1149: Há 138 casos confirmados de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX

Há mais 19 casos de infecção humana por vírus Monkeypox em Portugal, indica a Direcção-Geral da Saúde. “Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos”.

© Global Imagens (Arquivo)

Portugal tem agora 138 casos confirmados de infecção humana por vírus Monkeypox, segundo informou esta quinta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS). São mais 19 infecções face ao que foi divulgado ontem.

Até ao momento, a maioria das infecções foi reportada em Lisboa e Vale do Tejo, sendo que há também casos nas regiões Norte e Algarve. “Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, indica a DGS, referindo que os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Os casos identificados mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”, lê-se ainda no comunicado da DGS, dando conta de que a informação recolhida através dos inquéritos epidemiológicos está a ser analisada para “contribuir para a avaliação do surto a nível nacional e internacional”.

Na terça-feira, a DGS publicou uma orientação que define a abordagem clínica e epidemiológica dos casos de infecção humana por vírus Monkeypox, prevendo que as situações suspeitas sejam referenciadas rapidamente para observação médica e que os contactos assintomáticos podem continuar a manter as suas rotinas diárias, não necessitando de isolamento.

Esta é a primeira vez que um surto do vírus VMPX, como também pode ser designado, é detectado em Portugal, num contexto de ocorrência de casos a serem reportados por vários países desde o início de maio.

O período de incubação varia entre cinco e os 21 dias, sendo em média de seis a 16 dias e os sintomas iniciam-se com febre, cefaleia, astenia, mialgia ou adenomegalias, aos quais se segue o aparecimento do exantema (erupção cutânea).

O vírus Monkeypox foi identificado em macacos em 1958 e identificado pela primeira vez em humanos em 1970.

O contágio implica “contacto próximo” com uma pessoa afectada, nomeadamente contacto face a face ou pele com pele, e o vírus também se consegue transmitir através de contacto com objectos em que esteja presente.

Surto repentino em 30 países sugere que transmissão decorre há algum tempo, diz OMS

Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que o​​​​​​ surto de infecções pelo vírus Monkeypox em 30 países não endémicos sugere que os contágios estão a ocorrer há algum tempo. A agência de Saúde das Nações Unidas insta as autoridades nacionais a expandirem a vigilância.

“O aparecimento repentino da Monkeypox em diferentes países ao mesmo tempo sugere que a transmissão [do vírus] não foi detectada por algum tempo”, referiu o director-geral da OMS em conferência de imprensa.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, mais de 550 casos confirmados em 30 países onde a doença não é endémica foram já reportados à OMS, no âmbito do surto que teve início há cerca de um mês com casos de infecção pelo Monkeypox na Europa, incluindo Portugal, na América do Norte e no Médio Oriente.

“A OMS insta os países afectados a expandirem a sua vigilância e a rastrearem casos nas suas comunidades mais vastas”, salientou o director-geral da organização, alertando que qualquer pessoa pode ficar infectada com o vírus em caso de contacto próximo com uma pessoa doente.

Na conferência de imprensa, a responsável técnica para a Monkeypox, Rosamund Lewis, admitiu que o surgimento de infecções fora de África foi uma surpresa, embora a OMS esteja a acompanhar a doença há mais de 15 anos no continente africano, onde milhares de casos e mortes se verificam todos os anos.

Segundo a OMS, África registou este ano 70 mortes por infecção pelo vírus Monkeypox.

“Não é uma doença desconhecida, mas é verdade que, no novo contexto em que se está a espalhar, é algo novo”, reconheceu Rosamund Lewis.

Com Lusa

Diário de Notícias
DN
02 Junho 2022 — 11:11


 

OMS avisa que varíola-dos-macacos pode ser a “ponta do icebergue”

SAÚDE PÚBLICA/VARÍOLA DOS MACACOS/MONKEYPOX

Sylvie Briand, chefe de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, diz que não há razão para pânico, mas admite que os casos vão aumentar.

© AFP

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou esta sexta-feira que os cerca de 200 casos de varíola dos macacos registados nas últimas semanas fora dos países onde o vírus geralmente circula podem ser apenas o começo.

“Não sabemos se estamos a ver apenas a ponta do icebergue”, reconheceu Sylvie Briand, chefe de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, num briefing sobre a propagação “fora do comum” do vírus.

Desde que a Grã-Bretanha anunciou, pela primeira vez, um caso confirmado de varíola, a 7 de maio, quase 200 casos já foram reportados à OMS em países distantes dos estados onde o vírus é endémico. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) colocou o número desses casos em 219.

Uma doença endémica em vários países da África Ocidental e Central, casos de varíola-dos-macacos foram subitamente detectados em mais de 20 países em todo o mundo, incluindo Estados Unidos, Austrália, Emirados Árabes Unidos e quase uma dúzia de países da UE.

O ministério da saúde espanhol disse esta sexta-feira que foram confirmados 98 casos até agora, enquanto a Grã-Bretanha conta actualmente com 90 infecções confirmadas. Portugal registou entretanto 74 casos, informaram as autoridades de saúde, acrescentando que todas as ocorrências são maioritariamente em homens com menos de 40 anos.

“Ainda estamos no início deste evento”, disse Sylvie Briand aos representantes dos estados membros presentes na Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra. “Sabemos que teremos mais casos nos próximos dias”, disse, ressaltando que não há necessidade de “pânico”. “Esta não é uma doença com a qual o público em geral se deve preocupar. Não é a covid ou outras doenças que se espalham rapidamente.”

A varíola-dos-macacos está relacionada com a varíola que matou milhões em todo o mundo antes de ser erradicada em 1980. Mas esta doença é muito menos grave, com uma taxa de mortalidade de três a seis por cento. A maioria das pessoas recupera em três a quatro semanas.

Os sintomas iniciais incluem febre alta, nódulos inchados e erupções cutâneas semelhantes à varicela.

Embora muitos dos casos tenham sido associados a homens que fazem sexo com outros homens, os especialistas enfatizam que não há evidências de que seja uma doença sexualmente transmissível. Em vez disso, parece ser transmitida por contacto próximo com uma pessoa infectada que tem bolhas na pele.

Não há, para já, um tratamento, mas existem alguns antivirais desenvolvidos contra a varíola, incluindo um que foi recentemente aprovado pela Agência Europeia do Medicamento, destacou Sylvie Briand. As vacinas desenvolvidas para a varíola também mostraram ser cerca de 85% eficazes na prevenção da varíola.

No entanto, como a varíola não representa uma ameaça há mais de quatro décadas, a maioria das pessoas com menos de 45 anos não recebeu uma vacina, e os fornecimentos das vacinas são hoje muito limitados.

Sylvie Briand disse que os especialistas estão a tentar determinar o que estimulou esta “situação pouco comum”, ao dizer que as investigações preliminares não parecem indicar que o vírus que causa a varíola dos macacos mudou ou sofreu alguma mutação. Ela expressou a esperança de que a propagação possa ser interrompida.

“Temos uma boa janela de oportunidade para interromper a transmissão agora”, disse ela. “Se implementarmos as medidas certas agora, provavelmente podemos conter isto facilmente”.

Diário de Notícias
DN/AFP
27 Maio 2022 — 16:54