942: Chega propõe aumento de complemento especial de pensão de antigos combatentes

– Apesar desta notícia ter data de 30.03.2022, serve de complemento a um outro projecto-lei agora apresentado pelo PCP, em outros moldes.

SOCIEDADE/ANTIGOS COMBATENTES/CHEGA

O Chega quer com esta iniciativa “honrar os antigos combatentes do ultramar e familiares directos através de medidas concretas que respondam às suas reivindicações como forma de agradecimento”.

© NUNO VEIGA/LUSA

O Chega anunciou esta quarta-feira que vai entregar um projecto de lei que propõe o aumento em 300 euros mensais do complemento especial de pensão atribuída aos antigos combatentes, “independentemente do tempo de serviço prestado”.

Em comunicado, o Chega sublinha que entregou esta quarta-feira na Assembleia da República “um projecto de lei que propõe o aumento da pensão atribuída aos seus antigos combatentes”.

“Tal como tinha prometido em campanha eleitoral, esta é a primeira iniciativa do Chega nesta legislatura que agora começa, consubstanciando-se num complemento especial de 300 euros por mês aos antigos combatentes, independentemente do tempo de serviço prestado”, lê-se na nota do partido.

O Chega indica que a proposta visa uma “alteração ao Estatuto do Antigo Combatente, aumentando o valor relativo ao complemento Especial de Pensão dos antigos combatentes em 300 euros por mês e a possibilidade de acumulação de benefícios — algo que é actualmente impossibilitado pela Lei n.º9/2002 — permitindo assim fazer face às dificuldades que muitos dos ex-militares e as suas famílias passam”.

O partido frisa que a iniciativa visa “honrar os antigos combatentes do ultramar e familiares directos através de medidas concretas que respondam às suas reivindicações como forma de agradecimento e da mais elementar justiça a quem ofereceu a vida em defesa da pátria”.

Actualmente, segundo o ‘site’ do Ministério da Defesa Nacional, “o complemento especial de pensão é uma prestação pecuniária cujo montante corresponde a 7% do valor da pensão social por cada ano de prestação de serviço militar (tempo efectivo + bonificação) ou o duodécimo daquele valor por cada mês de serviço (tempo efectivo + bonificação)”.

O complemento em questão é destinado aos “antigos combatentes pensionistas do regime de solidariedade do sistema de segurança social, que recebam uma pensão rural ou uma pensão social”, e a “viúvas, pensionistas de sobrevivência destas pensões”.

Para aceder ao complemento, os antigos combatentes devem também ter “certificado o tempo de serviço militar em condições de dificuldade ou perigo” e auferir uma “pensão social de invalidez ou social de velhice da Segurança Social, do regime especial das actividades agrícolas e do transitório rural”.

“O complemento especial de pensão é pago uma vez por ano, no mês de Outubro, correspondendo às 14 mensalidades a que o beneficiário tem direito”, refere o Ministério da Defesa.

O comunicado do Chega surge no mesmo dia em que cerca de 40 antigos combatentes tinham anunciado que iriam organizar uma manifestação, às 09:00, na escadaria do Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa, para exigir a “obtenção dos cartões de Combatente em falta”.

No entanto, até às 09:40, nenhum antigo combatente tinha aparecido no local, não tendo o Ministério da Defesa também recebido qualquer aviso de que tinha sido organizada uma manifestação.

Diário de Notícias
DN/Lusa
30 Março 2022 — 11:24


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia


 

PS irritado com Marcelo, garante que Costa é “refém do povo”

– Os artigos que tenho inserido neste meu Blogue pessoal, nada têm a ver com a defesa do sr. António ou do PS. Simplesmente considerei inadequada e de uma arrogância extrema, as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a eventual saída de António Costa a meio do mandato para ocupar um lugar na Europa. Não posso, de geito algum, apoiar um PM e um partido que me andam a ROUBAR desde que estão em funções, os subsídios de férias e de natal – que já nem chegam -, para pagar o IRS, sendo que a causa é ter ficado VIÚVO (NÃO CASADO) na terminologia do Fisco e o escalão do IRS ter aumentado mesmo que receba um valor mensal inferior ao SMN.

SOCIEDADE/POLÍTICA

Carlos César, presidente do PS e conselheiro de Estado, recordou a Marcelo que quem fiscaliza politicamente o Governo é o Parlamento e não o Presidente da República. Hoje Costa divulga Programa do Governo

O primeiro-ministro, António Costa, presidindo no Palácio da Ajuda à primeira reunião do Conselho de Ministros do XXIII Governo Constitucional
© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O PS não gostou do discurso de Marcelo na tomada de posse do novo Governo de António Costa – naquela parte em que o Presidente da República (PR) ameaçou com eleições antecipadas caso o primeiro-ministro decida a “meio do caminho” (2024) trocar Portugal por um cargo europeu.

Carlos César, presidente do partido e conselheiro de Estado, verbalizou no Facebook, embora de forma suave, as suas distâncias face ao discurso presidencial, sintetizando o sentimento do PS.

Salientou, por um lado, que o primeiro-ministro não é refém do PR mas sim “refém do povo”. E sublinhou, por outro lado, que não é ao PR que incumbe fiscalizar a acção governativa mas sim ao Parlamento. “O primeiro-ministro, como em qualquer democracia e na sequência da renovação expressiva da legitimidade eleitoral do PS, é refém do povo que o elegeu e dos compromissos que assumiu e que serão reafirmados no Programa do Governo que será submetido ao órgão de soberania a quem incumbe a fiscalização política da actividade governativa – a Assembleia da República.”

E, quanto ao resto, considerou ainda, Marcelo fez um discurso “expectável”: “Diagnosticou e interpretou, nesse sentido, bem as preocupações maiores face às consequências das crises pandémica e da guerra, que ainda perduram, enfatizando a necessidade do reformismo que se impõe em vários domínios fundamentais para a sustentabilidade futura.” Já António Costa – concluiu o presidente do PS – “esteve muito bem no discurso de posse”.

Esta quinta-feira, um dia depois de ter feito o discurso em que consolidou a ideia de que Costa pode estar a preparar-se para voos europeus dentro de dois anos, o Presidente da República fez, como lhe é habitual, a hermenêutica das suas próprias palavras, desdramatizando a situação.

Interrogado pelos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, se o aviso que fez Costa de que será difícil substituí-lo a meio da legislatura se deveu a alguma indicação de que o primeiro-ministro tem planos para sair a meio do mandato, o chefe de Estado respondeu: “Não”. Insistindo: “Não, não, não não. É porque é uma evidência. Eu estive ali a dizer as evidências do voto dos portugueses: votaram numa maioria absoluta, poderiam ter votado noutras escolhas, votaram na estabilidade e votaram para que essa estabilidade pudesse resolver os problemas do país”, acrescentou.

“Quatro anos e meio”

Marcelo fez sua a expressão usada por César: “O primeiro-ministro ficou refém do povo.” Portanto, ele não lhe fez nenhum “ultimato”, quanto muito houve um “ultimato do povo”. Face à pergunta se gostaria de ter ouvido do primeiro-ministro a garantia de que quer cumprir o mandato até ao fim, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “decorreu do que ele disse a predisposição de olhar para a legislatura, falou até ao fim da legislatura, legislatura parlamentar”. Ou seja: o PM “assumiu que está a avançar para uma empreitada, chamemos-lhe assim, que é uma empreitada de quatro anos e meio”.

Hoje Costa poderá ser directamente confrontado com a questão, ao apresentar o programa de Governo, esta quinta-feira aprovado na primeira reunião do Conselho de Ministros do seu novo Governo.

O Programa de Governo resulta, em grande parte, do programa eleitoral que o PS apresentou nas últimas legislativas. Este previa a celebração de um acordo de concertação social para elevar até aos 900 euros o salário mínimo nacional em 2026, medida acompanhada de um novo quadro fiscal para as empresas.

Costa também já assegurou que se mantém comprometido com a necessidade de fazer um aumento extraordinário das pensões e a redução do IRS para os jovens. Outra das medidas do programa eleitoral apontava para ajustamentos à estrutura do IRS e do IRC de forma a estimular a melhoria dos rendimentos salariais, acautelando que os trabalhadores não são prejudicados e beneficiando as empresas que estimulem boas práticas salariais.

Ainda antes de começar a guerra na Ucrânia, que obrigará o executivo a alterar o cenário macroeconómico inserido na anterior proposta de Orçamento do Estado, o programa com que os socialistas se apresentaram às legislativas previa que até 2026 a dívida pública se reduza para valor inferior a 110 por cento do PIB e que se assista um aumento médio do rendimento dos trabalhadores em 20 por cento.

Eurico Brilhante eleito

O programa de Governo chegará hoje ao Parlamento, sendo discutido na próxima semana (dias 7 e 8). No dia 13, deverá ser discutido o novo Programa de Estabilidade. Quanto ao Orçamento do Estado para este ano – cujo chumbo levou o PR a dissolver o Parlamento e a convocar eleições antecipadas -, deverá dar entrada na AR algures a seguir à Páscoa.

Esta quinta-feira, a nova maioria absoluta do PS consolidou-se a com a eleição do novo líder do grupo parlamentar. Eurico Brilhante Dias – um antigo “segurista” que era até agora secretário de Estado da Internacionalização – obteve uma confortável maioria na bancada: 110 votos a favor, quatro brancos e quatro nulos.

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
31 Março 2022 — 23:17

 



 

“Portugueses, os russos nunca são de confiança”, avisa presidente da Câmara de Dnipro

INTERNACIONAL/UCRÂNIA/INVASÃO SOVIÉTICA

“Se não pararmos Putin aqui na Ucrânia, ele vai continuar a destruir o sistema de segurança mundial, e isso será um problema para o povo português”, disse o autarca.

Borys Filatov é o presidente da câmara de Dnipro
© NUNO VEIGA/LUSA

O presidente da Câmara de Dnipro, a quarta maior da Ucrânia, alertou esta quinta-feira que Portugal deve ajudar a parar a Rússia e apontou a cidadania portuguesa atribuída a Roman Abramovich como exemplo de “dinheiro sujo” que contamina as democracias ocidentais.

Borys Filatov admite que Portugal seja menos sensível à questão russa, um sinal de que a União Europeia “é bastante diversificada” e os países do leste europeu “sabem muito bem que Putin não vai parar” e, por isso, “têm uma postura única e comum”.

“Não gostaria de comentar a posição de Portugal em particular, mas tudo o que eu quero é que o governo português e o povo português compreendam uma simples verdade: se não pararmos Putin aqui na Ucrânia, ele não vai parar; ele vai continuar a destruir o sistema de segurança mundial, e mais cedo ou mais tarde, isso será um problema para o povo português”, explicou Filatov, em entrevista à Lusa.

“Todos nós, as elites ocidentais em primeiro lugar, a Alemanha e a França em particular, permitimos que um novo Hitler florescesse nas terras europeias. Não nos apercebemos que, ao longo dos últimos vinte anos, o novo Reich renasceu — na Rússia – e se não o pararmos agora, o Reich irá alastrar”, salientou, acrescentando “todos precisam de compreender” o problema, “incluindo o governo português”.

Comentando o facto do presidente Volodomyr Zelensky ter referido Portugal como um dos países que tem dúvidas sobre a entrada na Ucrânia na União Europeia, Borys Filatov afirmou que o “governo português e o povo português precisam de aprender uma coisa: os russos nunca são de confiança, em circunstância alguma”.

“Abramovich obteve cidadania portuguesa por causa do dinheiro”

“Os russos mentem sempre. Eles mentem o tempo todo e nunca os podemos deixar entrar na nossa casa”, disse o autarca, apontando o processo de atribuição de nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich como um exemplo de corrupção, um caso que está a ser investigado em Portugal.

“Eu gostaria que [os portugueses] pensassem em algo, que pode ser uma espécie de coisa irracional, mas ainda assim é verdade. Abramovich obteve cidadania portuguesa por causa do dinheiro. Primeiro, vem o dinheiro sujo russo, depois os programas russos sujos aparecem na vossa televisão, depois começam a reescrever-vos a história, depois mexem com os vossos contos de fadas, depois mexem com as vossas cabeças, depois os russos deitam-se com as vossas mulheres, e no fim, o vosso país é tomado pelos russos de múltiplas maneiras”, disse Borys Filatov.

Para o autarca, que gere a cidade que tem acolhido mais deslocados de guerra do país, vindos do leste, norte e sul, em fuga dos combates em cidades como Zaporijia, Mariupol, Kharkiv ou a região de Donbass, “os russos nunca poderão ser confiáveis em circunstância alguma, nunca os deixem entrar no vosso negócio; é um país de excluídos e precisa de ser retirado do mapa político do mundo; construam uma cerca alta e de betão à sua volta, e suspendam quaisquer relações diplomáticas”.

Sobre a situação da população russófona, que Putin diz estar a tentar proteger das autoridades ucranianas, o autarca de Dnipro diz que os russos “acreditaram nas suas próprias mentiras”.

“Eu sou russo, o meu pai é russo, a minha mãe é russa. Não há uma gota de sangue ucraniano em mim”, mas se “os russos vierem, irei matá-los sem misericórdia, porque insistem numa “guerra absolutamente sem sentido”.

A mulher de Borys Filatov é da mesma região que Vladimir Putin (São Petersburgo) e a sua sogra ainda lá vive. E quase todos os dias, a sua mulher fala com a mãe, que “compreende a situação da Ucrânia” e “tem pena”, mas, ao mesmo tempo, “continua a acreditar na propaganda” de Moscovo.

“Por exemplo, ela disse-nos, a chorar, que a Polónia quer conquistar Kaliningrado”, um enclave russo no mar Báltico.

Sobre o trabalho do presidente Volodomyr Zelensky, Borys Filatov, que não é do mesmo partido, admitiu que “tinha problemas de relacionamento” mas agora, “para ser honesto”, todos os políticos “que amam a Ucrânia apoiam o presidente neste momento”.

E esta união política verifica-se também ao nível das autarquias, como Dnipro. “No nosso conselho municipal, juntámos todos os partidos pró-ucranianos e todos têm responsabilidades”.

Diário de Notícias
Paulo Agostinho, jornalista da agência Lusa
31 Março 2022 — 10:20

 



 

839: Marcelo vs. Costa

OPINIÃO

A relação entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa é deveras interessante, passa a ideia que se dão muito bem, mas lá no íntimo tenho enormes dúvidas sobre isso.

Marcelo Rebelo de Sousa no seu discurso de tomada de posse do governo, com dois meses de atraso por erros processuais nas eleições legislativas pelo círculo na Europa, avisou António Costa que se sair convoca eleições antecipadas.

Ora bem, tendo em conta, o diapasão do discurso público antecedente, é uma enorme honra qualquer cidadão português desempenhar um alto cargo na Europa ou no Mundo, o caso, de António Guterres, secretário-geral da ONU.

Marcelo Rebelo de Sousa dá a entender que condiciona ou limita qualquer decisão de António Costa, mas o seu efeito prático é nulo. É legitimo, como outros o fizeram, depois de governar há seis anos, tendo mais quatro anos pela frente, serão dez anos como primeiro-ministro, aproximando-se do recorde de Cavaco Silva. António Costa tem todo o direito que, possa aspirar a novos horizontes e dar o lugar a outros.

O problema de Marcelo Rebelo de Sousa é que com esta maioria absoluta, surpreendente, mas inquestionável, pode falar e dizer o que entender procurando o que lhe resta – um magistério de influência – , mas António Costa fará o que entender como entender e quando entender.

A sua estratégia tem, ao longo dos anos, resultado em pleno, tendo vindo a vencer em toda a linha.

António Costa desenvencilhou-se de António José Seguro, pelo meio libertou-se de José Sócrates com a célebre frase: “à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”. A seguir enviou Pedro Passos Coelho para casa mesmo vencendo. Continuou tornando o PS o partido mais votado e agora tornou o PS amplamente votado.

Por fim, Marcelo Rebelo de Sousa vai ser a última “vítima” da sua capacidade de ser lobo com pele de cordeiro. António Costa vai continuar a apostar em ter uma boa relação com Marcelo Rebelo de Sousa, mas lá no íntimo sabe que não precisa dele para nada.

António Costa fará o que melhor lhe convier e quiser: fica até ao final do seu mandato, candidata-se a presidente da República, vai para a Europa, retira-se ou continua líder do PS.

Marcelo Rebelo de Sousa foi importante, numa primeira fase para haver menos crispação, a seguir, estabilidade, mas deixou-se enredar na teia Costita. Por vezes, exagerou no apoio a António Costa, agora paga as consequências.

António Costa é imparável, a partir de agora o seu interlocutor directo serão os portugueses, com esta maioria absoluta. A sua sedução não tem limite.

António Costa, se decidir abandonar o governo antes de 2026, fá-lo-á com peso, conta e medida e nada deixará ao acaso.

A sua forma de ser habilidosa, dissimulada e sagaz resolverão o problema da sua, eventual, saída e da sua sucessão no PS.

Na noite das eleições disse uma frase tranquilizadora para os portugueses:”uma maioria absoluta não é poder absoluto, não é governar sozinho”.

Na tomada de posse do seu governo, nada referiu quanto ao seu futuro político.

Omitir também faz parte do seu estilo. Mas com os diabos, o homem ainda agora tomou posse e já lhe estão a impor condições?!

Calma! Uma coisa de cada vez.

*Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

Diário de Notícias
Joaquim Jorge
31 Março 2022 — 12:05

 



 

838: Marcelo Rebelo de Sousa enterra-se cada vez mais

OPINIÃO

Não bastou a ameaça velada lançada durante a tomada de posse do actual governo de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente dos portugueses que votaram nele, enterra-se ainda mais com novas afirmações completamente descabidas e sem nexo.

“Marcelo Rebelo de Sousa reiterou a ideia de que nas legislativas de 30 de Janeiro, que o PS venceu com maioria absoluta, “o povo votou num partido, mas votou num homem”.

“Portanto, nesse sentido é refém do povo, não é um ultimato do Presidente, se quiserem, é um ultimato do povo. Eu tenho a certeza de que o primeiro-ministro compreende isto, percebe a importância disto. Portanto, o facto de o ter recordado não significa se não isto. Recordei aquilo que foi a decisão do povo”, acrescentou.
(Diário de Notícias – 31.03.2022)

Finalmente o senhor professor catedrático chegou à conclusão que o povo votou num partido e que foi este partido que avançou com o nome de António Costa para primeiro ministro! Bravo…!!!

E ninguém é refém de ninguém! E como António Costa, ao que consta, não sofre de amnésia anterógrada, amnésia retrógrada, amnésia global transitória, amnésia psicogénica, sindroma de Korsakoff ou amnésia alcoólica, não era necessário o senhor professor ter “recordado” que o povo votou num partido que conseguiu maioria absoluta, embora isso tenha sido um autêntico engulho para o senhor professor…

Francisco Gomes
31.03.2022

 



 

837: Ameaças inacreditáveis

OPINIÃO

Já mencionei num artigo anterior, a minha posição quanto às ameaças, mesmo que veladas, do presidente da República Portuguesa, quanto à eventual saída de António Costa a meio do mandato, para um cargo europeu. Escrevi o seguinte:

“Um presidente da República ameaçar um primeiro ministro, em plena tomada de posse que se ele, PM, abandonar o cargo a meio da legislatura, para ocupar algum cargo europeu – e quem é que já não fez isto? -, ameaçando veladamente com eleições antecipadas, é verdadeiramente inenarrável sob o ponto de vista não só do cargo que desempenha (PR), como político. Esta atitude demonstra bem o tipo de pessoa – e de político de direita – que este personagem é, não escondendo as suas origens na União Nacional do Estado Novo fascista de António de Oliveira Salazar. E merecia, sem qualquer dúvida, uma resposta adequada do primeiro ministro, no mesmo tom e sem qualquer polimento. As últimas eleições legislativas não seriam necessárias se o governo apresentasse novo OE, mas o selfie-man, queria a todo o custo que o seu partido, PPD, fosse governo! Existem linhas limite para tudo, especialmente quando partem de órgãos de soberania nacionais.”

Ora, o que todos os portugueses sabem, é que nas anteriores eleições legislativas, nos boletins de voto, não vinha a figura de António Costa mas o símbolo do partido socialista, como o de todos os outros partidos concorrentes.

É que, se o PR desconhece – o que duvido – que o povo vota nos partidos e o que ganhar nomeia o PM, e não cabe ao PR essa nomeação, parece completamente descabido e irresponsável, vir ameaçar, mesmo que veladamente, eleições antecipadas se o António Costa sair a meio do mandato.

Já todos sabemos que a maioria absoluta do PS é uma pedra no sapato de Marcelo Rebelo de Sousa, que gostaria ter sido o seu partido PPD a formar governo, mas a democracia, mesmo que rasca, é assim que funciona.

Neste particular, é o partido que decide quem vai para PM e não o PR, por isso sr. Marcelo, deixe-se de ameaças, mesmo que veladas, e continue com as suas viagens, as selfies, caridadezinhas, beijinhos e abraços e deixe a democracia, mesmo que rasca, funcionar.

Francisco Gomes
31.03.2022

 



 

836: Hubble descobriu o sistema solar mais distante e mais antigo até hoje… disse a NASA

CIÊNCIA/UNIVERSO

A NASA, no passado dia 23 de Março, prometeu uma “descoberta excitante” digna de entrar “nos livros de registo”. Não deu muitos detalhes, mas prometeu que “a descoberta do Hubble não só expandirá a nossa compreensão do universo, mas também criará uma área de investigação emocionante para o futuro de Hubble e do recém-lançado telescópio James Webb”. Bem, aqui está a surpresa!

O Hubble acabou de encontrar o sistema solar mais distante e mais antigo até à data.

O Telescópio Espacial Hubble da NASA estabeleceu um novo marco extraordinário: detectar a luz de uma estrela que existiu no primeiro mil milhão de anos após o nascimento do universo no big bang – a estrela individual mais distante já vista até hoje.

A descoberta foi feita a partir de dados recolhidos durante o programa RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey) do Hubble, liderado pelo co-autor Dan Coe no Space Telescope Science Institute (STScI).

A 12,9 mil milhões de anos-luz de distância…

“Earendel” é uma palavra inglesa antiga que significa “estrela da manhã” ou “luz crescente” e é o nome que a equipa de Brian Welch escolheu para a estrela mais distante que alguma vez conseguimos detectar.

O nome é adequado porque é de facto uma luz crescente: um sistema planetário que surgiu apenas 900 milhões de anos após o Big Bang.

Lente gravitacional… que nos mostra um universo “impossível”

Em grosso modo, a lente gravitacional é formada devido a uma distorção no espaço-tempo causada pela presença de um corpo de grande massa entre um objecto e um observador. Tais “lentes” são formadas quando a luz de objectos distantes e brilhantes se dobram em torno de um objecto maciço (mais tipicamente uma galáxia, daí o nome galáxia) entre o objecto emissor e receptor (e é amplificado).

Desta forma, ao varrer bem o céu, podemos ver coisas distantes que estão por detrás de objectos relativamente mais próximos.

Portanto, utilizando este fenómeno e graças ao Hubble, os investigadores identificaram uma estrela (sistema de uma ou duas estrelas) com uma massa estimada de cerca de 50 vezes a do Sol. A descoberta é excepcional porque o “redshift” é 6.2.

O Redshift” (desvio para o vermelho) é o efeito que nos permite inferir a distância dos objectos astronómicos. Quanto mais alto o número, mais longe. Observações prévias de estrelas individuais mais distantes tiveram redshifts de 1,5 no máximo.

Uma estrela antiga… muito antiga!

É verdade que os detalhes precisos da temperatura, massa e propriedades espectrais da estrela permanecem desconhecidos, mas a descoberta materializa algo que só podemos adivinhar até agora.

Assim, a bola está do lado do mais recente telescópio, o James Webb. Este incrível equipamento, que custou 10 mil milhões de dólares, tem o poder de mudar para sempre a forma como entendemos a ciência planetária.

Com o Webb, esperamos confirmar que Earendel é de facto uma estrela, além de medir o seu brilho e temperatura. Também esperamos descobrir que a galáxia Sunrise Arc está carente de elementos pesados ​​que se formam nas gerações subsequentes de estrelas. Isso sugere que Earendel é uma estrela rara e massiva, pobre em metal.

Estes detalhes restringirão o seu tipo e estágio no ciclo de vida estelar.

Explicou Coe.

Pplware
Autor: Vítor M.
30 Mar 2022



 

835: O batom na cueca

OPINIÃO

O capelão do navio foi apanhado com uma smoking pistol (pistola a fumegar) na mão”, lê-se em A Aventura do Gloria Scott, conto de 1893 de Arthur Conan Doyle, cujo herói é um jovem Sherlock Holmes.

Foi lá, dizem os especialistas, que nasceu a expressão que é hoje sinónimo, não apenas no mundo criminal, mas também no político, ou no cruzamento entre ambos, de “prova irrefutável de culpa”, na forma, alterada com o tempo, de smoking gun (arma a fumegar).

No Brasil, a locução equivalente à anglo-saxónica smoking gun talvez não seja tão elegante mas é, provavelmente, mais eloquente e, seguramente, mais divertida: batom na cueca. O batom na cueca é a arma que fumega, é o flagrante que, inapelável, denuncia o crime.

Eis um exemplo de batom na cueca ainda a fumegar na imprensa: o jornal O Estado de S. Paulo noticiou dia 22 que dois pastores evangélicos, sem ligação formal ao governo, distribuem verbas milionárias do Ministério da Educação a prefeitos escolhidos a dedo Brasil afora. O batom apareceu na cueca no dia seguinte, nas páginas do concorrente Folha de S. Paulo, num áudio no qual o ministro Milton Ribeiro, também pastor, não só admite o esquema como o atribui a uma ordem de Bolsonaro, em pessoa. Na sequência, mais batom: prefeitos denunciam que os pastores oferecem as tais verbas públicas em troca de dinheiro e de barras de ouro.

Outro exemplo: só meses depois de recusar 70 milhões de doses de vacina da Pfizer a metade do preço, que teriam poupado a vida a milhares de compatriotas, o Presidente decidiu comprar uma vacina; mas o imunizante, indiano, seria adquirido 1000% mais caro do que o preço de mercado de forma a beneficiar intermediários – funcionários do Ministério da Saúde, militares na reserva e pastores (são outros, há muitos). Um deputado bolsonarista soube do crime e denunciou-o ao Presidente, que nada fez. Eles contaram a história – o batom na cueca – na Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19 e Bolsonaro não desmentiu.

Por décadas, Bolsonaro e família desviaram os salários de dezenas de assessores para o bolso, num esquema estimado em 29 milhões de reais. O primogénito Flávio Bolsonaro até comprou uma mansão de seis milhões em dinheiro vivo e a primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu na conta 21 cheques de Fabrício Queiroz, apontado pela polícia como operador do esquema. Walter Ferraz, amigo e colaborador de 30 anos de Bolsonaro, disse à revista Veja no início do ano que era o Presidente quem assinava tudo – “isso é o batom na cueca”, resumiu ele.

O ministro do Turismo continuou no governo mesmo depois de coordenar trapaça milionária com candidaturas femininas falsas, o do Ambiente só saiu após se tornar alvo de inquérito por contrabando de madeira e o da Justiça, considerado até então um modelo de honestidade pela extrema-direita, bateu com a porta acusando, com provas de batom na cueca, o Presidente de aparelhar as polícias para se proteger dos seus crimes.

Houve até o caso, quase literal, de batom na cueca do líder parlamentar bolsonarista, Chico Rodrigues, apanhado pela polícia com 30 mil reais escondidos nas nádegas.

No comício do lançamento da pré-campanha, no entanto, Bolsonaro, ladeado pelo presidente do seu partido, preso por envolvimento no Mensalão até 2019, e por Collor de Mello, cujo cadastro dispensa mais apresentações, manteve que no seu governo “não há corrupção”.

É preciso, para usar outra expressão local, muita cara de pau.

Jornalista, correspondente
em São Paulo

Diário de Notícias
João Almeida Moreira
31 Março 2022 — 00:19

 



 

Marcelo “prende” Costa ao Governo e faz ameaça velada de eleições antecipadas

– Um presidente da República ameaçar um primeiro ministro, em plena tomada de posse que se ele, PM, abandonar o cargo a meio da legislatura, para ocupar algum cargo europeu – e quem é que já não fez isto? -, ameaçando veladamente com eleições antecipadas, é verdadeiramente inenarrável sob o ponto de vista não só do cargo que desempenha (PR), como político. Esta atitude demonstra bem o tipo de pessoa – e de político de direita – que este personagem é, não escondendo as suas origens na União Nacional do Estado Novo fascista de António de Oliveira Salazar. E merecia, sem qualquer dúvida, uma resposta adequada do primeiro ministro, no mesmo tom e sem qualquer polimento. As últimas eleições legislativas não seriam necessárias se o governo apresentasse novo OE, mas o selfie-man, queria a todo o custo que o seu partido, PPD, fosse governo! Existem linhas limite para tudo, especialmente quando partem de órgãos de soberania nacionais.

“Marcelo foi mesmo ao ponto de, muito veladamente, ameaçar com eleições antecipadas (caso Costa parta para a Europa). Fê-lo ao garantir que, “se necessário”, não hesitará em “avançar para decisões mais arriscadas ou ingratas”, como – recordou – fez ao convocar as últimas legislativas e ao decretar vários estados de emergência.”

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
31 Março 2022 — 07:00