1290: Celacanto, o espécime marinho ressuscitado após 60 milhões de anos

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Na década de 1930, soou a notícia a partir da África do Sul. Fora capturado um exemplar de celacanto, uma classe de peixes que se julgava extinta há mais de 60 milhões de anos, assim o ditavam os registos fósseis. Nas décadas seguintes, iniciou-se a procura de um segundo exemplar nas águas do Oceano Índico.

A chamada telefónica agitou de curiosidade a jovem naturalista sul-africana Marjorie Courtenay-Latimer. Do outro lado da linha soava a voz do capitão Hendrik Goosen, a partir das margens do rio Chalumna. Nas redes de pesca agitava-se um peixe de escamas iridescentes, mais de um metro de comprimento e com perto de 50 Kg.

Marjorie, então com 24 anos, laborava desde 1931 no modesto Museu de East London, no sueste da África do Sul, onde ingressara fruto da grande paixão que, desde a infância, dedicava ao mundo natural, em particular às aves.

Goosen, capitão numa embarcação de pesca de arrasto, tinha indicações de Marjorie para soar o alerta sempre que capturada uma espécie marinha incomum. A 22 de Dezembro de 1938, nas margens do rio Chalumna, Marjorie teve o seu primeiro encontro com uma criatura saída de um compêndio de paleontologia.

Sobre a mesma escreveria, mais tarde, a naturalista na carta que remeteu ao ictiólogo sul-africano James Smith: “afastei o lodo para revelar o peixe mais belo que já vi. De um azul-malva pálido, com leves tons esbranquiçados. Nele há um brilho iridescente de prata, azul-esverdeado. O espécime cobre-se de escamas duras, apresenta quatro barbatanas semelhantes a membros e uma barbatana caudal semelhante à de um cão”.

O espécime aquático que a naturalista transportou num táxi até ao museu onde laborava pertencia a uma classe de peixes com barbatanas lobadas que se considerava extinta há mais de 60 milhões de anos.

Até à primeira metade do século XX, do celacanto apenas se conheciam registos fósseis, os mais antigos a remontarem ao período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos. Súbito, no Cretáceo Superior, as espécies celacantiformes, desapareceram dos registos fósseis, presumindo-se extintas no evento cataclísmico que eclipsou os dinossauros.

Na manhã de 22 de Dezembro de 1938, Marjorie Courtenay-Latimer desconhecia o facto de transportar um exemplar de um peixe ósseo, na época considerado um parente próximo dos primeiros seres a saírem da água, o que deu origem a um novo grupo de vertebrados terrestres, os tetrápodes, dotados de quatro membros.

Gravado nas rochas devonianas, os exemplares de celacanto intrigavam a comunidade científica nas primeiras décadas do século XIX. Coube ao suíço Louis Agassiz, naturalista e geólogo, apadrinhar de nome e descrever o celacanto na sua obra de 1839, Poissons Fossiles, um peixe com a presença de barbatanas pares, peitorais e pélvicas, semelhantes a membros dos tetrápodes, que se agitariam no seio marinho em movimentos idênticos aos daquelas criaturas.

Intrigada face ao exemplar que carregara para o museu, Marjorie pesquisou, sem sucesso, nos arquivos da instituição, o que a levou a procurar a ajuda de James Smith, químico orgânico, amador de ictiologia, professor na Universidade de Rhodes, na África do Sul.

Ausente, em Londres, o académico recebeu de Marjorie uma carta com um tosco esboço do exemplar na posse do Museu de East London. Volviam dois meses sobre a data da descoberta da criatura que enfrentava o risco de apodrecimento. A naturalista entregara o ser marinho aos cuidados de um taxidermista.

Na capital inglesa, a 10.000 Km de East London, em Fevereiro de 1939, James Smith colocou pela primeira vez a hipótese de se estar perante um exemplar de uma classe de peixes cuja linha evolutiva mergulhava directamente 400 milhões de anos no passado. “Era como se um dinossauro tivesse ganho novamente vida à minha frente”, escreveu Smith na resposta à missiva da jovem colega sul-africana.

Havia, contudo, que provar a linhagem do exemplar então capturado que, especulava John Smith, viria de águas quentes mais a norte, tresmalhado do seu habitat natural. No seu país natal, John Smith iniciou uma busca que superaria uma década, a de encontrar um segundo exemplar de celacanto. Para isso, o ictiólogo criou uma rede de informadores em diferentes países da orla do Oceano Índico.

Em 1952, ecoou o alerta desde o arquipélago das Comores, a leste do continente africano. Um segundo exemplar de celacanto fora capturado. O tempo urgia, havia que examinar o animal antes de se dar a degradação das suas vísceras. A missão mobilizou um avião militar sul-africano.

As atribulações da nave para sobrevoar o espaço aéreo de Moçambique, ali aterrar no intuito de reabastecer e a premência de reivindicar para a África do Sul a descoberta do celacanto, são-nos descritas no livro de 1999, A Fish Caught in Time: The Search for the Coelacanth, da jornalista inglesa Samantha Weinberg.

O celacanto foi oficialmente apresentado à comunidade científica na década de 1950, estudados os seus hábitos de vida e características morfológicas. Senhor de uns imponentes dois metros de comprimento, em extremo, e até de 90 Kg, o celacanto pode aproximar-se do século de vida, com a maturidade aos 55 anos.

O período de gestação, estima-se, dura até cinco anos, a originar uma prole de dezenas de crias. A criatura, habitante de profundidades entre os 100 e os 700 metros, reúne-se em cardumes ao abrigo de grutas submarinas. Na dieta entram peixes, enguias, lulas e polvos.

Ao contrário do inicialmente especulado por John Smith, o celacanto habita uma extensa área geográfica, no Oceano Índico, com populações na África do Sul, Comores e Indonésia. Neste último território foi descoberta uma segunda espécie de celacanto em 1998, descrita em 1999.

Entre as décadas de 1950 e 1970, o frenesim de capturas de celacantos com fins científicos nas águas ao largo das Comores, pôs em risco a espécie, até que em 1975, o Governo do arquipélago índico aprovou legislação proteccionista. Na década seguinte, Hans Fricke, etólogo e explorador, desceu no submersível Jago às profundidades marinhas das Comores para captar as primeiras imagens em filme do celacanto no seu habitat.

Actualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza, na sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, classifica o celacanto do Índico Ocidental como “criticamente em perigo”, enquanto a espécie do Índico Oriental é tida como “vulnerável”.

Marjorie Courtenay-Latimer manteria a sua ligação ao Museu de East London até 1973, data em que se reformou. Faleceu em 2004, deixando o seu nome talhado na posteridade nas duas espécies de celacanto identificadas pela ciência: Latimeria chalumnae e Latimeria menadoensis.

Diário de Notícias
Jorge Andrade
27 Junho 2022 — 07:00


 

Morreu o paleontologista francês Yves Coppens, um dos “pais” de “Lucy”

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/CIENTISTAS/ÓBITO

Além do famoso fóssil, o de hominídeo mais completo já encontrado, no total, Yves Coppens co-assina seis descobertas de hominídeos.

Yves Coppens com um modelo da cabeça de “Lucy”
© LIONEL BONAVENTURE / AFP

O paleontologista francês Yves Coppens, responsável pela descoberta de vários fósseis de hominídeos, incluindo a famosa “Lucy”, morreu esta quarta-feira aos 87 anos, anunciou sua editora, Odile Jacob.

“Yves Coppens deixou-nos esta manhã. A minha tristeza é imensa”, escreveu Odile Jacob, elogiando “um enorme sábio”.

“Eu perco um amigo que me confiou toda a sua obra. A França perde um dos seus grandes homens”, acrescentou a editora.

O cientista morreu após doença prolongada, informou ainda a editora à AFP.

Paleontólogo de renome mundial, professor emérito do Collège de France e membro da Academia de Ciências, Yves Coppens não parou de narrar a epopeia humana, com um “talento de contista, de ensaísta”, disse ainda Odile Jacob.

Este caçador de fósseis apresentava-se como um dos “pais” de “Lucy”, junto com os cientistas Maurice Taieb e Donald Johanson: em 1974, na depressão de Afar, na Etiópia, a equipa revelou ao mundo o fóssil de hominídeo mais completo já encontrado, de um australopiteco com 3,2 milhões de anos.

No total, Yves Coppens co-assina seis descobertas de hominídeos.

Filho de um físico nuclear, nasceu em 9 de Agosto de 1934 em Vannes, no oeste da França.

Diário de Notícias
DN/AFP
22 Junho 2022 — 18:38


 

1103: Uma pergunta antiga e fundamental sobre os dinossauros pode finalmente ter uma resposta

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/DINOSSAUROS

Predadores temíveis como o T. rex e dinossauros gigantes com pescoço de telescópio, como o Braquiossauro, eram criaturas de sangue quente da mesma forma que pássaros e mamíferos, de acordo com um novo estudo inovador.

© Reprodução/Pixabay O T. rex e dinossauros gigantes com pescoço de telescópio, como o Braquiossauro, eram criaturas de sangue quente da mesma forma que pássaros e mamíferos Reprodução/Pixabay

A questão de saber se o sangue que corria pelas estruturas gigantes dos dinossauros era quente ou frio, como o dos répteis, é uma questão de longa data que tem irritado os paleontólogos. Conhecer essa informação fundamental poderia iluminar a vida das criaturas pré-históricas de maneiras significativas.

Animais de sangue quente têm uma alta taxa metabólica – eles absorvem muito oxigénio e precisam de muitas calorias para manter a temperatura corporal, enquanto animais de sangue frio respiram e comem menos.

“Isso é realmente emocionante para nós como paleontólogos – a questão de saber se os dinossauros eram de sangue quente ou frio é uma das questões mais antigas da paleontologia, e agora achamos que temos um consenso de que a maioria dos dinossauros era de sangue quente”. disse a principal autora do estudo, Jasmina Wiemann, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em um comunicado à imprensa.

Tentativas anteriores anteriores de responder a essa pergunta sugeriram que os dinossauros eram de sangue quente, mas essas descobertas, que envolveram a análise de anéis de crescimento ou sinais de isótopos químicos nos ossos, eram ambíguas porque a fossilização pode alterar esses marcadores. Além disso, essas técnicas de análise danificam os fósseis, dificultando a construção de um grande conjunto de dados.

Wiemann e seus colegas, no entanto, criaram um novo – e na opinião deles, mais definitivo – método para avaliar o metabolismo de um dinossauro.

Resposta definitiva?

Os pesquisadores analisaram os resíduos que se formam quando o oxigénio é inalado no corpo e reage com proteínas, açúcares e lipídios. A abundância dessas moléculas de resíduos, que aparecem como manchas de cor escura em fósseis, escala de acordo com a quantidade de oxigénio absorvida e é um indicador se um animal é de sangue quente ou frio.

As moléculas também são extremamente estáveis ​​e não se dissolvem na água, o que significa que são preservadas durante o processo de fossilização.

Wiemann e sua equipe analisaram um fémur – osso da coxa – de 55 criaturas diferentes, incluindo 30 animais extintos e 25 modernos. Entre as amostras estavam ossos pertencentes a dinossauros, répteis voadores gigantes chamados pterossauros, répteis marinhos como os plesiossauros e aves, mamíferos e lagartos modernos.

Os cientistas usaram uma abordagem chamada espectroscopia de infravermelho, que visa as interacções entre moléculas e luz. Esta técnica permitiu-lhes quantificar o número de moléculas de resíduos nos fósseis. A equipe então comparou essas descobertas com as taxas metabólicas conhecidas dos animais modernos e usou esses dados para inferir as taxas metabólicas das criaturas extintas.

O que eles encontraram

Gerações anteriores de paleontólogos agruparam dinossauros com répteis, levando a uma suposição de uma aparência e estilo de vida reptilianos. Hoje, a maioria dos paleontólogos concorda que os dinossauros eram muito mais parecidos com pássaros após a descoberta na década de 1990 de fósseis emplumados, o que levou à compreensão de que os pássaros modernos descendem directamente dos dinossauros.

O estudo, publicado na quarta-feira na revista Nature , descobriu que as taxas metabólicas dos dinossauros eram tipicamente altas e, em muitos casos, mais altas do que os mamíferos modernos – que normalmente têm uma temperatura corporal de cerca de 37 graus Celsius (98,6 graus Fahrenheit) – e mais. como pássaros, que têm temperaturas corporais médias de cerca de 42 graus Celsius (107,6 graus Fahrenheit).

“Com nossa nova evidência de um metabolismo de nível aviário ancestral de todos os dinossauros e pterossauros, todos os dinossauros de sangue quente provavelmente tinham altas temperaturas corporais, comparáveis ​​às das aves modernas”, disse Wiemann por e-mail.

No entanto, houve excepções notáveis. Dinossauros classificados como ornitísquios – uma ordem caracterizada por quadris semelhantes a lagartos que inclui criaturas instantaneamente reconhecíveis como Triceratops e Stegosaurus – evoluíram para ter baixas taxas metabólicas comparáveis ​​às dos animais modernos de sangue frio.

“Lagartos e tartarugas se sentam ao sol e se aquecem, e podemos ter que considerar a termo-regulação ‘comportamental’ semelhante em ornitísquios com taxas metabólicas excepcionalmente baixas. pode ter sido um factor selectivo para onde alguns desses dinossauros poderiam viver”, disse Wieman.

Ter uma alta taxa metabólica foi proposto como uma das razões pelas quais as aves sobreviveram à extinção em massa que eliminou os dinossauros há 66 milhões de anos. No entanto, Wiemann disse que este estudo indicou que isso não era verdade: muitos dinossauros com capacidades metabólicas excepcionais semelhantes a pássaros foram extintos.

A pesquisa “mudará drasticamente” como a biologia e o comportamento de muitos animais extintos são interpretados, disse Jingmai O’Connor, curador associado de répteis fósseis no Field Museum de Chicago. Ela não estava envolvida no estudo.

“Considero esses resultados bastante definitivos. Os métodos de Wiemann são meticulosos e foram exaustivamente testados”, disse ela.

“Alguns dinossauros eram de sangue quente, este era o estado ancestral, mas outros evoluíram secundariamente para serem ectotérmicos (sangue frio). A próxima pergunta a ser feita é por que e o que isso significa sobre seu comportamento, ecologia e evolução.”

MSN Notícias
Da redacção
26.05.2022


 

1037: Fragmento do asteróide que matou os dinossauros pode ter sido encontrado

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/UNIVERSO

© Reprodução/Divulgação É uma das várias descobertas surpreendentes em um espaço local nos EUA, que preservou os restos do momento cataclísmico que encerrou a era dos dinossauros Reprodução/Divulgação

Um pequeno fragmento do asteróide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos pode ter sido encontrado envolto em âmbar – uma descoberta que a NASA descreveu como “enlouquecedora”.

É uma das várias descobertas surpreendentes em um sítio fóssil único na Formação Hell Creek, em Dakota do Norte, nos EUA, que preservou os restos do momento cataclísmico que encerrou a era dos dinossauros – um ponto de virada na história do planeta.

Os fósseis desenterrados lá incluem peixes que sugaram detritos explodidos durante o ataque, uma tartaruga empalada com um pau e uma perna que pode ter pertencido a um dinossauro que testemunhou o ataque do asteróide.

A história das descobertas é revelada em um novo documentário chamado “Dinosaur Apocalypse”, que apresenta o naturalista Sir David Attenborough e o paleontólogo Robert DePalma e vai ao ar na quarta-feira no programa “Nova” da PBS.

DePalma, pesquisador de pós-graduação da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e professor adjunto do departamento de geociências da Florida Atlantic University, começou a trabalhar em Tanis, como é conhecido o sítio fóssil, em 2012.

As planícies empoeiradas e expostas contrastam fortemente com a aparência do local no final do período Cretáceo. Naquela época, o meio-oeste americano era uma floresta pantanosa e um mar interior que desde então desapareceu – conhecido como Western Interior Seaway – percorria todo o caminho do que hoje é o Golfo do México até o Canadá.

O local é o lar de milhares de fósseis de peixes bem preservados que DePalma acreditava terem sido enterrados vivos por sedimentos deslocados quando um enorme corpo de água desencadeado pelo ataque de asteróides se moveu pelo interior do mar. Ao contrário dos tsunamis, que podem levar horas para chegar à terra após um terremoto no mar, esses corpos d’água em movimento, conhecidos como seiche, surgiram instantaneamente depois que o enorme asteróide caiu no mar.

Ele está certo de que o peixe morreu dentro de uma hora após o impacto do asteróide, e não como resultado dos grandes incêndios florestais ou do inverno nuclear que veio nos dias e meses que se seguiram. Isso porque “esférulas de impacto” – pequenos pedaços de rocha derretida lançados da cratera para o espaço, onde se cristalizaram em um material semelhante ao vidro – foram encontrados alojados nas brânquias dos peixes. A análise dos fósseis de peixes também revelou o asteróide atingido na primavera.

“Uma evidência após a outra começou a se acumular e mudar a história. Foi uma progressão de pistas como uma investigação de Sherlock Holmes”, disse DePalma.

“Ele dá uma história momento a momento do que acontece logo após o impacto e você acaba obtendo um recurso tão rico para investigação científica.”

Muitas das últimas descobertas reveladas no documentário não foram publicadas em revistas científicas. Michael Benton, professor de paleontologia de vertebrados da Universidade de Bristol, que actuou como consultor científico no documentário, disse que, embora seja uma “questão de convenção” que novas alegações científicas passem por revisão por pares antes de serem reveladas na televisão, ele e muitos outros paleontólogos aceitaram que o sítio fóssil realmente representa o “último dia” dos dinossauros.

“Alguns especialistas disseram ‘bem, pode ser no dia seguinte ou um mês antes… mas eu prefiro a explicação mais simples, que é que realmente documenta o dia em que o asteróide atingiu o México”, disse ele por e-mail.

MSN
Da redacção
12.05.2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

1001: Maior animal do mundo é encontrado nos Alpes Suíços

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/FÓSSEIS

Os “lagartos-peixe” há muito extintos apareceram pela primeira vez no oceano cerca de 250 milhões de anos atrás, e seus fósseis foram encontrados no alto dos Alpes suíços.

© Reprodução/Divulgação Há 200 milhões de anos, os ictiossauros gigantes foram extintos e apenas animais menores, semelhantes a golfinhos, viveram até 90 milhões de anos atrás. Reprodução/Divulgação

De acordo com um estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, a descoberta fóssil dos carnívoros répteis marinhos, conhecidos como ictiossauros, os torna algumas das maiores criaturas que já viveram na Terra – ainda maiores que cachalotes e a par dos dinossauros – dado que eles pesavam cerca de 80 toneladas e mediam 19 metros.

Maior é sempre melhor”, disse o co-autor do estudo e paleontólogo P. Martin Sander em um comunicado . “Existem vantagens selectivas distintas para o tamanho do corpo grande. A vida irá para lá se puder. Havia apenas três grupos de animais que tinham massas maiores que 10-20 toneladas métricas: dinossauros de pescoço longo (saurópodes); baleias; e os ictiossauros gigantes do Triássico.”

O animal tomou a forma de um golfinho com corpo alongado e cabeça pequena. Pesquisas sugerem que surgiu depois que a extinção em massa do Permiano eliminou mais de 95% das espécies marinhas. No entanto, há 200 milhões de anos, os ictiossauros gigantes foram extintos e apenas animais menores, semelhantes a golfinhos, viveram até 90 milhões de anos atrás.

Os pesquisadores explicaram como um fóssil de ictiossauro foi descoberto a uma altitude de 2.800 metros, observando que há 200 milhões de anos as camadas rochosas faziam parte de uma lagoa.

“Acreditamos que os grandes ictiossauros seguiram cardumes de peixes até a lagoa”, disse o co-autor do estudo e paleontólogo Heinz Furrer em um comunicado. “Os fósseis também podem derivar de animais abandonados que morreram lá”.

Desenterrados nos Alpes suíços entre 1976 e 1990, os fósseis eram de três tipos diferentes de ictiossauros, dos quais o mais significativo era o maior dente de um ictiossauro já encontrado. Isso muda a narrativa para o que os cientistas acreditavam, porque os fósseis de ictiossauros descobertos anteriormente eram em sua maioria desdentados e capturados por sucção. É incomum que eles sejam predadores e grandes em tamanho, disseram os pesquisadores.

“É difícil dizer se o dente é de um grande ictiossauro com dentes gigantes ou de um ictiossauro gigante com dentes de tamanho médio”, disse Sander em um comunicado.

A descoberta é uma espécie de anomalia. fósseis de ictiossauros foram concentrados principalmente na América do Norte.

MSN
Da redacção
05.05.2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
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For the victims of the genocide practiced
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993: Descoberto fóssil de gafanhoto com mais de 300 milhões de anos em Gondomar

CIÊNCIA/FÓSSEIS/PALEONTOLOGIA

O fóssil “extremamente raro” do gafanhoto pré-histórico foi encontrado em rochas com mais de 300 milhões de anos na região de São Pedro da Cova.

© Centro de Geociências (CGeo) da Universidade de Coimbra

Investigadores descobriram um fóssil de gafanhoto pré-histórico em rochas com mais de 300 milhões de anos na região de São Pedro da Cova, em Gondomar, que constitui “um achado extremamente raro” na Península Ibérica, foi esta terça-feira revelado.

Em comunicado enviado à Lusa, o investigador Pedro Correia, doutorado do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, afirma que o artigo, publicado na revista científica Historical Biology, revela a descoberta de “restos fossilizados de um gafanhoto pré-histórico” em rochas com mais de 300 milhões de euros na região de São Pedro da Cova, em Gondomar, no distrito do Porto.

O fóssil, que revela “um novo género e nova espécie para a ciência”, recebeu o nome de ‘Lusitadischia sai’ e é um “achado extremamente raro na Península Ibérica”.

“O novo fóssil agora descrito para a ciência corresponde a um grupo de insectos saltadores primitivos que existiram no final do paleozóico”, salienta Pedro Correia, esclarecendo que esta “super-ordem difundida e diversificada” permanece pouco conhecida na Península Ibérica, “devido à raridade dos registos até ao momento”.

Esta diversidade, “representada por tão poucos registos”, reflecte a dificuldade de se encontrar fosseis deste grupo na Península Ibérica, observa Pedro Correia, notando, contudo, que tal não significa que estes e outros insectos não eram abundantes e diversificados nesta região, mas que a limitação do seu registo é “um grande obstáculo” para as descobertas.

A ‘Lusitadischia sai’ é o segundo registo da família Oedischiidae até então descoberto na Península Ibérica o que “volta a demonstrar que a baixa diversidade demonstrada está subestimada” pelo limitado potencial de fossilização deste tipo de fauna pré-histórica, mas também pela dificuldade de encontrar e reconhecer estes achados em condições de preservação.

O nome da nova espécie é dedicado ao paleontólogo e professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Artur Sá, pelo “importante contributo na estratigrafia e paleontologia do Paleozóico inferior do sudoeste da Europa, norte de África e também na promoção e valorização do Património Geológico”, esclarece o investigador.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Maio 2022 — 12:53


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What has no eyes, walked on stilts and died in ‘Paleo Pompeii’? This ancient weirdo

Curious Creatures

The Canadian stone quarry where it was found is rich in marine fossils

Reconstruction of Tomlinsonus dimitrii. (Image credit: Art by Christian McCall, copyright ROM)

Paleontologists recently announced the discovery of an “exceptionally well preserved” ancient animal near the eastern shore of Lake Simcoe in southern Ontario, Canada, in a stone quarry that is such a hotbed for marine fossils that scientists have dubbed the area “Paleo Pompeii.”

Named Tomlinsonus dimitrii, the species represented by the specimen is part of an extinct group of arthropods known as marrellomorphs that lived approximately 450 million years ago, during the Ordovician period, the research team reported in a new study. Other echinoderm fossils that are abundant in the area typically contain mineralized body parts that are more likely to be preserved over time, but this species is entirely soft-bodied, making the discovery all the more startling.

“We didn’t expect to find a soft-bodied species at this site,” said lead study author Joseph Moysiuk, a doctoral candidate in ecology and evolutionary biology at the University of Toronto and a researcher at Toronto’s Royal Ontario Museum (ROM). “When we think of fossils, we typically think of things like dinosaur bones and shells. However, soft-tissue preservation is very rare, and there are only a few sites around the world where soft-bodied organisms have been found,” Moysiuk told Live Science.

Measuring 2 inches (6 centimeters) — just shy of an index finger’s length and able to fit in the palm of a hand — the specimen features an ornate head shield that contains two curved horns covered in feather-like spines. The animal’s segmented body resembles that of other arthropods, such as insects and spiders, and contains multiple sets of segmented limbs — including one very unusual pair.

“Underneath the head, there is this amazing pair of limbs that are extremely long and have foot-like projections at the terminal ends, which we think it most likely used to stilt its way across the seafloor,” Moysiuk said. “It also appears to be blind, since it doesn’t have any eyes at all.”

Researchers discovered the bizarre arthropod last summer during a formal excavation of an active quarry owned by the Tomlinson Group, an infrastructure service company based in eastern Canada. (Paleontologists named the species Tomlinsonus dimitrii as a nod to the Tomlinson Group for letting them excavate the site.)

Prior to this dig, which was led by George Kampouris, the paper’s co-author and an independent paleontological technician who has been investigating the quarry’s fossil beds since 2014, marrellomorphs were predominately found at older fossil sites, like the Cambrian Burgess Shale in the Canadian Rockies of British Columbia. According to paleontologists, the newly described specimen resembles another species of extinct soft-bodied arthropod called Marrella splendens, found at the Burgess Shale.

The Tomlinsonus dimitrii fossil, and a line drawing of the specimen. (Image credit: Copyright ROM)

Similar to the Burgess Shale, the Lake Simcoe quarry was once submerged in water and was part of a shallow tropical marine sea that covered much of what is now modern-day Canada. Over millions of years, the seafloor became blanketed in sediment caused by storms.

“What we’re seeing is the rapid burial of these organisms that were living on this flat, shallow ocean bottom and were repeatedly smothered by large undersea mudflows coming from storm events,” Moysiuk said. “You can imagine hurricanes hitting this shallow shelf area and burying the whole community of organisms, which is why we nicknamed the site “Paleo Pompeii.” These organisms were entombed exactly where they were living, and what we’re seeing is them frozen in time.”

Moysiuk and his fellow researchers hope that this discovery will help “close the gap” in the fossil record for this group of arthropods, they wrote in the study.

The Tomlinsonus dimitrii specimen is now in ROM’s collection and is currently on display in the Willner Madge Gallery as a part of the museum’s “Dawn of Life” exhibit.

The findings were published March 24 in the Journal of Paleontology.

Originally published on Live Science
By Jennifer Nalewicki
23.04.2022

 


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

781: Eis Horridus, o mais completo fóssil de triceratops de sempre

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Melbourne Museum
O esqueleto de Horridus, o triceratop gigante

O esqueleto do fóssil deste triceratops está mais de 85% intacto e inclui um crânio e uma coluna vertebral quase completos.

Um Triceratops gigante que morreu há 67 milhões de anos deixou para trás um esqueleto quase completo, que se encontra entre os mais intactos alguma vez encontrado, segundo a Live Science.

Apelidado de “Horridus”, após o nome da espécie (Triceratops horridus), o fóssil, que está cerca de 85% completo, fez a sua estreia pública a 12 de março no Museu de Melbourne, na Austrália, na nova exposição “Triceratops: Destino dos Dinossauros”.

Horridus era um dinossauro herbívoro, ou comedor de plantas, que viveu durante o período Cretáceo (há cerca de 145 a 66 milhões de anos), e cresceu até atingir um tamanho impressionante.

O fóssil contém mais de 260 ossos e pesa mais de 1.000 quilos. Mede quase 7 metros de comprimento e mede mais de 2 metros de altura.

O crânio, que se encontra 98% completo, é inclinado, com dois chifres na testa, e um corno espetado no topo do nariz.

Os folhos do pescoço medem 1,5 m e o crânio pesa cerca de 261 kg. O fóssil foi descoberto em Montana, em 2014, e o Museus Victoria — a organização australiana que opera três museus estatais em Melbourne — adquiriu o espécime em 2020, tendo o museu anunciado a aquisição em Dezembro desse ano.

Quando Horridus chegou a Melbourne, estava dividido em pedaços em oito caixas, algumas das quais eram do tamanho de um carro, disseram representantes do museu. Os investigadores mediram, etiquetaram e digitalizaram em 3D cada osso, antes de o esqueleto ser montado para exibição.

Há muitos esqueletos articulados de triceratops expostos em todo o mundo, mas apenas Horridus e alguns outros são feitos de ossos que vieram de um único animal individual, explicou Erich Fitzgerald, curador sénior de paleontologia de vertebrados no Museus Victoria, na Austrália.

“Esta é a Pedra de Rosetta para a compreensão de Triceratops”, disse Fitzgerald na declaração de 2020.

“Este fóssil contém centenas de ossos, incluindo um crânio completo e toda a coluna vertebral, o que nos ajudará a desvendar mistérios sobre a forma como esta espécie viveu há 67 milhões de anos”, relatou Fitzgerald. Na exposição, Horridus encontra-se numa câmara, com projecções a iluminar os seus ossos.

Os cientistas não podem dizer de certeza se Horridus era masculino ou feminino, mas há muito que os investigadores podem aprender com o seu esqueleto quase completo sobre a evolução, biologia e comportamento de triceratops.

“Estar permanentemente alojado no Museu de Melbourne significa que este notável fóssil será acessível à ciência durante gerações“, concluiu Fitzgerald.

É possível ver-se ver Horridus pessoalmente no Museu de Melbourne, mas se for demasiado longe, ainda se pode examinar os ossos do dinossauro gigante através de um modelo digital 3D interactivo, no site do museu.

Alice Carqueja
22 Março, 2022

Triceratops Horridus