728: Só observamos o passado. Tudo o que vemos tem um atraso de 15 segundos

CIÊNCIA

Por mais estranho que pareça, o presente é impossível de observar: quando olhamos para algo ou alguém, não o vemos como está no momento presente, mas com um desfasamento temporal de 15 segundos.

Um novo estudo da Universidade de Berkeley, na Califórnia, revela que o nosso cérebro demora 15 segundos até nos mostrar o mundo real.

Por ser demasiado lento a processar em tempo real a enorme quantidade de estímulos visuais que recebe continuamente, o órgão não nos mostra a última imagem em tempo real, mas sim uma versão anterior da mesma.

Muito resumidamente, em vez de nos apresentar aquilo que está realmente a acontecer, o nosso cérebro recupera uma série de imagens passadas para nos apresentar o que estamos a ver no presente.

Este mecanismo é conhecido como “campo de continuidade”, uma função perceptiva em que o nosso cérebro funde o que vê de forma consistente para nos dar uma sensação de estabilidade visual, explica o ABC.

“Se os nossos cérebros estivessem sempre a actualizar em tempo real, o mundo seria um lugar irritante, com constantes flutuações de sombras, luz e movimento, e sentir-nos-íamos como se estivéssemos a alucinar o tempo todo”, detalhou David Whitney, co-autor do artigo científico publicado na Science Advances.

A experiência que permitiu à equipa chegar a esta conclusão contou com a participação de, aproximadamente, 100 pessoas.

Durante o processo experimental, foi pedido aos voluntários que vissem um vídeo de 30 segundos onde lhes eram mostrados rostos que iam sofrendo alterações, sendo que nenhuma das caras tinha cabelos ou barbas.

Foi então pedido a cada participante que identificasse o último rosto que tinha visto no final de cada clipe — e a grande maioria acabou por identificar a cara que tinha surgido no meio do filme, e não a última.

Os nossos cérebros estão a procrastinar. Dá muito trabalho actualizar imagens constantemente, então os processos de reconhecimento socorrem-se de imagens do passado, porque é um bom preditivo do presente. Reciclamos informações antigas porque é mais rápido, mais eficiente e menos trabalhoso para o cérebro”, rematou.

  ZAP //
ZAP
14 Março, 2022