969: Sete milhões para estudar Homo Sapiens, buracos negros e detectar outras Terras

CIÊNCIA/PROJECTOS DISPERSALS

Projectos Dispersals (Universidade do Algarve), FIERCE (Instituto de Astrofísica e Ciência do Espaço da U. Porto) e Gravitas (Técnico de Lisboa) financiados pelo Conselho Europeu de Investigação.

Aquilo que nos parece ser objectos gigantes negros e escuros são mesmo os buracos negros da teoria do Einstein? Esta é uma questão a que o professor Vítor Cardoso do IST quer dar resposta e para cuja investigação recebeu agora uma bolsa de dois milhões de euros.
© Jaci XIV /Creative Commons

O Conselho Europeu de Investigação (ERC) atribuiu quase sete milhões de euros (6,9) a três projectos de investigadores portugueses. Nuno Cardoso Santos, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e líder do projecto FIERCE, pretende analisar a causa do ruído estelar e “abrir caminho” para detectar outras Terras no Universo. Nuno Bicho, da Universidade do Algarve, vai investigar, através do projecto Dispersals, a dinâmica das primeiras migrações do Homo Sapiens. E Vítor Cardoso, do Técnico de Lisboa, propõe-se a explorar e descobrir o potencial dos buracos negros, no âmbito do projecto Gravitas.

Segundo o IA da Universidade do Porto, o ERC (organismo estabelecido pela Comissão Europeia em 2007) atribuiu um Advanced Grant, com um financiamento de 2,5 milhões de euros, ao projecto FIERCE. Liderado pelo investigador Nuno Cardoso Santos, da equipa de Sistemas Planetários do IA, o projecto pretende, nos próximo cinco anos, criar novos métodos de análise de dados para “modelar e caracterizar as causas do ruído estelar”, o que permitirá “abrir caminho à detecção da Terra 2.0”.

“Apesar dos progressos recentes, ainda não foi possível identificar exoplanetas realmente semelhantes à Terra, à distância certa da sua estrela para serem temperados, com água líquida à superfície e uma atmosfera de nitrogénio e oxigénio”, salienta o Instituto.

Nuno Cardoso Santos, Investigador e professor na FCUP
© Gerardo Santos / Global Imagens

Nuno Cardoso Santos afirma que o projecto vai permitir “detectar e estudar outras Terras, a orbitar outros sóis, utilizando instrumentos como o espectrógrafo ANDES [desenvolvido para o ELT (Extremely Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul – ESO, e previsto entrar em funcionamento em 2030”. “Estes métodos serão fundamentais para que se possa estudar em detalhe os planetas rochosos hoje detectados, bem como os que serão descobertos por missões espaciais futuras, como a PLATO, da Agência Espacial Europeia”, acrescenta Nuno Cardoso Santos.

O coordenador do IA, Francisco Lobo, destaca que a atribuição da verba “reforça a procura e estudo de exoplanetas” e que os dados obtidos com o projecto FIERCE “poderão ser usados para outras pesquisas em que equipas do IA estão empenhadas, incluindo o estudo do Sol e da física estelar”.

Dispersals: as migrações africanas do Homo Sapiens

O projecto Dispersals (Dispersões, em português), de Nuno Bicho, foi outro dos escolhidos para uma bolsa de financiamento de entre as 2652 propostas submetidas ao ERC por investigadores de 28 nacionalidades. Os 2,5 milhões de euros atribuídos vão permitir ao investigador estudar as dinâmicas das primeiras migrações do Homo Sapiens em, e a partir de, África e avaliar o modelo genético de que as populações humanas da África Austral foram a génese da migração da espécie, a partir daquele continente, há cerca de 70 mil anos.

Nuno Bicho, Investigador e professor na Universidade do Algarve
© D.R. / Universidade do Algarve

Segundo Nuno Bicho, citado numa nota enviada à Lusa, o projecto, que reúne um conjunto alargado de investigadores internacionais, inclui a realização de trabalhos nas bacias dos rios moçambicanos do Limpopo e Save. O investigador adianta que a área onde vão incidir os trabalhos “medeia as duas regiões chave do aparecimento” da espécie humana, ou seja, a África Austral e a África Oriental”.

O projecto, adianta, fornecerá uma perspectiva fundamental sobre os processos relativos às primeiras migrações e dispersões da espécie no continente africano, e fora dele, “que resultaram na diáspora humana por todo o planeta nos últimos 100 mil anos”. Para o investigador, as três bolsas ERC recebidas até agora pela Universidade do Algarve, através do seu Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano, que totalizam 6,5 milhões de euros, irão contribuir para tornar as duas estruturas “num centro de excelência em arqueologia”.

Gravitas: explorar o potencial dos buracos negros

Professor de Física no Instituto Superior Técnico e no Instituto Niels Bohr, em Copenhaga (Dinamarca), Vítor Cardoso recebeu a sua terceira bolsa ERC, de dois milhões de euros, para explorar e descobrir o potencial dos buracos negros.

“Será que os buracos negros existem? Aquilo que vemos que parecem objectos gigantes negros e escuros são mesmo os buracos negros da teoria do Einstein? Ou é algo diferente?”, são algumas das questões a que a equipa liderada por Vítor Cardoso procurará responder, adianta o Técnico.

Foram ainda premiados dois investigadores portugueses no estrangeiro: Ricardo Reis, da London School of Economics and Political Science, e João Alves, da Universidade de Viena.

Diário de Notícias
DN/Lusa
27 Abril 2022 — 00:40


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine