129: Joacine quer retirar da Assembleia pinturas “que glorificam passado colonial”

– Não posso deixa de revoltar-me contra esta Joacine. Devia existir uma lei que excluísse do Parlamento TODOS os deputados que renunciassem aos partidos a que pertenceram e com os quais foram eleitos. Andamos a pagar salários e mordomias a gente que desvaloriza a nossa História, o nosso passado? Tem de estar bem vivo para que não se torne a repetir no futuro! E se essa Joacine se sente incomodada com os quadros “coloniais”, regresse à sua terra porque com os sucessivos golpes de estado que grassam por lá, pode ser que os consiga evitar! E falam estas gajas – e gajos – de racismo!!! É a mesma coisa que pedir ao governo que construa uma nova Assembleia da República, porque onde ela assenta o traseiro, foi pasto dos traseiros de fascistas do Estado Novo salazarista durante quase meio século! Quem não está bem… muda-se!

Miguel Saavedra / parlamento.pt
Salão Nobre da Assembleia da República em 2011

A deputada não inscrita Joacine Katar Moreira recomendou hoje ao governo uma “contextualização histórica crítica” das sete pinturas do Salão Nobre da Assembleia da República e que o executivo planifique a sua retirada para “um espaço museológico”.

No projecto de resolução – que não tem força de lei – a ser entregue pela deputada ao parlamento, Joacine Katar Moreira argumenta que “urge contextualizar os problemáticos painéis presentes no Salão Nobre.

Segundo a deputada, os painéis “garantem o prolongamento da visão do Estado Novo da normalização da subjugação de outros Povos e Culturas e demais violências associadas, assim como da glorificação do passado colonial português”.

Joacine diz ainda que “as pinturas em causa chocam pela forma como os pintores retratam os povos colonizados, em posições de subalternidade, permissividade e infantilidade e pela forma heróica como retratam o poder colonial, normalizando-a e à sua violência, omitindo os impactos dessa subjugação nos povos e territórios capturados e explorados”.

“A exposição destas sete pinturas no espaço das recepções oficiais, onde são recebidos Chefes de Estado, diplomatas e entidades oriundas dos países ali humilhados, contribui para a naturalização da subjugação dos povos, a relativização ou omissão da repressão, da opressão e da exploração coloniais”, sustenta a deputada.

As pinturas apresentam uma perspectiva da história “que permanece colonial, que é racista e que é pretensiosamente só na negação constante de factos históricos que recordam o passado de violência e subjugação”, acrescenta Joacina Katar Moreira.

A deputada não inscrita, eleita pelo partido Livre, salienta que “não se pede à Assembleia da República que tome posição face às conhecidas violências do colonialismo português, mas que não contribua para a sua normalização mantendo sem qualquer visão crítica os sete painéis coloniais e do colonialismo”.

“O Estado português e as suas instituições têm a função da autocrítica, da consciência sobre a necessidade de não contribuírem para a discriminação, o racismo e a xenofobia que as suas peças e a visualidade destas podem originar”, escreve.

Miguel A. Lopes / Lusa
A deputada Joacine Katar Moreira e o seu assessor, Rafael Esteves Martins

Katar Moreira recomenda ao governo que “crie condições para a recontextualização e enquadramento histórico crítico das peças, pinturas e estátuas da e referentes à época colonial portuguesa presentes nas instituições e colecções públicas, que tenha em conta a nova historiografia e movimentos sociais para a Descolonização da Cultura”.

Pede ainda a deputada que o governo “lute contra o negacionismo historiográfico e público que procura relativizar e escamotear a violência da História colonial nacional”.

Joacine recomenda também ao executivo que “incite a Assembleia da República a colocar urgentemente textos introdutórios ou tabelas com a recontextualização das sete pinturas do Salão Nobre da Assembleia da República”.

Por último, a deputada sugere que o governo “planifique a retirada das sete pinturas do Salão Nobre para um espaço museológico, onde os mesmos poderão ser expostos ao público com o enquadramento científico e museológico adequados, passíveis de visitas guiadas e integradas em colecções específicas”.

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O Salão Nobre da Assembleia da República, destinado às recepções oficiais, foi construído nos anos 40 do século XX, segundo projecto do arquitecto Pardal Monteiro, ocupando a área onde se encontrava o coro alto da antiga igreja do Mosteiro de São Bento.

Tem as paredes decoradas com pinturas “subordinadas à mesma temática apologética dos Descobrimentos portugueses da Exposição do Mundo Português, de 1940″, lê-se na página dedicada ao Salão Nobre no site do parlamento.

Entre as imagens estão representados o Infante D. Henrique na entrega do plano das descobertas ao capitão da Armada, a Tomada de Ceuta, a passagem de Bartolomeu Dias pelo Cabo das Tormentas.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Setembro, 2021