962: Sabia que há mais de 30 mil detritos espaciais na órbita da Terra?

TECNOLOGIA/DETRITOS ESPACIAIS

Tudo aquilo que hoje acontece no espaço é normalmente notícia. A aproximação do ser humano com a introdução de novas tecnologias, têm permitido saber muito o que se passa para além da Terra.

Num relatório recentemente divulgado, a Agência Espacial Europeia revela que há mais de 30 mil detritos espaciais na órbita da Terra que estão identificados e são regularmente monitorizados por redes de vigilância.

Órbita da Terra: Quantidade de lixo espacial continua a aumentar

O relatório de 2022 da ESA sobre ambiente espacial realça que a quantidade de lixo espacial continua a aumentar significativamente. Segundo o relatório, foram registados 30.920 detritos na órbita terrestre. O relatório revela também que estão a ser lançados cada vez mais satélites para o espaço, nomeadamente constelações de pequenos satélites de comunicações, e poucos são removidos da órbita baixa da Terra, “fortemente congestionada”, após o fim da sua missão.

Segundo a ESA, existem actualmente no espaço 8.300 satélites, dos quais 5.400 estão activos. Muitos satélites têm de ser desviados de objectos (foguetões, naves, satélites…) que foram lançados há várias décadas e se fragmentaram.

Em Abril, um dos satélites do programa europeu de observação da Terra Copernicus teve de fazer uma manobra para evitar a colisão com um fragmento de um foguetão lançado há 30 anos.

O relatório da ESA estima em mais de 630 o número de rupturas, explosões, colisões ou acontecimentos anómalos que resultaram em fragmentações.

Nem todos os detritos espaciais estão catalogados e rastreados. Partindo de modelos estatísticos, a ESA estima que existem 36.500 detritos com mais de 10 centímetros, mais de um milhão com tamanho variável entre 1 e 10 centímetros e 130 milhões com 1 milímetro a 1 centímetro.

Com lançamento previsto para 2025, a missão ClearSpace-1 será a primeira da ESA dedicada à remoção de lixo espacial, no caso um pedaço de um foguetão enviado em 2013.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
23 Abr 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

624: Lixo no espaço: a “tempestade perfeita” criada por satélite russo

SOCIEDADE/LIXO ESPACIAL/SATÉLITES

Demonstração criou lixo metálico espacial. Satélite Cosmos 1408 foi destruído e criou milhares de pedaços de detritos orbitais.

A demonstração de uma arma anti-satélite, por parte da Rússia, originou o aparecimento de milhares de pedaços de lixo metálico espacial.

A RTP cita especialistas que avisam que, em alguns casos, há dezenas de milhares de hipóteses de colisão por semana.

O teste russo ASAT foi realizado no dia 15 de Novembro e destruiu o satélite Cosmos 1408. E foi essa destruição que originou o lixo espacial, que agora cria várias ondas de aproximações a satélites activos em órbita baixa da Terra.

São “rajadas de conjunção” que já foram anotadas pela COMSPOC, empresa que controla as operações no espaço.

Um vice-presidente dessa empresa, Travis Langster, avisou que, na primeira semana de Abril, haverá 40 mil conjunções exclusivamente relacionadas com a destruição deste satélite. E o pico pode chegar a 50 mil conjunções por dia.

O Cosmos 1408 – ou os restos desse satélite – está na órbita de diversos e importante satélites sensoriais remotos, que fazem monitorização terrestre, marinha e meteorológica.

Esses detritos, além de se sobreporem órbitas dos outros satélites, estão a deslocar-se na direcção oposta, o que terminará com choque frontal.

“Quando os detritos se sincronizam, provocam a tempestade perfeita: estão no mesmo plano de órbita, mas a viajar em sentido contrário, cruzando-se duas vezes numa órbita, repetidamente”, analisou o director da COMSPOC, Dan Oltrogge.

As órbitas só deixarão de estar em sincronia daqui a alguns (ou muitos) dias.

Nuno Teixeira da Silva
22 Fevereiro, 2022



 

609: Izaña-1 usará tecnologia laser para empurrar o lixo espacial para fora da órbita

TECNOLOGIA/LIXO ESPACIAL

O lixo espacial está na ordem do dia e é uma preocupação crescente, face à quantidade de satélites abandonados existentes em órbita da Terra, assim como outro tipo de detritos, deixado pelas naves espaciais. A dúvida e dificuldade é saber como se vai limpar o espaço. A Agência Espacial Europeia (ESA), com o Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), têm um plano ambicioso para eliminar estes detritos.

As agências elaboraram uma ideia com base em tecnologia laser. A intenção não é destruir, é sim empurrar o lixo espacial para fora da órbita. O vídeo apresentado é muito esclarecedor.

Lixo espacial será um grande problema para a indústria espacial

A ESA disponibilizou os recursos para realizar operações na estação de telemetria a laser Izaña-1 (IZN-1), em Tenerife, Espanha. Este será o primeiro projecto do género que permitirá desviar fragmentos de detritos espaciais da sua órbita, evitando colisões catastróficas.

Durante vários anos, estas duas agências já cooperaram recorrendo à Estação Terrestre Óptica (OGS). Este observatório está localizado a uma altura de 2.400 metros acima do nível do mar e é capaz de realizar operações de envio e recepção de laser.

Após vários meses de testes difíceis, parece que a estação de telemetria a laser Izaña-1 está pronta para começar a operar. É uma bancada de testes de tecnologia e, além disso, é o primeiro passo que poderá permitir a democratização deste tipo de progresso em todo o mundo.

Isso pode levar à mitigação do risco de detritos espaciais por agências interessadas em todo o mundo. Esta tecnologia foi desenvolvida pela empresa alemã DiGOS.

Como usar o laser para eliminar o lixo do espaço?

Conforme é referido no comunicado da agência, a estação de telemetria a laser Izaña-1 apontará os seus lasers para o céu a partir do Observatório do Teide.

A partir daí, os referidos feixes de luz irão procurar os satélites e fragmentos de detritos espaciais; medindo assim a sua trajectória e posição. Claro, haverá todo o cuidado para o processo evitar colisões entre lixo e satélites.

Embora os lasers actualmente utilizados pela Izaña-1 tenham uma potência de 150 mW, a intenção da ESA é ir mais longe. Neste momento, a estação só pode seguir satélites equipados com reflectores, mas a ESA quer incorporar um laser infravermelho que atinja 50V.

Isto permitir-lhe-ia detectar detritos vitais e satélites mais antigos sem reflectores.

Por outro lado, de acordo com a informação oficial fornecida pela agência, os lasers mais potentes teriam também outra função. Com esta tecnologia, Izaña-1 poderia utilizar os feixes de luz para desviar ligeiramente a órbita dos detritos espaciais e evitar colisões.

Os lasers da estação também poderão ser utilizados para comunicações ópticas com satélites, funcionando como um cabo de fibra óptica de longo alcance no espaço.

A tecnologia utilizada em Izaña-1 servirá de trampolim para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, tais como a transferência do impulso do laser, bem como a coordenação do tráfego espacial. Além disso, embora já existam várias estações de rastreio laser em toda a Europa, as novas capacidades fornecidas pela Izaña-1 catapultam-na como a primeira do seu género.

Com o programa de Segurança Espacial, espera-se que muitas mais destas estações cheguem ao resto do mundo.

Outro trunfo deste projecto é que a estação laser Izaña-1 pode funcionar independentemente da hora do dia. Devido a isto, terá alguns sistemas de segurança que lhe permitirão evitar a incidência de lasers com voos comerciais e outros projectos espaciais. Desta forma, não há perigo real para os seres humanos no solo, no ar ou no espaço.

Pplware
Autor: Vítor M.
19 FEV 2022