923: Comando Espacial dos EUA confirma 1º meteorito alienígena a atingir Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Cientistas e oficiais militares dos EUA agora acreditam que a Terra foi atingida por um meteoro de outro Sistema Solar em 2014, antes da descoberta em 2017 da rocha espacial extra-solar Oumuamua

(Getty Images/iStock / Getty Images Plus)

O Comando Espacial dos EUA confirmou as descobertas dos cientistas de Harvard de que uma rocha espacial vinda de outro sistema estelar atingiu a Terra em 2014.

O anúncio muda a data da primeira descoberta confirmada de um visitante extra-solar em três anos, e levanta a possibilidade, ainda que remota, de colectar fragmentos do meteorito alienígena do oceano Pacífico, onde explodiu numa bola de fogo.

A descoberta sugere ainda que rochas do espaço extra-solar podem ser visitantes mais comuns do que se pensava em nosso sistema solar.

Em 6 de Abril, o Comando Espacial emitiu um memorando confirmando o trabalho dos astrónomos de Harvard Amir Siraj e Abraham Loeb, observando que a velocidade e a trajectória do meteoro sugeriam que a rocha espacial era de origem extra-solar.

Siraj e Loeb escreveram um artigo em 2019 defendendo uma origem extra-solar para o meteoro e o publicaram no servidor de preprint científico ArXiv. Mas a dupla não conseguiu publicar o artigo em uma revista científica revisada por pares devido à sua dependência de dados de alguns sensores usados ​​pelo Departamento de Defesa dos EUA, de acordo com relatórios da Vice.

Após a descoberta de Oumuamua, um asteróide grande e alongado que passa pelo nosso Sistema Solar e, em última análise, determinado como sendo de origem interestelar, Loeb e Siraj começaram a pesquisar dados históricos do Centro de Estudos de Objectos Próximos à Terra (Center for Near Earth Object Studies, CNEOS) da NASA em busca de evidências de pequenos meteoros que também poderiam ter vindo de fora do Sistema Solar e queimado na atmosfera da Terra.

Um desses meteoros gerou uma bola de fogo detectada perto de Papua Nova Guiné em 8 de Janeiro de 2014, e os dados do CNEOS indicaram que veio de um pequeno meteoro que estava viajando excepcionalmente rápido em relação ao Sol, uma indicação de que se originou fora do nosso Sistema Solar.

Exame
Por Da Redacção
Publicado em 12/04/2022 08:26 | Última actualização em 13/04/2022 09:04


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia


 

607: Um astrofísico de Harvard acredita que o misterioso Oumuamua foi enviado por extraterrestres

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

NASA

Avi Loeb defende ainda que as outras hipóteses apresentadas até agora não têm em conta todas as características conhecidas do misterioso objecto e critica a arrogância da comunidade científica.

Em Outubro de 2017, o astrónomo canadiano Robert Weryk fez uma descoberta surpreendente com o telescópio Pan-STARRS1 do Observatório Haleakala no Havai.

O cientista observou um objecto estranho, alongado e do tamanho de um campo de futebol a viajar pelo Sistema Solar a 315 quilómetros por hora, puxado por uma força invisível sem explicação, revela o Futurism.

O objecto foi mais tarde apelidado “Oumuamua” — olheiro em Havaiano — e os cientistas acreditam que pode ter sido o primeiro visitante de fora do Sistema Solar a ser observado directamente.

Já muitas hipóteses procuraram decifrar do que se tratava, mas a proposta de Avi Loeb, astrofísico e professor da Universidade de Harvard, é mais inusitada por defender que o objecto é uma sonda enviada por uma civilização extraterrestre.

No seu novo livro — “Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth” — o especialista explora mais a sua hipótese e aborda ainda a dificuldade de ser levado a sério dentro da comunidade científica, mesmo quando as outras teorias mais universalmente aceites não respondem a todas as questões levantadas pelas características do Oumuamua.

Loeb dá como exemplo a hipótese de que o objecto é uma bola de pó, que defende que a sua trajectória estranha pode ser explicada pela sua densidade muito baixa.

“O problema com isso é que não acho que algo do tamanho de um campo de futebol que seja uma bola de pó sobreviveria a uma viagem de milhões de anos através do espaço interestelar”, explica ao Futurism.

O astrofísico acredita que as explicações baseadas nos conhecimento científicos que temos até agora não são suficientes perante o misterioso objecto — e foi assim que chegou à hipótese dos extraterrestres.

Loeb sugere que o Oumuamua é uma vela solar— uma forma de propulsão de uma nova espacial que usa pressão baixa da radiação solar para gerar movimento —  enviada até ao Sistema Solar de outro sistema. O cientista acredita que isso explica a aceleração inesperada do objecto.

Caso seja sólido, deve ainda ter uma espessura de menos de um milímetro, segundo os cálculos de Loeb, que considera que esta é a conclusão mais lógica quando se seguem os pistas que foram excluindo outras hipóteses mais imediatas.

Mesmo assim, a comunidade científica continua a duvidar da explicação de Loeb. Um estudo de 2019 argumentou que não há provas que sustentem uma ligação alienígena do Oumuamua porque as suas “propriedades são consistentes com uma origem natural”, propondo antes que o objecto é um fragmento de um bloco de construção planetário que está a flutuar pelo nosso Sistema Solar.

Weryk, que descobriu o objecto, também é céptico da teoria de Loeb, acreditando antes que é apenas um “destroço de outro sistema solar“.

Mas o astrofísico não se deixa deter pela sua falta de apoio de outros astrónomos. “O princípio que me guia é a modéstia. Se não formos arrogantes, se formos modestos, diríamos que a vida, da forma como a temos, deve ser comum”, defende.

Loeb acredita que tudo é uma questão de probabilidades. “Sabemos pelos dados do satélite Kepler que cerca de metade das estrelas parecidas com o Sol têm um planeta como a Terra a uma distância parecida e que podem ter água líquida e a química da vida como a conhecemos”, começa.

“Por isso sabemos que os dados foram lançamos milhares de milhões de vezes na galáxia. E se houverem circunstâncias como às que temos na Terra, teremos um resultado semelhante”, afirma, acrescentando que esta estimativa é “conservadora” e que devia ser a “visão mainstream“. No entanto, propor que não estamos sozinhos no Universo continua a ser “uma visão à margem” e um “tabu”.

Loeb remata lembrando que outros campos de estudo, como a matéria negra ou a teoria das cordas, também se baseiam em especulação mas que isso não impossibilita a existência de “comunidades de centenas de cientistas a trabalhar para darem prémios uns aos outros”.

Adriana Peixoto
20 Fevereiro, 2022

 



 

430: Cientistas querem enviar sonda para ir atrás do Oumuamua

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA/OUMUAMUA

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: Oumuamua.

O misterioso Oumuamua foi o primeiro objecto interestelar a passar pelo nosso sistema solar. Descoberto em 2017 no Havai, ainda não se sabe o que é. 

O objecto era semelhante a um cometa, mas com características suficientemente estranhas para desafiar essa classificação. Embora tivesse uma superfície rugosa, alguns cientistas sustentam que possa ser tecnologia alienígena.

Desde teorias que envolveram a possibilidade de o Oumuamua ser uma nave alien, uma fragmento de um planeta ou um icebergue de hidrogénio, a verdade é que os astrónomos não chegaram a nenhuma conclusão nos últimos anos.

Enquanto a comunidade científica se resignou a nunca descobrir a verdadeira resposta, uma equipa delineou um plano ambicioso com uma sonda, para apanhar o misterioso objecto espacial, à medida que este se afasta cada vez mais da Terra.

Depois de o Oumuamua ter sido descoberto a 19 de Outubro de 2017, pelo observatório astronómico Pan-STARRS1, os astrónomos apontaram várias anomalias, que revelaram que o objecto não se assemelhava a outros asteróides observados no nosso Sistema Solar.

Segundo a Interesting Engineering, pouco depois de Oumuamua ter sido observado pela primeira vez, mudou de velocidade, retirando-o do caminho inicialmente previsto.

O objecto desconhecido também não deixou qualquer rasto de detritos. Avi Loeb, professor de astrofísica em Harvard, sugeriu que o “Oumuamua era uma nave espacial extraterrestre interestelar, ou pelo menos um pedaço de uma”.

Agora, o Oumuamua está fora do alcance dos nossos telescópios mais poderosos, mas essas discrepâncias são demasiado intrigantes para não serem seguidas.

Por isso, uma equipa da Iniciativa de Estudos Interestelares (I4IS) publicou um novo documento com o Projecto Lyra, que pretende enviar uma sonda de vela solar para alcançar e analisar o Oumuamua antes que se perca para sempre.

“As teorias para explicar a natureza do Oumuamua incluíram um agregado de poeira, um icebergue de hidrogénio, um icebergue de azoto, uma vela solar extraterrestre, fragmentos de um planeta arrasado, e assim por diante”, escreveram os autores do do novo projecto.

“Todas as explicações têm uma característica em comum — são extraordinárias“, acrescenta a equipa de investigação.

O novo estudo, publicado em Janeiro na Cornell University, diz que a sonda poderia ser lançada no início de 2028, e alcançar Oumuamua, com base na sua velocidade e percurso de viagem ao sair do nosso Sistema Solar, entre 2050 e 2054.

Durante os primeiros quatro anos da missão, orbitaria duas vezes à volta da Terra, e uma vez em torno de Vénus e Júpiter, para obter ajuda da gravidade, enviando-a em direcção ao objecto espacial misterioso.

A tecnologia das velas solares, com o seu funcionamento comprovado pela missão LightSail 2 da Sociedade Planetária, ajudaria a alimentar a sonda no seu caminho para alcançar o Oumuamua.

No entanto, a missão utilizaria uma vela de fotões pelo parcialmente alimentada por um laser na Terra, de forma semelhante ao conceito de Breakthrough Starshot.

Embora outras equipas tenham proposto missões para “visitar” o Oumuamua, a maioria delas confiou na realização de uma manobra de Oberth à volta do Sol.

Por outras palavras, quando a sonda começa a cair no poço gravitacional do Sol, ela vai dar energia ao seu propulsor, dando-lhe um enorme impulso de velocidade.

Como isto exigiria um escudo para proteger contra o calor e a radiação do Sol, a equipa I4IS propôs a hipótese de uma manobra de Oberth em torno de Júpiter.

“A missão assemelhar-se-ia muito mais a missões interplanetárias existentes“, explicaram os autores. Contudo, a data de lançamento teria de ser fixada depois de Fevereiro de 2028, devido ao actual alinhamento orbital de Júpiter.

Desde que o Oumuamua foi observado pela primeira vez, um outro objecto interestelar, chamado C/2019 Q4 (Borisov), foi descoberto.

Ao contrário do Oumuamua, o cometa encontrado era muito mais parecido com outras rochas espaciais observadas ao longo da história.

Mais uma razão para perseguir Oumuamua e descobrir os seus mistérios. Isto, é claro, se já não tiver chegado ao seu porto espacial mais próximo…

  ZAP //
ZAP
21 Janeiro, 2022