703: Os humanos daqui a 10 mil anos. Apenas mais altos ou uma nova espécie?

CIÊNCIA/CIVILIZAÇÕES

Se os seres humanos não morrerem num Apocalipse climática ou com o impacto de um asteroide nos próximos 10 mil anos, é possível que evoluamos  para uma espécie mais avançada do que a que somos actualmente?

É difícil prever o futuro, e o mundo provavelmente vai mudar de formas inimagináveis, segundo o The Conversation. Mas podemos fazer previsões informadas.

É provável que vivamos mais tempo e que nos tornemos mais altos e mais magros. Provavelmente seremos menos agressivos e mais agradáveis, mas teremos cérebros mais pequenos.

A melhor forma de prever o futuro é olhar para o passado, supondo que essas tendências continuarão a avançar, o que sugere algumas ideias surpreendentes sobre o nosso futuro.

O fim da selecção natural

Alguns cientistas têm defendido que a ascensão da civilização pôs fim à selecção natural. É verdade que as características selectivas que dominaram no passado — predadores, fome, peste, guerra — desapareceram na sua maioria.

A fome terminou, em grande parte, com a agricultura de alto rendimento, fertilizantes, e planeamento familiar e os predadores estão em perigo de extinção ou extintos.

As pragas que mataram milhões foram “domesticadas” com vacinas, antibióticos, ou água limpa. Mas a evolução não parou, tem apenas outros impulsos.

Ainda precisamos de encontrar parceiros e criar filhos, pelo que a selecção sexual desempenha agora um papel maior na nossa evolução.

Estamos também a enfrentar novas pressões selectivas, tais como a redução da mortalidade. Estamos a tornar-nos uma espécie de macaco domesticado — um macaco domesticado por nós próprios.

Viveremos mais tempo

A evolução dos seres humanos caminha em direcção a uma esperança média de vida cada vez maior. Os ciclos de vida evoluem em resposta às taxas de mortalidade.

Quando as taxas de mortalidade são elevadas, os animais reproduzem-se mais cedo, ou podem não se reproduzir de todo. Mas, quando as taxas de mortalidade são baixas, acontece o oposto. Assim, os animais com poucos predadores evoluem e vivem mais tempo.

Nos últimos dois séculos, uma melhor nutrição, medicina e higiene reduziram a mortalidade jovem a menos de um por cento na maioria das nações desenvolvidas.

A esperança de vida subiu para 70 anos em todo o mundo, e 80 nos países mais desenvolvidos — devido à melhoria da saúde, não à evolução. Mas esta tendência mas preparou o terreno para a evolução, no sentido de prolongar a nossa esperança de vida.

Os nossos genes podem evoluir até atingir o limiar da esperança média de vida aos 100 anos, ou até mais.

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Há 300 mil anos, havia 9 espécies humanas; agora somos só nós. Poderá surgir uma nova espécie humana?

Mais altos, menos músculos

Os animais evoluem, normalmente, em tamanho, crescendo cada vez mais ao longo do tempo. É uma tendência observada nos tiranossauros, baleias, cavalos e primatas, entre os quais os hominídeos.

Os primeiros hominídeos eram pequenos, tinham cerca de 120 centímetros a 150 centímetros de altura. Já o Homo Erectus, o Neandertais e o Homo Sapiens aumentaram em tamanho.

Continuámos a aumentar em altura, em parte impulsionados por uma melhor nutrição, mas os genes também parecem estar a evoluir.

O porquê de termos crescido não é claro. Em parte, o crescimento leva tempo, pelo que vidas mais longas significam mais tempo para crescer.

Mas as fêmeas humanas também preferem machos altos. Assim, tanto a mortalidade mais baixa como as preferências sexuais provavelmente farão com que os humanos fiquem mais altos.

Os seres humanos também reduziram os músculos, em comparação com outros macacos. À medida que a força física se torna menos necessária, os nossos músculos vão continuar a encolher.

Os nossos maxilares e dentes também ficarão mais pequenos, e provavelmente perderemos os nossos dentes do siso, no futuro.

Os humanos do futuro vão ter guelras, pés com membranas e olhos de gato

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Mais atraentes, menos interessantes

Depois de os humanos terem deixado África, há 100 mil anos, as suas tribos ficaram isoladas em desertos, oceanos, montanhas, glaciares, e pura distância.

Em várias partes do mundo, diferentes características selectivas fizeram com que a nossa aparência evoluísse de formas diferentes.

As tribos evoluíram em termos de cor de pele, olhos, cabelo, e outro tipo de características faciais. Com a ascensão da civilização e as novas tecnologias, estas populações voltaram a estar ligadas.

Assim, criou-se um mundo de híbridos: pele castanha clara, cabelo escuro, Afro-Euro-Australo-Americo-Asiáticos, com a cor da pele e características faciais a tender para uma média global. Os humanos podem tornar-se mais atraentes, mas com uma aparência mais uniforme.

Cérebro mais pequeno

Por último, os nossos cérebros e mentes, a nossa característica mais humana, irá evoluir, talvez dramaticamente.

Durante os últimos seis milhões de anos, o tamanho do cérebro do hominídeo triplicou, aproximadamente, sugerindo a selecção de cérebros grandes, impulsionados pelo uso de ferramentas, sociedades complexas, e linguagem.

Esta tendência pode parecer inevitável, mas provavelmente não o é. Em vez disso, os nossos cérebros estão a ficar mais pequenos.

Os humanos modernos têm cérebros mais pequenos do que os antecessores, ou mesmo do que pessoas medievais, e não é claro porquê.

Mas o tamanho do cérebro não é tudo: elefantes e orcas têm cérebros maiores do que nós, e o cérebro de Einstein era mais pequeno do que a média.

Menos brilhantes

As nossas personalidades também evoluíram e devem continuar a fazê-lo. A vida dos caçadores-colectores, por exemplo, exigia agressão.

A agressão, agora um traço mal adaptado, poderia ser reproduzida. A mudança de padrões sociais também irá mudar as personalidades.

Nem todos estão psicologicamente bem adaptados a esta existência. A sociedade moderna satisfaz bem as nossas necessidades materiais, mas é menos capaz de satisfazer as necessidades psicológicas dos nossos cérebros primitivos de homens das cavernas.

As mentes perturbadas serão removidas do património genético, talvez à custa de eliminar o “tipo de faísca” que criou líderes visionários, grandes escritores, artistas, e músicos, entre outros.

Uma nova espécie?

Há 300 mil anos, havia 9 espécies humanas; agora somos só nós. Mas é possível que surjam novas espécies humanas?

A distância já não nos isola, mas o isolamento reprodutivo podia ser alcançado através do acasalamento selectivo e da segregação cultural. Assim, populações distintas, mesmo espécies diferentes, poderiam evoluir.

Em The Time Machine, o romancista de ficção científica HG Wells viu um futuro onde a classe humana criou espécies distintas.

As classes superiores evoluíram para o belo mas inútil Eloi, e as classes trabalhadoras tornaram-se os Morlocks feios, subterrâneos, que se revoltaram e escravizaram os Eloi.

Estranhas e novas possibilidades

Em alguns aspectos, o futuro pode ser radicalmente diferente do passado. A própria evolução tem evoluído.

Uma das possibilidades mais extremas é a evolução dirigida, onde controlamos activamente a evolução da nossa espécie. Já nos podemos examinar a nós próprios e aos embriões para detectar doenças genéticas, por exemplo. Poderíamos escolher embriões para genes mais desejáveis, tal como fazemos com a agricultura.

A edição directa do ADN de um embrião humano foi provada como sendo possível. Podemos estar a caminhar para um futuro em que apenas mau progenitor não daria aos seus filhos os melhores genes possíveis.

Isto pode parecer ficção científica um pouco sombria, mas já está a acontecer. E as partes mais interessantes da evolução não são as origens da vida, os dinossauros, ou  ou os Neandertais, mas o que está a acontecer neste momento — o nosso presente, e o nosso futuro.

Alice Carqueja
9 Março, 2022



 

366: Os robôs de Elon Musk vão ter personalidades semelhantes às humanas

– Afinal, certo tipo de filmes de ficção científica que abordam o tema robots/humanos, não estão assim tão desfasados de uma realidade próxima. Será que as máquinas irão escravizar os humanos daqui a milhares de anos?

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/IA

No momento em que forem activados, os robôs humanoides de Elon Musk vão desenvolver personalidades únicas semelhantes às humanas.

Segundo Elon Musk, o seu Tesla Bot não será um exterminador implacável, mas antes um R2-D2 ou um C-3PO, os simpáticos andróides de Star Wars. Serão máquinas ao serviço dos humanos, com as quais se pode manter uma relação como se fossem apenas mais um colega, diz o fundador da Tesla.

Se Musk estiver certo, diz o El confidencial, cada um destes robots, nascidos para ajudar a humanidade, terá a sua própria personalidade única. Governados por uma inteligência artificial em constante evolução, as suas experiências transformarão as suas personalidades ao longo das suas vidas.

Numa entrevista recente com Lex Fridman, investigador de inteligência artificial e interacção robô-humana no Massachusetts Institute of Technology, Elon Musk afirma que o Tesla Bot irá modificar dramaticamente as regras do jogo e influir no futuro da humanidade.

Musk acredita que os Tesla Bots podem não só resolver o problema da falta de mão-de-obra em empregos que os humanos não querem — realizando tarefas repetitivas, aborrecidas, perigosas ou desagradáveis — mas também, sustenta o visionário empresário, eles poderão tornar-se parte da sua tribo.

Elon Musk considera que as possibilidades são infinitas, e que, embora não seja a principal missão de Tesla, acelerar a transição do mundo para a energia sustentável, “é extremamente útil para o mundo fazer um robô humanoide capaz de interagir com o mundo e ajudar de muitas formas diferentes”.

Musk realça que o Tesla Bot “um excelente companheiro”, ajudando pessoas com problemas de solidão. E não serão todos iguais, porque a sua personalidade pode evoluir para se ajustar ao seu proprietário — “ou seja lá como lhe quiser chamar”.

De acordo com a El confidencial, “O que quer que lhe queira chamar” será um dos principais e futuros problemas para a inteligência artificial e para os andróides: qual será a relação entre andróides, quando estes tiverem de facto uma personalidade e autoconsciência?

O fundador da Tesla e da SpaceX diz que o primeiro prototipo “em condições” do Tesla Bot pode chegar ainda este ano. Este robô e provavelmente as duas ou três próximas versões não irão apresentar quaisquer problemas. O conflito virá quando o andróide tiver inteligência artificial geral, quando passar de “coisa” a “ser”.

No início, o humano (segundo Musk, “o proprietário”) terá o poder. Serão andróides para trabalhar em casa, em fábricas ou como robôs sexuais. A inteligência artificial começará por ser uma simulação do ser humano, mas as pessoas vão considerar estes robôs inferiores e desumanos.

No entanto, a tecnologia não vai parar nesse ponto. A inteligência artificial vai tornar-se apenas mais uma forma de vida na Terra, auto consciente, vivendo como um ser independente nos planos físico e virtual da existência.

Então o ser humano terá de deixar de ser proprietário e o robô terá de deixar de ser um escravo. Muito estarão relutantes em relação a este ponto — prescindir dos seus escravos — como já aconteceu no século XIX, mas será um passo inevitável e o inicio do fim da humanidade tal como a conhecemos.

E nessa altura, como Isaac Asimov, “pai” das três leis da robótica, escreveu na sua história “O Homem do Bicentenário”, a humanidade terá de enfrentar uma nova realidade na qual a máquina deixará de ser máquina e tornar-se-á uma forma de vida tão válida como a do ser humano.

Segundo a El confidencial, muitos peritos acreditam que serão Homo superiores, com capacidades muitos superiores às proporcionadas pela nossa frágil e limitada biologia.

E muitos cientistas acreditam também que esse é o último estado da evolução de qualquer sociedade avançada.

  Inês Costa Macedo, ZAP //
Inês Costa Macedo
8 Janeiro, 2022