1179: NASA deu a conhecer os seus novos fatos espaciais de próxima geração

TECNOLOGIA/ESPAÇO/NASA

O ambiente inóspito do espaço exige que aqueles que o visitam estejam altamente equipados, garantindo a sua sobrevivência. Então, a NASA revelou, recentemente, os novos fatos espaciais que serão utilizados pelos seus astronautas.

O equipamento está equipado com tecnologia de próxima geração e foi desenvolvido tendo em mente as futuras missões Artemis e outras à Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS).

Os astronautas da NASA vão receber novos fatos espaciais. Com o selo da Axiom Space, uma empresa privada de desenvolvimento de infra-estruturas espaciais, e da Collins Aerospace, um fornecedor de produtos aeroespaciais, os novos fatos de próxima geração garantirão que os tripulantes estão seguros, mas também confortáveis.

Aliás, num comunicado de imprensa divulgado em maio, a NASA exigiu que o vestuário permitisse que os humanos “explorassem a superfície lunar e desbloqueassem novas capacidades de passeios espaciais fora da ISS”. Para a agência espacial americana, esta é “uma parte crítica do avanço da exploração humana no espaço e a demonstração da liderança americana contínua”.

Protótipo de fato espacial apresentado pela NASA, em 2019. Entretanto, devido a questões financeiras, problemas técnicos e outros entraves associados à COVID-19, o seu desenvolvimento foi sendo adiado, até à proposta da NASA, em Abril de 2021, para que empresas privadas desenvolvessem os seus novos fatos espaciais.

A Collins Aerospace revelou que os novos fatos espaciais, que estarão prontos para testes dentro de poucos anos, adoptam uma dinâmica mais moderna e mais desportiva. De acordo com a NASA, estão preparados para acomodar qualquer tipo de corpo.

Quando chegarmos à Lua, teremos a nossa primeira pessoa de cor e a nossa primeira mulher que usará e utilizará estes fatos no espaço.

Disse Vanessa Wyche, directora do Johnson Space Center da NASA, em Houston.

NASA pretende fatos de qualidade para os seus astronautas

A agência espacial americana tem vindo a trabalhar na tecnologia dos fatos espaciais nos últimos 15 anos, tendo investido mais de 420 milhões de dólares no projecto, desde 2021. Esta renovação surge pela necessidade de a NASA renovar os fatos espaciais que “excederam em mais de 25 anos a sua vida útil de concepção”. O investimento milionário justifica-se por ser precisa “manutenção dispendiosa para garantir a segurança dos astronautas”.

A tecnologia dos fatos espaciais, no entanto, aos 40 anos está agora a envelhecer, e por isso gostaríamos de experimentar novas tecnologias.

Disse Dina Centella, gerente de integração de operações da estação espacial da NASA.

Em breve – e servirão também para isso estes novos fatos -, a NASA pretende riscar mais dois objectivos: aterrar a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na superfície da Lua.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
07 Jun 2022


 

1157: Astrónomos identificam 116.000 novas estrelas variáveis

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Um telescópio do ASAS-SN que ajuda os astrónomos a descobrir novas estrelas.
Crédito: ASAS-SN

De acordo com um novo artigo científico, astrónomos da Universidade Estatal do Ohio identificaram cerca de 116.000 novas estrelas variáveis.

Estes corpos celestes foram encontrados pelo levantamento ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae), uma rede de 20 telescópios espalhados por todo o mundo que pode observar todo o céu cerca de 50.000 vezes mais profundamente do que o olho humano. Os investigadores da universidade acima mencionada operam o projecto há quase uma década.

Agora, num artigo publicado no site de pré-impressão arXiv, os investigadores descrevem como utilizaram técnicas de aprendizagem de máquina para identificar e classificar estrelas variáveis – objectos celestes cujo brilho aumenta e diminui com o tempo, especialmente se observados a partir da nossa perspectiva da Terra.

As alterações que estas estrelas sofrem podem revelar informações importantes sobre a sua massa, raio, temperatura e mesmo a sua composição. De facto, até o nosso Sol é considerado uma estrela variável. Levantamentos como o ASAS-SN são uma ferramenta especialmente importante para encontrar sistemas que possam revelar as complexidades dos processos estelares, disse Collin Christy, o autor principal do artigo e analista do ASAS-SN na Universidade Estatal do Ohio.

“As estrelas variáveis são como um laboratório estelar,” disse. “São lugares realmente engraçados no Universo onde podemos estudar e aprender mais sobre como funcionam realmente as estrelas e sobre as pequenas complexidades que têm.”

Mas para localizar mais destas entidades elusivas, a equipa teve primeiro que ir buscar dados anteriormente não utilizados do projecto. Durante anos, o ASAS-SN olhou para o céu utilizando filtros de banda V, lentes ópticas que só conseguem identificar estrelas cuja luz cai no espectro de cores visíveis a olho nu. Mas em 2018, o projecto passou a utilizar filtros de banda g – lentes que podem detectar mais variedades de luz azul – e a rede passou de poder observar cerca de 60 milhões de estrelas de cada vez para mais de 100 milhões.

Mas ao contrário da campanha de ciência cidadã do ASAS-SN, que depende de voluntários para filtrar e classificar dados astronómicos, o estudo de Christy exigiu a ajuda da inteligência artificial.

“Se se quiser olhar para milhões de estrelas, é impossível que alguns humanos o façam sozinhos. Vai levar uma eternidade,” disse Tharindu Jayasinghe, co-autor do artigo, estudante de doutoramento em astronomia e bolseiro na mesma universidade. “Por isso tivemos de trazer algo criativo para a mistura, como técnicas de aprendizagem de máquina.”

O novo estudo centrou-se em dados do Gaia, uma missão para traçar um mapa tridimensional da nossa Galáxia, bem como em dados do 2MASS e AllWISE. A equipa de Christy usou um algoritmo de aprendizagem de máquina para gerar uma lista de 1,5 milhões de estrelas variáveis candidatas a partir de um catálogo de 55 milhões de estrelas isoladas.

Posteriormente, os investigadores reduziram ainda mais o número de candidatas. Das 1,5 milhões de estrelas que estudaram, quase 400.000 revelaram-se estrelas variáveis verdadeiras. Mais de metade já eram conhecidas da comunidade astronómica, mas 116.027 delas revelaram-se ser novas descobertas.

Embora o estudo precisasse de aprendizagem de máquina para ser concluído, a equipa de Christy diz que ainda há um papel para os cientistas cidadãos. De facto, os voluntários da campanha de ciência cidadã já começaram a identificar dados de lixo, disse. “Ter pessoas a dizer-nos quão maus os nossos dados são é deveras útil, porque inicialmente, o algoritmo olharia para os dados maus e tentaria fazer sentido dos mesmos,” disse Christy.

Mas a utilização de um conjunto de treino de todos estes dados maus permite à equipa modificar e melhorar o desempenho global do seu algoritmo. “Esta é a primeira vez que estamos realmente a combinar a ciência cidadã com técnicas de aprendizagem de máquina no campo da astronomia das estrelas variáveis,” disse Jayasinghe. “Estamos a expandir os limites do que se pode fazer quando estes dois se juntam.”

Astronomia On-line
3 de Junho de 2022


 

1155: Comunicações no espaço? Já há uma empresa a tratar

TECNOLOGIA/ESPAÇO/COMUNICAÇÕES

Nos últimos anos muito se tem falado sobre o espaço e têm sido várias as descobertas. Quem sabe se daqui a poucos anos não poderemos ir passar, por exemplo, um fim de semana ao espaço e ter muitos dos serviços que usamos actualmente.

Nesse sentido, há já uma empresa que está já a tratar de comunicações espaciais. Saiba quem é e qual o objectivo.

Comunicações: Actualmente existem 12 mil satélites no espaço

A multinacional japonesa de tecnologia e entretenimento Sony anunciou a criação de uma nova empresa, a Sony Space Communications Corporation (SSC), com a qual pretende entrar no sector das comunicações espaciais.

A empresa, fundada através da subsidiária norte-americana, vai construir dispositivos ópticos que permitem a comunicação entre pequenos satélites em órbita, através de feixes laser, acelerando as comunicações em comparação com o sistema de rádio convencional, disse a Sony, em comunicado.

Segundo Kyohei Iwamoto, da SSC…

Existem actualmente cerca de 12 mil satélites no espaço, e espera-se que o número aumente no futuro. A quantidade de dados utilizados em órbita também está a aumentar todos os anos, mas a quantidade de ondas de rádio disponíveis é limitada

Os dispositivos vão funcionar entre satélites no espaço e nas comunicações de satélites com estações terrestres, tendo a Sony indicado esperar que este sistema garanta comunicações em tempo real de qualquer ponto da Terra para qualquer satélite no espaço.

Segundo a Lusa, antes de iniciar as operações, a Sony realizou uma experiência com a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) este ano e concluiu a transferência de ficheiros de dados, a base tecnológica para serviços da Internet através de comunicações ópticas.

Os dispositivos da SSC vão também evitar a necessidade de certos tipos de licenças necessárias para a comunicação via rádio, seguindo o modelo de outras empresas, como a Amazon e a SpaceX, que optaram por construir redes de satélite de baixa altitude para melhorar as comunicações via Internet.

Em Setembro de 2021, a SpaceX lançou o primeiro lote de satélites equipados com um sistema de comunicação laser para a constelação Starlink de satélites de Internet.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
03 Jun 2022


 

1010: Tripulação de astronautas volta à Terra após seis meses na Estação Espacial Internacional

ESPAÇO/EEI/ISS

A aterragem da tripulação, composta por três astronautas americanos e um alemão, está prevista para as 4.43 desta sexta-feira (hora de Lisboa) na costa da Florida (0.43 hora local), nos Estados Unidos.

A missão Crew-3 da NASA está de volta à Terra na madrugada desta sexta-feira, após seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional.

A aterragem da tripulação, composta pelos astronautas americanos Kayla Barron, Raja Chari e Tom Marshburn e o alemão Matthias Maurer, está prevista para as 4.43 desta sexta-feira (hora de Lisboa) na costa da Florida (0.43 hora local), nos Estados Unidos, após quase 24 horas de viagem desde que a cápsula Dragon se separou da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) esta quinta-feira às 5.20 (hora de Lisboa).

A vertiginosa descida vai desacelerar aquando da entrada na atmosfera terrestre e, consequentemente, pela abertura de enormes para-quedas. Posteriormente, a cápsula será resgatada por um navio da empresa de Elon Musk. Uma vez a bordo, a escotilha se abrirá para que os astronautas possam sair.

Baptizada de Crew-3, a tripulação passou os últimos dias a bordo da ISS, realizando as operações de transferência com a Crew-4. Esta última também é composta por quatro astronautas, sendo três americanos e um italiano. A nova tripulação partiu da Florida há uma semana, também a bordo de uma nave da SpaceX.

Três cosmonautas russos permanecem na ISS, onde chegaram através de um foguete Soyuz.

Será a sexta aterragem de uma cápsula Dragon tripulada da SpaceX que transporta astronautas para a ISS, regularmente ao serviço da NASA.

Os membros da Crew-3 fizeram várias experiências científica, tendo estudado, por exemplo, como o cimento endurece na ausência de gravidade, algo que pode ser muito útil para futuras construções, inclusivamente na Lua. Também fizeram a segunda recolha de pimentas a bordo da estação.

Durante a estadia no espaço, receberam a visita de uma missão privada, composta por três empresários. Pela viagem, o trio pagou dezenas de milhões de dólares à SpaceX.

Diário de Notícias
DN
05 Maio 2022 — 16:45


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

986: EAU vão enviar um astronauta para a Estação Espacial Internacional

ESPAÇO/EAU/EEI

O espaço está a ser aos poucos desvendado e ninguém quer ficar de fora dessa exploração. Desta vez, serão os Emirados Árabes Unidos (EAU) a enviar um astronauta para uma missão de seis meses na Estação Espacial Internacional (em inglês, ISS).

O escolhido voará a bordo do Falcon 9, algures em 2023.

De acordo com a Associated Press, os EAU compraram um lugar num foguete da SpaceX, para que um astronauta possa viajar até à ISS para uma estadia de seis meses. Esta será a primeira missão de longo prazo do país que, a par de outras nações, quer investir na exploração espacial.

A novidade foi adiantada pelas autoridades dos EAU, na sexta-feira, e, em princípio, o lançamento terá lugar no próximo ano, a partir do Kennedy Space Center, na Florida.

Os EAU compraram o lugar no Falcon 9 da SpaceX através da Axiom Space, uma empresa privada que tem reunido esforços para comercializar o turismo espacial. Esta será, então, a segunda vez que os EAU enviam um astronauta para o espaço – em 2019, Maj. Hazzaa al-Mansoori passou oito dias a bordo da ISS.

Maj. Hazzaa al-Mansoori, astronauta dos EAU

A declaração emitida pelo país não revelou o astronauta que voará em 2023, nem o valor do lugar reservado no Falcon 9 da SpaceX. No entanto, sabe-se que o preço do bilhete que a Axiom Space cobrou aos cidadãos que o garantiram no início de Abril ronda os 55 milhões de dólares, incluindo a viagem e o alojamento.

Além destes pequenos passos que os EAU têm dado, também estabeleceram 2117 como o horizonte temporal para instalar uma colónia humana em Marte. Recorde-se que também o CEO da SpaceX Elon Musk tem o objectivo de estabelecer humanos no planeta vermelho, por forma a garantir uma segunda casa ao seres humanos.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
01 Mai 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

886: É hoje! Primeira missão tripulada privada para a Estação Espacial

CIÊNCIA/EEI

A primeira missão tripulada totalmente privada para a estação espacial vai ser hoje lançada. De acordo com as informações, a bordo irão seguir quatro tripulantes, sendo que um deles é ex-astronauta.

A missão é lançada pela empresa norte-americana SpaceX em nome de uma outra empresa aeroespacial designada de Axiom Space.

Nave Crew Dragon Endeavour levará os 4 tripulantes à Estação Espacial

O lançamento desta missão está previsto para as 16:17 em Lisboa, do Centro Espacial Kennedy, na Florida, base operada pela agência espacial norte-americana NASA. Caso este lançamento seja abortado, haverá uma nova oportunidade no sábado, às 15:54. Esta missão estava prevista para Janeiro desde ano.

A bordo da nave Crew Dragon Endeavour, que irá acoplada a um foguetão Falcon 9, ambos da SpaceX, seguem Michael López-Alegría (comandante da missão e ex-astronauta da NASA), Eytan Stibbe (ex-piloto da aviação israelita), Larry Connor (investidor e piloto particular norte-americano) e Mark Pathy (empresário canadiano).

De acordo com o que se sabe, os quatro homens vão juntar-se à actual tripulação da EEI – composta por quatro astronautas e três cosmonautas – para uma estada de nove dias em que vão realizar experiências científicas e projectos educativos e comerciais.

A acoplagem da Crew Dragon Endeavour à Estação Espacial está prevista para as 11:45 de sábado. Se a missão Axiom Space-1 for bem-sucedida, Larry Connor, 72 anos, será a terceira pessoa mais velha no espaço.

A Axiom Space é uma empresa aeroespacial norte-americana que foi fundada em 2016 com o propósito de criar a primeira estação espacial comercial.

Antes da missão Axiom Space-1, a SpaceX já tinha levado astronautas da NASA e da congénere europeia ESA para a Estação Espacial Internacional, substituindo o transporte russo de longa data concedido pelas naves Soyuz da agência espacial russa Roscosmos. De referir que a Roscosmos anunciou que vai apresentar “propostas concretas” de datas para terminar a cooperação na EEI, depois de as congéneres ocidentais terem recusado levantar sanções a empresas russas na sequência da invasão em Fevereiro da Ucrânia pela Rússia.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
08 Abr 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia



 

754: Portuguesas na conquista do Espaço

CIÊNCIA/ESPAÇO

São portuguesas e trabalham na área do espaço, entre missões para a Agência Espacial Europeia, lançamentos para Marte, um vaivém para experiências em micro-gravidade e satélites para observar a Terra. Ainda estão em minoria, mas os voos são cada vez mais altos, num mundo onde o fascínio nunca se perde, só se agiganta.

Até podia estar escrito nas estrelas, mas ainda hoje Celeste Pereira não sabe bem como é que à última hora, a dois dias de fechar o concurso de acesso ao Ensino Superior, a partir da sua vila de Vouzela, Viseu, decidiu trocar a Medicina Veterinária pela Engenharia Química. Na verdade, até sabe, não queria abdicar da Matemática nem da Química.

Só não imaginava que o curso a ia levar ao céu. Tem 50 anos acabados de fazer, trabalha em tecnologias do espaço desde 2007. Um acaso que não foge ao fascínio de miúda. “Lembro-me de ver a série ‘Espaço 1999’, obviamente que era ficção científica, mas toda aquela tecnologia que os humanos eram capazes de criar, o viver noutro planeta, era fascinante.”

A investigação esbarrou-se no caminho, começou a investigar processos químicos, reacções químicas, na área da engenharia dos materiais. E foi no INEGI (Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial) que lhe lançaram o desafio de investigar nano-materiais, “muito ligados ao espaço”.

A partir daí, a história escreve-se além do planeta Terra. Celeste coordenou o primeiro projecto europeu para fibra de carbono europeia – EUCARBON -, um material tão resistente como um aço ou um alumínio, mas muito mais leve. Muito usado no espaço, em satélites por exemplo, mas também na indústria automóvel e aeronáutica, e de que a Europa ainda é muito dependente de países como os Estados Unidos e o Japão.

Aos poucos, foi-se especializando em materiais para o espaço até chegar a Marte. Sim, a Marte. À data, colaborava com a empresa alemã HPS – mais tarde também foi criada a HPS em Portugal, no Porto, em que entrou como sócia em 2013. Foi nesse ano que a HPS conseguiu o contrato para a missão ExoMars 2016, com a Agência Espacial Europeia (ESA).

Celeste e a sua equipa trabalharam em coberturas térmicas para embrulhar satélites e sondas espaciais. Ela simplifica: “O objectivo é assegurar que as estruturas não aquecem nem arrefecem. O ambiente espacial é muito agressivo, com muitas flutuações de temperatura, e os satélites precisam de temperaturas estáveis”.

Celeste Pereira está a trabalhar num equipamento para uma missão exoplanetária. A investigadora fez parte da equipa que criou coberturas térmicas para um veículo espacial que chegou a Marte

A ExoMars 2016 foi uma de duas missões para explorar o Planeta Vermelho. O veículo espacial foi lançado em Março de 2016 e chegou a Marte em Outubro desse ano. “O grande objectivo era demonstrar que a Europa tinha a tecnologia certa para descer na atmosfera de Marte.” Mas uma falha na configuração da descida (que não teve a ver com os revestimentos térmicos) deitou a prova de força por terra, “o módulo desceu mais rápido do que seria desejável e esmagou-se na superfície”.

Nada que apague da memória o momento grandioso de uma equipa inteira colada à televisão, a partir de Portugal, a assistir à missão em directo. “A verdade é que o nosso revestimento funcionou, o veículo espacial entrou na atmosfera de Marte. Era a sensação de fazer parte de uma missão, que também dependia do nosso trabalho.”

A desilusão não a impediu de continuar a olhar as estrelas. E em 2019, co-fundou a Optimal Space. “A Optimal trabalha para a indústria automóvel, tem capacidades de produção únicas de componentes usados nos satélites e criei a unidade de negócio do espaço.”

Agora, está a desenvolver um equipamento especial para testar a estrutura do satélite da missão Plato, da ESA, “uma missão para explorar planetas fora do sistema solar”. A ideia é perceber como se comporta em ambiente espacial, antes de ser lançado. Mas Celeste não desacelera. A seguir vai desenvolver instrumentos de óptica para a missão FORUM, que vai registar a radiação infravermelha emitida a partir da Terra para o espaço.

Pelo caminho, a magia não se perde, guarda o mesmo deslumbramento de miúda. Apesar da competição, desenvolver tecnologia espacial é um autêntico exercício de trabalho conjunto para um desafio comum. Entusiasma-se com os sucessos de Elon Musk, com a SpaceX. E com os relatos de astronautas. “Todos dizem que quando olham de fora para a Terra, ela ganha uma dimensão gigante.” E acredita que será possível viver em Marte.

Aliás, não é uma crença, “a tecnologia que se está a desenvolver é a preparar isso, estas missões são para preparar uma ida de humanos”. Para descomplicar, compara a exploração espacial aos Descobrimentos. “Os navegadores portugueses, quando partiram, o que é que sabiam? É quase como ir agora para Marte. E os riscos na altura até eram maiores, porque não havia a tecnologia de hoje.”

Mora no Porto, é mãe de três filhos, todos rapazes, com muitas viagens de trabalho pelo meio, às vezes três por mês. Isso nunca a parou. “Cheguei a levá-los para reuniões. E em França ou na Alemanha, chegaram a perguntar porque é que era eu que estava ali. Estive numa equipa internacional de 30 pessoas em que era uma das únicas mulheres.

E vinha de um país pequeno, de uma empresa pequena, era a mais pequena em tamanho (1,60 metros de altura) e era mulher.” A brincadeira tem um lado sério, tanto que põe os olhos em Portugal e orgulha-se. “Sinto que, proporcionalmente, há mais mulheres a trabalhar nesta área do que noutros países europeus, sobretudo na investigação.” Na área das engenharias, ainda são poucas.

O amor à observação da Terra

Vamos a contas. Na pequena equipa da Agência Espacial Portuguesa, nove são mulheres e 14 são homens. Ou seja, as mulheres representam 39%. Se alargarmos a escala e aterrarmos na Agência Espacial Europeia, segundo dados cedidos à “Notícias Magazine”, num total de 2.725 trabalhadores, 833 são mulheres (30%), sem contar com contractors. É precisamente aí que encontrámos Sara Aparício. É contractor em Itália, em Frascati, no Centro de Observação da Terra da ESA. Recua no tempo, há seis anos, quando arrumou a vida numa mala para fazer um estágio de um ano, depois de uma candidatura a nível europeu, não imaginava que hoje, aos 33, ainda por lá estaria.

Estudou Engenharia do Ambiente, mas foi uma missão da ESA que a pôs a sonhar com o espaço. “Quando enviaram um satélite para estudar um cometa, fiquei muito interessada.” Mais do que o espaço, é apaixonada pelo planeta Terra. Apoia a gestão de projectos de empresas, centros de investigação, indústrias que colaboram com a ESA.

E, no tempo que lhe sobra, trabalha com dados de satélite de observação da Terra. “Estou a fazer doutoramento. Espero usar satélites para estudar fenómenos sazonais que ocorrem no gelo marinho no Árctico. O derretimento do gelo é normal, é um fenómeno cíclico, mas a velocidade com que está a acontecer não é.” Quer usar satélites para observar essas regiões extremas, onde é difícil e caro chegar, para melhorar os modelos climáticos.

É fácil perceber-lhe a paixão pelo Árctico, não o disfarça, em catraia ficava colada à televisão a ver documentários. Cresceu e entretanto já esteve na Gronelândia e em Svalbard, na Noruega, com grupos de investigação. “Sinto que foi o mais próximo que estive deste Planeta. Aquele deserto branco e bruto, foi uma experiência que me emocionou.” Mas o espaço, a incógnita, o pouco que ainda sabemos, tem um lugar especial no coração. “Ironicamente, apesar disso, a minha investigação é do espaço a olhar para a Terra. E não da Terra para o espaço.”

Sara trabalha no programa Copernicus, “o maior programa de observação da Terra do Mundo, é europeu, e todos os dados criados por este programa são gratuitos, qualquer pessoa pode aceder”. Há uma quantidade absurda de dados que vêm do espaço sobre o nosso Planeta, que só a inteligência artificial pode ajudar a processar. No meio de tudo, um sonho: “Contribuir com o que se pode retirar do espaço para ajudar a perceber o que se passa na Terra. A recolha destes dados e o estudo dos mesmos pode ter impacto em decisões políticas”.

A jovem, de Lisboa, costuma dizer que tem a cabeça na lua, mas está sempre a olhar a Terra. Ainda assim, já se meteu numa missão análoga (lunar), na Polónia. “Foi no ano passado, é um grupo de pessoas que entra num sítio e simula-se que estão numa missão em Marte ou na Lua. O objectivo é estudar os efeitos psicológicos do isolamento, por não haver exposição ao sol, por comer comida desidratada dias a fio, estudar as dinâmicas sociais no grupo.” Uma experiência de duas semanas, só pelo gozo, aguentou-se.

Ser mulher neste meio não lhe trava a ambição. Se fizer “rewind” no tempo, já sente uma diferença substancial. E só lá vão seis anos. “Quando comecei, as salas eram constituídas por 90% de homens. E agora diria que está 50/50. A ESA esforça-se muito para haver representação feminina.”

Do GPS à missão para desviar um asteróide

As mulheres começam a conquistar lugares onde a gravidade desce, e o facto de haver três portuguesas entre os 13 candidatos nacionais a astronautas da ESA é a prova viva. Como também o é Teresa Ferreira, directora da área do Espaço na tecnológica GMV, Lisboa, que tantas vezes une esforços à Agência Espacial Portuguesa.

Da Engenharia de Telecomunicações começou a trabalhar com satélites, há quase 20 anos, na área do espaço, um acaso que parecia premeditado. “Logo depois do curso aterrei nesta empresa e achei o trabalho tão interessante que acabei por fazer um mestrado em navegação por satélite.” Nunca mais dali saiu.

Teresa Ferreira esteve envolvida na criação do GPS europeu e coordena equipas que trabalham em várias missões espaciais

O trabalho que estava a desenvolver com o sistema de navegação por satélite da União Europeia, o Galileo, o GPS europeu, teve dedo nisso. “Claro que o espaço é sempre uma área atractiva, por causa do sonho envolvido. Mas fui muito movida pelo meu trabalho na altura. O Galileo foi aprovado em 1998, no início do século XXI estava a começar a ser criado.

Vivi a construção de um sistema desta dimensão desde o início.” O lançamento da constelação Galileo está marcado numa história que também lhe pertence. “Fomos a primeira entidade privada a processar os sinais iniciais emitidos por um satélite Galileo, aqui em Lisboa. Estava a liderar essa equipa e foi um grande marco.”

A GMV colabora com a ESA no controlo deste sistema e está já a trabalhar na segunda geração do Galileo. Foi por aí que começou um caminho que escalou de função em função, até hoje, em que lida com muito mais do que o Galileo. A começar na missão Hera, de defesa planetária, a cargo da ESA – e a par da missão DART, da NASA – que quer demonstrar se é possível desviar um asteroide, que venha em direcção à Terra, da sua rota.

“A ESA vai lançar uma sonda, a HERA, para analisar o embate do DART num asteroide. Temos muita tecnologia portuguesa a voar, um laser feito em Portugal e a GMV é responsável pelo seu controlo”, explica a engenheira, que também está a trabalhar no software de um vaivém espacial.

Chama-se Space RIDER, deverá voar já este ano e vai ficar a orbitar a Terra durante meses, “lá dentro permite voar experiências científicas em micro-gravidade, em particular na área farmacêutica”. Teresa está ligada a todos os projectos, ou não fosse a directora, mas a grande responsabilidade é a de decidir em que áreas tecnológicas se deve apostar, é antecipar o futuro.

Havendo cada vez mais satélites em órbita, sabe que a tecnologia vai ser crucial. “Hoje, enviamos um satélite, e quando chega ao fim de vida é deixado como lixo em órbita. Não há razão para isso. Podemos ir lá reabastecer, arranjá-lo, movê-lo, através de robôs ou espécies de drones que vão entrar no espaço.”

Para lá do mundo espacial, a observação da Terra também entra no lote das muitas coisas que tem em mãos, e “Portugal tem uma das maiores equipas europeias no programa Copernicus”. Neste campo, a GMV ajuda em gestão de catástrofes, com dados sobre a área e intensidade de um incêndio ou quantificação dos riscos.

“Recentemente, a equipa esteve envolvida no fornecimento de informação sobre as cheias que afectaram a Alemanha à Comissão Europeia.” A verdade é que os dados de satélite ajudam, e muito, a vida dos cidadãos. O GPS é só um exemplo.

Já dizia a introdução dos filmes da saga Star Wars de que tudo acontecia “numa galáxia muito, muito distante”. Mas a realidade ultrapassa a ficção e o espaço, “embora pareça muito longe nas nossas cabeças, está cada vez mais perto”.

Notícias Magazine
por CATARINA SILVA
fotos DR
18/03/2022

 



 

730: Imaginando um vizinho terrestre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

Alfa Centauri A (esquerda) e alfa Centauri B vistas pelo Telescópio Espacial Hubble. A uma distância de 4,3 anos-luz, o grupo alfa Centauri (que inclui também a anã vermelha alfa Centauri C) é o sistema estelar mais próximo da Terra.
Crédito : ESA/Hubble & NASA

Ainda não sabemos se as estrelas semelhantes ao Sol mais próximas de nós, o binário alfa Centauri A/B, abrigam um planeta semelhante à Terra. No entanto, graças a um novo trabalho de modelagem, temos agora uma boa noção de como seria um tal planeta, caso existisse, e de como poderia ter evoluído.

Estes são tempos emocionantes para a investigação exoplanetária, passando da demografia para a caracterização detalhada. Prevê-se que o Telescópio Espacial James Webb, lançado com sucesso em Dezembro de 2021, detecte as atmosferas de exoplanetas rochosos em trânsito dentro da “zona habitável” de anãs M, estrelas mais ténues do que o Sol. O ELT (Extremely Large Telescope), actualmente em construção no Chile, será configurado até ao final da década para observar directamente exoplanetas rochosos em torno de estrelas parecidas com o Sol.

Olhando ainda mais à frente, conceitos ambiciosos de missões espaciais futuras atualmente a ser explorados, incluindo o LIFE (Large Interferometer for Exoplanets), que visa os exoplanetas rochosos na zona habitável e as suas atmosferas. A ETH Zurique é líder ou está significativamente envolvida nestas e noutras infra-estruturas de observação. Investigação complementar no Instituto de Física de Partículas e Astrofísica lida com modelação numérica, que é indispensável para compreender os exoplanetas rochosos na zona habitável e para orientar as futuras observações e desenvolvimento de instrumentação.

Agora, uma equipa internacional liderada por cientistas da ETH Zurique apresentaram os resultados de um tal estudo, no qual orientaram a sua atenção para as estrelas parecidas com o Sol mais próximas da Terra, alfa Centauri A e alfa Centauri B. Publicados na revista The Astrophysical Journal, fornecem uma previsão de referência de como seria um planeta do tamanho da Terra, caso existisse neste sistema.

Uma hipotética Terra em alfa Centauri

A equipa, que inclui os astrofísicos da ETH Zurique Haiyang Wang, Sascha Quanz e Fabian Seidler, bem como Paolo Sossi do Departamento de Ciências da Terra, propôs-se estimar a composição elementar de um hipotético planeta rochoso na zona habitável do sistema alfa Centauri A/B. A sua modelagem baseia-se nas composições químicas medidas espectroscopicamente de alfa Centauri A e alfa Centauri B, para as quais existe uma grande quantidade de informação tanto para elementos formadores de rochas (tais como ferro, magnésio e silício) como para elementos voláteis (incluindo hidrogénio, carbono e oxigénio).

A partir destes dados foram capazes de projectar possíveis composições de um hipotético corpo planetário em órbita de qualquer uma das estrelas. Desta forma, os investigadores chegaram a previsões detalhadas sobre as propriedades do seu planeta modelo, uma Terra em alfa Centauri, incluindo a sua estrutura interna, mineralogia e composição atmosférica. Estas características, por sua vez, são de importância central para compreender a sua evolução a longo prazo e a sua potencial habitabilidade.

Com este trabalho, Wang e colegas começaram a pintar uma imagem cativante de um potencial exoplaneta em órbita de alfa Centauri A/B. Se existir, é provavelmente geo-quimicamente semelhante à nossa Terra, preveem, com um manto dominado por silicatos, mas enriquecido em espécies portadoras de carbono como grafite e diamante.

A capacidade de armazenamento de água no seu interior rochoso deve ser equivalente à do nosso planeta natal. De acordo com o estudo, esta hipotética Terra em alfa Centauri também teria diferenças, com um núcleo de ferro ligeiramente maior, menor actividade geológica e uma possível ausência de placas tectónicas. A maior surpresa, porém, foi que a atmosfera inicial do hipotético planeta poderia ter sido dominada por dióxido de carbono, metano e água – semelhante à da Terra no éon Arqueano, há 4 a 2,5 mil milhões de anos atrás, quando surgiu a primeira vida no nosso planeta.

A ligação química estrela-planeta

O estudo destaca-se pelo facto de incluir previsões sobre elementos voláteis num exoplaneta rochoso. Embora esteja bem estabelecido que a composição química dos planetas “terrestres” (que são constituídos predominantemente por rocha e metal) reflete geralmente a das suas estrelas hospedeiras, isto só é verdade para os chamados elementos refractários; ou seja, os principais constituintes da rocha e do metal. A correspondência decompõe-se para os elementos voláteis – os que se evaporam facilmente. Esta classe inclui o hidrogénio, carbono e azoto, que são a chave para compreender se um planeta é potencialmente habitável.

Durante a sua investigação de doutoramento na Universidade Nacional Australiana em Camberra (supervisionada por Charley Lineweaver e Trevor Ireland, co-autores do novo trabalho), Wang desenvolveu o primeiro modelo quantitativo que liga as composições químicas de estrelas semelhantes ao Sol a quaisquer planetas rochosos que as rodeiam, tanto para elementos voláteis como refractários.

Wang juntou-se ao grupo Quanz na ETH Zurique em 2019, onde desde então desenvolveu ainda mais as aplicações deste modelo. Modelos mais sofisticados da relação química entre estrela e planeta estão também a ser desenvolvidos no grupo, através de colaborações no âmbito do NCCR PlanetS (National Centre of Competence in Research PlanetS).

Janela de oportunidade

A probabilidade de encontrar realmente um irmão mais velho da nossa Terra – o sistema alfa Centauri A/B é 1,5-2 mil milhões de anos mais velho que o Sol – dificilmente podia ser mais favorável. De 2022 a 2035, alfa Centauri A e alfa Centauri B estarão suficientemente separadas para beneficiar a procura de planetas à volta de cada uma das estrelas, graças à redução da contaminação luminosa uma da outra.

Juntamente com o novo poder observacional que se pode esperar nos próximos anos, existe a legítima esperança de que um ou vários exoplanetas em órbita de alfa Centauri A/B se juntem aos cerca de 5000 exoplanetas descobertos desde 1995, quando os astrofísicos Michel Mayor e Didier Queloz da Universidade de Genebra (que se juntaram à ETH Zurique no ano passado) anunciaram a descoberta do primeiro planeta para lá do nosso Sistema Solar em órbita de uma estrela semelhante ao Sol – pelo qual receberam o Prémio Nobel da Física em 2019, partilhado com o cosmólogo canadiano-americano Jim Peebles.

O trabalho de Wang et al. fornece um estudo de referência para o campo da investigação exoplanetária, em termos de uma caracterização teórica detalhada de exoplanetas rochosos (hipotéticos) na zona habitável em torno de estrelas semelhantes ao Sol na vizinhança solar. Isto é importante para orientar futuras observações de tais planetas e, portanto, para maximizar o retorno científico das infra-estruturas astronómicas sem precedentes, terrestres e espaciais, que estão a ser desenvolvidas. Com toda esta capacidade instalada, podemos aguardar com expectativa um novo capítulo na descoberta de planetas e vida no cosmos.

Astronomia On-line
15 de Março de 2022



 

722: Guerra “no espaço” entre EUA e Rússia pode deixar astronauta americano “preso” na ISS

TECNOLOGIA/ESPAÇO/ISS/RÚSSIA-EUA

As posições estão cada vez mais extremadas entre agências espaciais da Rússia e dos EUA. Trocas de acusações têm mostrado uma guerra que poderá levar ao fim da cooperação entre a Roscosmos e a NASA. Para já, a ameaça russa é deixar para trás o astronauta Mark Vande Hei.

O director da agência espacial russa publicou um vídeo ameaçando deixar o astronauta americano na Estação Espacial Internacional (ISS).

Guerra na Ucrânia está a dividir o mundo e o espaço

Depois de uma acesa troca de insultos entre o director da Agência Espacial Roscosmos, Dmitry Rogozin, e o ex-astronauta da NASA, Scott Kelly, as ameaças subiram de tom.

Depois da ameaça, no calor da discussão, de destruir a ISS, agora a Rússia diz que poderá deixar o astronauta americano Mark Vande Hei preso na Estação Espacial Internacional.

Num vídeo no YouTube, Dmitry Rogozin diz mesmo que poderá ir buscar os seus cosmonautas e deixar lá o astronauta americano.

ISS tem actualmente 7 moradores

A Estação Espacial Internacional tem neste momento 7 pessoas a bordo: Anton Shkaplerov, Mark Vande Hei, Pyotr Dubrov, Raja Chari Thomas Marshburn, Matthias Maurer e Kayla Barron.

Mark Vande Hei detém o recorde de maior longevidade em missões espaciais, teoricamente terminará os seus 355 dias no espaço daqui a três semanas, quando ele e os dois cosmonautas russos – Anton Shkaplerov e Pyotr Dubrov – embarcarão numa nave Progress e irão aterrar no Cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão.

Na ameaça, Rogozin disse que poderá não trazer Mark Vande Hei, deixando-o para trás.

Rússia poderá separar o seu módulo da ISS

A ameaça do director da Roscosmos não se ficou por deixar para trás o astronauta. O responsável da Agência Espacial russa também afirmou a intenção de “destacar todo o segmento russo da ISS”.

A estação é dividida em diversos segmentos e módulos, onde actuam os astronautas dos seus respectivos países. O módulo Nauka, por exemplo, é um dos módulos russos na estrutura que tem uma massa de quase 500 toneladas.

A NASA e a Casa Branca não responderam à ameaça de Dmitry Rogozin, publicada no YouTube durante uma entrevista num programa de um canal russo.

Apesar de as autoridades dos EUA ainda não terem reagido, esta ameaça não passou ao lado do ex-astronauta da NASA, Scott Kelly. Este usou o Twitter para cobrar explicações de Rogozin. Contudo, Rogozin bloqueou Kelly de interagir com ele.

Fiquei furioso que ele (…) disse que deixaria um membro americano da tripulação para trás. Eu nunca pensei que ouviria nada tão escandaloso. Eu conheço as pessoas da agência espacial russa, algumas delas há mais de 20 anos. Confio nelas. Literalmente já lhes confiei a minha vida antes.

Disse Kelly à ABC.

Kelly referiu também que os EUA deveriam preparar-se para o pior, mas torcer pelo melhor.

E a SpaceX?

Claro que os EUA e a NASA têm actualmente a SpaceX que poderá facilmente substituir a Rússia e a Roscosmos no transporte de astronautas.

Já no passado a empresa de Elon Musk prestou este tipo de serviço. Aliás, foi com esta aliança entre a NASA e a SpaceX que poderá ter começado esta animosidade entre entidades russas a e americanas nesta área espacial.

missão Demo-2 abriu um novo ciclo das viagens espaciais, mais baratas e com controlo total americano.

Pplware
12 MAR 2022
Autor: Vítor M.



 

688: A Força Espacial dos EUA planeia começar a patrulhar a área à volta da Lua

TECNOLOGIA/EUA/SPACE FORCE

James Richardson Jr / US Space Force

A Força Espacial dos Estados Unidos anunciou esta semana que planeia começar a fazer rondas de patrulha na área à volta da Lua.

Esta semana, o Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA divulgou um vídeo no YouTube que não mereceu muita atenção, segundo a Ars Technica.

Mas fez um anúncio que é bastante significativo — os planos militares dos EUA de alargar as suas capacidades espaciais para além da órbita geo-estacionária, até à Lua.

“Até agora, a missão espacial dos Estados Unidos estendeu-se a 22.000 milhas acima da Terra”, diz o narrador do vídeo.

“Isso foi nessa altura, isto é agora”. O Laboratório de Investigação da Força Aérea está a aumentar esse alcance em 10 vezes e a área de operações dos Estados Unidos em 1.000 vezes, alcançando até o lado mais distante da Lua.

Os militares norte-americanos já tinham falado em alargar o seu domínio operacional, mas agora estão a tomar medidas.

Planeiam lançar um satélite, provavelmente equipado com um poderoso telescópio, para o espaço cislunar. De acordo com o vídeo, o satélite será chamado Sistema de Patrulha Rodoviário Cislunar (CHPS).

O laboratório de investigação planeia emitir um “pedido de propostas de protótipos” para o satélite CHPS a 21 de Março e anunciar a adjudicação do contrato em Julho. O programa CHPS será gerido por Michael Lopez, da Direcção de Veículos Espaciais do laboratório.

Este esforço incluirá a participação de várias organizações militares, mas o laboratório da Força Aérea irá supervisionar o desenvolvimento do satélite.

A Força Espacial dos EUA irá então adquirir esta capacidade de utilização pelo Comando Espacial dos EUA, que é responsável pelas operações militares no espaço.

Efectivamente, este satélite é o início de uma extensão das operações do Comando Espacial dos EUA, do espaço geo-estacionário para além da Lua.

“É o primeiro passo para eles poderem saber o que se passa no espaço cislunar e depois identificar quaisquer potenciais ameaças às actividades dos EUA“, disse Brian Weeden, director de planeamento de programas da Secure World Foundation.

Weeden afirmou que não pensa que o satélite CHPS incluirá capacidades para responder a quaisquer ameaças, mas servirá principalmente para fornecer uma consciência situacional.

Então, porque está o Comando Espacial dos EUA interessado em expandir o seu teatro de operações para incluir a Lua?

A principal razão citada no vídeo é a gestão do crescente tráfego espacial no ambiente lunar, incluindo várias missões comerciais patrocinadas pela NASA, o programa Artemis da agência espacial, e de outras nações.

Um relatório recente do Center for Strategic & International Studies, Fly Me to the Moon, examina as dezenas de missões planeadas para a Lua durante a próxima década.

Com o satélite CHPS, e possíveis missões de seguimento, os militares americanos procuram assegurar o “desenvolvimento pacífico” do espaço cislunar e proporcionar um ambiente “seguro e protegido” para a exploração e desenvolvimento comercial.

Weeden acredita que há também outro elemento estratégico para este novo programa. Os líderes militares, segundo o dirigente, estão preocupados com objectos espaciais que são colocados no espaço cislunar por outros governos e são depois perdidos pelas redes espaciais existentes de consciência situacional, centradas na baixa órbita terrestre e na órbita geo-estacionária.

Tais objectos, segundo Weeden, podem oscilar à volta da Lua e potencialmente voltar para atacar um satélite militar dos EUA no espaço geo-estacionário.

“Penso que isso é rebuscado, mas é viável de uma perspectiva física e exploraria definitivamente uma lacuna na sua actual consciência do domínio espacial”, explicou. ”

Penso que estão muito mais preocupados com isso do que quaisquer ameaças reais no espaço cislunar, porque os EUA não têm neste momento qualquer recurso militar no espaço cislunar”.

  Alice Carqueja, ZAP //
Alice Carqueja
6 Março, 2022