405: Um novo tipo de nebulosa pode ser sido descoberto – por uma equipa de amadores

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

NASA / STSCI / J. Depasquale; Observatório Las Cumbres
Conceito artístico da super-nova de captura de electrões 2018zd (esfera azul à direita) junto à sua galáxia hospedeira, NGC 2146

Astrónomos acreditam que a estrela binária pode estar relacionada com a super-nova avistada por cientistas chineses e coreanos em 1086. 

Para a maioria dos apaixonados pelo Espaço e por astronomia, as nebulosas não constituem um segredo, com a sua estrutura gasosa iluminada através da radiação de estrelas próximas – formando, muitas vezes, algumas mais fascinantes formas natureza. Agora, com a ajuda de astrónomos amadores (que deram os primeiros passos), uma equipa internacional de cientistas descobriu um novo tipo de nebulosas em torno de estrelas binárias – a que chamaram nebulosas de emissão galáctica.

A estrela binária YY Hya – no centro da descoberta – é uma estrela periódica variável, que tem na sua composição uma estrela anã K e uma anã quente (WD) parceira. Estas estão “aninhadas” num envelope partilhado de gás emitido pela estrela que acabou por se tornar numa anã branca. Antes disso, passou por uma fase de gigante vermelha, na qual dispersou as suas camadas exteriores de gás.

Dentro deste envelope comum, as estrelas estão aninhadas num envelope partilhado, ambas as estrelas continuam a evoluir como se estivessem sozinhas, com a radiação estelar a iluminar o gás disperso.

Stefan Kimeswenger, do departamento de Astrofísica e Física de Partículas da Universidade de Innsbruck, na Áustria, é o principal autor do artigo científico onde a descoberta é descrita. “No final das suas vidas, as estrelas normais insuflam-se em estrelas gigantes vermelhas. Uma vez que uma fracção muito grande das estrelas está em pares binários, isto afecta a evolução no final das suas vidas. Em sistemas binários próximos, a parte exterior insuflável de uma estrela funde-se como um envelope comum em torno de ambas as estrelas. No entanto, dentro deste envelope de gás, os núcleos das duas estrelas são praticamente imperturbáveis e seguem a sua evolução como estrelas individuais independentes”, descreveu num comunicado.

Apesar de este estudo configurar uma novidade, pesquisas anteriores já tinham traçado caminho para a actual. Tal como lembra o Science Alert, os astrónomos encontraram estrelas binárias nesta mesma disposição sem um envelope totalmente desenvolvido – e o tamanho do envelope podia ser a causa.

O envelope usado no âmbito desta pesquisa é vasto, com mais de 15 anos-luz de largura. A partir deste tamanho, os astrónomos esperam que o envelope seja distorcido e perturbado por outras estrelas. No entanto, a YY Hya está acima do plano galáctico e não é perturbado por outras estrelas. A YY Hya, ainda assim, está cima do plano galáctico e não é perturbada por outras nuvens de gás.

“O diâmetro da nuvem principal é 15,6 anos-luz , quase 1 milhão de vezes maior do que a distância da terra ao sol e muito maior do que a distância do nosso sol à sua estrela vizinha mais próxima. Além disso, foram também encontrados fragmentos de até 39 anos-luz de distância. Visto que o objecto se encontra ligeiramente acima da Via Láctea, a nebulosa foi capaz de se desenvolver em grande parte sem ser perturbada por outras nuvens no gás circundante“, explicou Kimeswenger.

O tamanho destes envelopes comuns também poderiam hipotecar a sua descoberta, uma vez que é maior do que o campo de visão dos telescópios modernos. “São demasiado grandes para o campo de visão dos telescópios modernos e, ao mesmo tempo, são muito ténues”. Além disso, a sua vida útil é bastante curta, pelo menos quando considerada em escalas de tempo cósmicas. São apenas algumas centenas de milhares de anos”, prosseguiu o especialista.

A descoberta começou com uma recolha de imagens de astrónomos amadores franceses e alemães que, posteriormente, levaram os dados até aos especialistas da Universidade de Innsbruck, que os combinaram com as descobertas resultantes das observações feitas ao longo dos últimos vinte anos através de vários telescópios.

Pouco depois descartaram a possibilidade de estarem perante uma nebulosa planetária, uma das suas primeiras hipóteses quando viram os dados que lhes foram entregues. Recorreram ainda a imagens provenientes de outras fontes, através das quais construíram um modelo que revelou um par de estrelas binárias.

Procederam à verificação da temperatura da anã branca, cerca de 66.000 graus celsius – que é quente para uma anã branca – e a anã K é de cerca de 4.400 graus celsius. As estrelas orbitam a cerca de 8 horas e estão a apenas 2,2 raios solares de distância. Como tal, a anã branca aquece o lado da anã K virado para si. O aquecimento leva a “fenómenos extremos no espectro da estrela e a variações muito regulares de brilho”, de acordo com comunicado à imprensa.

O par continua a sua evolução dentro da casca do gás ejectado pela anã branca – a concha, por si só – corresponde a uma massa solar. Isso torna-a mais maciça do que a anã branca e a anã K de sequência principal.

A equipa de astrónomos especula, apesar de tal não estar provado, que esta estrela binária esteja relacionada com a nova, ou “estrela convidada”, que os antigos astrónomos chineses e coreanos viram em 1086. “É mesmo possível que este sistema esteja relacionado com uma observação nova feita por astrónomos coreanos e chineses em 1086. Em qualquer caso, as posições das observações históricas correspondem muito bem com as do nosso objecto aqui descrito“, concluiu Kimeswenger.

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17 Janeiro, 2022