977: NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteróide

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da nave espacial OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores perto da superfície do asteróide Apophis.
Crédito: Heather Roper

A nave espacial OSIRIS-REx da NASA vai passar pela Terra para entregar uma amostra do asteróide Bennu no dia 24 de Setembro de 2023. Mas depois disso, não termina o que tem a fazer.

A NASA alargou a missão liderada pela Universidade do Arizona, que passará a chamar-se OSIRIS-APEX, para estudar o asteróide Apophis durante 18 meses, asteróide este que está perto da Terra. O Apophis fará uma passagem próxima pelo nosso planeta em 2029.

A Universidade do Arizona vai continuar a liderar a missão, que fará a sua primeira manobra em direcção ao asteroide Apophis 30 dias após a nave espacial OSIRIS-REx entregar a amostra que recolheu de Bennu em Outubro de 2020. Nesse momento, a equipa original da missão vai dividir-se – a equipa de análise da amostra irá estudar a amostra de Bennu, enquanto a equipa da sonda e dos instrumentos transita para a missão OSIRIS-APEX, abreviatura para OSIRIS-Apophis Explorer.

O professor de Ciências Planetárias Dante Lauretta vai continuar a ser o principal investigador da OSIRIS-REx durante os dois anos restantes da fase de entrega de amostras da missão. A professora assistente de Ciências Planetárias e a investigadora principal adjunta da OSIRIS-REx, Dani DellaGiustina, tornar-se-á então a investigadora principal da OSIRIS-APEX. A extensão acrescenta outros 200 milhões de dólares ao custo da missão.

A equipa da missão fez uma busca exaustiva de potenciais alvos asteróidais. A nave espacial OSIRIS-REx foi construída para o que se chama de missão de rendez-vous, ou seja, em vez de fazer uma única passagem por um objecto e de rapidamente capturar imagens e recolher dados, foi concebida para se aproximar e permanecer com o objecto. DellaGiustina disse: “a nossa nave espacial, nisso, é realmente fenomenal.”

“Apophis é um dos asteróides mais infames,” disse DellaGiustina. “Quando foi descoberto pela primeira vez em 2004, houve a preocupação de que iria colidir com a Terra em 2029 durante a sua aproximação. Esse risco foi anulado após observações subsequentes, mas será a distância mais pequena que um asteróide deste tamanho estará nos cerca de 50 anos em que já seguimos asteróides, ou até nos próximos 100 anos no que toca aos asteróides que descobrimos até agora. Vai passar a menos de um-décimo da distância entre a Terra e a Lua durante o encontro de 2029. As pessoas na Europa e em África poderão vê-lo a olho nu, tal é a sua pequena distância à Terra. Ficámos entusiasmados por descobrir que a missão tinha sido prolongada.”

A OSIRIS-REx foi lançada em 2016 para recolher uma amostra do asteróide Bennu que vai ajudar os cientistas a aprender mais sobre a formação do Sistema Solar e da Terra como um planeta habitável. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a recolher e a entregar uma amostra de um asteróide próximo da Terra.

A OSIRIS-APEX não vai recolher uma amostra, mas quando alcançar o Apophis, vai estudá-lo durante 18 meses e recolher dados ao longo do percurso. Fará também uma manobra semelhante à que fez durante a recolha de amostras em Bennu, aproximando-se da sua superfície e disparando os seus propulsores. Este evento vai expor o subsolo do asteroide, para permitir aos cientistas da missão aprenderem mais sobre as propriedades materiais do asteroide.

Os cientistas também querem estudar como o asteróide será fisicamente afectado pela atracção gravitacional da Terra, à medida que se aproxima em 2029.

Querem também aprender mais sobre a composição do asteroide. O Apophis tem aproximadamente o mesmo tamanho de Bennu – mais de 300 metros na sua linha mais longa – mas difere no que toca ao seu tipo espectral. Bennu é um asteróide do tipo B ligado aos meteoritos condritos carbonáceos, enquanto que Apophis é um asteroide do tipo S ligado aos meteoritos condritos comuns.

“A missão OSIRIS-REx já alcançou tantos feitos e estou orgulhoso por continuar a ensinar-nos sobre as origens do nosso Sistema Solar,” disse o presidente da Universidade do Arizona, Robert C. Robbins. “A extensão da missão OSIRIS-APEX mantém a Universidade do Arizona na liderança como uma das principais instituições do mundo a estudar pequenos corpos com naves espaciais e demonstra novamente a nossa incrível capacidade nas ciências espaciais.”

DellaGiustina está também entusiasmada com o facto de a missão proporcionar uma excelente oportunidade para os cientistas em início de carreira obterem desenvolvimento profissional. Os veteranos da OSIRIS-REx vão trabalhar de perto com estes cientistas em início de carreira como mentores nas fases iniciais da missão. Quando a sonda chegar a Apophis, a próxima geração vai assumir papéis de liderança na OSIRIS-APEX.

“A OSIRIS-APEX é uma manifestação de um objectivo central da nossa missão de impulsionar a próxima geração de líderes na exploração espacial. Não podia estar mais orgulhoso da Dani e da sua equipa APEX,” disse Lauretta. “A Dani começou a trabalhar connosco em 2005, como estudante. Vê-la assumir a liderança da missão ao asteróide Apophis demonstra as excelentes oportunidades educacionais na Universidade do Arizona.”

Astronomia On-line
29 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine