407: Música portuguesa para “atrasados mentais”. Após “momento infeliz”, Fernando Tordo pede desculpa

– Este, foi o post que deixei neste artigo do ZAP. E como alguns meus comentários têm sido CENSURADOS (NÃO PUBLICADOS), quero ver se este também seguiu a mesma rota…:  Penso que o Fernando Tordo deve ser da minha idade. Eu também fui músico e cantor durante mais de 50 anos (comecei aos 10 anos (1956) numa troupe de uma Sociedade Recreativa do meu bairro), actuei com Conjuntos de Música para Baile em Hotéis, Restaurantes, Clubes, Academias, Sociedades Recreativas, Festas e Romarias de Aldeias, Vilas e Cidades de Portugal, Dancings, etc.. E não é escândalo nenhum o FT dizer que actualmente a música portuguesa é para “atrasados mentais”. Admito que existam gostos diferentes, quer para a música, quer para a culinária, quer para a política, quer para os futebóis, etc., mas qualquer um, seja ele quem for, tem o pleno direito de se expressar LIVREMENTE (chama-se LIBERDADE DE EXPRESSÃO, em democracia) e apenas lamento o Fernando ter pedido desculpa pela verdade que proferiu. Será que todos gostam da música que o Fernando produz? E isso, é algum pecado capital? Tem que se proferir ámen a tudo o que nos aparece pela frente? Tanta virgem ofendida…!!! Acrescento esta frase que não incluí no post do ZAP para evitar ser CENSURADO: Fernando, deixaste cair os tomates ao chão!!! 🙂

SOCIEDADE/MÚSICA

Pedro Ribeiro Simões / Flickr
Fernando Tordo

Fernando Tordo está no centro de uma polémica, depois de ter concedido uma entrevista à revista Blitz na qual afirmou que “90% da música portuguesa que se ouve, actualmente, não tem qualquer dignidade”. “É para atrasados mentais.”

Fernando Tordo foi convidado do podcast Posto Emissor, da Blitz, onde partilhou as suas opiniões sobre o actual estado da música portuguesa.

Durante a entrevista, aquela que é uma das mais respeitadas vozes portuguesas admitiu que a grande maioria da música feita actualmente não o conquista.

“Salvo raras excepções, o que temos é gente que não cresce porque não ouve, porque não aprende. Têm que aprender. A minha geração aprendeu”, atirou.

“A música vai reganhar a sua dignidade porque, actualmente, 90% do que ouvimos não tem qualquer dignidade. É uma coisa para atrasados mentais. Eu tenho de dizer isto porque eu agora digo tudo como os malucos. Digo em consciência, digo por experiência”, acrescentou ainda.

As críticas estenderam-se também às editoras: “Nalguns que eu oiço, está o talento mas não está a alma aprendiz. E a alma do aprendiz é uma coisa fantástica. É muito o jogo que as editoras usam […] é descartável. ‘Ah, tenho aqui uma miúda com umas pernas giras, deixa cá ver o que é que acontece’. E é isto que temos.”

As recentes declarações do músico, que venceu o Festival da Canção em 1973 com a canção “Tourada”, não estão a ser bem acolhidas nas redes sociais, nomeadamente por colegas de profissão.

O músico Agir, filho de Paulo de Carvalho, lamentou as palavras de Fernando Tordo e ofereceu-se para dar a conhecer a nova geração de artistas portugueses.

“Terá sido um momento infeliz mas acredite que o que não falta, hoje em dia, são autores e intérpretes que só prestigiam a nossa língua e a nossa música. Terei todo o gosto em dá-los a conhecer ao Fernando, de preferência à mesa. Tenho a certeza que irá gostar, tanto da nova música como da refeição”, escreveu, no Instagram.

Na mesma rede social, Miguel Cristovinho, músico dos D.A.M.A., marcou a sua posição e lembrou que “viver da música em Portugal é muito difícil“.

“Há artistas geniais a viver na pobreza, a passar fome, a terem de trabalhar noutras áreas pois a música não lhes põe comida na mesa, há músicos incríveis que nunca tiveram a sua oportunidade de fazer vida a tocar, há artistas que estavam a começar a ter tracção e não conseguiram aproveitar estes dois anos…”, escreveu.

“Até para alguns de nós – artistas que já têm alguma estrada e algum nome no panorama nacional – se não fossem os direitos de autor e as campanhas digitais teria sido IMPOSSÍVEL sustentarmos as nossas famílias. Por isso é que fico mesmo muito triste e desiludido ao ver declarações destas terem antena”, acrescentou.

Luísa Sobral também comentou a entrevista, assumindo ter ficado “bastante triste”. À semelhança de Cristovinho, destacou as dificuldades que este sector tem enfrentado durante a pandemia de covid-19.

“Estivemos muito tempo parados com concertos constantemente adiados. Muitos tiveram discos guardados na gaveta durante todo este tempo à espera de dias melhores. Estávamos e estamos todos no mesmo barco. Temos de nos apoiar uns aos outros e não denegrimo-nos“, lamentou.

Também o director da rádio Comercial, Pedro Ribeiro, manifestou a sua desilusão, numa publicação entretanto eliminada. “Tudo isto é triste, tudo isto é mau. Depois de dois anos em que os músicos deste país lutaram com tanta dificuldade, sem concertos e com gravações adiadas sabe Deus para quando.”

“Quando, apesar das dificuldades, estamos a viver um momento extraordinário da música portuguesa, em vários estilos tão diferentes, de criatividade, novos valores, diversidade… ler isto, vindo de alguém que tanto se respeita, dói. E revolta. Porque é injusto, ofensivo é só destrói, não constrói nada”, escreveu ainda.

Após a polémica, Fernando Tordo deixou um pedido de desculpas no Facebook.

“Um mau momento tem de dar origem a algo construtivo. Apercebi-me da injustiça que as minhas palavras foram para todo um universo de colegas que, tal como eu, trabalham diariamente para levar o seu melhor aos palcos e às rádios deste país, principalmente nesta fase tão complicada para todo o sector cultural”, começou por escrever.

“Mais do que um pedido de desculpa, quero que este meu erro me leve a construir pontes e a potenciar o diálogo com os meus colegas de profissão. Todos, sem excepção! Semanalmente, vou dar a conhecer as novidades de lançamentos de novos discos ou singles, sugestões de concertos ou eventos culturais, novos projectos e artistas emergentes”, prometeu.

“Gostaria, também, de poder contar com a vossa ajuda. Para o efeito, nos próximos dias, vou disponibilizar um e-mail para me enviarem as vossas sugestões. Ouvir e dar a conhecer novos projectos, de tantos que emergem no nosso país, passa agora, também, a ser a minha missão”, escreveu na mensagem.

Liliana Malainho
17 Janeiro, 2022