1165: Mais de 200 mil idosos já receberam a segunda dose de reforço

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS/REFORÇO

205.521 pessoas acima dos 80 anos já receberam a segunda dose de reforço contra a Covid-19, segundo a Direcção-Geral de Saúde

© André Luís Alves / Global Imagens

Mais de 200 mil pessoas com mais de 80 anos já receberam uma segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19, adiantou este sábado a Direcção-Geral da Saúde (DGS), que refere que todos os lares elegíveis já foram visitados para vacinação.

“Mais de 200 mil pessoas acima dos 80 anos, bem como residentes de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), já receberam a segunda dose de reforço contra a covid-19. De acordo com os dados registados, até ao final do dia de ontem [sexta-feira], 03 de Junho, já tinham sido vacinadas 205.521 pessoas, tendo sido já visitadas todas as ERPI elegíveis”, adiantou a DGS.

Desde 16 de Maio, quando se iniciou o processo de administração da segunda dose de reforço para os idosos com 80 ou mais anos e todos os residentes em lares, que os agendamentos estão a ser feitos de forma local, por SMS ou telefone, como noutras fases de vacinação, estando “simultaneamente a ser convocados todos aqueles que ainda não fizeram a primeira dose de reforço e se encontram elegíveis”.

O processo de vacinação decorre nos centros de vacinação ou nos centros de saúde.

“A população elegível para esta segunda dose deve ser vacinada com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção”, explica a DGS.

Portugal registou quase 252 mil suspeitas de reinfecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, que representam 5,3% dos 4,7 milhões de casos confirmados desde o início da pandemia, indica o relatório semanal sobre a evolução da covid-19 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado na sexta-feira.

De acordo com a autoridade de saúde, 41,3% das suspeitas de reinfecção reportadas entre 90 e 180 dias ocorreram com a linhagem BA.5 da variante Ómicron, que é actualmente dominante no país, sendo responsável por cerca de 87% dos contágios.

Relativamente à pressão sobre os serviços de saúde, o relatório indica uma tendência crescente da ocupação hospitalar por casos de covid-19, com 2.092 internados em 30 de Maio de 2022, mais 14% em relação à semana anterior.

A faixa etária com maior número de casos internados nas enfermarias dos hospitais de Portugal continental foi a dos idosos com 80 ou mais anos, com 851 doentes hospitalizados na última segunda-feira.

Relativamente aos cuidados intensivos, o número de doentes nessas unidades correspondeu, no início da semana, a 42% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, representando um crescimento face aos 38,8% registados nos sete dias anteriores.

“A razão entre o número de pessoas internadas e infectadas foi de 0,09, indicando uma menor gravidade da infecção quando comparada com ondas de covid-19 anteriores e semelhante à observada desde o início de 2022”, sublinha ainda o documento.

Na segunda-feira, a mortalidade específica por covid-19 estava nos 43,9 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, apresentando uma tendência crescente e que é mais do dobro do limiar de 20 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) para este indicador.

Perante estes indicadores, o INSA e a DGS adiantam que a pandemia “mantém uma incidência muito elevada”, embora com inversão da tendência crescente que se vinha a registar nas últimas semanas.

“O impacto nos internamentos e a mortalidade específica por covid-19 mantêm uma tendência crescente” e “deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica, recomendando-se fortemente o reforço das medidas de protecção individual e a vacinação de reforço”, lê-se no relatório.

Diário de Notícias
DN/Lusa
04 Junho 2022 — 19:13


 

1148: Sexta vaga representa 21% dos casos e 6% das mortes desde o início da pandemia

– “O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara.“. Digam isso às gajas e aos gajos labregos acéfalos que gostam de andar com as trombas ao léu…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SEXTA VAGA

O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara.

© Global Imagens

Os quase 990 mil casos confirmados em Abril e Maio representam 21% das infecções desde o início da pandemia de covid-19, mas as 1.455 mortes nesses dois meses constituem cerca de 6% do total de óbitos.

Nos últimos dois meses, o país entrou na sexta vaga da pandemia, registando, segundo os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS), um total de 988.307 casos: 288.059 em Abril e 700.248 em Maio, que significam 21% das 4.717.243 infecções notificadas por Portugal à Organização Mundial da Saúde (OMS) à data de quarta-feira.

Apesar de um em cada cinco casos de infecção pelo SARS-CoV-2 ter sido registado nos últimos 60 dias, os 1.455 óbitos registados nesse período representam apenas cerca de 6% do total de 23.150 mortes comunicadas à OMS desde que, em 16 de Março de 2020, se verificou a primeira vítima mortal por covid-19 em Portugal.

O aumento significativo de infecções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara desde 21 de Abril, numa altura em que a incidência estava nos 556 casos por 100 mil habitantes, mas também ao crescimento de uma nova linhagem da variante Ómicron do SARS-CoV-2.

Detectada pela primeira vez entre o final de Março e o início de Abril, a BA.5, que tem revelado uma maior capacidade de transmissão, ganhando terreno à antecessora BA.2, é esta semana já responsável por cerca de 87% das infecções confirmadas no país, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico (IST) e que integra o grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia dessa instituição, adiantou à Lusa que Portugal está agora com um índice de transmissibilidade (Rt) do vírus de 0,96 e “numa situação de planalto” que se deve manter ao longo desta semana, sendo expectável uma “queda acentuada de casos a partir de meados de Junho”.

O especialista em sistemas dinâmicos projectou que, apesar da prevista redução do número de infecções, os “internamentos em enfermaria e cuidados intensivos e os óbitos vão manter-se elevados até 25 de Junho”, uma vez que o país deve ter cerca de 200 mil pessoas infectadas actualmente.

O matemático, que é também um dos responsáveis pelo Indicador de Avaliação da Pandemia desenvolvido em colaboração entre o IST e a Ordem dos Médicos, reforçou ainda a previsão de que, devido a isolamentos e baixas médicas por covid-19, esta sexta vaga levou à perda de “30 milhões de horas de trabalho” em Portugal, sendo este valor o “limiar mínimo” para esse indicador.

A sexta onda pandémica agravou-se em Maio, com Portugal a registar um total de 700.248 contágios nesse mês, mais 143% do que os 288.059 casos confirmados em Abril, um crescimento que foi ainda extensivo aos óbitos.

De acordo com os dados da Direcção-Geral da Saúde, morreram por covid-19 em Abril 592 pessoas, o que representa uma média de 19,7 óbitos diários, mas em Maio foram registados 863, o que fez subir a média para 27,8 mortes por dia no último mês.

Em termos pandémicos, Maio de 2022 apresentou uma situação muito mais desfavorável em relação ao mesmo mês de 2021 em termos de infecções diárias pelo SARS-CoV-2 e de mortes específicas por covid-19.

Em Maio de 2021, com apenas cerca de dois milhões de pessoas com vacinação completa, registaram-se 12.600 contágios e 51 mortes por covid-19.

Ou seja, na grande maioria dos dias de Maio de 2022 registou-se mais casos de infecção em cada dia do que no total do mês de Maio de 2021.

Além disso, em Maio de 2022 morreram 17 vezes mais pessoas do que no mesmo mês de 2021 por covid-19.

Também a pressão hospitalar foi em Maio deste ano maior do que no mês homólogo, com os últimos dados oficiais disponíveis a indicarem 1.842 internados e 99 doentes em cuidados intensivos a 23 de Maio de 2022, quando no mesmo dia de 2021 estavam hospitalizadas 220 pessoas, das quais 58 em medicina intensiva.

Apesar de o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus estar a baixar, a DGS e o INSA alertaram, na última sexta-feira, que a epidemia de covid-19 mantém uma incidência muito elevada, com tendência crescente, sendo expectável o aumento da procura de cuidados de saúde e da mortalidade, em especial nos grupos mais vulneráveis.

Perante esta projecção, estas entidades salientam que deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica, recomendando também fortemente o reforço das medidas de protecção individual e a vacinação de reforço.

Em 18 de maio entrou em vigor a contabilização das suspeitas de reinfecção, com a actualização retrospectiva dos casos acumulados.

De acordo com a DGS, os novos casos passam a incluir as primeiras infecções e as reinfecções pelo SARS-CoV-2.

Diário de Notícias
Lusa/DN
02 Junho 2022 — 08:46


 

1145: OMS suspeita que houve transmissão não detectada de Monkeypox por algum tempo

SAÚDE PÚBLICA/SURTO/VÍRUS MONKEYPOX

O surto de infecções em 30 países não endémicos sugere que os contágios estão a ocorrer há algum tempo, reconheceu a Organização Mundial da Saúde.

O surto de infecções pelo vírus Monkeypox em 30 países não endémicos sugere que os contágios estão a ocorrer há algum tempo, reconheceu esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde, instando as autoridades nacionais a expandirem a vigilância.

“O aparecimento repentino da Monkeypox em diferentes países ao mesmo tempo sugere que a transmissão [do vírus] não foi detectada por algum tempo”, referiu o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conferência de imprensa.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, mais de 550 casos confirmados em 30 países onde a doença não é endémica foram já reportados à OMS, no âmbito do surto que teve início há cerca de um mês com casos de infecção pelo Monkeypox na Europa, incluindo Portugal, na América do Norte e no Médio Oriente.

“A OMS insta os países afectados a expandirem a sua vigilância e a rastrearem casos nas suas comunidades mais vastas”, salientou o director-geral da organização, alertando que qualquer pessoa pode ficar infectada com o vírus em caso de contacto próximo com uma pessoa doente.

Na conferência de imprensa, a responsável técnica para a Monkeypox, Rosamund Lewis, admitiu que o surgimento de infecções fora de África foi uma surpresa, embora a OMS esteja a acompanhar a doença há mais de 15 anos no continente africano, onde milhares de casos e mortes se verificam todos os anos.

Segundo a OMS, África registou este ano 70 mortes por infecção pelo vírus Monkeypox.

“Não é uma doença desconhecida, mas é verdade que, no novo contexto em que se está a espalhar, é algo novo”, reconheceu Rosamund Lewis.

Entre os cenários que estão a ser estudados sobre o surgimento do actual surto, consta a possibilidade de a imunidade de grupo que foi alcançada no início da década de 1980, quando a varíola foi erradicada, ter diminuído.

Portugal registou mais 19 casos confirmados de infecção com o vírus Monkeypox, totalizando até agora 119 situações de homens infectados que se encontram clinicamente estáveis, anunciou esta quarta-feira a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o departamento liderado por Graça Freitas, a maioria das infecções confirmadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge foram notificadas em Lisboa e Vale do Tejo, mas também há registo de casos nas regiões Norte e Algarve.

“Todas as infecções confirmadas são em homens entre os 20 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, avança ainda a DGS, adiantando que os casos identificados se mantêm “em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis”.

Na terça-feira, a DGS publicou uma orientação que define a abordagem clínica e epidemiológica dos casos de infecção humana por vírus Monkeypox, prevendo que as situações suspeitas sejam referenciadas rapidamente para observação médica e que os contactos assintomáticos podem continuar a manter as suas rotinas diárias, não necessitando de isolamento.

Esta é a primeira vez que um surto do vírus VMPX é detectado em Portugal, num contexto de ocorrência de casos a serem reportados por vários países desde o início de maio.

O período de incubação varia entre cinco e os 21 dias, sendo em média de seis a 16 dias e os sintomas iniciam-se com febre, cefaleia, astenia, mialgia ou adenomegalias, aos quais se ​​​​​​​segue o aparecimento do exantema (erupção cutânea).

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Junho 2022 — 19:38


 

1144: Covid-19: Média desce para os 26.349 casos diários e Rt baixa para o limiar de 1

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

O número médio de casos diários de infecção a cinco dias passou dos 29.101 para os 26.349 em Portugal, sendo ligeiramente mais baixo no continente (24.971).

A média de infecções diminuiu para os 26.349 casos diários em Portugal, com o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 a baixar para o limiar de 1,00, indica esta quarta-feira o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“O valor médio do Rt para os dias de 23 a 27 de Maio foi de 1,00” a nível nacional, uma redução face aos 1,13 registados entre 16 e 20 do mesmo mês, avança o relatório semanal do INSA sobre a evolução da pandemia de covid-19 no país.

No continente, este indicador, que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, baixou também dos 1,13 para os 0,99.

De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira, o número médio de casos diários de infecção a cinco dias passou dos 29.101 para os 26.349 em Portugal, sendo ligeiramente mais baixo no continente (24.971).

O Norte, com um Rt de 0,96, o Centro (0,94) e o Alentejo (0,97) são as únicas três regiões que registam um Rt inferior ao limiar de 1,00, o que significa que apresentam agora uma tendência decrescente de infecções pelo coronavírus que provoca a doença covid-19.

De acordo com o INSA, Lisboa e Vale do Tejo apresenta um Rt de 1,06, o Algarve de 1,00, os Açores de 1,16 e a Madeira de 1,22, sendo esta última região a única em que este indicador subiu nos últimos cinco dias.

“Todas as regiões apresentam a taxa de incidência superior a 960 casos por 100.000 habitantes em 14 dia”, sendo a mais elevada nos Açores (4.631,7), seguindo-se o Norte (3.764,3) e Lisboa e Vale do Tejo (3.532,7), refere o relatório do INSA.

Diário de Notícias
DN/Lusa
01 Junho 2022 — 18:02


 

1143: Covid-19: frequência da linhagem BA.5 continua a aumentar e chega aos 87% em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

A frequência da linhagem BA.5 da variante Ómicron, que apresenta uma maior capacidade de transmissão, continua a aumentar em Portugal, sendo agora responsável por 87% das infecções registadas no país, anunciou esta terça-feria o INSA.

© CNN Portugal Covid-19 (Getty Images)

Detectada pela primeira vez entre o final de Março e o início de Abril, a BA.5 “tem apresentado uma frequência relativa marcadamente crescente, sendo dominante em Portugal, com uma frequência relativa estimada de 87% ao dia 30 de Maio”, adianta o relatório semanal do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a diversidade genética do coronavírus SARS-CoV-2.

A variante Ómicron do coronavírus que causa a covid-19, classificada como de preocupação pela Organização Mundial da Saúde, engloba várias linhagens identificadas com o prefixo “BA”.

Entre essas várias linhagens consta a BA.5, que tem revelado uma maior capacidade de transmissão por apresentar mutações com impacto na entrada do vírus nas células e ou na sua capacidade de escapar à resposta imunitária.

Quanto à BA.2, identificada em Portugal no final de 2021 e que se tornou dominante na semana de 21 a 27 de Fevereiro, continua a perder terreno para a BA.5, representando agora 13% dos contágios registados no país.

O INSA revela ainda que tem monitorizado uma sub-linhagem da BA.2, denominada BA.2.35, que se caracteriza por ter uma mutação adicional na proteína `spike´ associada à resistência a anticorpos neutralizantes, e que tem registado uma frequência entre os 1,5% e os 3%.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 526 sequências por semana desde o início de Junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 139 concelhos por semana.

MSN Notícias
31.05.2022


 

1097: INSA diz que vírus Monkeypox em circulação pertence a linhagem menos agressiva

SAÚDE PÚBLICA/MONKEYPOX

Microbiologista João Paulo Gomes, que dirige equipa que sequenciou o genoma do Monkeypox na origem do recente surto, diz que se trata “da forma menos severa do vírus”.

O microbiologista e investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, João Paulo Gomes
© Orlando Almeida / Global Imagens

O microbiologista João Paulo Gomes disse esta terça-feira que o vírus Monkeypox em circulação em vários países, incluindo Portugal, onde não é endémico, pertence a uma linhagem menos agressiva com origem na África Ocidental.

“Trata-se da forma menos severa do vírus”, afirmou à Lusa o investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), em Lisboa, onde a equipa que dirige sequenciou o genoma do Monkeypox na origem do recente surto, tornando Portugal o primeiro país a fazê-lo.

João Paulo Gomes, responsável do Núcleo de Genómica e Bioinformática do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, onde o trabalho foi feito, acrescentou que o vírus actualmente em circulação em países onde não é endémico é da linhagem do vírus em circulação na África Ocidental, onde é endémico, mas menos agressivo.

Há uma segunda linhagem do Monkeypox, da África Central, onde também é endémico, que é mais agressiva.

De acordo com os especialistas do INSA, que já sequenciaram o genoma do Monkeypox de 10 pessoas infectadas, o vírus do surto detectado este mês “está mais intimamente relacionado com vírus associados à exportação do vírus Monkeypox da Nigéria para vários países em 2018 e 2019, nomeadamente Reino Unido, Israel e Singapura”.

João Paulo Gomes referiu que “potencialmente trata-se de uma introdução única” do vírus, importada, “que originou cadeias de transmissão que depois se foram disseminando por vários países”.

O investigador salientou que o vírus na origem do actual surto “apareceu há muito pouco tempo”, mas “está a evoluir” rapidamente, “a acumular mutações” genéticas, quando, por “características inerentes”, o Monkeypox “é um vírus que tipicamente tem uma taxa de mutação mais reduzida”.

“Em teoria, evolui mais do que estávamos à espera. Eventualmente mais tarde poderemos perceber que estas características genómicas podem estar associadas a uma maior transmissibilidade, ainda não sabemos”, sublinhou, apontando a sequenciação genómica como uma “ferramenta fundamental de apoio à decisão de saúde pública”.

Segundo João Paulo Gomes, “é importante que todos os países sequenciem, libertem as sequências” genéticas do vírus e “façam uma partilha pública” dos dados “para que rapidamente se possa construir a história deste surto, perceber qual foi o país de origem, perceber onde é que foi introduzido [o vírus] na Europa e no resto do mundo e qual foi a cronologia em termos de disseminação pelos vários países”.

O microbiologista considera que “não há motivo para preocupação”, mas, “acima de tudo, motivo para actuar, bloquear as cadeias de transmissão, para fazer uma vigilância forte e despistar rapidamente todos os casos suspeitos”.

“Não há dúvida que durante as próximas semanas vamos ver um evoluir muito agressivo desta situação, mas as características da transmissão do vírus não fazem prever que seja muito difícil a sua contenção”, sustentou, lembrando que é preciso um “contacto directo, muito próximo” para que a transmissão ocorra entre pessoas.

Ana Pelerito, técnica da Unidade de Resposta a Emergências e Biopreparação do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA, explicou que a metodologia usada no laboratório permitiu detectar rapidamente, em três a quatro horas, o vírus Monkeypox em amostras suspeitas, possibilitando aos colegas do Núcleo de Genómica e Bioinformática sequenciarem o seu genoma.

“Sem o nosso trabalho não iríamos conseguir ser o primeiro país a fazer esta sequenciação”, assinalou à Lusa.

A primeira sequência genética do vírus foi obtida no INSA a partir de uma amostra recolhida em 04 de maio de lesões na pele de um homem doente.

O Monkeypox, do género do vírus que causa a varíola, é transmitido de pessoa para pessoa por contacto próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.

O tempo de incubação é geralmente de sete a 14 dias, e a doença, popularmente conhecida por varíola dos macacos, dura, em média, duas a quatro semanas.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) recomenda às pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, a procurarem aconselhamento médico.

Em Portugal, de acordo com os dados mais recentes da DGS, foram confirmados 39 casos, todos homens entre os 27 e os 61 anos, sendo que a maioria tem menos de 40 anos e, portanto, não está vacinada contra a varíola, doença erradicada do mundo em 1980.

A vacina contra a varíola, assim como antivirais e a imunoglobulina ‘vaccinia’ (VIG), podem ser usados como prevenção e tratamento para a Monkeypox, uma doença rara.

Fora da Europa, o vírus já foi detectado nomeadamente nos Estados Unidos, Israel, Canadá e Austrália.

A doença, que tem o nome do vírus, foi identificada pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, depois de o vírus ter sido detectado em 1958 no seguimento de dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colónias de macacos mantidos em cativeiro para investigação – daí o nome “Monkeypox” (“monkey” significa macaco e “pox” varíola).

Diário de Notícias
DN/Lusa
24 Maio 2022 — 19:43