1328: Rover Curiosity faz inventário de ingrediente-chave da vida

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE/CURIOSITY

A partir de uma posição na depressão rasa “Yellowknife Bay”, o rover Curiosity da NASA utilizou a sua Mastcam (câmara do lado direito do mastro) para obter as imagens combinadas neste panorama de diversidade geológica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Utilizando dados do rover Curiosity da NASA, cientistas mediram pela primeira vez o carbono orgânico total – um componente chave nas moléculas da vida – nas rochas marcianas.

“O carbono orgânico total é uma das várias medições [ou índices] que nos ajudam a compreender quanto material está disponível como matéria-prima para a química pré-biótica e potencialmente biológica”, disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

“Encontrámos pelo menos 200 a 273 partes por milhão de carbono orgânico. Isto é comparável ou mesmo superior à quantidade encontrada nas rochas em locais de muito pouca vida na Terra, tais como partes do Deserto do Atacama na América do Sul, e mais do que foi detectado nos meteoritos marcianos.”

O carbono orgânico é carbono ligado a um átomo de hidrogénio. É a base das moléculas orgânicas, que são criadas e utilizadas por todas as formas de vida conhecidas. No entanto, o carbono orgânico em Marte não prova a existência de vida porque também pode vir de fontes não vivas, tais como meteoritos e vulcões, ou ser formado no local por reacções à superfície.

O carbono orgânico já tinha sido encontrado anteriormente em Marte, mas as medições anteriores apenas produziram informação sobre determinados compostos, ou representavam medições que capturam apenas uma porção do carbono nas rochas. A nova medição indica a quantidade total de carbono orgânico nestas rochas.

Embora a superfície de Marte seja agora inóspita para a vida, existem evidências de que há milhares de milhões de anos o clima era mais semelhante ao da Terra, com uma atmosfera mais espessa e água líquida que fluía em rios e mares. Uma vez que a água líquida é necessária para a vida tal como a entendemos, os cientistas pensam que a vida marciana, se é que alguma vez evoluiu, poderia ter sido sustentada por ingredientes chave como o carbono orgânico, se presente em quantidades suficientes.

O Curiosity está a avançar no campo da astrobiologia ao investigar a habitabilidade de Marte, estudando o seu clima e geologia. O rover perfurou amostras de rochas lamacentas com 3,5 mil milhões de anos na formação denominada “Yellowknife Bay” da Cratera Gale, o local de um antigo lago marciano.

Este lamito na Cratera Gale foi formado como sedimento muito fino (a partir do desgaste físico e químico das rochas vulcânicas) que assentou no fundo do lago e foi enterrado.

O carbono orgânico fazia parte deste material e foi incorporado no lamito. Além de água líquida e carbono orgânico, a Cratera Gale tinha outras condições propícias à vida, tais como fontes de energia química, baixa acidez e outros elementos essenciais para a biologia, tais como oxigénio, azoto e enxofre.

“Basicamente, este local teria oferecido um ambiente habitável para a vida, se é que alguma vez esteve presente”, disse Stern, autora principal de um artigo sobre esta investigação publicado dia 27 de Junho na revista PNAAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Para fazer a medição, o Curiosity entregou a amostra ao seu instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), onde um forno aqueceu a rocha em pó a temperaturas progressivamente mais elevadas. Esta experiência utilizou oxigénio e calor para converter o carbono orgânico em dióxido de carbono (CO2), cuja quantidade é medida para obter a quantidade de carbono orgânico nas rochas.

A adição de oxigénio e calor permite que as moléculas de carbono se partam e reajam com o oxigénio para produzir CO2. Algum carbono está fixado em minerais, pelo que o forno aquece a amostra a temperaturas muito elevadas para decompor esses minerais e libertar o carbono para o converter em CO2.

A experiência foi realizada em 2014, mas foram necessários anos de análise para compreender os dados e colocar os resultados no contexto de outras descobertas da missão na Cratera Gale. A experiência de recursos intensivos foi realizada apenas uma vez durante os 10 anos do Curiosity em Marte.

Este processo também permitiu com que o SAM medisse as proporções de isótopos de carbono, o que ajuda a compreender a fonte de carbono. Os isótopos são versões de um elemento com pesos (massas) ligeiramente diferentes, devido à presença de um ou mais neutrões extra no centro (núcleo) dos seus átomos. Por exemplo, o carbono-12 tem seis neutrões enquanto o mais pesado carbono-13 tem sete neutrões.

Uma vez que os isótopos mais pesados tendem a reagir um pouco mais lentamente do que os isótopos mais leves, o carbono da vida é mais rico em carbono-12. “Neste caso, a composição isotópica só nos pode realmente dizer que parte do carbono total é carbono orgânico e que parte é carbono mineral”, disse Stern.

“Embora a biologia não possa ser completamente excluída, os isótopos também não podem ser realmente utilizados para suportar uma origem biológica para este carbono, porque o intervalo de variação sobrepõe-se ao carbono ígneo (vulcânico) e ao material orgânico meteorítico, que são muito provavelmente a fonte deste carbono orgânico.”

Astronomia On-line
1 de Julho de 2022

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1280: Só mais uma máquina para actualizar? Sim, mas esta tem o Windows 98 e está a orbitar Marte

CIÊNCIA/SOFTWARE/MARTE

O Windows 98 foi um dos sistemas da Microsoft de maior sucesso. Chegou numa altura em que os computadores se começaram a massificar e trouxe uma interface que cada vez estava mais simples e apelativa para os muitos utilizadores deste sistema.

Foi um caso de sucesso e chegou literalmente a todo lado, havendo agora mais uma prova disso mesmo. A ESA vai finalmente actualizar uma das suas últimas máquinas com o Windows 98, que está dentro do Mars Express. O problema é que esta na órbita de Marte, algo que vem complicar um pouco as coisas.

Uma actualização há muitos devida em Marte

Já todos tivemos uma ou outra actualização do Windows que deixámos para mais tarde. É um processo que pode demorar ou ser chato, e que por isso adiamos. A ESA, a Agência Espacial Europeia, vai agora abordar um problema destes e realizar uma dessas actualizações.

A grande diferença é que a ESA vai fazer isso a 62,1 milhões de quilómetros da Terra, no software do MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ioniospheric Sounding), que está a orbitar o planeta Marte. A complicar ainda mais esta questão, está o facto deste satélite ter ainda presente o Windows 98 da Microsoft.

ESA vai trocar o Windows 98 da MARSIS

Esta é uma actualização que está em falta há alguns anos e que acontece agora para garantir uma melhor eficiência deste equipamento da ESA, que se dedica a procurar água no solo de Marte. 19 anos após ter entrado em produção, recebe agora um novo sistema operativo.

Com o novo software, os cientistas vão poder descartar dados desnecessários das imagens recolhidas. Isso permite que o MARSIS funcione por cinco vezes melhor do que agora e que cubra faixas muito mais amplas de Marte e Fobos nas suas passagens.

Uma nova vida para a Mars Express

Algo que não foi revelado pela ESA é qual o novo sistema que o MARSIS vai receber. Também não foi explicado de que forma a actualização será realizada a esta distância do planeta Terra, mas certamente que é um processo já testado até à exaustão, para que corra de forma perfeita.

O MARSIS ganha assim uma vida nova e garante mais alguns anos de funcionamento. Após ter descoberto indícios da presença de água em Marte, é hora de se renovar e receber novas funcionalidades e um novo sistema, bem mais recente que o Windows 98.
Pplware

Fonte: ESA
Autor: Pedro Simões
25 Jun 2022


 

1274: InSight obtém algumas semanas extra de ciência marciana

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

O “lander” InSight da NASA captou esta “selfie” final a 24 de Abril de 2022, o 1211.º dia marciano, ou sol, da missão. O módulo de aterragem está coberto de muito mais poeira do que estava na sua primeira “selfie”, tirada em Dezembro de 2018, pouco tempo depois da aterragem – ou na sua segunda “selfie”, composta de imagens tiradas em Março e Abril de 2019.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

A equipa da missão InSight optou por operar o seu sismómetro durante mais tempo do que o anteriormente planeado, embora o “lander” fique, como resultado, sem energia mais cedo.

À medida que a potência disponível para o módulo de aterragem InSight da NASA diminui de dia para dia, a equipa reviu a linha temporal da missão a fim de maximizar a ciência que ainda pode realizar. O “lander” foi projectado para desligar automaticamente o sismómetro – o último instrumento científico operacional do InSight – até ao final de Junho, a fim de conservar energia, sobrevivendo com a energia que os seus painéis solares carregados de poeira podem gerar até mais ou menos Dezembro.

Em vez disso, a equipa planeia agora programar o “lander” para que o sismómetro possa funcionar durante mais tempo, talvez até ao final de Agosto ou início de Setembro. Ao fazê-lo, as baterias do módulo de aterragem serão desligadas mais cedo e o InSight ficará sem energia também nessa altura, mas poderá permitir que o sismómetro detecte sismos marcianos adicionais.

“O InSight ainda não terminou de nos ensinar mais sobre Marte,” disse Lori Glaze, directora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA em Washington. “Vamos obter toda a ciência que pudermos antes do ‘lander’ concluir as operações.”

O InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) está numa missão alargada após ter alcançado os seus objectivos científicos. O “lander” detectou mais de 1300 sismos marcianos desde que aterrou em Marte em 2018, fornecendo informação que permitiu aos cientistas medir a profundidade e composição da crosta, manto e núcleo de Marte. Com os seus outros instrumentos, o InSight registou dados meteorológicos inestimáveis, investigou o solo sob o módulo e estudou o que resta do antigo campo magnético de Marte.

Todos os instrumentos, excepto o sismómetro, já foram desligados. Tal como outras missões marcianas, o InSight tem um sistema de protecção contra falhas que activa automaticamente o “modo de segurança” em situações ameaçadoras e desliga todas as funções, excepto as suas funções mais essenciais, permitindo aos engenheiros avaliar a situação. A baixa potência e as temperaturas que derivam para fora dos limites predeterminados podem ambos desencadear o modo de segurança.

Para permitir com que o sismómetro continue a funcionar durante o máximo de tempo possível, a equipa da missão está a desligar o sistema de protecção contra falhas do InSight. Embora isto permita que o instrumento funcione durante mais tempo, deixa o módulo de aterragem desprotegido contra acontecimentos súbitos e inesperados aos quais os controladores na Terra não teriam tempo de responder.

“O objectivo é obter dados científicos até ao ponto em que o InSight já não possa funcionar, em vez de conservar energia e operar o módulo terrestre sem qualquer benefício científico,” disse Chuck Scott, gestor do projecto InSight no JPL da NASA no sul da Califórnia, EUA.

Astronomia On-line
24 de Junho de 2022


 

1227: Rover da NASA descobriu lixo em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Conforme temos vindo a ser avisados, a Terra está inegavelmente poluída e os milhares de milhões de pessoas do mundo produzem uma quantidade inimaginável de lixo. Aparentemente, não nos ficamos apenas pelo no nosso planeta e também já foram encontrados vestígios em Marte.

Aparentemente, o Perseverance da NASA já deixou a sua marca.

O rover Perseverance da NASA rumou a Marte para descobrir mais acerca do planeta vermelho e, se possível, encontrar evidência sobre vida. No entanto, enquanto procurava vida microbiana, o rover avistou lixo originado pela aterragem de um objecto.

Aparentemente, esse vestígio é material térmico que a NASA usou para proteger o Perseverance de temperaturas extremas enquanto ele viajar para Marte e entrava na atmosfera marciana. Os seres humanos já deixaram, no planeta vermelho, sinais de exploração.

A minha equipa detectou algo inesperado: é um pedaço de cobertor térmico que pensam ter vindo do momento da minha descida, a mochila a jacto movida a foguetes que me fez descer no dia da aterragem em 2021.

Disse a NASA, num tweet feito a partir da conta do Perseverance.

A agência espacial está na dúvida relativamente à trajectória que o lixo percorreu. Isto, porque pode ter aterrado naquele exacto local ou ter chegado lá com a ajuda do vento. Aliás, esta foi uma questão levantada pela própria NASA.

Os vestígios deixados por Marte foram, então, deixados pelo Perseverance, pois, em Fevereiro de 2021, ao descer, a nave que segurava o rover descartou uma panóplia de instrumentos e objectos, incluindo o tal cobertor térmico, um para-quedas supersónico e uma grua que permitiu que o Perseverance pousasse na superfície de Marte. Portanto, este lixo encontrado agora não é de estranhar.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
17 Jun 2022


 

1193: Rover Curiosity da NASA descobriu formas bizarras em Marte

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

Marte é um planeta ainda misterioso, pouco conhecido e cheio de locais com muito interesse. Os habitantes do planeta, os robôs da Terra, palmilham lentamente e descobrem formas bizarras que o tempo esculpiu no solo. Há dias vimos uma porta escavada nas rochas e agora o rover da NASA, o Curiosity, descobriu umas formas bizarras, uma escultura em forma de espigões, que acicatam a curiosidade dos investigadores.

Estas novas formas naturais levantam algumas questões que ajudam a perceber o que se passou no planeta, em tempos que se suspeitava ter água em abundância.

Estranhos espigões brotam do solo de Marte

O rover Curiosity da NASA detectou mais formações rochosas estranhas em Marte, desta vez com a forma de caules de plantas sinuosas, de acordo com uma fotografia recente publicada na base de dados de imagens em bruto da missão.

O rover fotografou as esculturas marcianas naturais a 15 de maio, apenas uma semana depois de ter encontrado uma bizarra fractura rochosa que provocou um espanto mediático porque se assemelha a uma porta alienígena.

Os “espigões” estreitos de rocha na nova imagem são provavelmente “os preenchimentos cimentados de fracturas antigas numa rocha sedimentar”, segundo o Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI) Institute, uma organização de investigação sem fins lucrativos fundada para caçar vida extraterrestre.

Estes recheios são as últimas partes remanescentes de uma estrutura rochosa maior que tem sofrido erosão ao longo dos anos, disse o instituto num tweet.

NASA: Curiosity continua a sua missão para descobrir o planeta vermelho

A recente inundação de imagens interessantes extraterrestres é um lembrete de que o Curiosity ainda faz novas descobertas à medida que sobe a encosta de uma montanha marciana, quase dez anos depois de ter aterrado no planeta vermelho.

Para além deste rover, Marte é o lar de duas outras missões de superfície operacionais da NASA: Perseverance, outro rover que está actualmente a recolher amostras que, segundo se espera, serão devolvidas à Terra um dia, e o InSight, um terrestre que provavelmente irá morrer em breve.

A China também está a explorar a superfície marciana com o seu rover Zhurong, que também já encontrou a sua quota-parte de rochas estranhas desde que aterrou no planeta no ano passado.

Pplware
Autor: Vítor M.


 

1183: O rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

O rover Perseverance da NASA utilizou a sua câmara de navegação para capturar estes diabos de poeira que rodopiam pela Cratera de Jezero a 20 de Julho de 2021, o 148.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

Os sensores meteorológicos do rover Perseverance testemunharam redemoinhos diários, e mais, enquanto estudavam o Planeta Vermelho.

Durante o seu primeiro par de centenas de dias na Cratera Jezero, o rover Perseverance da NASA viu alguma da actividade mais intensa de poeira jamais testemunhada por uma missão enviada para a superfície do Planeta Vermelho. Não só o rover detectou centenas de redemoinhos de poeira chamados diabos de poeira, como o Perseverance capturou o primeiro vídeo de rajadas de vento a levantar uma enorme nuvem de poeira marciana.

Um artigo recentemente publicado na revista Science Advances detalha os fenómenos meteorológicos observados nos primeiros 216 dias marcianos, ou sols. Os novos achados permitem aos cientistas compreender melhor os processos de poeira em Marte e contribuir para um corpo de conhecimentos que poderá um dia ajudá-los a prever as tempestades de poeira pelas quais Marte é famoso – e que constituem uma ameaça para os futuros exploradores robóticos e humanos.

“De cada vez que aterramos num novo lugar em Marte, é uma oportunidade de melhor compreender o tempo do planeta,” disse a autora principal do artigo, Claire Newman da Aeolis Research, uma empresa de investigação centrada nas atmosferas planetárias. Ela acrescentou que pode haver meteorologia mais excitante a caminho: “Tivemos uma tempestade de poeira regional mesmo em cima de nós em Janeiro, mas ainda estamos a meio da estação da poeira, por isso é muito provável que vejamos mais tempestades.”

O Perseverance fez estas observações principalmente com as câmaras do rover e um conjunto de sensores pertencentes ao MEDA (Mars Environmental Dynamics Analyzer), um instrumento científico liderado pelo Centro de Astrobiologia da Espanha em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês e o JPL da NASA no sul da Califórnia. O MEDA inclui sensores de vento, sensores de luz que podem detectar redemoinhos à medida que dispersam luz solar à volta do rover e uma câmara apontada para o céu para captar imagens de poeira e nuvens.

“A Cratera Jezero pode estar numa das fontes de poeira mais activas do planeta,” disse Manuel de la Torre Juarez, investigador principal adjunto do MEDA no JPL. “Tudo o que aprendermos sobre a poeira será útil para futuras missões.”

Redemoinhos frequentes

Os autores do estudo descobriram que pelo menos quatro redemoinhos passam pelo Perseverance num típico dia marciano e que mais de um por hora passa durante um período de pico logo após o meio-dia.

As câmaras do rover também documentaram três ocasiões nas quais rajadas de vento levantaram grandes nuvens de poeira. O maior destes eventos criou uma enorme nuvem cobrindo 4 quilómetros quadrados. O artigo estimou que estas rajadas de vento podem levantar, colectivamente, tanta ou mais poeira do que os redemoinhos, redemoinhos estes que existem em muitos maiores números.

Esta série de imagens de uma câmara de navegação a bordo do rover Perseverance rover da NASA mostra uma rajada de vento a varrer a planície marciana para além dos trilhos do rover no dia 18 de Junho de 2021 (o 117.º sol, ou dia marciano, da missão). A nuvem de poeira neste GIF foi estimada em 4 quilómetros quadrados de tamanho; foi a primeira nuvem de poeira marciana desta escala alguma vez capturada em imagens.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI

“Pensamos que estas rajadas são pouco frequentes, mas podem ser responsáveis por uma grande fracção da poeira de fundo que paira constantemente na atmosfera marciana,” disse Newman.

Porque é que Jezero é diferente?

Embora o vento e a poeira sejam prevalecentes por todo o planeta Marte, o que os investigadores estão a encontrar parece destacar Jezero. Esta maior actividade pode estar ligada ao facto de a cratera estar perto do que Newman descreve como uma “pista de tempestades de poeira” que corre de norte a sul ao longo do planeta, levantando frequentemente poeira durante a época de tempestades de poeira.

Newman acrescentou que a maior actividade em Jezero pode dever-se a factores como a rugosidade da sua superfície, o que pode facilitar com que o vento levante poeira. Esta pode ser uma explicação para que o módulo InSight da NASA – em Elysium Planitia, a cerca de 3452 km de distância da cratera Jezero – ainda esteja à espera que um diabo marciano limpe os seus painéis solares carregados de poeira, enquanto o Perseverance já mediu a remoção de poeira da superfície próxima por vários redemoinhos passageiros.

“O Perseverance é nuclear, mas se tivéssemos ao invés painéis solares, provavelmente não teríamos de nos preocupar com a acumulação de poeira,” disse Newman. “Geralmente há mais levantamento de poeira na Cratera Jezero, embora a velocidade média do vento seja aí mais baixa e a velocidade do vento no pico e a criatividade dos redemoinhos sejam comparáveis a Elysium Planitia.”

Na verdade, o levantamento de poeira em Jezero tem sido mais intenso do que a equipa teria desejado: a areia transportada nos redemoinhos danificou os dois sensores de vento do MEDA. A equipa suspeita que os grãos de areia danificaram os finos fios dos sensores de vento, que se destacam do mastro do Perseverance.

Estes sensores são particularmente vulneráveis porque têm que permanecer expostos ao vento a fim de o medir correctamente. Os grãos de areia soprados pelo vento, e provavelmente transportados em redemoinhos, também danificaram um dos sensores de vento do rover Curiosity (o outro sensor de vento do Curiosity foi danificado por detritos levantados durante a sua aterragem na Cratera Gale).

Tendo em mente os danos do Curiosity, a equipa do Perseverance acrescentou um revestimento protector adicional aos fios do MEDA. No entanto, a meteorologia de Jezero ainda levou a melhor. De la Torre Juarez disse que a equipa está a testar alterações de software que deverão permitir com que os sensores de vento continuem a funcionar.

“Recolhemos muitos dados científicos,” disse de la Torre Juarez. “Os sensores de vento estão gravemente afectados, ironicamente, porque conseguimos obter aquilo que queríamos medir.”

Astronomia On-line
7 de Junho de 2022


 

1130: Já pensou em como soaria a sua voz em Marte? A NASA mostra-lhe!

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

A NASA desenvolveu uma forma de trazer um pouco de Marte até à Terra e de oferecer sensações aos entusiastas que dificilmente terão oportunidade de visitar o planeta vermelho. Experimente e ouça como soaria a sua voz em Marte.

Só precisa de gravar um áudio e esperar que a magia aconteça.

Pela mão dos astronautas e dos satélites, chegam-nos frequentemente imagens e sons do espaço. Embora seja por si só impressionante, dificilmente teremos a oportunidade de ver e ouvir em pessoa o que por lá se passa. Com isto em mente, a NASA arranjou forma de trazer um bocadinho de Marte até nós.

A agência espacial americana lançou um website onde é possível ouvir a voz dos utilizadores caso esses estivessem em Marte. O website baseia-se nos dados que o rover Perseverance da NASA recolheu durante a sua estadia.

Ouça a sua voz como se estivesse em Marte

Conforme vimos aqui, os dados de um estudo sobre a velocidade do som em Marte foram apresentados na 53.ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária pelo cientista planetário Baptiste Chide do Laboratório Nacional de Los Alamos. A investigação concluiu que seria complicado estabelecer uma conversa no planeta vermelho, uma vez que as frequências altas chegar-nos-iam antes das frequências baixas.

Para que as pessoas possam entender esta questão e saber como soaria a sua voz em Marte, os autores da investigação desenvolveram um website onde é possível realizar a experiência. Além da nossa voz, também é possível ouvir outros sons, como um helicóptero a voar em Marte e vento.

Para ouvir a sua voz em ambiente marciano, basta aceder aqui e pressionar o microfone enquanto fala (durante 10 segundos, no máximo). Caso queira guardar o áudio gerado, pode fazê-lo. Caso contrário, se abandonar a página, perderá a gravação.

Segundo um comunicado de imprensa, a obtenção dos dados foi um tanto complicada para os investigadores. Isto, porque, além de ser um planeta ventoso, Marte é também muito silencioso. Ainda assim, poderá achar que é uma experiência engraçada e, por isso, desafiamos que tente e partilhe connosco o que achou!

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
30 Mai 2022


 

1121: NASA confirma: Cratera Jezero de Marte foi um lago gigantesco e pode conter fósseis

CIÊNCIA/VIDA MARCIANA/GEOBIOLOGIA

A milhões de quilómetros da Terra, a NASA continua a recolher informações que conformem as suspeitas: Marte já teve vida. Como tal, a agência tem uma nova análise das imagens tiradas pelo rover Mars Perseverance. As informações confirmam que o local de aterragem do robô, a cratera Jezero, era um grande lago alimentado por um pequeno rio há cerca de 3,7 mil milhões de anos.

Segundo o MIT, neste sítio poderá existir muitas provas de vida marciana.

Cratera de Jezero em Marte pode conter indício de vida marciana

A nova análise prova a teoria que levou a NASA a escolher a cratera de Jezero como local de desembarque do robô Perseverance em Marte. A agência espacial americana acredita que os sedimentos encontrados no interior do antigo lago da cratera poderão fornecer sinais de vida antiga no planeta vermelho.

A sua análise foi realizada em imagens do lado ocidental da cratera, que agora se confirma ser um antigo delta de rio que se alimentou de um lago outrora semelhante à Terra na cratera Jezero de Marte.

Os investigadores, que detalharam a sua análise num artigo publicado na revista Science, revelaram também que ocorreram inundações repentinas na região agora desolada.

Se olharmos para estas imagens, estamos basicamente a olhar para esta paisagem épica do deserto. Não há uma gota de água em lado nenhum, e ainda assim, aqui temos provas de um passado muito diferente. Algo de muito profundo aconteceu na história do planeta.

Explicou Benjamin Weiss, professor de ciências planetárias no MIT e membro da equipa de análise.

Antigos canais de água que saíam da cratera de Jezero. Crédito: Orbitador de Reconhecimento de Marte da NASA

Vasculhar fósseis extraterrestres

A equipa do robô Perseverance escolheu a cratera de Jezero como local de aterragem, depois de imagens de satélite mostrarem formações rochosas em forma de leque que se assemelhavam a deltas de rio na Terra. As novas imagens foram tiradas durante os primeiros três meses da chegada dos rovers em Fevereiro de 2021 a Marte.

As imagens, captadas pelas câmaras Mastcam-Z e SuperCam Remote Micro-Imager (RMI) do Perseverance, confirmam que o lado ocidental da cratera de Jezero era outrora o lar de um delta do rio.

O novo estudo do MIT explica que o lago esteve calmo durante grandes períodos até que uma mudança no clima causou inundações repentinas na região. De acordo com os investigadores, as inundações transportaram grandes rochas a dezenas de quilómetros de maiores altitudes até ao leito do lago onde ainda hoje se encontram.

A seguir, o Perseverance procurará locais de onde recolher amostras que serão eventualmente devolvidas à Terra em futuras missões. Uma vez na Terra, estas amostras serão analisadas em busca de quaisquer sinais de vida marciana antiga.

Temos agora a oportunidade de procurar fósseis. Levará algum tempo para chegar às rochas que realmente esperamos possam provar os sinais de vida. Portanto, é uma maratona, com muito potencial.

Disse a membro da equipa Tanja Bosak, professora associada de geobiologia no MIT.

O que terá transformado Marte num deserto vermelho?

Impressionantemente, as rochas inundadas na antiga cratera de Jezero lakebed podem permitir aos cientistas identificar exactamente quando Marte passou de ser um planeta habitável para o planeta desértico vermelho que conhecemos hoje.

A coisa mais surpreendente que saiu destas imagens é a oportunidade potencial de perceber o tempo em que esta cratera transitou de um ambiente habitável como a Terra, para este desolador deserto paisagístico que vemos agora. Estes leitos de rocha podem ser registos desta transição, e não vimos isto noutros locais em Marte.

Referiu Weiss.

O rover Mars Perseverance e o helicóptero da Ingenuity na superfície de Marte. Fonte: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Desde que aterrou na cratera de Jezero a 18 de Fevereiro, a missão Perseverance tirou com sucesso de uma lista de estreias históricas, incluindo o primeiro voo controlado noutro planeta, e a primeira extracção de oxigénio respirável do planeta vermelho utilizando um instrumento experimental chamado MOXIE.

O rover Perseverance passará pelo menos dois anos a explorar e a recolher amostras da cratera Jezero. Deixará amostras em locais específicos do planeta vermelho para futuras missões em Marte para recuperar e regressar à Terra.

Podemos estar incrivelmente perto de confirmar a existência de vida extraterrestre sob a forma de microorganismos mortos há muito tempo, uma descoberta que mudaria vastamente a nossa compreensão e percepção do universo.

Pplware
Autor: Vítor M
28 Mai 2022


 

1100: Marte: Sonda Insight da NASA partilhou a sua última selfie do Planeta Vermelho

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE/INSIGHT

As poeiras de Marte estão a “matar” mais um robô que os humanos enviaram para solo marciano. Já havíamos referido que a Insight da NASA lutava com dificuldades para conseguir energia a partir dos painéis solares que estão completamente tapados. Aliás, a última selfie que a sonda enviou mostra claramente que está a ficar coberta.

Os vários equipamentos estão a ser desligado um por um para tentar deixar o resto da energia para o último suspiro do robô.

Missão Insight Mars da NASA está perto do fim

A agência espacial dos EUA anunciou no início deste mês que a poeira acumulada em toda a área dos painéis solares da sonda Mars InSight significava que a nave em breve seria forçada a interromper as operações científicas.

A sonda Insight pousou em Marte em Novembro de 2018 para estudar a actividade sísmica no Planeta Vermelho e a NASA acaba de partilhar uma imagem lado a lado de uma selfie tirada no dia 10 da missão ao lado da última imagem tirada pela Insight.

Os painéis solares da sonda estão cobertos de poeira marciana

Após mais de três anos de operações, a NASA espera que a InSight fique inoperante em Dezembro devido a não poder gerar energia suficiente através dos seus painéis solares.

Os painéis solares da sonda, que inicialmente produziam 5.000 watts-hora de energia por dia, agora geram apenas 500 watts-hora.

As missões anteriores a Marte da NASA movidas a energia solar foram auxiliadas por tornados de vendo marciano. Ambos os rovers Spirit e Opportunity, por exemplo, tiveram a poeira limpa dos seus painéis solares, permitindo que eles se mantenham a funcionar por um pouco mais de tempo.

Isto não aconteceu com a sonda InSight, que continua a acumular poeira, levando a uma capacidade decrescente de produção de energia solar.

Se apenas 25% dos painéis da InSight fossem varridos pelo vento, a sonda ganharia cerca de 1.000 watts-hora por Sol – o suficiente para continuar a recolher ciência.

No entanto, no ritmo actual, o poder está a diminuir, os instrumentos não sísmicos da InSight raramente serão activados após o final de Maio

Escreveu a NASA num post recente.

O braço robótico da nave já foi usado para remover poeira no passado, mas a poeira simplesmente acumula-se muito rapidamente para que o braço robótico acompanhe sem usar energia vital, de acordo com a NASA.

Insight da NASA detectou mais de 1.300 martemotos

Ainda assim, a Insight realmente sobreviveu à vida útil do projecto original de dois anos e produziu um grande número de leituras no processo, o que significa que a missão foi um grande sucesso. Isso permitiu aos cientistas perceber que o núcleo de Marte é muito menor do que se pensava.

Os instrumentos de detecção sísmica da sonda ajudaram os cientistas da NASA a aprender muito sobre a estrutura interna do planeta. No dia 4 de Maio, por exemplo, a equipa da missão Insight detectou o maior terramoto até hoje registado fora da Terra, com uma leitura de magnitude 5. A missão detectou mais de 1.300 martemotos no total.

A equipa explicou que o braço robótico do módulo de pouso agora será colocado numa posição retraída para ajudar a economizar energia para o sismómetro, de forma a funcionar por um pouco mais de tempo. Pouco antes disto acontecer, no entanto, a equipa tirou uma última selfie do Insight. Nela podemos ver a quantidade de poeira vermelha recolhida nos seus painéis solares desde que chegou ao Planeta Vermelho.

Um dia, os humanos podem chegar à sua localização actual e recuperar a nave histórica para as gerações futuras admirarem.

Pplware
Autor: Vítor M
25 Mai 2022


 

1091: O acumular de calor do Sol provavelmente contribui para as tempestades de poeira de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Investigadores da Universidade de Houston encontraram uma ligação entre as tempestades de poeira de Marte e o seu desequilíbrio energético sazonal. Outros estudos poderiam dar uma ideia de como as antigas alterações climáticas afectaram o Planeta Vermelho, talvez até como o futuro da Terra pode ser moldado pelas alterações climáticas. À esquerda, Marte em condições limpas; à direita, Marte envolvido por uma tempestade de poeira sazonal.
Crédito: NASA/JPL/MSSS

Uma equipa de investigadores relatou que um desequilíbrio sazonal na quantidade de energia solar absorvida e libertada pelo planeta Marte é uma causa provável das tempestades de poeira que há muito intrigam os observadores.

O desequilíbrio extremo de Marte no que toca ao orçamento energético (um termo que se refere à medição da energia solar que um planeta absorve do Sol e depois liberta como calor) foi documentado pelos investigadores da Universidade de Houston Liming Li, professor associado de física; Xun Jiang, professora de ciências atmosféricas; e Ellen Creecy, estudante de doutoramento e autora principal de um artigo publicado na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

“Uma das nossas descobertas mais interessantes é que o excesso de energia – mais energia sendo absorvida do que emitida – poderia ser um dos mecanismos geradores das tempestades de poeira de Marte. Compreender como isto funciona em Marte pode fornecer pistas sobre os papéis que o orçamento energético da Terra assume no desenvolvimento de tempestades severas, incluindo furacões, no nosso próprio planeta,” disse Creecy.

Uma fina atmosfera e uma órbita muito elíptica tornam Marte especialmente susceptível a grandes diferenças de temperatura. Absorve quantidades extremas de calor solar quando está mais perto do Sol nas suas estações perielionares (primavera e verão para o hemisfério sul de Marte), que é a mesma parte extrema da órbita em que aparecem as suas tempestades de poeira. À medida que a sua órbita afasta Marte do Sol, é absorvida menos energia solar pelo planeta. Este mesmo fenómeno também acontece na Terra, mas os investigadores descobriram que é especialmente extremo em Marte.

Na Terra, os desequilíbrios energéticos podem ser medidos de acordo com a estação e o ano e desempenham um papel crítico no nosso aquecimento global e nas alterações climáticas. Num projecto separado, Creecy e colegas estão a examinar se o desequilíbrio energético em Marte também existe em escalas de tempo mais longas e, se sim, quais seriam as implicações na mudança climática do planeta.

“Marte não é um planeta que tenha qualquer tipo de mecanismos reais de armazenamento de energia, como nós temos na Terra. Os nossos grandes oceanos, por exemplo, ajudam a equilibrar o sistema climático,” disse Creecy.

Ainda assim, Marte contém sinais de que oceanos, lagos e rios foram outrora abundantes. Então, o que aconteceu? Os factos são incertos quanto aos motivos ou quando o planeta se tornou neste globo quente e poeirento com uma abundância de óxido de ferro – ferrugem, na verdade, cuja cor sépia inspirou observadores de há séculos atrás a chamar-lhe o Planeta Vermelho.

“Marte já teve, no passado, oceanos e lagos, mas mais tarde sofreu aquecimento global e alterações climáticas. De alguma forma, Marte perdeu os seus oceanos e lagos. Sabemos que estão a acontecer alterações climáticas agora na Terra. Então, o que é que as lições do que aconteceu em Marte guardam para o futuro da Terra”, perguntou Li.

Creecy e colegas chegaram às suas conclusões comparando quatro anos de dados (esses são anos marcianos, aproximadamente equivalentes a oito anos terrestres) das órbitas e temperaturas de Marte com as condições documentadas pelas missões da NASA.

Para os entusiastas planetários, eles notam que muitos dos dados podem ser acedidos gratuitamente a partir do website PDS (Planetary Data Systems) da NASA, embora alguma informação esteja disponível apenas para os investigadores. Colaboraram também com cientistas da NASA, incluindo vários que foram membros-chave de missões passadas, incluindo a Mars Global Surveyor e duas missões, Curiosity e InSight, que ainda estão a operar no solo.

“Se abrirmos os olhos a um campo vasto, a Terra é apenas um planeta. Com apenas um ponto, nunca podemos ver uma imagem completa. Temos de olhar para todos os pontos, todos os planetas, para obter uma imagem completa da evolução da nossa própria Terra. Há muitas coisas que podemos aprender com os outros planetas”, disse Li. “Ao estudar a história de Marte, ganhamos muito. O que é a mudança climática? Qual é a fase futura para o nosso planeta? Qual é a evolução da Terra? Tantas coisas que podemos aprender com os outros planetas.”

Astronomia On-line
24 de Maio de 2022