308: Insígnia de Antigo Combatente

Hoje, recebi pelos CTT um envelope da Defesa Nacional, contendo uma carta assinada pela Sra. Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes e um estojo com a insígnia de Antigo Combatente.

A insígnia, informa a carta, poderá ser usada em traje civil, conforme disposto no Estatuto do Antigo Combatente (Lei nº. 46/2020, de 20 de Agosto) e na Portaria nº. 3/2021, de 4 de Janeiro.

Foi uma Honra ter servido a minha Pátria, na Guerra do Ultramar, mesmo sob o regime fascista de Oliveira Salazar e será com orgulho que, a partir de hoje, passarei a usar esta Insígnia de Antigo Combatente.




 

113: Ex-combatentes revoltados e desiludidos com atrasos na gratuitidade dos transportes

No passado dia 8 de Agosto, inseri este artigo neste meu Blogue:

Ex-combatentes revoltados e desiludidos com atrasos na gratuitidade dos transportes

Sim, revoltados porque as leis foram aprovadas e por porras de burrocracia sem sentido, continuam sem serem postas na prática. Estão à espera que os ex-combatentes vão morrendo aos poucos (a maioria com mais de 70 anos) para no final, quando tudo estiver “ajustado”, darem as migalhas da gratuitidade dos transportes aos que restarem na altura.

É estranho o comandante supremo das Forças Armadas, concomitantemente presidente da República Portuguesa, ainda não ter dito nada sobre esta situação, ele que anda sempre metido no meio do barulho produzido pelas “desgraças” que vão surgindo aqui e acolá!

Pois é camaradas ex-combatentes, nós que andámos a dar o corpinho ao manifesto pela guerra do Ultramar, nós que vimos camaradas nossos morrerem ao nosso lado uns, estropiados outros, temos de aguentar a mola porque não há mesmo nada a fazer com estes políticos, com  esta governança e com este pseudo regime “democrático”!

Recebi hoje um e-mail, em resposta aos meus anteriores e-mails dirigidos à Sra. Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, Dra. Catarina Sarmento e Castro, com o seguinte teor:

seg 30/08/2021 14:43
De: Antigos Combatentes <antigos.combatentes@defesa.pt>
Assunto: Cartão do Combatente- Passe Intermodal

Exmo. Senhor

Francisco Gomes,

Acusamos a recepção do seu e-mail infra e informamos que a gratuitidade dos transportes públicos das áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais, prevista no artigo 17.º do Estatuto do Antigo Combatente, é uma medida que carece ainda da adopção de um conjunto de actos de natureza regulamentar que não dependem exclusivamente da área governativa da Defesa Nacional, encontrando-se este Ministério a desenvolver todos os esforços para que possa ser implementada no mais curto espaço de tempo.

Assim, cumpre-nos informar que este beneficio ainda não se encontra disponível.

Com os melhores cumprimentos,

RICARDO ESTEVES
Assistente Técnico

Direcção-Geral de Recursos da Defesa Nacional

Direcção de Serviços de Saúde Militar e Assuntos Sociais
Av. Ilha da Madeira, nº 1 – 4º Piso
1400-204 Lisboa, PORTUGAL
TEL + 351 21 380 42 00

(texto corrigido para ortografia de português ibérico A.O.)

E assim, rapaziada da pesada, vamos cantando loas a estes políticos que não se interessam absolutamente nada por quem andou a arriscar a vida na guerra, OBRIGADO a isso pelo regime fascista de Salazar.

 

56: Restrições e medo reavivaram memórias da guerra colonial

SOCIEDADE/EX-COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR

A pandemia reavivou memórias dos combatentes na Guerra Colonial e aumentou o recurso a serviços de apoio psicológico, apesar da dificuldade em realizar sessões presenciais, quando “a solidariedade dos pares é fundamental”.

Pandemia está a reavivar memórias de quem combateu na Guerra Colonial como solidão e depressão.
© Mário Cruz Lusa

 

Manuel Diogo é ex-combatente da Guerra Colonial, vive na Guarda e diz que a pandemia lhe trouxe um reavivar de memórias em situações muito específicas, como quando começou a ver as pessoas na rua de máscara, observando um ambiente de desconfiança e medo que também sentiu em Angola, na guerra.

“Em África, no tempo da guerra, íamos passear em Luanda e andávamos a olhar de um lado para o outro a vermos quem nos andava a perseguir. Aqui, agora, acontece a mesma coisa”, contou à Lusa.

O presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), Manuel Lopes Dias, afirmou que o isolamento a que a pandemia obrigou veio reavivar memórias dos tempos de guerra, que agravaram as dificuldades já sentidas pelos deficientes militares.

“A pandemia trouxe-nos vivências da guerra, como a solidão e o afastamento das nossas famílias, da sociedade e dos amigos, que nós passámos enquanto jovens na Guerra Colonial. Muito nós estamos afectados a nível psicológico porque ninguém volta igual da guerra. Todo o ser humano que é sujeito a uma situação de guerra tem sérias consequências psicológicas, há sempre efeitos traumáticos. E isso nós vivemos outra vez”, afirmou, em entrevista à Lusa.

Em 2020, a associação apoiou 82 pessoas a nível psicológico, por via telefónica ou presencialmente, quando necessário, nos pólos de Lisboa e do Porto, mais 8 do que em 2019, ano em que foram acompanhados 74 deficientes militares.

De acordo com dados da ADFA cedidos à agência Lusa, em ano de pandemia registou-se um aumento dos pedidos de ajuda por parte dos deficientes militares e do apoio psicológico prestado. Em 2020, a associação apoiou 82 pessoas a nível psicológico, por via telefónica ou presencialmente, quando necessário, nos pólos de Lisboa e do Porto, mais 8 do que em 2019, ano em que foram acompanhados 74 deficientes militares.

“Temos casos já referenciados pelas nossas equipas multidisciplinares, de psicólogos e psiquiatras, porque a pandemia, de facto, está a afectar bastante alguns dos nossos deficientes militares afectados pelo stress de guerra e mais tocados por problemas psicológicos. Têm recorrido e telefonado mais”, afirmou o coronel Lopes Dias.

Apesar de importante, o apoio psicológico não resolveu o problema da falta de contacto entre os deficientes militares que sofreram as marcas da Guerra Colonial e que foram obrigados a isolar-se uns dos outros, sustentou.

“A solidariedade dos pares é fundamental, para além do apoio técnico e do apoio das famílias”, explicou Manuel Lopes Dias. “E, neste momento, a pandemia veio cortar, nalguns casos quase totalmente, esta possibilidade de os deficientes das Forças Armadas participarem, colaborarem, reunirem-se. Isso tem sido uma situação grave a que estamos a assistir”.

Pandemia está a gerar quadros de stress pós-traumático, mas também “depressões, quadros de ansiedade, fóbicos e de somatização, perdas de contacto com a realidade

Segundo a médica Luísa Sales, psiquiatra que integra a Comissão Científica do Centro de Recursos de Stress em Contexto Militar (CRSCM), de uma forma geral, “as populações reagiram com um aumento de expressões de stress, de processos de adaptação ou de trauma” à pandemia. Os antigos combatentes que estiveram na Guerra Colonial entre 1961 e 1974 e, em particular aqueles que desenvolveram patologias na sequência dessa experiência, não foram excepção.

Entre estas encontra-se o stress pós-traumático, mas também “depressões, quadros de ansiedade, fóbicos e de somatização, perdas de contacto com a realidade e comportamentos aditivos que são extremamente frequentes nestes contextos de ruptura” e que fazem dos antigos combatentes uma população vulnerável, explica a psiquiatra, também responsável pelo Serviço de Psiquiatria do Hospital Militar de Coimbra e coordenadora do Observatório do Trauma/CES.

“Foi extremamente acentuada a fragilidade das pessoas com mais de 70 anos e todos os ex-combatentes da Guerra Colonial, em geral, têm mais de 70 anos, portanto, isso foi razoavelmente perturbador. E o facto de estarem mais presos – por exemplo, nos meus grupos terapêuticos tivemos de fazer períodos de paragem -, não facilita as coisas”, contou a profissional, em entrevista à Lusa.

Contactada pela Lusa, Anabela Oliveira, membro da Direcção da Associação de Apoio aos Ex-combatentes Vítimas do Stress de Guerra (APOIAR) disse que a associação recebeu em 2020 mais pedidos de assistência e que os psicólogos prestaram apoio por telefone, existindo duas vezes por mês consulta de psiquiatria presencial.

De acordo com Luísa Sales, a terapia de grupo é a mais indicada no tratamento dos ex-combatentes, já que a existência de uma “rede social de suporte é muito importante na prevenção de quadros traumáticos e de desenvolvimento de doença pós-trauma”, explica.

Mas apesar de as consultas de grupo terem sido interrompidas durante o confinamento, os ex-combatentes que acompanha mantiveram o contacto telefónico entre si quase diariamente. Para a psiquiatra, foi este apoio mútuo que lhes permitiu ultrapassarem os constrangimentos colocados pela pandemia.

Luísa Sales admitiu que inicialmente esperava que a pandemia, situação que classificou como “muito violenta”, constituísse uma “espécie de activação do trauma”. Contudo, na sua prática clínica tal não se verificou, disse.

Diário de Notícias
Lusa
18 Julho 2021 — 10:03

 

31: Cartão de Antigo Combatente

No passado dia 25 de Junho de 2021, enviei este e-mail à sra. Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, a fim de solicitar o seguinte esclarecimento:

“Exma. Sra.
Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes
Dra. Catarina Sarmento e Castro

Boa tarde

Recebi ontem o ofício que acompanhava o Cartão de Antigo Combatente que agradeço.

De acordo com os direitos consignados no Estatuto do Antigo Combatente, pedi esclarecimento à Carris sobre como poderia obter a gratuitidade do passe intermodal de transportes públicos das áreas metropolitana e comunidades intermunicipais, cujo texto insiro de seguida:

Enviada: 24 de Junho de 2021 17:25
Assunto: Via Site (Informação) (P2877-21)

Nome

Francisco Gomes

Telefone

xxxxxxxxx

Email

xxxxxxxxxxxx

Assunto

Bilhética

N.º Cartão

xxxxxxxxxxxxx

Descrição do assunto

Recebi hoje o Cartão de Antigo Combatente que, ao abrigo do Estatuto do Antigo Combatente, Lei nº. 46/2020 de 20 de Agosto, concede gratuitidade do passe intermodal de transportes públicos das áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais. Possuidor do passe Lisboa VIVA xxxxxxxxxxx, pretendo saber como se processa esta gratuitidade para renovação deste passe. Obrigado

A resposta que me foi facultada foi esta:

sex 25/06/2021 08:30
De: Atendimento CARRIS atendimento@carris.pt
RE: Via Site (Informação) (P2877-21)

Caro Francisco Gomes,

Bom dia.

Agradecemos o seu e-mail.

Considerando as questões colocadas, informamos que o estabelecido quer na lei 46/2020 quer na portaria 210/2020, que aprova o modelo do cartão de antigo combatente, é que os titulares do referido cartão podem usufruir da “gratuitidade do passe intermodal” (NAVEGANTE).

Contudo, as entidades responsáveis pela emissão do cartão de antigo combatente e/ou Viúva/o ainda não especificaram como deve esta gratuitidade ser obtida.

A Transportes Metropolitanos de Lisboa -TML– está a desenvolver esforços para que sejam definidos os procedimentos a adotar.

Aconselhamo-lo a estar atento ao site da empresa – WWW.CARRIS.PT -, pois assim que houverem novas orientações, estas serão oportunamente noticiadas.

Cumprimentos,
João Sousa
Núcleo Acompanhamento do Cliente

Acho estranho que desde 20 de Agosto de 2020, a entidade que gere a Carris, ainda não tenha conhecimento dos procedimentos a adoptar para esta gratuitidade.

Nesta conformidade, solicito a V. Exa. o favor da informação de quando poderei começar a usufruir desta gratuitidade.

Com os melhores cumprimentos,”

Ora, até à data de hoje, 01 de Julho de 2021, não obtive qualquer resposta da sra. Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, o que me leva a concluir que parece que pretendem deixar que os Antigos Combatentes vão morrendo (eu tenho 75 anos e existem mais idosos que eu ainda vivos), para se descartarem das despesas orçamentais que implicam estes “benefícios”, embora a intenção tivesse sido a de o Cartão de Antigo Combatente, conferir ao Titular o Reconhecimento da Nação, sublinhando o lugar marcante que ocupam na História de Portugal.

É completamente inadmissível que uma lei de 20 de Agosto de 2020 ainda não tivesse sido implementada na prática, mesmo tendo o Cartão sido distribuído em Junho, quando fomos informados que seria em Janeiro de 2021.

01 de Julho de 2021
Francisco Gomes

 

10: Insígnia de Ex-combatente

A insígnia nacional é um símbolo identitário da situação de Antigo Combatente das Forças Armadas portuguesas.

É permitido o uso desta insígnia, em traje civil, a todos os Antigos Combatentes identificados no Estatuto do Antigo Combatente (artigo 5º do Anexo I da Lei). Os Antigos Combatentes em serviço activo ou na situação de reserva podem usá-la nos seus uniformes.

A portaria que aprova o modelo e legenda desta insígnia foi publicada, em Diário da República, 4 de Janeiro de 2021.​