651: Em que planeta o James Webb deve procurar vida alienígena? Chris Hadfield tem uma ideia

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/VIDA ALIENÍGENA

NASA GSFC / CIL / Adriana Manrique Gutierrez
Impressão de artista do Telescópio Espacial James Webb no Espaço

O Telescópio James Webb da NASA está a preparar-se para iniciar oficialmente as operações científicas no final do verão.

De acordo com a Futurism, os astrónomos já estão entusiasmados por o telescópio começar a procurar sinais de vida em mundos distantes.

Há muitos lugares para procurar, é claro. Os investigadores já confirmaram a existência de quase 5.000 exoplanetas, com muitos mais a caminho.

E de uma estimativa de 300 milhões de planetas suspeitos de abrigar uma região “Goldilocks” na qual poderia existir água líquida e, por conseguinte, vida, só a missão Kepler da NASA confirmou várias centenas.

O popular astronauta canadiano Chris Hadfield tem a sua própria sugestão, e considera que o planeta Kepler-442b seria “um excelente planeta para o Telescópio James Webb da NASA dar uma vista de olhos“.

O raciocínio de Hadfield coincide com a opinião de vários especialistas. O planeta em causa encontra-se no promissor sistema Kepler-444, a cerca de 1.200 anos-luz da Terra, e pode ser mais habitável do que o nosso próprio planeta.

Hadfield, que se reformou em 2013 após uma lendária carreira de 21 anos como astronauta, afirmou em 2016 que “pensar que só há vida na Terra é uma arrogância“.

nasa2explore / Flickr
O astronauta canadiano Chris A. Hadfield, engenheiro de voo da Expedição 34 da Estação Espacial Internacional (2013)

Num estudo publicado no The Astrophysical Journal em 2015, uma equipa de astro-biólogos argumentou que vários exoplanetas identificados pelas missões Kepler e K2 da NASA, incluindo o Kepler-442b, eram altamente susceptíveis a possuir água líquida na superfície, como a Terra.

“Classificámos os conhecidos planetas Kepler e K2 por habitabilidade e descobrimos que vários têm valores de H [a probabilidade de ser terrestre] maiores do que a Terra”, lê-se no artigo.

O objectivo dos investigadores era reduzir o número de candidatos, para que pudessem atingir o solo e observar primeiro os exoplanetas mais prováveis.

“Basicamente, concebemos uma forma de pegar em todos os dados de observação disponíveis e desenvolver um esquema de priorização para que, à medida que avançamos para uma época em que existem centenas de alvos disponíveis, possamos dizer, ‘OK, é com esse que queremos começar’”, realçou a autora principal Rory Barnes, da Universidade de Washington.

O JWST da NASA utilizará vários métodos para observar de perto as atmosferas de exoplanetas que orbitam estrelas distantes.

Alguns cientistas suspeitam mesmo que será suficientemente sensível para detectar a poluição atmosférica de quaisquer civilizações alienígenas que possam existir.

O telescópio fixou-se recentemente à sua primeira estrela, e está agora a calibrar a sua delicada gama de espelhos dourados. É a nossa melhor oportunidade de observar de perto os planetas habitáveis fora do nosso próprio sistema solar.

Pensar que só existe vida na Terra é uma arrogância

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  ZAP //
Alice Carqueja
28 Fevereiro, 2022