1037: Fragmento do asteróide que matou os dinossauros pode ter sido encontrado

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/UNIVERSO

© Reprodução/Divulgação É uma das várias descobertas surpreendentes em um espaço local nos EUA, que preservou os restos do momento cataclísmico que encerrou a era dos dinossauros Reprodução/Divulgação

Um pequeno fragmento do asteróide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos pode ter sido encontrado envolto em âmbar – uma descoberta que a NASA descreveu como “enlouquecedora”.

É uma das várias descobertas surpreendentes em um sítio fóssil único na Formação Hell Creek, em Dakota do Norte, nos EUA, que preservou os restos do momento cataclísmico que encerrou a era dos dinossauros – um ponto de virada na história do planeta.

Os fósseis desenterrados lá incluem peixes que sugaram detritos explodidos durante o ataque, uma tartaruga empalada com um pau e uma perna que pode ter pertencido a um dinossauro que testemunhou o ataque do asteróide.

A história das descobertas é revelada em um novo documentário chamado “Dinosaur Apocalypse”, que apresenta o naturalista Sir David Attenborough e o paleontólogo Robert DePalma e vai ao ar na quarta-feira no programa “Nova” da PBS.

DePalma, pesquisador de pós-graduação da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e professor adjunto do departamento de geociências da Florida Atlantic University, começou a trabalhar em Tanis, como é conhecido o sítio fóssil, em 2012.

As planícies empoeiradas e expostas contrastam fortemente com a aparência do local no final do período Cretáceo. Naquela época, o meio-oeste americano era uma floresta pantanosa e um mar interior que desde então desapareceu – conhecido como Western Interior Seaway – percorria todo o caminho do que hoje é o Golfo do México até o Canadá.

O local é o lar de milhares de fósseis de peixes bem preservados que DePalma acreditava terem sido enterrados vivos por sedimentos deslocados quando um enorme corpo de água desencadeado pelo ataque de asteróides se moveu pelo interior do mar. Ao contrário dos tsunamis, que podem levar horas para chegar à terra após um terremoto no mar, esses corpos d’água em movimento, conhecidos como seiche, surgiram instantaneamente depois que o enorme asteróide caiu no mar.

Ele está certo de que o peixe morreu dentro de uma hora após o impacto do asteróide, e não como resultado dos grandes incêndios florestais ou do inverno nuclear que veio nos dias e meses que se seguiram. Isso porque “esférulas de impacto” – pequenos pedaços de rocha derretida lançados da cratera para o espaço, onde se cristalizaram em um material semelhante ao vidro – foram encontrados alojados nas brânquias dos peixes. A análise dos fósseis de peixes também revelou o asteróide atingido na primavera.

“Uma evidência após a outra começou a se acumular e mudar a história. Foi uma progressão de pistas como uma investigação de Sherlock Holmes”, disse DePalma.

“Ele dá uma história momento a momento do que acontece logo após o impacto e você acaba obtendo um recurso tão rico para investigação científica.”

Muitas das últimas descobertas reveladas no documentário não foram publicadas em revistas científicas. Michael Benton, professor de paleontologia de vertebrados da Universidade de Bristol, que actuou como consultor científico no documentário, disse que, embora seja uma “questão de convenção” que novas alegações científicas passem por revisão por pares antes de serem reveladas na televisão, ele e muitos outros paleontólogos aceitaram que o sítio fóssil realmente representa o “último dia” dos dinossauros.

“Alguns especialistas disseram ‘bem, pode ser no dia seguinte ou um mês antes… mas eu prefiro a explicação mais simples, que é que realmente documenta o dia em que o asteróide atingiu o México”, disse ele por e-mail.

MSN
Da redacção
12.05.2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

799: Revelado o rasto de destruição deixado pelo asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Um novo estudo revela o rasto de destruição deixado pelo asteróide que dizimou os dinossauros, há 66 milhões de anos.

Pequenas manchas brancas pontilham uma zona de rochas ao longo do Rio Brazos, no Texas, Estados Unidos. À primeira vista não passam disso mesmo — pequenas manchas —, mas a realidade é que escondem pistas sobre o dia mais catastrófico da história do nosso planeta. 

Há 66 milhões de anos, um enorme asteróide atingiu a Terra, causando uma cratera com mais de 180 quilómetros de diâmetro, conhecida como cratera Chicxulub.

O impacto desencadeou incêndios florestais e tsunamis. De seguida, as oscilações do clima deram início à extinção de cerca de 75% de todas as espécies, incluindo os dinossauros não-aviários. Foi o princípio do fim do seu fim.

Uma equipa de investigadores recorreu agora às pequenas pedras encontradas no Texas, conhecidas como lapilli, para revelar novos detalhes sobre o que aconteceu nos minutos após o impacto do asteróide, escreve a National Geographic.

Os resultados do estudo publicado este mês na revista científica Geology mostram que o asteróide atingiu com tanta força a Terra que vaporizou instantaneamente uma espessa camada de rocha, enviando uma pluma gasosa para o ar juntamente com fragmentos rochosos explodidos da superfície.

O impacto, localizado naquilo que é hoje o México, fez “chover” lapilli a milhares de quilómetros de distância, incluindo Belize, Texas e até Nova Jersey.

O lapilli também pode conter pistas sobre quanto dióxido de carbono permaneceu na atmosfera após o impacto, que causou um período estimado de até 100 mil anos de aquecimento global.

A análise de isótopos de carbono e oxigénio no novo estudo apoia a tese de um mecanismo sugerido anteriormente: os gases condensados das rochas vaporizadas podem agir como cola lapilli, mantendo os pequenos aglomerados juntos.

David Burtt, autor principal do artigo, diz ainda que os cientistas conseguiram medir a temperatura da nuvem de gás que se dissipou no ar há milhões de anos após o impacto. Os resultados indicam que as pequenas pedras formaram-se a 155 ºC.

“O que há de novo é que eles realmente fixaram uma temperatura num tipo específico de objecto”, salienta David Kring, que dedicou muita da sua investigação à cratera Chicxulub, mas que não participou no estudo.

Estudos anteriores indicavam a possibilidade de se terem registado temperaturas ainda mais altas e sugeriam que o impacto terá causado incêndios até 2.500 quilómetros de distância.

À volta do local do impacto, as temperaturas teriam sido altas o suficiente para causar a ignição instantânea das plantas. Num estalar de dedos, todas as plantas na zona ficaram reduzidas a cinzas.

A formação de lapilli dentro da nuvem de vapor consumiria parte do dióxido de carbono, influenciando alterações climáticas nos anos após a colisão do asteróide.

A mistura de emissões de enxofre, dióxido de carbono e vapor de água levou a um aquecimento espontâneo da Terra, que desmoronou cadeias alimentares e enviou inúmeras espécies rumo à extinção.

  Daniel Costa, ZAP //
Daniel Costa
25 Março, 2022

 



 

755: Coelhos podem ter levado à extinção dos Neandertais na Península Ibérica

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Mihin89 / Deviant Art
“Caçador de mamutes” por Mihin89

Quando os grandes mamíferos diminuíram em número, os Neandertais tiveram dificuldades em caçar coelhos, possivelmente levando à sua extinção na Península Ibérica.

Há 40 mil anos, na Europa, o Homo sapiens não era a única espécie humana. Havia pelo menos outras três, entre elas os Neandertais. Eventualmente, a espécie foi levada à extinção, havendo várias razões e teorias que podem explicar o seu desaparecimento do continente europeu.

Uma hipótese sugere que a sua incapacidade de se adaptar à caça de pequenos animais — quando os grandes mamíferos diminuíram em número — desempenhou um papel preponderante na sua extinção, escreve o Ancient-Origins.

Esta teoria foi desenvolvida num estudo publicado em 2013 na revista científica Journal of Human Evolution, que se focou no desaparecimentos dos Neandertais da Península Ibérica.

Os cientistas concluíram que o que tramou os Neandertais foi o facto de estes não conseguirem caçar coelhos com sucesso. Os humanos modernos que chegaram à Península Ibérica não tiveram os mesmos problemas, prosperando com a carne mais disponível na região.

Os Neandertais alimentavam-se maioritariamente de mamutes e rinocerontes. O problema surgiu quando as populações destes animais de grande porte começaram a diminuir significativamente em número.

Isto possivelmente aconteceu quando humanos migraram para a Ibéria e juntaram-se aos Neandertais a caçar estes animais. Alterações climáticas também podem ter justificado a diminuição das populações destas espécies.

“A alta dependência da caça e consumo de grandes mamíferos por alguns hominídeos pode ter limitado a sua sobrevivência, uma vez que a sua presa preferida tornou-se escassa ou desapareceu”, escreveram os autores do estudo de 2013. “A adaptação a presas residuais mais pequenas teria sido essencial depois de muitas espécies de grande porte diminuírem em número”.

Depósitos de ossos de animais encontrados em antigos sítios arqueológicos Neandertais na Península Ibérica mostram que, embora a caça ao coelho não fosse inédita, era muito rara, uma vez que não atendia às necessidades calóricas diárias dos Neandertais.

Eventualmente, a espécie de humanos desapareceu da Península Ibérica, entre 30.000 e 40.000 anos atrás.

Como tal, os investigadores sugerem que caso os Neandertais tivessem conseguido fazer uma transição na sua dieta, de forma a incluir o consumo de coelho, talvez tivesse sobrevivido durante mais tempo na Península Ibérica.

Daniel Costa
18 Março, 2022

 



 

654: Os dinossauros morreram na primavera

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Heinrich Harder / Wikimedia

Cientistas suspeitam que os animais do hemisfério norte foram mais atingidos por terem sido submetidos às altas temperaturas logo após o inverno.

Uma equipa de cientistas encontrou evidências de que o impacto dizimou três quartos das espécies da Terra e criou a cratera de Chicxulub no México dos tempos modernos, aconteceu na Primavera no hemisfério norte.

66 milhões de anos, um asteróide atingiu a terra, num episódio que ameaçou a sobrevivência dos dinossauros, mas a altura em que tal aconteceu – na primavera – pode também ter influenciado drasticamente a velocidade a que se assistia à extinção de outras espécies.

A altura da explosão parece indicar que muitos animais que viviam a norte do equador ficaram particularmente vulneráveis à intensa onda de calor desencadeada pela colisão, tendo acabado de sair dos meses duros do inverno.

Outros animais no sul podem ter sido beneficiados, já que enfrentaram a ameaça no outono, podendo estar prestes a entrar no seu período de hibernação.

O impacto directo do asteróide terá desencadeada uma onda de calor global extrema que se revelou letal para muitos animais expostos.

No rescaldo, pensa-se que as temperaturas desceram para um nível de inverno nuclear que levou muitas mais espécies à extinção.

“Para poder combater esse Inverno nuclear, primeiro foi preciso sobreviver ao impacto real”, disse Melanie During, paleontóloga da Universidade de Uppsala, na Suécia. “Qualquer coisa no hemisfério sul que já se abrigasse tinha muito mais hipóteses de sobreviver”.

Quando o asteróide atingiu a Terra, lançou-se uma rocha fundida para o Espaço, que cristalizou e “choveu” de volta à Terra como “esférulas de impacto” no mesmo dia.

Os cientistas encontraram algumas destas esférulas alojadas nas guelras de peixe-papéis fossilizadas e esturjão escavadas num sítio fóssil chamado Tanis na Dakota do Norte.

A descoberta de mais esférulas à volta dos fósseis sugere que as partículas vítreas ainda estavam a cair quando os peixes pereceram, ligando a hora da morte ao dia, e potencialmente até à hora, do impacto. Os peixes parecem ter morrido quando foram enterrados vivos por sedimentos resultantes da colisão.

No estudo publicado este mês na revista Nature, os cientistas descrevem como identificaram ciclos sazonais nas taxas de crescimento das espinhas dos peixes, juntamente com alterações nos isótopos de carbono ligadas a variações sazonais na abundância de zooplâncton, um alimento básico para os peixes.

Todos os resultados apontam para que a morte dos peixes – logo, a colisão do asteróide – tenha ocorrido na primavera, e confirmam os dados de um outro estudo, publicado em Dezembro de 2021, que apontava o dia exacto em que o Chicxulub tinha colidido com o nosso planeta.

Já sabemos em que altura do ano o asteróide que matou os dinossauros colidiu com a Terra
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No entanto, não é claro se os pequenos animais do hemisfério norte enfrentaram, de facto, piores condições do que os do sul. Dennis Voeten, um co-autor do último estudo da Universidade de Uppsala, disse haver provas de que as tartarugas do hemisfério norte, por exemplo, foram dizimadas no ataque de asteróides, após o que os seus habitats foram repovoados por tartarugas do sul.

Daniel Field, professor assistente de paleontologia na Universidade de Cambridge, que não esteve envolvido na investigação, disse ser “plausível” que os animais do hemisfério norte tenham sido atingidos mais duramente pela catástrofe.

“Se o asteróide tivesse atingido um ponto biologicamente sensível do ano para muitos organismos do hemisfério norte, poderia ter contribuído para taxas de extinção ainda mais elevadas do que seria de esperar de outra forma”, disse ele.

Mas o investigador acrescentou que nenhum ser muito maior do que um gato doméstico sobreviveu ao impacto do asteróide e que muitas espécies teriam sido condenadas sempre que o asteróide tivesse atingido.

“Os grandes dinossauros não-aviários provavelmente teriam sido extintos independentemente da altura do ano em que o asteróide atingiu a Terra”, disse.

  ZAP //
ZAP
1 Março, 2022



 

486: A extinção do Homem é “inevitável” (e não importa o que fizermos)

Paleontologia é uma ciência que estuda os aspectos da vida na Terra em períodos geológicos passados, utilizando como principais objectos de análises os fósseis de animais e vegetais que habitaram essas épocas. … Através da análise do fóssil, também é possível descobrir a provável causa da morte do organismo. Ao contrário do que alguns labregos acéfalos comentaram neste artigo do ZAP, o paleontólogo limitou-se a prever o que irá acontecer à espécie humana num futuro que ninguém sabe quando acontecerá. Só que os indicadores actuais apontam nessa extinção, sem qualquer dúvida.

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Os nossos dias na Terra podem estar contados com a degradação do habitat, a baixa variação genética e o declínio da fertilidade, diz o paleontologista Henry Gee.

De facto, no final deste século, a população global pode começar o seu declínio inevitável. Henry Gee, paleontólogo e editor da Nature, apresentou a sua teoria na Scientific American, usando mesmo a palavra “extinção”.

As previsões actuais sobre a a população variam. O consenso geral é de que irá atingir o seu máximo em meados do século e depois começar a cair abruptamente.

“Suspeito que a população humana não está definida apenas para a diminuição, mas também para o colapso — e em breve”, alerta Gee.

O paleontólogo refere-se à falta de variação genética, à queda das taxas de natalidade, à poluição, e ao stresse causado por viver em cidades superlotadas, como receita para o desastre.

“A ameaça mais intrínseca para a humanidade é algo chamado dívida de extinção”, explicou Gee. “Chega um momento no progresso de qualquer espécie, mesmo daquelas que parecem estar a prosperar, em que a extinção será inevitável, não importa o que fazemos para a evitar”.

“As espécies mais em risco são aquelas que dominam determinados fragmentos de habitat à custa de outras, que tendem a migrar para outro lugar e que, por isso, se espalham de forma mais dispersa”, afirmou o especialista.

“Os seres humanos ocupam mais ou menos todo o planeta, e com o nosso sequestro de uma grande parte da produtividade desta mancha de habitat planetária, somos dominantes dentro dela“, nota.

Por outras palavras, as nossas acções acabarão por nos apanhar, e a humanidade pode “já ser uma espécie morta a andar“, argumentou Gee.

Para o investigador, a nossa população tem muito mais probabilidades de colapsar, e não apenas de encolher.

Como paleontólogo, Henry Gee acredita ter “uma visão a longo prazo“. As espécies de mamíferos tendem a ir e vir muito rapidamente, “aparecendo, florescendo e desaparecendo em cerca de um milhão de anos”, refere.

O Homo sapiens existe há cerca de 315.000 anos, mas durante a maior parte desse tempo, a espécie era rara. “Tão rara, de facto, que esteve perto da extinção, talvez mais do que uma vez”, acrescenta.

A população actual cresceu “muito rapidamente, de algo muito menor”. “Há mais variação genética em algumas espécies de chimpanzés selvagens do que em toda a população humana. A falta de variação genética nunca é boa para a sobrevivência das espécies”, argumenta o paleontologista”.

Gee explica que, ao longo das últimas décadas, a qualidade do esperma humano tem diminuído bastante, o que pode causar taxas de natalidade mais baixas.

A poluição, causada pela degradação humana do ambiente, é também um dos factores apresentados pelo especialista.

Gee ainda salienta o stresse, que sugere ser “desencadeado por viver na proximidade de outras pessoas durante um longo período”.

Outra das causas que Henry Gee acredita provocarem o abrandamento do crescimento populacional é a economia.

“Os políticos lutam por um crescimento económico implacável, mas isto não é sustentável num mundo em que os recursos são finitos“, refere.

“Hoje em dia as pessoas têm de trabalhar mais e durante mais tempo, para manterem os mesmos padrões de vida que os seus pais, se esses padrões forem sequer possíveis de obter”, sublinha o especialista.

Segundo Gee, há provas de que a produtividade económica estagnou ou até declinou globalmente nos últimos 20 anos. Como resultado, as pessoas adiam ter filhos, talvez por tanto tempo que a própria fertilidade começa a diminuir.

Um factor adicional referido pelo investigador é a a “emancipação económica, reprodutiva e política das mulheres”.

“Com uma melhor contracepção e melhores cuidados de saúde, as mulheres não precisam de ter tantas crianças para assegurar que, pelo menos, algumas sobrevivam aos perigos da primeira infância. Mas ter menos filhos, ou fazê-lo mais tarde, significa que é provável que a população diminua”, justifica Gee.

Os sinais estão à vista, para quem os quiser ver“. A pergunta que devemos realmente fazer é quanto tempo até a espécie humana colapsar?

  ZAP //

ZAP
1 Fevereiro, 2022


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438: A sexta extinção em massa está em curso. Há quem negue, e quem a queira

SOCIEDADE

A história da vida na Terra foi marcada por 5 vezes por processos de extinção em massa da biodiversidade causados por fenómenos naturais extremos. Nas próximas décadas, pelo menos 1 milhão de espécies correm o risco de desaparecer para sempre.

A última extinção em massa, que marcou o fim da era dos dinossauros, aconteceu há cerca de 65 milhões de anos. Os cientistas advertem que estamos agora na fase inicial de uma razia semelhante — e não vai ser necessário um asteroide para dizimar o planeta.

Recentemente, um estudo tinha já alertado que a sexta extinção em massa está cada vez mais próxima — e que mais de 500 vertebrados estão em risco.

De acordo com uma estimativa de um relatório da ONU, publicado em 2019,  nas próximas décadas, espera-se que pelo menos um milhão de espécies venha a desaparecer para sempre.

Segundo a Deutsche Welle, nas anteriores extinções em massa, pelos menos três quartos de todas as espécies desaparecem em cerca de três milhões de anos. Ao ritmo actual de evolução da biodiversidade no planeta, os cientistas preveem que a próxima extinção aconteça já nos próximos séculos.

Agora, um novo estudo realizado por cientistas da Universidade do Hawai e publicado este mês na revista Biological Reviews realça que, que ao contrário dos fenómenos naturais extremos, a iminente sexta extinção é causada por mão humana.

Robert Cowie, autor principal do estudo, afirma que as taxas drasticamente aumentadas de extinção de espécies e diminuição da abundância de muitos animais e plantas estão bem documentadas, mas alguns cientistas negam que estes fenómenos representem uma extinção em massa.

Segundo Cowie, a negação é baseada num entendimento tendencioso sobre a crise, que se concentra em mamíferos e aves, ignorando os invertebrados — que constituem a grande maioria da biodiversidade da Terra.

Usando dados relativos a caracóis e lesmas terrestres, os autores do estudo estimaram que, desde o ano de 1500, a Terra pode já ter perdido entre 7,5 e 13% dos dois milhões de espécies conhecidas — algo como 150,000 a 260,000 espécies.

“A inclusão de invertebrados foi fundamental para confirmar que estamos realmente a assistir ao início da sexta extinção em massa na história da Terra”, afirma Cowie.

Esta extinção pode ter várias repercussões na Terra. A ameaça à segurança alimentar é uma delas.

“A primeira coisa que veremos é que as nossas reservas de comida começarão a diminuir bastante, porque grande parte dos nossos alimentos depende da polinização”, explica Corey Bradshaw, professor de Ecologia Global da Universidade de Flinders, na Austrália.

Os solos também estão em risco de ficar menos férteis, sendo de esperar que a qualidade dos mesmos se deteriore à medida que certos microrganismos morrerem.

A humanidade também poderá perder grande quantidade de água potável e para uso agrícola, se as áreas de origem da água doce colapsarem devido ao declínio da vegetação ou pelo florescimento de algas.


Mundo vive a sexta extinção em massa (e a culpa é dos humanos)

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Há quem negue, quem aceite, e quem a queira

De acordo com o  cientista ambiental sueco Carl Folke, “o que temos feito como humanos é simplificar todo o planeta, especialmente os ecossistemas de produção, ao ponto de se tornarem bastante vulneráveis“, perdendo a resiliência e dando asas a mais pandemias.

“Se vivemos em condições muito estáveis e tudo é previsível, não precisamos da protecção que a biodiversidade”, explica Folke. “Mas em tempos mais turbulentos, com situações mais imprevisíveis, termos um portfólio de biodiversidade mais rico é extremamente importante”.

Mas há razões para estarmos optimistas — se a humanidade colaborar, sustenta Thomas Brooks, cientista da Unidade de Ciência e Conhecimento da União Internacional para a Conservação da Natureza.

“Há dificuldades aparentemente intransponíveis para preservar a vida na Terra. Mas, por outro lado, há também muitas histórias de sucesso inspiradoras e exemplos em que as pessoas conseguiram inverter a maré”.

Segundo o novo estudo, além das pessoas que negam que a sexta extinção já esteja actualmente em curso, há também as que a admitem, mas simplesmente a aceitam como um processo evolutivo e natural, sustentando que os humanos são apenas mais uma espécie a desempenhar o seu papel natural na história da Terra.

Em 2017, por exemplo, o activista norte-americano Les U. Knight defendeu que a extinção da espécie humana seria “mutuamente benéfica” para a Humanidade e para a Natureza.

Tanto o planeta como os humanos beneficiariam imenso se nós cessássemos de procriar ou pelo menos reduzíssemos muito a reprodução”, disse Knight, reforçando que a ideia seria “uma redução pacífica”.

Robert Cowie salienta que negar a crise, aceitá-la sem reagir, ou mesmo incentivá-la, é uma demissão da responsabilidade comum da humanidade e abre caminho para que a “Terra continue a triste trajectória em direcção à sexta extinção em massa“.

E nunca é demais realçar que, nessa sexta extinção, uma das espécies que estará em risco de desaparecer é… o Homo sapiens.


A sexta extinção em massa já começou (e os humanos estão em risco)

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  Inês Costa Macedo, ZAP //
Inês Costa Macedo
23 Janeiro, 2022