481: Ainda há quem não acredite que Júpiter exista (os mesmos que acham que a Terra é plana)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/NEGACIONISMO

NASA / JPL / SwRI
Impressão de artista de Júpiter, criada a partir de imagens captadas pela sonda Juno da NASA, que tem vindo a estudar o planeta desde que aí chegou no dia 4 de Julho de 2016.

Parece que ainda ontem lamentamos a perda de Plutão. Por isso, é difícil imaginar perdermos outro planeta do sistema solar. Mas a boa notícia é que não temos de o fazer.

De acordo com o Futurism, os negacionistas  que tentaram provar que Júpiter não existe estão 100 por cento errados.

Tem circulado uma imagem desde 2021, onde se encontra uma lata de refrigerante a explodir no vácuo. A afirmação explica que se um refrigerante não consegue sobreviver ao espaço, não há maneira de um planeta feito de gás se manter unido.

“Esta simples experiência, na qual uma bebida com gás pode explodir num ambiente de vácuo, demonstra a impossibilidade da existência de um ambiente pressurizado dentro de um vácuo, sem a presença de um recipiente adequado”, lê-se na imagem partilhada pelos TRUTH Seekers, no Facebook.

“Planetas gasosos, como nos diz a NASA, não podem existir”, lê-se na publicação do grupo de conspiração.

Muitos se questionaram se o meme não seria apenas uma piada. Afinal, o grupo que o partilhou, também acredita que a Terra é plana.

Porém, muitas das pessoas que comentaram a publicação parecem estar a levar a ideia a sério, e há certamente muitas pessoas que, por razões que desafiam a compreensão, ainda pensam que a Terra é plana.

Antes de mais, é bastante claro que os gigantes do gás, de facto, existem. Pode-se ver vários deles a olho nu, por exemplo.

E além do nosso sistema solar, a NASA relata actualmente mais de 1.400 descobertas de gigantes de gás, definidos por serem um grande planeta, composto principalmente por hélio, hidrogénio, ou ambos.

Tal como Júpiter e Saturno, estes planetas não têm superfícies duras e, em vez disso, apresentam um gás que gira em torno de um núcleo sólido.

Comparar um gigante do gás a uma lata de refrigerante é extremamente redutor, e é também por isso que a experiência não desvaloriza a investigação da NASA.

Elise Knittle, professora de Ciências da Terra e Planetárias na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, referiu, em entrevista ao USA Today, que as latas de alumínio são pressurizadas para manterem a efervescência do dióxido de carbono.

A força da lata e a pressão atmosférica exterior seguram o líquido na lata, mas quando deixada cair num vácuo, a diferença de pressão é grande e a lata rebenta.

É preciso um objecto grande para ter auto-gravidade suficiente para se manter unido, algo que os planetas têm, mas as latas de refrigerantes não.

“A gravidade do planeta é tão grande que contraria o gradiente de pressão entre o espaço exterior e o planeta”, sublinhou Knittle.

Também vale a pena mencionar que o nosso próprio Sol é uma bola gigantesca de gás queimado e parece manter a sua forma muito bem, tal como todas as estrelas.

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31 Janeiro, 2022

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180: Juiz negacionista demitido pelo Conselho Superior de Magistratura

SOCIEDADE/JUSTIÇA/NEGACIONISTAS

Rui Fonseca e Castro estava suspenso de funções por decisão do Conselho Superior de Magistratura, que decidiu esta quinta-feira pela sua demissão. Entre as infracções, o facto de, “não deixando de invocar a sua qualidade de juiz”, incentivar “à violação da lei e das regras sanitárias” relativas à pandemia de covid-19.

© Rita Chantre / Global Imagens

O plenário do Conselho Superior da Magistratura (CSM) deliberou, esta quinta-feira, por unanimidade, a demissão do juiz negacionista, Rui Fonseca e Castro, uma decisão que pode ser alvo de recurso, mas tem efeitos imediatos.

Entre as justificações para a demissão, o CSM aponta o facto de Rui Fonseca e Castro, “não deixando de invocar a sua qualidade de juiz”, publicar nas redes sociais, vídeos em que “incentivava à violação da lei e das regras sanitárias” relativas à pandemia de covid-19.

A decisão foi comunicada aos jornalistas à porta daquela instituição pela vogal do CSM Inês Ferreira Leite.

“O plenário do CSM deliberou, por unanimidade, sancionar o juiz de direito Rui Fonseca e Castro pelas seguintes infracções: ter nove dias úteis consecutivas de faltas injustificadas e não comunicadas, as quais ocorreram entre 1 de Março de 2021 a 12 de Março de 2021, com prejuízo para o serviço judicial, já que tais faltas implicaram o adiamento de audiências de julgamento agendadas”, começou por comunicar a vogal do CSM.

Outra infracção refere-se ao facto de “ter proferido um despacho durante uma audiência de julgamento no dia 24 de Março de 2021, no qual emitiu instruções contrárias ao disposto na lei, no que respeita às obrigações de cuidados sanitários, no âmbito da pandemia de covid-19. Mais. Tendo havido, nessa audiência, da parte de outros sujeitos processuais a insistência no cumprimento da lei, o arguido, o senhor juiz de direito, Rui Fonseca e Castro, determinou a adiamento da audiência de julgamento” com prejuízo para com os interesses dos cidadãos afectados.

O comunicado do CSM indica ainda a publicação de Rui Fonseca e Castro de uma série de vídeos nas redes sociais, “não deixando de invocar a sua qualidade de juiz”, nos quais incentivou “à violação da lei e das regras sanitárias, bem como proferia afirmações difamatórias dirigidas a pessoas concretas e a conjuntos de pessoas”.

Perante “estas três infracções”, o plenário “deliberou, por unanimidade, a aplicação da sanção única de demissão, para além da perda de vencimento relativo aos nove dias de faltas injustificadas.”

“A sanção de demissão implica o imediato desligamento do serviço do senhor juiz de direito Rui Fonseca e Castro. Esta decisão é recorrível para o Supremo Tribunal de Justiça, no prazo de 30 dias, mas não suspende os efeitos da deliberação do plenário do CSM”, indica ainda o comunicado, lido por Inês Ferreira Leite.

Rui Fonseca e Castro estava suspenso de funções por decisão do Conselho Superior de Magistratura “e, como tal, temporariamente privado das suas competências enquanto magistrado judicial”.

Em Março de 2021, o CSM suspendeu-o preventivamente do Tribunal de Odemira. Rui Fonseca e Castro ficou conhecido por declarações negacionistas sobre o uso de máscaras e o confinamento no âmbito da pandemia de covid-19.

justiça
PSP apresenta queixa contra juiz negacionista

Para o CSM, as posições negacionistas sobre a pandemia eram “sustentadas em teorias de conspiração”. O argumento de que “o uso de máscara tem efeitos nocivos, nomeadamente na saúde, que não deve ser usada nas salas de audiências dos tribunais e que, quando usada pelas crianças e jovens nos estabelecimentos de ensino, constitui um obstáculo ao processo educacional, acabando por constituir um factor de perigo para a formação, desenvolvimento e educação dos mesmos, bem como ao lançar suspeitas sobre a segurança das vacinas e o real propósito subjacente às campanhas de vacinação”, referiu na altura o instrutor.

PSP apresentou queixa contra Rui Fonseca e Castro

O juiz sabia que “estava a incitar os cidadãos ao incumprimento das regras do estado de emergência, ameaçando, com isso, a saúde pública”, não tendo agido “com a reserva, prudência, sobriedade e prestígio especialmente inerentes às funções dos magistrados judiciais; e que as suas posições afectavam negativamente a imagem de respeito, consideração e prestígio associada à magistratura judicial e à administração da justiça”, acrescentou na altura o CSM.

conselho superior da magistratura
Juiz negacionista ataca Ferro Rodrigues em vídeo e arrisca-se a novo processo disciplinar

Rui Fonseca e Castro, que exerceu advocacia antes de reentrar para a magistratura, pertenceu ao grupo “Juristas pela verdade” e tem manifestado as suas opiniões numa página de Facebook, denominada Habeas Corpus.

No final de Julho, o CSM abriu novo processo disciplinar ao juiz Rui Fonseca e Castro, depois de este ter publicado um vídeo com declarações sobre o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que este considerou “atentatório da honra”.

Em Setembro, a PSP tinha apresentado uma queixa contra Rui Fonseca e Castro junto das entidades judiciárias, por este ter insultado os agentes que faziam o policiamento de uma manifestação junto ao Conselho Superior da Magistratura. “Devido aos comportamentos do juiz Rui Fonseca e Castro, aquando da sua interacção com os polícias que ali se encontravam de serviço, a cumprir a sua missão, a PSP participará às entidades judiciárias competentes os factos ocorridos”, referiu na altura a Polícia de Segurança Pública, em comunicado.

Associação Sindical dos Juízes “coloca uma pedra sobre o assunto”

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) considerou entretanto que, com a demissão de Rui Fonseca e Castro pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM), foi “colocada uma pedra sobre o assunto” do juiz negacionista.

O presidente da ASJP, Manuel Soares, referiu à agência Lusa que o “CSM fez o que tinha a fazer, que é o que toda a gente esperava e era inevitável”. “Para nós é uma pedra sobre o assunto. Agora, é um assunto de ordem pública, de polícia e dos tribunais. Já não é um assunto da justiça”, sublinhou.

O presidente da ASJP reconheceu que o caso que envolveu o juiz que nega a existência da pandemia de covid-19 e que desafiou a lei e as regras sanitárias teve “um impacto negativo na imagem da justiça”, mas realçou que “o sistema actuou” e assim as “pessoas perceberam que se tratou de um caso isolado e bizarro para aquilo que é o comportamento dos juízes”.

Diário de Notícias
DN
07 Outubro 2021 — 14:24