — são vistas pelos cientistas como o ‘elo perdido’ entre os animais terrestres e aquáticos”.

Os seus cuidadores acreditam que Methuselah é fêmea, embora não tenham a certeza. A única forma de confirmar o seu sexo é através de uma recolha de sangue, algo muito arriscado dada a idade do peixe.

Ainda assim, de acordo com o Travel and Leisure, é possível que venham a recolher uma pequena amostra de sangue da sua barbatana para enviar a investigadores na Austrália, que poderão fornecer mais informações sobre estes peixes no futuro.

O recorde de peixe de aquário mais velho do mundo pertencia, até 2017, a outro peixe-pulmonado-australiano que residia num aquário em Chicago, conhecido como Granddad (“Avô”, em português). O animal faleceu com 95 anos.

“Por consequência, Methuselah é o mais velho”, explicou o biólogo da Academia de Ciências da Califórnia e cuidador do peixe, Allan Jan, citado pela Associated Press.

O nome do peixe, que adora festas na barriga, deriva da personagem bíblica Methuselah (“Matusalém”, em português), avô de Noé que terá vivido 969 anos.

“Eu digo aos meus voluntários para fingirem que ela é um cachorro aquático, muito doce e gentil, mas claro que se ela for assustada irá ter descargas súbitas de energia. Na maioria das vezes, ela é muito calma”, detalhou.

Jeanette Peach, porta-voz da Academia de Ciências da Califórnia, acrescentou que o peixe é “um pouco picuinhas” dado que só gosta de figos quando estão frescos e dentro de época. “Nunca os come quando estão congelados.”

O peixe-pulmonado-australiano é uma espécie ameaçada e já não pode ser exportado das águas australianas. Devido ao estatuto da espécie, é pouco provável que o aquário de São Francisco adquira outro peixe quando Methuselah morrer.

  ZAP //

ZAP
8 Fevereiro, 2022

 

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