886: É hoje! Primeira missão tripulada privada para a Estação Espacial

CIÊNCIA/EEI

A primeira missão tripulada totalmente privada para a estação espacial vai ser hoje lançada. De acordo com as informações, a bordo irão seguir quatro tripulantes, sendo que um deles é ex-astronauta.

A missão é lançada pela empresa norte-americana SpaceX em nome de uma outra empresa aeroespacial designada de Axiom Space.

Nave Crew Dragon Endeavour levará os 4 tripulantes à Estação Espacial

O lançamento desta missão está previsto para as 16:17 em Lisboa, do Centro Espacial Kennedy, na Florida, base operada pela agência espacial norte-americana NASA. Caso este lançamento seja abortado, haverá uma nova oportunidade no sábado, às 15:54. Esta missão estava prevista para Janeiro desde ano.

A bordo da nave Crew Dragon Endeavour, que irá acoplada a um foguetão Falcon 9, ambos da SpaceX, seguem Michael López-Alegría (comandante da missão e ex-astronauta da NASA), Eytan Stibbe (ex-piloto da aviação israelita), Larry Connor (investidor e piloto particular norte-americano) e Mark Pathy (empresário canadiano).

De acordo com o que se sabe, os quatro homens vão juntar-se à actual tripulação da EEI – composta por quatro astronautas e três cosmonautas – para uma estada de nove dias em que vão realizar experiências científicas e projectos educativos e comerciais.

A acoplagem da Crew Dragon Endeavour à Estação Espacial está prevista para as 11:45 de sábado. Se a missão Axiom Space-1 for bem-sucedida, Larry Connor, 72 anos, será a terceira pessoa mais velha no espaço.

A Axiom Space é uma empresa aeroespacial norte-americana que foi fundada em 2016 com o propósito de criar a primeira estação espacial comercial.

Antes da missão Axiom Space-1, a SpaceX já tinha levado astronautas da NASA e da congénere europeia ESA para a Estação Espacial Internacional, substituindo o transporte russo de longa data concedido pelas naves Soyuz da agência espacial russa Roscosmos. De referir que a Roscosmos anunciou que vai apresentar “propostas concretas” de datas para terminar a cooperação na EEI, depois de as congéneres ocidentais terem recusado levantar sanções a empresas russas na sequência da invasão em Fevereiro da Ucrânia pela Rússia.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
08 Abr 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia



 

688: A Força Espacial dos EUA planeia começar a patrulhar a área à volta da Lua

TECNOLOGIA/EUA/SPACE FORCE

James Richardson Jr / US Space Force

A Força Espacial dos Estados Unidos anunciou esta semana que planeia começar a fazer rondas de patrulha na área à volta da Lua.

Esta semana, o Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA divulgou um vídeo no YouTube que não mereceu muita atenção, segundo a Ars Technica.

Mas fez um anúncio que é bastante significativo — os planos militares dos EUA de alargar as suas capacidades espaciais para além da órbita geo-estacionária, até à Lua.

“Até agora, a missão espacial dos Estados Unidos estendeu-se a 22.000 milhas acima da Terra”, diz o narrador do vídeo.

“Isso foi nessa altura, isto é agora”. O Laboratório de Investigação da Força Aérea está a aumentar esse alcance em 10 vezes e a área de operações dos Estados Unidos em 1.000 vezes, alcançando até o lado mais distante da Lua.

Os militares norte-americanos já tinham falado em alargar o seu domínio operacional, mas agora estão a tomar medidas.

Planeiam lançar um satélite, provavelmente equipado com um poderoso telescópio, para o espaço cislunar. De acordo com o vídeo, o satélite será chamado Sistema de Patrulha Rodoviário Cislunar (CHPS).

O laboratório de investigação planeia emitir um “pedido de propostas de protótipos” para o satélite CHPS a 21 de Março e anunciar a adjudicação do contrato em Julho. O programa CHPS será gerido por Michael Lopez, da Direcção de Veículos Espaciais do laboratório.

Este esforço incluirá a participação de várias organizações militares, mas o laboratório da Força Aérea irá supervisionar o desenvolvimento do satélite.

A Força Espacial dos EUA irá então adquirir esta capacidade de utilização pelo Comando Espacial dos EUA, que é responsável pelas operações militares no espaço.

Efectivamente, este satélite é o início de uma extensão das operações do Comando Espacial dos EUA, do espaço geo-estacionário para além da Lua.

“É o primeiro passo para eles poderem saber o que se passa no espaço cislunar e depois identificar quaisquer potenciais ameaças às actividades dos EUA“, disse Brian Weeden, director de planeamento de programas da Secure World Foundation.

Weeden afirmou que não pensa que o satélite CHPS incluirá capacidades para responder a quaisquer ameaças, mas servirá principalmente para fornecer uma consciência situacional.

Então, porque está o Comando Espacial dos EUA interessado em expandir o seu teatro de operações para incluir a Lua?

A principal razão citada no vídeo é a gestão do crescente tráfego espacial no ambiente lunar, incluindo várias missões comerciais patrocinadas pela NASA, o programa Artemis da agência espacial, e de outras nações.

Um relatório recente do Center for Strategic & International Studies, Fly Me to the Moon, examina as dezenas de missões planeadas para a Lua durante a próxima década.

Com o satélite CHPS, e possíveis missões de seguimento, os militares americanos procuram assegurar o “desenvolvimento pacífico” do espaço cislunar e proporcionar um ambiente “seguro e protegido” para a exploração e desenvolvimento comercial.

Weeden acredita que há também outro elemento estratégico para este novo programa. Os líderes militares, segundo o dirigente, estão preocupados com objectos espaciais que são colocados no espaço cislunar por outros governos e são depois perdidos pelas redes espaciais existentes de consciência situacional, centradas na baixa órbita terrestre e na órbita geo-estacionária.

Tais objectos, segundo Weeden, podem oscilar à volta da Lua e potencialmente voltar para atacar um satélite militar dos EUA no espaço geo-estacionário.

“Penso que isso é rebuscado, mas é viável de uma perspectiva física e exploraria definitivamente uma lacuna na sua actual consciência do domínio espacial”, explicou. ”

Penso que estão muito mais preocupados com isso do que quaisquer ameaças reais no espaço cislunar, porque os EUA não têm neste momento qualquer recurso militar no espaço cislunar”.

  Alice Carqueja, ZAP //
Alice Carqueja
6 Março, 2022