1092: Os engenheiros estão a investigar os dados de telemetria da Voyager 1

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A nave espacial Voyager 1 da NASA, aqui nesta ilustração, tem vindo a explorar o nosso Sistema Solar desde 1977, juntamente com a sua gémea, a Voyager 2.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

A equipa de engenharia da nave espacial Voyager 1 da NASA está a tentar resolver um mistério: o explorador interestelar está a operar normalmente, a receber e a executar comandos da Terra, juntamente com a recolha e transmissão de dados científicos. Mas as leituras do AACS (Attitude Articulation and Control System) não reflectem o que está realmente a acontecer a bordo.

O AACS controla a orientação da nave espacial com 45 anos. Entre outras tarefas, mantém a antena de alto ganho da Voyager 1 apontada precisamente para a Terra, permitindo-lhe enviar dados para casa. Todos os sinais sugerem que o AACS ainda está a funcionar, mas os dados de telemetria que está a enviar são inválidos. Por exemplo, os dados podem parecer ter sido gerados aleatoriamente, ou não reflectir qualquer estado possível em que o AACS possa estar.

O problema não despoletou quaisquer sistemas de protecção de avarias a bordo, que são concebidos para colocar a sonda em “modo de segurança” – um estado onde apenas as operações essenciais são realizadas, dando aos engenheiros tempo para diagnosticar um problema. O sinal da Voyager 1 também não enfraqueceu, o que sugere que a antena de alto ganho permanece na sua orientação correta com a Terra.

A equipa vai continuar a acompanhar de perto o sinal enquanto continuam a determinar se os dados inválidos provêm directamente do AACS ou de outro sistema envolvido na produção e envio de dados de telemetria. Até que a natureza da questão seja melhor compreendida, a equipa não pode prever se isto poderá afectar a duração da recolha e transmissão de dados científicos pela nave espacial.

A Voyager 1 está actualmente a 23,3 mil milhões de quilómetros da Terra e são necessárias 20 horas e 33 minutos para que a luz percorra essa distância. Isto significa que demora cerca de dois dias a enviar uma mensagem à Voyager 1 e a obter uma resposta – um atraso a que a equipa da missão está bem habituada.

“Um mistério como este é um tanto ou quanto normal nesta fase da missão da Voyager,” disse Suzanne Dodd, gestora de projecto das Voyager 1 e 2 no JPL da NASA, no sul da Califórnia. “As naves espaciais têm ambas quase 45 anos, o que está muito para lá do que os planeadores da missão previram. Também estamos no espaço interestelar – um ambiente de alta radiação em que nenhuma nave espacial voou antes. Por isso, há alguns grandes desafios para a equipa de engenharia. Mas penso que se houver uma forma de resolver esta questão com o AACS, a nossa equipa vai encontrá-la.”

É possível que a equipa não encontre a origem da anomalia e em vez disso se adapte a ela, disse Dodd. Se encontrarem a fonte, poderão ser capazes de resolver o problema através de alterações de software ou potencialmente utilizando um dos sistemas de hardware redundantes da sonda.

Não seria a primeira vez que a equipa da Voyager confiava no hardware de reserva: em 2017, os propulsores primários da Voyager 1 mostraram sinais de degradação, pelo que os engenheiros mudaram para outro conjunto de propulsores que tinham sido originalmente utilizados durante os encontros planetários da nave espacial. Esses propulsores funcionaram, apesar de não terem sido utilizados durante 37 anos.

A gémea da Voyager 1, a Voyager 2 (actualmente a 19,5 mil milhões de quilómetros da Terra), continua a funcionar normalmente.

Lançadas em 1977, ambas as Voyagers têm operado muito mais tempo do que os planeadores da missão esperavam e são as únicas naves espaciais a recolher dados do espaço interestelar. A informação que fornecem desta região ajudou a aprofundar a compreensão da heliosfera, a barreira difusa que o Sol cria em torno dos planetas do nosso Sistema Solar.

Cada nave espacial produz cerca de 4 watts a menos de energia eléctrica por ano, limitando o número de sistemas que a nave pode operar. A equipa de engenharia da missão desligou vários subsistemas e aquecedores a fim de reservar energia para os instrumentos científicos e sistemas críticos. Nenhum instrumento científico foi ainda desligado como resultado da diminuição da potência e a equipa Voyager está a trabalhar para manter as duas naves espaciais a funcionar e a transmitir ciência única para lá de 2025.

Enquanto os engenheiros continuam a trabalhar para resolver o mistério que a Voyager 1 lhes apresentou, os cientistas da missão vão continuar a aproveitar ao máximo os dados provenientes do ponto de vista único da nave espacial.

Astronomia On-line
24 de Maio de 2022


 

1078: Cápsula Starliner da Boeing chegou à Estação Espacial Internacional

CIÊNCIA/ESPAÇO/EEI/ISS

A nave Starliner, da Boeing, acoplou pela primeira vez à Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (madrugada de sábado em Portugal). Conforme muito se falou, esta missão não tripulada era um importante teste para a empresa, que tem a ambição de competir com a SpaceX, de Elon Musk. Assim, neste sábado de madrugada, pouco mais de 25 horas depois do lançamento, a cápsula chegou à Estação Espacial Internacional (ISS).

A Starliner permanecerá ligada à ISS durante quatro ou cinco dias. Depois, tal como está planeado, a cápsula fará a viagem de regresso à Terra e pousará no Novo México.

Starliner da Boeing conseguiu, finalmente, chegar à ISS

A nave Starliner da Boeing alcançou e atracou com sucesso na Estação Espacial Internacional, completando um passo importante para um voo de teste crucial que determinaria se está pronta para missões tripuladas. A nave espacial não tripulada lançada no topo de um foguetão da United Launch Alliance Atlas V do Cabo Canaveral e viajou durante mais de 25 horas para chegar ao laboratório orbital.

A Starliner fez a sua primeira tentativa de chegar à ISS em Dezembro de 2019, mas não conseguiu atingir o seu objectivo devido a um problema de software que impediu os propulsores da nave espacial de disparar. Em Agosto do ano passado, a Boeing teve de cancelar os seus planos de lançamento devido a um problema com as válvulas da nave espacial, impedindo a empresa de planear outro lançamento durante quase um ano.

O acoplamento com a ISS, que estava programado para às 00:10 (pelo horário de Portugal continental, acabou por acontecer às 01:28. Isso porque, pouco antes das 22:50 (de sexta), quando a nave estava a 180 metros de distância da ISS, os controladores avaliaram os dados de monitorização e desempenho da cápsula e acreditaram que ela estaria numa posição inadequada. Foi então necessário executar uma manobra de recuo.

Segundo a Boeing, esta manobra foi oportuna para demonstrar a capacidade de controlo de manobra da cápsula.

Às 00:08, já deste sábado, a Boeing comunicou que a cápsula estava a 10 metros de distância do complexo orbital, e que a equipa faria uma reunião para “garantir que ambas as naves estão preparadas para a aproximação final”.

O CST-100 Starliner da Boeing atraca com a Estação Espacial Internacional às 20:28 p.m. EDT na sexta-feira, 20 de maio de 2022, completando um importante objectivo do Teste de Voo Orbital-2 não tripulado. (Crédito: Boeing)

Ainda durante a aproximação, os controladores relataram “um pequeno problema” com o sistema de acoplamento, o que adiou ainda mais o processo. Segundo a NASA, foi necessário retirar o anel de acoplamento da Starliner e redefini-lo para entender o problema.

Starliner também enfrentou problemas no lançamento

A cápsula Starliner, da Boeing, foi lançada na noite desta quinta-feira (19), no topo de um foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA), a partir do Complexo de Lançamento-41, uma plataforma da Estação da Força Espacial dos EUA, em Cabo Canaveral, na Florida.

A Starliner separou-se do estágio superior do foguete cerca de 15 minutos após o lançamento. Um minuto depois, a cápsula iniciou o processo de inserção orbital.

Durante este momento, dois dos propulsores da Starliner não dispararam como esperado. O primeiro falhou depois de apenas um segundo. O seu backup foi imediatamente accionado, mas também apresentou falha, após 25 segundos. Isso activou um terceiro backup do grupo de propulsores, e a cápsula foi capaz de completar a combustão crucial sem incidentes.

Conforme foi apresentado na altura pela empresa, a nave da Boeing está equipada com quatro grupos de propulsores na sua secção da popa, referida na nomenclatura da indústria como “doghouses”. Cada um destes grupos contêm três motores de manobra orbital e controlo de atitude (OMAC), que são usados para realizar combustão de manobras significativas como as que alcançam a inserção orbital.

Os dois propulsores OMAC que não funcionaram, e o terceiro que entrou para compensar, estavam todos na mesma doghouse na popa da Starliner, segundo representantes da Boeing.

Conforme referido, a nave Starliner permanecerá atracada com a ISS durante os próximos cinco dias antes de fazer a sua viagem de regresso, que a verá aterrar no deserto do Novo México. Se a nave espacial regressar à Terra com sucesso, então a Boeing poderá enviar astronautas para a órbita já neste outono.

Pplware
Autor: Vítor M


EU combati no mato, em África, na Guerra Colonial, durante quase dois anos,
os mercenários treinados por Cuba e armados, municiados e financiados
pela União Soviética (URSS) e China.

 

977: NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteróide

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da nave espacial OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores perto da superfície do asteróide Apophis.
Crédito: Heather Roper

A nave espacial OSIRIS-REx da NASA vai passar pela Terra para entregar uma amostra do asteróide Bennu no dia 24 de Setembro de 2023. Mas depois disso, não termina o que tem a fazer.

A NASA alargou a missão liderada pela Universidade do Arizona, que passará a chamar-se OSIRIS-APEX, para estudar o asteróide Apophis durante 18 meses, asteróide este que está perto da Terra. O Apophis fará uma passagem próxima pelo nosso planeta em 2029.

A Universidade do Arizona vai continuar a liderar a missão, que fará a sua primeira manobra em direcção ao asteroide Apophis 30 dias após a nave espacial OSIRIS-REx entregar a amostra que recolheu de Bennu em Outubro de 2020. Nesse momento, a equipa original da missão vai dividir-se – a equipa de análise da amostra irá estudar a amostra de Bennu, enquanto a equipa da sonda e dos instrumentos transita para a missão OSIRIS-APEX, abreviatura para OSIRIS-Apophis Explorer.

O professor de Ciências Planetárias Dante Lauretta vai continuar a ser o principal investigador da OSIRIS-REx durante os dois anos restantes da fase de entrega de amostras da missão. A professora assistente de Ciências Planetárias e a investigadora principal adjunta da OSIRIS-REx, Dani DellaGiustina, tornar-se-á então a investigadora principal da OSIRIS-APEX. A extensão acrescenta outros 200 milhões de dólares ao custo da missão.

A equipa da missão fez uma busca exaustiva de potenciais alvos asteróidais. A nave espacial OSIRIS-REx foi construída para o que se chama de missão de rendez-vous, ou seja, em vez de fazer uma única passagem por um objecto e de rapidamente capturar imagens e recolher dados, foi concebida para se aproximar e permanecer com o objecto. DellaGiustina disse: “a nossa nave espacial, nisso, é realmente fenomenal.”

“Apophis é um dos asteróides mais infames,” disse DellaGiustina. “Quando foi descoberto pela primeira vez em 2004, houve a preocupação de que iria colidir com a Terra em 2029 durante a sua aproximação. Esse risco foi anulado após observações subsequentes, mas será a distância mais pequena que um asteróide deste tamanho estará nos cerca de 50 anos em que já seguimos asteróides, ou até nos próximos 100 anos no que toca aos asteróides que descobrimos até agora. Vai passar a menos de um-décimo da distância entre a Terra e a Lua durante o encontro de 2029. As pessoas na Europa e em África poderão vê-lo a olho nu, tal é a sua pequena distância à Terra. Ficámos entusiasmados por descobrir que a missão tinha sido prolongada.”

A OSIRIS-REx foi lançada em 2016 para recolher uma amostra do asteróide Bennu que vai ajudar os cientistas a aprender mais sobre a formação do Sistema Solar e da Terra como um planeta habitável. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a recolher e a entregar uma amostra de um asteróide próximo da Terra.

A OSIRIS-APEX não vai recolher uma amostra, mas quando alcançar o Apophis, vai estudá-lo durante 18 meses e recolher dados ao longo do percurso. Fará também uma manobra semelhante à que fez durante a recolha de amostras em Bennu, aproximando-se da sua superfície e disparando os seus propulsores. Este evento vai expor o subsolo do asteroide, para permitir aos cientistas da missão aprenderem mais sobre as propriedades materiais do asteroide.

Os cientistas também querem estudar como o asteróide será fisicamente afectado pela atracção gravitacional da Terra, à medida que se aproxima em 2029.

Querem também aprender mais sobre a composição do asteroide. O Apophis tem aproximadamente o mesmo tamanho de Bennu – mais de 300 metros na sua linha mais longa – mas difere no que toca ao seu tipo espectral. Bennu é um asteróide do tipo B ligado aos meteoritos condritos carbonáceos, enquanto que Apophis é um asteroide do tipo S ligado aos meteoritos condritos comuns.

“A missão OSIRIS-REx já alcançou tantos feitos e estou orgulhoso por continuar a ensinar-nos sobre as origens do nosso Sistema Solar,” disse o presidente da Universidade do Arizona, Robert C. Robbins. “A extensão da missão OSIRIS-APEX mantém a Universidade do Arizona na liderança como uma das principais instituições do mundo a estudar pequenos corpos com naves espaciais e demonstra novamente a nossa incrível capacidade nas ciências espaciais.”

DellaGiustina está também entusiasmada com o facto de a missão proporcionar uma excelente oportunidade para os cientistas em início de carreira obterem desenvolvimento profissional. Os veteranos da OSIRIS-REx vão trabalhar de perto com estes cientistas em início de carreira como mentores nas fases iniciais da missão. Quando a sonda chegar a Apophis, a próxima geração vai assumir papéis de liderança na OSIRIS-APEX.

“A OSIRIS-APEX é uma manifestação de um objectivo central da nossa missão de impulsionar a próxima geração de líderes na exploração espacial. Não podia estar mais orgulhoso da Dani e da sua equipa APEX,” disse Lauretta. “A Dani começou a trabalhar connosco em 2005, como estudante. Vê-la assumir a liderança da missão ao asteróide Apophis demonstra as excelentes oportunidades educacionais na Universidade do Arizona.”

Astronomia On-line
29 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

689: “Arquitectura revolucionária”. Engenheira da NASA tem fórmula para nave espacial três vezes mais rápida do que as actuais

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

NASA
Conceito artístico de vela solar da NASA

A chave para o projecto estará na nanotecnologia que permitirá uma revolução no processo de desenvolvimento do dispositivo.

Uma engenheira da NASA acredita ter uma fórmula para fabricar uma nave espacial funcional que chegará a Úrano em dois anos e a Neptuno em três.

De acordo com o El Confidencial, a ideia terá merecido a aprovação da agência espacial norte-americana, daí que tenha, inclusive, alocado verbas para a sua concretização no âmbito do sei programa de desenvolvimento de conceitos inovadores avançados em 2022.

À partida, a ideia em causa não é radicalmente diferente da que conhecemos de naves espaciais, as quais consistem em grandes superfícies espessas que tiram partido do vento solar para atingir velocidades inimagináveis com a tecnologia de propulsão química actual.

Na realidade, o que há de realmente inovador no conceito conhecido como SCOPE é a maneira como é integrada a instrumentação na mesma vela solar e a ideia de utilizar enxames de sondas leves para estudar planetas a alta velocidade.

Desta forma, o grande problema das velas solares ficaria resolvido: embora atinjam velocidades relativistas ao longo do tempo e possam atingir planetas ou outros sistemas solares em tempo recorde, a sua massa deve ser tão pequena que não possam transportar instrumentos como os actualmente montados em naves espaciais como a New Horizons, que visitou Plutão em 2015 após 10 anos em órbita.

A solução proposta por Mahmooda Sultana acaba com este desafio convertendo a vela solar num instrumento científico por direito próprio, graças à nanotecnologia.

A investigadora quer usar uma nano-rede para transformar a vela num espectrógrafo para estudar de perto os planetas fora do sistema solar.

De acordo com a NASA, “ao imprimir um espectrómetro quântico baseado em pontos presentes no material de vela solar, estes criarão uma arquitectura revolucionária de naves espaciais que permite um paralelismo sem precedentes e um desempenho de recolha de dados, e uma rápida viagem através do sistema solar”.

Ao contrário das velas solares convencionais que dependem de pequenos instrumentos inadequados para o estudo destes sistemas planetários, o relatório do projecto continua, SCOPE coloca a enorme área de velas para usar como espectrógrafo, “empurrando o limite da exploração científica do sistema solar exterior”.

Até agora, alcançar estes pontos demorava anos e custava centenas de milhões de dólares. O SCOPE resolveria os dois extremos.

De acordo com a autora da fórmula, a “ScienceCraft oferece uma plataforma atractiva de baixos recursos que pode permitir missões científicas a um custo significativamente mais baixo e proporcionar um grande número de oportunidades de lançamento como uma carga útil secundária”.

Por outras palavras, não haveria necessidade de um foguetão dedicado para a sua projecção, dado o seu pouco peso.

A ideia SCOPE, diz, é evolutiva porque várias destas velas com diferentes funções podem ser lançadas num sistema e ser usadas para recolher enormes quantidades de dados sobre elas.

A ideia de poder enviar um enxame destas velas solares para estudar planetas como Neptuno com uma viagem de apenas três anos é, no mínimo, extremamente interessante, apontam os especialistas.

  ZAP //
ZAP
7 Março, 2022



 

580: Equipa da New Horizons dá nomes a características do objecto da Cintura de Kuiper, Arrokoth

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Três características proeminentes no objecto da Cintura de Kuiper, Arrokoth – explorado pela nave espacial New Horizons da NASA em Janeiro de 2019 – têm agora nomes oficiais. A equipa da missão denominou o arco quase circular no maior dos dois lóbulos de Arrokoth, o brilhante “pescoço” que liga os lóbulos e uma cratera com 7 km de diâmetro no lóbulo mais pequeno com variações da palavra “céu”.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins/SwRI)

Três características proeminentes no objecto da Cintura de Kuiper, Arrokoth – o corpo planetário mais longínquo alguma vez explorado, pela nave espacial New Horizons da NASA -, têm agora nomes oficiais.

Propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pela União Astronómica Internacional, os novos nomes das características seguem um tema definido pelo próprio “Arrokoth”, que significa “céu” na língua nativa americana Powhatan/Algonquin.

“Nomear estas características em Arrokoth é um marco que a equipa da New Horizons tem muito orgulho em alcançar”, disse o investigador principal da New Horizons, Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “É um passo significativo na nossa descoberta e exploração deste objecto antigo, numa região distante do Sistema Solar de que estamos apenas a começar a tomar conhecimento.”

Arrokoth orbita o Sol na Cintura de Kuiper, mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão e a mais de 6 mil milhões de quilómetros da Terra. O objecto mais distante alguma vez explorado por naves espaciais, com 35 quilómetros de comprimento, consiste num lóbulo grande e plano ligado a um lóbulo mais pequeno e redondo. Nada como ele tinha sido visto em qualquer parte do Sistema Solar, e aquele primeiro olhar de perto fornecido pela New Horizons em Janeiro de 2019 produziu uma gama de imagens e dados que estão a ajudar os cientistas a compreender como planetesimais como Arrokoth se formam – os blocos de construção dos planetas.

Algumas das análises científicas dos dados do voo da New Horizons centraram-se em três características-chave: um arco quase circular no lóbulo maior de Arrokoth; um “pescoço” brilhante que liga os lóbulos; e uma grande cratera no lóbulo mais pequeno.

A equipa chamou ao arco “Ka’an”, a palava para céu na linguagem Iucateque (Maia) falada em partes da Península mexicana do Iucatão e no Belize. Também se assemelha à palavra para “cobra” nesta língua – “kan” – e ambos os termos derivam da palavra clássica maia, “chan”.

“As pinturas maias mostram frequentemente uma serpente arqueando-se sobre a cena, representando o céu,” disse Mark Showalter, co-investigador da New Horizons no Instituto SETI e presidente do Grupo de Trabalho de Nomenclatura da Missão. “Por isso achámos particularmente apropriado usar ‘Ka’an’ para esta proeminente característica em forma de arco em Arrokoth.”

A área mais refletiva em Arrokoth, ao pescoço foi dado o nome “Akasa”, a palava para céu em bengali, e derivada de palavras semelhantes em sânscrito (ākāśam), nepalês (akās), malaio (ākāśaṃ), oryia (akaśô), cingalês (ākāśaya), tâmil (ākāyam) e telugo (ākāśamu).

A grande cratera, com áreas brilhantes que riscam o seu chão com 7 km de diâmetro, tem o nome oficial inglês “Sky”. A equipa tinha apelidado a cratera de “Maryland” logo após o “flyby”, em homenagem à localização do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, que construiu e opera a nave espacial New Horizons.

A sonda New Horizons permanece saudável enquanto continua a sua exploração da Cintura de Kuiper e da heliosfera exterior. A nave está a cerca de 7,8 mil milhões de quilómetros de casa – mais de 52 vezes mais longe do que a Terra está do Sol – numa região onde o sinal de rádio da New Horizons, mesmo viajando à velocidade da luz, precisa de mais de sete horas para chegar ao nosso planeta.

Astronomia On-line
15 de Fevereiro de 2022