784: Meteoritos que ajudaram a formar a Terra podem ter sido formados perto do Sistema Solar exterior

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da cintura de asteróides.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Pensa-se que o nosso Sistema Solar se tenha formado a partir de uma nuvem de gás e poeira, a chamada nebulosa solar, que começou a condensar-se gravitacionalmente há aproximadamente 4,6 mil milhões de anos. À medida que esta nuvem se contraía, começou a girar e a moldar-se num disco em volta da massa de mais alta gravidade no seu centro, que se tornaria o nosso Sol. O nosso Sistema Solar herdou toda a sua composição química de uma estrela ou estrelas anteriores, que explodiram como super-novas.

O nosso Sol retirou uma amostra geral deste material à medida que se formava, mas o material residual no disco começou a migrar com base na sua propensão para congelar a uma dada temperatura e a formar corpos planetários. À medida que o jovem Sol irradiava o disco circundante, criou um gradiente de calor no Sistema Solar primitivo.

Por esta razão, os planetas interiores, Mercúrio, Vénus, a Terra e Marte, são na sua maioria rochosos (na sua maioria compostos por elementos mais pesados, tais como ferro, magnésio e silício), enquanto que os planetas exteriores são na sua maioria compostos por elementos mais leves, especialmente hidrogénio, hélio, carbono, azoto e oxigénio.

A Terra formou-se parcialmente a partir de meteoritos carbonáceos, que se pensa serem provenientes de asteróides da secção exterior da cintura principal de asteróides. As observações telescópicas de asteróides desta zona revelam uma reflectância comum de 3,1 µm que sugere que as suas camadas externas hospedam ou água gelada ou argilas amoniacais, ou ambas, que só são estáveis a temperaturas muito baixas.

Curiosamente, embora várias linhas de evidências sugiram que os meteoritos carbonáceos sejam derivados de tais asteróides, os meteoritos recuperados na Terra geralmente carecem desta característica. A cintura de asteróides coloca assim muitas questões aos astrónomos e aos cientistas planetários.

Um novo estudo liderado por investigadores do ELSI (Earth-Life Science Institute) no Instituto de Tecnologia de Tóquio sugere que estes materiais asteroidais podem ter-se formado muito longe no início do Sistema Solar, tendo depois sido transportados para o Sistema Solar interior por processos caóticos de mistura.

Neste estudo, uma combinação de observações de asteróides utilizando o telescópio espacial japonês AKARI e modelagem teórica de reacções químicas nos asteróides sugere que os minerais de superfície presentes nos asteróides da secção exterior da cintura principal, especialmente as argilas que contêm amoníaco (NH3), formam-se a partir de materiais base contendo NH3 e CO2 gelado que são estáveis apenas a temperaturas muito baixas e sob condições ricas em água.

Com base nestes resultados, o novo estudo propõe que os asteróides da secção exterior da cintura principal se formaram em órbitas distantes e diferenciadas para dar origem a diferentes minerais em mantos ricos em água e núcleos dominados por rochas.

Para compreender a origem das discrepâncias nos espectros medidos de meteoritos carbonáceos e asteróides, usando simulações de computador, a equipa modelou a evolução química de várias misturas primitivas plausíveis concebidas para simular materiais primitivos de asteróides. Utilizaram então estes modelos de computador para comparação com os espectros telescópicos obtidos.

Os seus modelos indicavam que, para corresponder aos espectros dos asteróides, o material inicial tinha de conter uma quantidade significativa de água e amoníaco, uma abundância relativamente baixa de CO2 e reagir a temperaturas inferiores a 70ºC, sugerindo que os asteróides formaram-se muito mais longe do que as suas actuais localizações no Sistema Solar.

Em contraste, a ausência da característica de 3,1 µm nos meteoritos pode ser atribuída à reacção possivelmente mais profunda dentro dos asteróides, onde as temperaturas atingiram valores mais elevados e, portanto, os meteoritos recuperados podem ser amostras de porções mais profundas de asteróides.

A ser verdade, este estudo sugere que a formação da Terra e as suas propriedades únicas resultam de aspectos peculiares da formação do Sistema Solar. Haverá várias oportunidades para testar este modelo. Por exemplo, este estudo fornece previsões para o que a análise das amostras da Hayabusa2 irá encontrar. Esta origem distante dos asteróides, se correta, prevê que haverá sais amoniacais e minerais nas amostras recolhidas por esta missão espacial. Uma verificação adicional deste modelo será fornecida pelas análises dos materiais entregues pela missão OSIRIS-REx da NASA.

Este estudo também examinou se as condições físicas e químicas nos asteróides da secção exterior da cintura principal deveriam ser capazes de formar os minerais observados. A origem fria e distante dos asteróides propostos sugere que deveria haver uma semelhança significativa entre os asteróides e os cometas e levanta questões sobre a forma como cada um destes tipos de corpos se formou.

Este estudo sugere que os materiais que deram origem à Terra podem ter-se formado muito longe no início do Sistema Solar e depois ter sido trazidos para o interior durante a história inicial especialmente turbulenta do Sistema Solar. Observações recentes de discos protoplanetários pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) encontraram muitas estruturas anulares, que se pensa serem observações directas da formação planetesimal.

O autor principal Hiroyuki Kurokawa resume o trabalho, “ainda está por determinar se a formação do nosso Sistema Solar é um resultado típico, mas numerosas medições sugerem que podemos ser capazes de contextualizar a nossa história cósmica em breve.”

Astronomia On-line
22 de Março de 2022

 



 

584: Bola de fogo avistada em quase toda a Península Ibérica a 54.000 km/h

SOCIEDADE/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

A bola de fogo foi registada por volta das 22:00 [21:00 em Lisboa] de 14 de Fevereiro, com um brilho semelhante ao de Lua cheia.

Uma bola de fogo percorreu a 54 mil quilómetros por hora, na noite de segunda-feira, o céu sobre a região espanhola da Andaluzia e, devido à sua alta luminosidade, esteve visível em quase toda a Península Ibérica.

Segundo os responsáveis do projecto SMART, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), a bola de fogo foi registada por volta das 22:00 [21:00 em Lisboa] de 14 de Fevereiro, com um brilho semelhante ao de Lua cheia.

Devido à sua alta luminosidade, esta pode ser vista em quase toda a Península Ibérica, principalmente pelos habitantes de toda a região da Andaluzia, em Espanha.

A entrada de um meteorito na atmosfera terrestre, a uma velocidade de cerca de 54 mil quilómetros por hora, resultou naquele fenómeno.

A rocha vinda do espaço, ao colidir com a atmosfera a uma velocidade enorme, ficou incandescente, gerando assim uma bola de fogo, que teve início a cerca de 82 quilómetros acima da localidade de Las Escuelas, província de Jaén, na Andaluzia.

A partir deste ponto, avançou em direcção a leste e extinguiu-se a cerca de 48 quilómetros acima da localidade de Larva, na mesma província.

Os detectores do projecto ​​​​​​​SMART operam no âmbito da Rede Meteorológica e de Observação da Terra do Sudoeste da Europa (SWEMN), que visa monitorizar continuamente o céu, com o intuito de registar e estudar o impacto na atmosfera terrestre de rochas de diferentes objectos do Sistema Solar.

Diário de Notícias
DN/Lusa
16 Fevereiro 2022 — 01:34



 

560: Um “mapa do tesouro” criado com IA prevê onde estão escondidos 300 mil meteoritos na Antárctida

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Katherin Joy / Antarctic Search for Meteorites Program
A Antárctida é um dos melhores lugares do mundo para procurar meteoritos

A equipa estima que haja 300 mil meteoritos algures no continente da Antárctida. O novo mapa teve em conta factores como a temperatura, o declive na superfície e o fluxo do gelo para prever onde estes estão escondidos.

Os meteoritos caem por todo o mundo, mas uma equipa de investigadores da Universidade de Tecnologia de Delft, nos Países Baixos, decidiu debruçar-se sobre onde estão escondidos os tesouros da Antárctida.

Os especialistas decidiram usar a inteligência artificial para criarem uma espécie de “mapa do tesouro” que identifica zonas onde há uma maior probabilidade de serem encontrados meteoritos, revela o Universe Today

Um estudo publicado na Science Advances detalhou o processo. “Através das nossas análises, descobrimos que as observações da temperatura pelos satélites, a taxa de fluxo de gelo, a cobertura da superfície e a geometria são bons preditores da localização de áreas ricas em meteoritos. Esperamos que o ‘mapa do tesouro’ seja 80% preciso“, revela a autora Veronica Tollenaar.

Com base no estudo, os cientistas estimam que mais de 300 mil meteoritos estão escondidos algures na paisagem gelada da Antárctida. Quando forem encontrados, podem dar muitas respostas aos cientistas.

“Encontramos várias áreas ricas em meteoritos que nunca foram visitadas e que estão relativamente perto de pontos de pesquisa“, afirma Stef Lhermitte, outro co-autor do estudo.

Os meteoritos já se acumulam há milhares de anos na Antárctida e são preservados pelo clima frio e desértico do continente, ficando embutidos nos glaciares. Com os fluxos lentos dos glaciares, os meteoritos são levados também e só aparecem à superfície quando o glaciar choca com um largo objecto que obrigue o gelo a levantar. Os ventos secos da Antárctida também corroem lentamente o gelo, expondo as rochas.

Os meteoritos são demasiado pequenos para serem detectados individualmente a partir do Espaço, mas com a combinação de medidas indirectas de satélites, como a temperatura, o fluxo do gelo, os declives da superfície e a forma como o gelo reflete sinais de radar, a equipa acredita que a inteligência artificial consegue prever onde estes se concentram.

As áreas com gelo azul são conhecidas por terem meteoritos, já que o contraste entre as cores facilita a detecção e a recolha destas rochas durante as missões em campo na Antárctida.

No entanto, há ainda muitas áreas remotas no continente que nunca foram visitadas e as notícias de missões de recuperação de meteoritos anteriores são geralmente ambíguas e pouco detalhadas.

Com este novo mapa do tesouro interactivo, o potencial para a descoberta de mais meteoritos na Antárctida é maior do que nunca.

  ZAP //

ZAP
12 Fevereiro, 2022

 



 

544: Um único grão de um meteorito alterou a estimativa dos cientistas de quando Marte se tornou habitável

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA
O meteorito marciano Northwest Africa (NWA) 7034, com a alcunha “Black Beauty”

O meteorito NWA 7034 contém um único grão de zirconita datado de há 4.45 mil milhões de anos que tem sinais de ter sofrido um impacto de um asteróide semelhantes aos encontrados na Terra.

Um meteorito de Marte tem provas de que terá havido um intenso choque com  asteróides no planeta vermelho mais tarde do que se pensava. Esta descoberta pode alterar a linha de tempo de quando Marte se pode ter tornado habitável.

No famoso meteorito NWA 7034 — conhecido como Black Beauty (beleza negra) — os cientistas descobriram um cristal de zirconita com uma característica vista apenas nas crateras de impacto massivo na Terra, nota o Science Alert.

“Este grão é verdadeiramente um presente único do planeta vermelho. A deformação de choque de alta pressão não foi anteriormente encontrada em qualquer mineral do Black Beauty. Esta descoberta dos danos do choque na zirconita marciana com 4.45 mil milhões de anos dá novas provas de processos dinâmicos que afectaram a superfície de Marte no seu início”, revela Morgan Cox, geóloga planetária.

O NWA 7034, que foi descoberto no deserto do Sahara em 2011, é um pedaço de brecha vulcânica de 320 gramas, ou seja, é composto por pedaços de vários tipos de rochas. É maioritariamente basalto, mas tem alguns cristais de zirconita, sendo que alguns têm até 4.45 mil milhões de anos e são quase tão antigos como Marte em si.

A falta de provas dos danos do choque na zirconita do NWA 7034 foi anteriormente apontada como uma evidência de que o período intenso de colisões com asteróides em Marte tinha acalmado há cerca de 4.48 mil milhões de anos — o que significava que o planeta podia ter sido habitável logo no seu início.

O novo estudo publicado na Science Advances baseou-se num estudo detalhado de 66 graus de zirconita do NWA 7034, com o mapeamento de difracção de retro-espalhamento de electrões e com a imagem de catodoluminescência, para perceber o arranjo estrutural da rede atómica por dentro.

Em apenas um dos 66 grãos, datado de há 4.45 mil milhões de anos, a equipa identificou provas de um impacto massivo. Esta descoberta sugere que o bombardeamento em Marte aconteceu pelo menos 30 milhões de anos depois da estimativa anterior, o que, por sua, sugere que as condições para a vida no planeta só surgiram um pouco mais tarde do que se pensava até agora.

Apesar da equipa ter encontrado estas provas apenas num dos grãos, esse cristal sugere que houve um processo de formação semelhante ao que se vê na Terra, que envolve alta pressão, muito provavelmente resultante do impacto de um asteróide.

“O tipo de danos de choque na zirconia marciana envolve a ‘geminação’ e tem sido notado em todos os maiores locais de impacto na Terra, incluindo o choque no México que matou os dinossauros, e também na Lua, mas não havia provas anteriores em Marte”, remata Cox.

Adriana Peixoto
10 Fevereiro, 2022


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421: Bola de fogo observada no céu no leste da Península Ibérica a 90 mil km/h

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Os observatórios de Sevilha e La Sagra e Sierra Nevada (Granada), Calar Alto (Almería) e La Hita (Toledo) detectaram a bola de fogo, noticia a agência EFE.

Uma bola de fogo percorreu a 90 mil quilómetros por hora, na manhã desta quarta-feira, o céu no leste da Península Ibérica, divulgaram os responsáveis do projecto SMART, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC).

Segundo a análise do investigador principal do projecto SMART, José María Madiedo, o evento registou-se às 07:11 [06:11 em Lisboa] desta quarta-feira.

Os observatórios de Sevilha e La Sagra e Sierra Nevada (Granada), Calar Alto (Almería) e La Hita (Toledo) detectaram a bola de fogo, noticia a agência EFE.

A entrada de um meteorito na atmosfera terrestre, a uma velocidade de cerca de 90 mil quilómetros por hora, resultou naquele fenómeno.

A rocha vinda do espaço, ao colidir com a atmosfera a uma velocidade enorme, ficou incandescente, gerando assim uma bola de fogo, que teve início a cerca de 93 quilómetros acima da província de Cuenca (Castela-Mancha).

A partir deste ponto, avançou em direcção a leste e extinguiu-se a cerca de 51 quilómetros acima da cidade de Chelva, na província de Valência.

Os detectores do projecto SMART operam no âmbito da Rede Meteorológica e de Observação da Terra do Sudoeste da Europa (SWEMN), que visa monitorizar continuamente o céu, com o intuito de registar e estudar o impacto na atmosfera terrestre de rochas de diferentes objectos do Sistema Solar.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Janeiro 2022 — 22:14