697: Astrónomos podem ter observado uma “kilonova” pela primeira vez

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

X-ray: NASA/CXC/Northwestern Univ./A. Hajela et al.; Illustration: NASA/CXC/M.Weiss
Emissões de raios-X decorrentes da fusão de duas estrelas de neutrões podem ter desencadeado uma “kilonova”

Uma equipa de astrónomos pode ter observado, pela primeira vez, os efeitos de uma “kilonova”, uma explosão estelar maior do que uma “nova” mas inferior a uma “super-nova”.

Uma “kilonova” acontece quando duas estrelas de neutrões se fundem para criar uma explosão 1.000 vezes mais brilhante do que uma clássica nova. Neste caso particular, o evento foi apelidado de GW170817.

A equipa de cientistas da Northwestern University, nos EUA, identificou uma fonte de raios-X que, muito provavelmente, consiste em destroços cósmicos da fusão entre as duas estrelas. A fusão terá produzido uma onda de choque muito semelhante à causada por um avião supersónico que, por sua vez, super-aqueceu os materiais circundantes, gerando emissões de raios-X – conhecidas como um afterglow kilonova.

Uma outra explicação para o sucedido passa pela queda de materiais em direcção a um buraco negro – formado como resultado da fusão de estrelas de neutrões – que pode ter provocado os raios-X.

Qualquer um dos cenários seria o primeiro a ser registado. “Entramos em território desconhecido neste estudo dos efeitos posteriores à fusão de duas estrelas de neutrões”, resumiu Aprajita Hajela, estudante do Departamento de Física e Astronomia da Northwestern, citada pelo SciTechDaily.

“Estamos a olhar para algo novo e extraordinário pela primeira vez. Dá-nos a oportunidade de estudar e compreender novos processos físicos que nunca foram observados antes”, acrescentou a autora do artigo científico, publicado recentemente no The Astrophysical Journal Letters.

“Kilonova” ou buraco negro?

GW170817 fez história em Agosto de 2017: foi a primeira fusão de estrelas de neutrões detectada tanto por ondas gravitacionais como por radiação electromagnética. Desde então, os astrónomos têm utilizado vários telescópios para estudar o evento em todo o espectro electromagnético.

Com a ajuda do Observatório Chandra, os astrónomos notaram que o jacto de energia, quase à velocidade da luz, começou a “apagar-se” a partir de 2018, mas as emissões de raios-X tornaram-se constantes entre Março e Dezembro de 2020. Era um sinal de que havia algo mais para além do jacto.

Uma das duas possibilidades é uma “kilonova“, a outra o buraco negro. A equipa vai continuar a observar o evento com o objectivo de distinguir qual das duas possibilidades corresponde a este caso.

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9 Março, 2022