1281: Mercúrio: Veja o que a missão BepiColombo nos mostrou agora… imagens incríveis

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/UNIVERSO/MERCÚRIO

BepiColombo é uma missão conjunta da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Japonesa de Exploração Aerospacial (JAXA) de exploração do planeta Mercúrio. A nave, lançada para o espaço em 2018, captou na manhã desta quinta-feira imagens incríveis da superfície de Mercúrio.

Conforme podemos ver pelas fotos partilhadas, o planeta mais próximo do Sol foi fotografado enquanto a missão sobrevoava Mercúrio para uma manobra de assistência gravitacional, a cerca de 920 km acima da sua superfície.

Mercúrio como nunca o vimos com novas imagens da BepiColombo

A missão europeia-japonesa BepiColombo captou novas imagens de Mercúrio à medida que realiza a sua aproximação à órbita do planeta, uma operação com duração prevista até 2025. Os registos foram divulgados pela Agência Espacial Europeia (ESA) nesta sexta-feira (24).

Dei um murro no ar quando as primeiras imagens chegaram e depois fiquei cada vez mais excitado.

Este foi o comentário de Jack Wright, membro da equipa que gere a missão e que ajudou a planear as fotos no sobrevoo.

A excitação e emoção tomou conta dos cientistas responsáveis pelo projectos. Afinal não é todos os dias que se recebe um “cartão postal” enviado das proximidades de um vizinho no Sistema Solar a milhões de quilómetros de distância. Ainda menos com a clareza e definição das imagens que BepiColombo reenviou na quinta-feira, quando se encontrava a apenas algumas centenas de quilómetros da superfície do planeta, o planeta mais próximo do Sol.

A nave espacial da missão conjunta da ESA e da sua homóloga japonesa JAXA estava a 200 quilómetros de Mercúrio, embora esta marca tenha sido atingida no lado nocturno do planeta.

As primeiras imagens que mostram o nosso vizinho do Sistema Solar iluminado foram tiradas alguns minutos mais tarde, quando a nave espacial já estava a 800 quilómetros de distância.

No total, a BepiColombo filmou o planeta durante aproximadamente 40 minutos enquanto a nave continuava a afastar-se de Mercúrio como parte do seu voo programado.

Nesta operação de captação de imagem, as agências utilizaram as três câmaras de monitorização da nave espacial (MCAMs), que mostram instantâneos a preto e branco com uma resolução de 1024×1024 pixeis, dando uma vista da topografia da cratera de Mercúrio.

Na selecção de imagens partilhadas pela ESA, podem-se ver os 125 quilómetros de Heaney, bem como outras depressões tais como Neruda, Amaral, Beckett, Grainger e Sher-Gil.

Uma das imagens mais marcantes que a BepiColombo deixa para trás é a bacia de Caloris com 1.550 quilómetros de largura, que a nave espacial foi capaz de captar enquanto o Sol brilhava de cima.

Um dos objectivos da BepiColombo é, de facto, compreender melhor a composição das lavas vulcânicas em Caloris e arredores. Os cientistas acreditam que eles formaram cerca de 100 milhões de anos após a própria bacia, um facto que a ESA e a JAXA esperam agora lançar luz.

O voo desta semana é o segundo para a BepiColombo, que planeia completar seis flybys antes de chegar à órbita de Mercúrio em 2025. O próximo será daqui a um ano: está agendado para 20 de Junho de 2023.

A principal missão científica será lançada, se tudo correr de acordo com o plano e o calendário das agências espaciais for cumprido, no início de 2026.

As imagens da primeira passagem foram boas, mas as da segunda são melhores. Destacam muitos dos objectivos científicos que poderemos abordar quando a BepiColombo entrar em órbita. Quero compreender a sua história vulcânica e tectónica.

Explicou David Rothery da Universidade Aberta e chefe do Grupo de Trabalho de Composição e Superfície de Mercúrio da agência europeia.

A missão conjunta da ESA e da JAXA irá expandir os nossos conhecimentos sobre o nosso vizinho mais próximo do Sol, que já conhecemos graças ao programa Messenger da NASA, que orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015, e Mariner 10, que também foi activado pela agência espacial americana e sobrevoou o planeta em meados dos anos setenta.

Embora muitos dos instrumentos da BepiColombo ainda não possam ser totalmente operados na actual fase da jornada, estes já revelam informações sobre ambiente magnético, plasma e partículas.

Pplware
Autor: Vítor M.
25 Jun 2022


 

1280: Só mais uma máquina para actualizar? Sim, mas esta tem o Windows 98 e está a orbitar Marte

CIÊNCIA/SOFTWARE/MARTE

O Windows 98 foi um dos sistemas da Microsoft de maior sucesso. Chegou numa altura em que os computadores se começaram a massificar e trouxe uma interface que cada vez estava mais simples e apelativa para os muitos utilizadores deste sistema.

Foi um caso de sucesso e chegou literalmente a todo lado, havendo agora mais uma prova disso mesmo. A ESA vai finalmente actualizar uma das suas últimas máquinas com o Windows 98, que está dentro do Mars Express. O problema é que esta na órbita de Marte, algo que vem complicar um pouco as coisas.

Uma actualização há muitos devida em Marte

Já todos tivemos uma ou outra actualização do Windows que deixámos para mais tarde. É um processo que pode demorar ou ser chato, e que por isso adiamos. A ESA, a Agência Espacial Europeia, vai agora abordar um problema destes e realizar uma dessas actualizações.

A grande diferença é que a ESA vai fazer isso a 62,1 milhões de quilómetros da Terra, no software do MARSIS (Mars Advanced Radar for Subsurface and Ioniospheric Sounding), que está a orbitar o planeta Marte. A complicar ainda mais esta questão, está o facto deste satélite ter ainda presente o Windows 98 da Microsoft.

ESA vai trocar o Windows 98 da MARSIS

Esta é uma actualização que está em falta há alguns anos e que acontece agora para garantir uma melhor eficiência deste equipamento da ESA, que se dedica a procurar água no solo de Marte. 19 anos após ter entrado em produção, recebe agora um novo sistema operativo.

Com o novo software, os cientistas vão poder descartar dados desnecessários das imagens recolhidas. Isso permite que o MARSIS funcione por cinco vezes melhor do que agora e que cubra faixas muito mais amplas de Marte e Fobos nas suas passagens.

Uma nova vida para a Mars Express

Algo que não foi revelado pela ESA é qual o novo sistema que o MARSIS vai receber. Também não foi explicado de que forma a actualização será realizada a esta distância do planeta Terra, mas certamente que é um processo já testado até à exaustão, para que corra de forma perfeita.

O MARSIS ganha assim uma vida nova e garante mais alguns anos de funcionamento. Após ter descoberto indícios da presença de água em Marte, é hora de se renovar e receber novas funcionalidades e um novo sistema, bem mais recente que o Windows 98.
Pplware

Fonte: ESA
Autor: Pedro Simões
25 Jun 2022


 

1249: Novas imagens, utilizando dados de telescópios aposentados, revelam características ocultas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Grande Nuvem de Magalhães é um satélite da Via Láctea, contendo cerca de 30 mil milhões de estrelas. Vista aqui no infravermelho distante e no rádio, a poeira fria e quente da Grande Nuvem de Magalhães é mostrada a verde e azul, respectivamente, com o gás hidrogénio a vermelho.
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/CSIRO/C. Clark (STScI)

Novas imagens utilizando dados de missões da ESA e da NASA mostram a poeira que preenche o espaço entre as estrelas em quatro das galáxias mais próximas da nossa própria Via Láctea. Mais do que impressionantes, as fotos são também um tesouro científico, dando uma ideia de como a densidade das nuvens de poeira pode variar drasticamente dentro de uma galáxia.

Com uma consistência semelhante à do fumo, a poeira é criada por estrelas moribundas e é um dos materiais que formam novas estrelas. As nuvens de poeira observadas pelos telescópios espaciais são constantemente moldadas pela explosão de estrelas, ventos estelares e pelos efeitos da gravidade.

Quase metade de toda a luz das estrelas no Universo é absorvida pela poeira. Muitos dos elementos químicos pesados essenciais à formação de planetas como a Terra estão presos em grãos de poeira no espaço interestelar. Assim, a compreensão da poeira é uma parte essencial da compreensão do nosso Universo.

As novas observações foram possíveis através do trabalho do Observatório Espacial Herschel da ESA, que operou de 2009 a 2013. O JPL da NASA, no sul da Califórnia, EUA, contribuiu com peças-chave de dois instrumentos na nave espacial. Os instrumentos super-frios do Herschel foram capazes de detectar o brilho térmico da poeira, que é emitido como luz infravermelha distante, uma gama de comprimentos de onda mais longos do que o que os olhos humanos conseguem detectar.

As imagens da poeira interestelar, pelo Herschel, fornecem vistas de alta resolução de detalhes finos nestas nuvens, revelando intrincadas subestruturas. Mas a forma como o telescópio espacial foi concebido significava que muitas vezes não conseguia detectar a luz de nuvens mais espalhadas e difusas, especialmente nas regiões exteriores das galáxias, onde o gás e a poeira se tornam esparsos e, portanto, mais ténues.

Para algumas galáxias próximas, isso significava que o Herschel perdia até 30% de toda a luz emitida pela poeira. Com uma lacuna tão significativa, os astrónomos esforçavam-se por utilizar os dados do Herschel para compreender como a poeira e o gás se comportavam nestes ambientes.

Para preencher os mapas de poeira do Herschel, as novas imagens combinam dados de três outras missões: o aposentado Observatório Planck da ESA, juntamente com duas missões da NASA igualmente reformadas, o IRAS (Infrared Astronomical Satellite) e o COBE (Cosmic Background Explorer).

As imagens mostram a Galáxia de Andrómeda, também conhecida como M31; a galáxia do Triângulo, ou M33; e a Grande e Pequena Nuvem de Magalhães – galáxias anãs que orbitam a Via Láctea que não têm a estrutura espiral das galáxias de Andrómeda e do Triângulo. Todas as quatro estão a menos de 3 milhões de anos-luz da Terra.

Nas imagens, o vermelho indica o gás hidrogénio, o elemento mais comum no Universo. Estes dados foram recolhidos utilizando múltiplos radiotelescópios localizados em todo o globo. A imagem da Grande Nuvem de Magalhães mostra uma cauda vermelha a sair em baixo e à esquerda, que foi provavelmente criada quando colidiu com a Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de 100 milhões de anos.

As bolhas de espaço vazio indicam regiões onde as estrelas se formaram recentemente, porque ventos intensos das estrelas recém-nascidas sopram a poeira e o gás circundantes. A luz verde à volta das orlas dessas bolhas indica a presença de poeira fria que se acumulou como resultado destes ventos. A poeira mais quente, vista a azul, indica onde as estrelas estão a formar-se ou outros processos que aqueceram a poeira.

Muitos elementos pesados na natureza – incluindo carbono, oxigénio e ferro – podem ficar presos a grãos de poeira e a presença de elementos diferentes muda a forma como a poeira absorve a luz das estrelas. Isto, por sua vez, afecta a visão que os astrónomos têm de eventos como a formação estelar.

Nas nuvens mais densas de poeira, quase todos os elementos pesados podem ficar presos em grãos de poeira, o que aumenta a relação poeira-gás. Mas em regiões menos densas, a radiação destrutiva das estrelas recém-nascidas ou as ondas de choque da explosão de estrelas esmaga os grãos de poeira e devolve alguns desses elementos pesados trancados de volta ao gás, alterando mais uma vez a proporção.

Os cientistas que estudam o espaço interestelar e a formação estelar querem compreender melhor este ciclo contínuo. As imagens do Herschel mostram que a relação poeira-gás pode variar dentro de uma única galáxia até um factor de 20, muito mais do que anteriormente estimado.

“Estas imagens melhoradas do Herschel mostram-nos que os ‘ecossistemas’ de poeira nestas galáxias são muito são muito dinâmicos,” disse Christopher Clark, astrónomo do STScI (Space Telescope Science Institute) em Maryland, que liderou o trabalho de criação das novas imagens.

Astronomia On-line
21 de Junho de 2022


 

1209: Mapa mais preciso da Via Láctea revela dado surpreendente: existem sismos estelares

CIÊNCIA/UNIVERSO/VIA LÁCTEA

A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou uma missão, chamada Gaia, em 2013 para chegar ao segundo ponto de Lagrange, um local privilegiado de observação a 1,5 milhão de quilómetros da Terra. De lá, observou 1.800 milhões de estrelas para mapear grande parte da galáxia que abriga o Sistema Solar e outros 100.000 milhões de estrelas, muitas delas também com planetas no meio. Nisto tudo, muitas revelações estão a deixar a comunidade científica extasiada.

Conforme foi revelado no mapa mais preciso da Via Láctea, existem galáxias canibalizadas e sismos estelares.

O que é e para que serve a missão Gaia?

Gaia é uma missão da ESA concebida para mapear a Via Láctea com o máximo de detalhes possível. Segundo os planos da agência espacial europeia, o mapa incluirá dados como a posição, velocidade, direcção do movimento, luminosidade, temperatura e composição de quase 2 mil milhões de objectos na nossa galáxia.

O projecto foi anunciado em 2013 e os conjuntos de dados foram publicados em 2016 e 2018. Agora a terceira vaga de dados está a ser publicada e estas informações são de tal ordem complexas que o “material” mais recente a ser analisado foi recolhido entre 25 de Julho de 2014 e 28 de Maio de 2017.

Portanto, é um conjunto de dados que exige uma compreensão aprofundada e um tempo para se perceber em detalhe o que os investigadores têm em mãos.

Terramotos estelares na Via Láctea?

Para além das melhorias técnicas e de uma série de novos dados, a parte mais interessante da terceira versão de dados Gaia são os sismos estelares. Estes são pequenos movimentos registados na superfície de uma estrela que mudam a sua forma.

De facto, Gaia já tinha encontrado oscilações estelares que fizeram com que estes corpos celestes aumentassem e diminuíssem periodicamente de tamanho. O que há de especial nestas oscilações é que elas são radiais e por isso mantêm a forma esférica da estrela. Os novos terramotos (quase tsunamis em grande escala) não são radiais, ou seja, alteram a forma geral da estrela e são, portanto, muito mais subtis.

Importa referir que este novo lote de dados completa a nossa visão geral do enorme disco galáctico, com 170.000 anos-luz de diâmetro, mas apenas 1.000 anos-luz de espessura. A grande maioria das estrelas da galáxia está aglomerada nesta superfície caracterizada por dois grandes braços espirais. O sistema solar está perto de um deles, Orion.

O que está a surpreender os investigadores?

Gaia encontrou em milhares de estrelas estes sismos. No entanto, perante as informações disponíveis, estas estrelas não deveriam registar quaisquer terramotos (de qualquer tipo). Pelo menos se nos cingirmos às teorias actuais que temos sobre estas estrelas.

É por isso que, como explicou Conny Aerts de Ku Leuven na Bélgica, “os terramotos estelares dão-nos muita informação sobre as estrelas, especialmente sobre o seu funcionamento interior”. Tanto assim que a sismologia estelar das estrelas maciças está prestes a tornar-se um dos tópicos da década.

Por último, Gaia percebeu que a composição das estrelas pode dar-nos informações sobre o seu local de nascimento e subsequente trajectória. Funciona, se prestarmos atenção, como se fosse uma espécie de ADN e, nesse sentido, Gaia (o maior mapa químico da Galáxia) é também uma história muito longa da diversidade, das andanças e do futuro da Via Láctea.

Pplware
Autor: Vítor M
13 Jun 2022


 

1203: ESA aprova construção de sonda que pretende interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou recentemente que aprovou a construção da sonda principal da missão, com lançamento adiado para 2029.

O objectivo é procurar interceptar, pela primeira vez, um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol. A missão é promovida pela ESA em colaboração com a congénere japonesa JAXA.

Cientistas pretendem obter respostas sobre a origem da vida na Terra a partir de um cometa primitivo

Na missão Comet Interceptor (Interceptor de Cometa, em tradução livre), que tinha lançamento inicialmente previsto para 2028, participa a astro bióloga portuguesa Zita Martins, que faz parte da equipa internacional que vai analisar os dados que depois forem recolhidos, segundo revela a Lusa.

Na prática, os cientistas pretendem obter respostas sobre a origem da vida na Terra a partir de um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

A ESA referiu  que “a fase de estudo” da missão “está concluída” e que a construção da sonda principal “começará em breve”, depois de ter sido seleccionado o consórcio contratante.

A Comet Interceptor vai colocar a sonda principal a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol. Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Pplware
Autor: Pedro Pinto
10 Jun 2022


 

1073: O Sol como nunca o vimos antes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A nave espacial Solar Orbiter da ESA/NASA fez a primeira das suas íntimas passagens pelo periélio a 26 de Março de 2022. A nave voou mais perto do Sol do que o planeta Mercúrio, alcançando a sua maior aproximação a apenas 32% da distância da Sol-Terra. Estando tão perto do Sol, as imagens e os dados transmitidos são espectaculares.
Esta imagem foi obtida pelo EUI (Extreme Ultraviolet Imager) a 27 de Março de 2022 e mostra o Sol a um comprimento de onda de 17 nanómetros. Este é o comprimento de onda emitido pelo gás a uma temperatura de cerca de um milhão de graus, que corresponde à temperatura da atmosfera exterior do Sol, a corona. O magnetismo estende-se do interior do Sol, prendendo alguns dos gases coronais e criando “loops” brilhantes que são fáceis de ver, alcançando o espaço no limbo do Sol.
A cor desta imagem foi adicionada artificialmente porque o comprimento de onda original detectado pelo instrumento é invisível ao olho humano.
Crédito: ESA & NASA/Solar Orbiter/Equipa do EUI

Proeminências poderosas, vistas de cortar a respiração ao longo dos pólos solares e um curioso “ouriço” solar estão entre o conjunto de imagens espectaculares, filmes e dados transmitidos pela sonda Solar Orbiter desde a sua primeira passagem próxima pelo Sol.

Embora a análise do novo conjunto de dados só agora tenha começado, é já claro que a missão liderada pela ESA está a fornecer as mais extraordinárias informações sobre o comportamento magnético do Sol e a forma como este molda o clima espacial.

A passagem mais próxima da Solar Orbiter pelo Sol, conhecida como periélio, teve lugar no dia 26 de Março. A nave espacial estava dentro da órbita de Mercúrio, a cerca de um-terço da distância Sol-Terra, e o seu escudo térmico atingia 500º C. Mas dissipou esse calor com a sua tecnologia inovadora para manter a nave segura e funcional.

A Solar Orbiter transporta dez instrumentos científicos – nove são liderados por Estados Membros da ESA e um pela NASA – todos trabalhando em estreita colaboração para proporcionar uma visão sem precedentes de como a nossa estrela local “funciona”.

Alguns são instrumentos de detecção remota que olham para o Sol, enquanto outros são instrumentos in-situ que monitorizam as condições em torno da nave espacial, permitindo com que os cientistas “unam os pontos” desde o que veem acontecer no Sol, até que a Solar Orbiter “sente”, na sua localização, o vento solar a milhões de quilómetros de distância da estrela.

Quando se trata do periélio, claramente quanto mais perto a nave espacial está do Sol, melhores os detalhes que o instrumento de sensoriamento remoto consegue ver. E, por sorte, a nave também absorveu várias erupções solares e até uma ejecção de massa coronal dirigida à Terra, proporcionando um sabor de previsão meteorológica espacial em tempo real, um esforço que se está a tornar cada vez mais importante devido à ameaça que o clima espacial representa para a tecnologia e para os astronautas.

Apresentando o “ouriço” solar

“As imagens são realmente de cortar a respiração,” diz David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica, investigador principal do instrumento EUI (Extreme Ultraviolet Imager), que tira imagens de alta resolução das camadas inferiores da atmosfera do Sol, conhecida como a coroa solar. Esta região é onde se realiza a maior parte da actividade solar que impulsiona o clima espacial.

A tarefa agora para a equipa do EUI é compreender o que estão a ver. Esta não é uma tarefa fácil porque a Solar Orbiter está a revelar tanta actividade no Sol em pequena escala. Tendo detectado uma característica ou um evento que não conseguem reconhecer imediatamente, devem então vasculhar observações solares passadas, por outras missões espaciais, para ver se algo semelhante já foi visto antes.

“Mesmo que a Solar Orbiter deixasse de recolher dados amanhã, eu iria estar ocupado durante anos a tentar descobrir isto tudo,” diz David Berghmans.

Uma característica particularmente apelativa foi vista durante este periélio. Por enquanto, tem sido apelidada de “ouriço”. Estende-se por 25.000 quilómetros através do Sol e tem uma multidão de picos de gás quente e frio que se estendem em todas as direcções.

Unindo os pontos

O principal objectivo científico da Solar Orbiter é explorar a ligação entre o Sol e a heliosfera. A heliosfera é a grande “bolha” espacial que se estende para lá dos planetas do nosso Sistema Solar. Está cheia de partículas electricamente carregadas, a maioria das quais foram expelidas pelo Sol para formar o vento solar. É o movimento destas partículas e os campos magnéticos associados que criam o clima espacial.

Para traçar os efeitos do Sol na heliosfera, os resultados dos instrumentos in-situ, que registam as partículas e os campos magnéticos que varrem a nave espacial, devem ser rastreados até eventos na superfície visível do Sol ou perto dela, os quais são registados pelos instrumentos de detecção remota.

Esta não é uma tarefa fácil, uma vez que o ambiente magnético à volta do Sol é altamente complexo, mas quanto mais perto a sonda consegue chegar do Sol, menos complicado é seguir os eventos das partículas de volta ao Sol ao longo das “auto-estradas” das linhas do campo magnético. O primeiro periélio foi um teste chave disto e os resultados até agora permanecem muito promissores.

A 21 de Março, alguns dias antes do periélio, uma nuvem de partículas energéticas varreu a nave espacial. Foi detectada pelo instrumento EPD (Energetic Particle Detector). É importante realçar que as mais energéticas chegaram primeiro, seguidas das que tinham energias cada vez mais baixas.

“Isto sugere que as partículas não são produzidas perto da nave espacial,” diz Javier Rodríguez-Pacheco, da Universidade de Alcalá, Espanha, investigador principal do EPD. Ao invés, foram produzidas na atmosfera solar, mais perto da superfície do Sol. Enquanto atravessavam o espaço, as partículas mais rápidas seguiam em frente das mais lentas, como corredores num sprint.

No mesmo dia, a experiência RPW (Radio and Plasma Waves) viu-as chegar, captando o forte varrimento característico das frequências de rádio produzidas quando as partículas aceleradas – na sua maioria electrões – espiralam para fora ao longo das linhas do campo magnético do Sol. A RPW detetou então oscilações conhecidas como ondas de Langmuir. “Estas oscilações são um sinal de que os electrões energéticos chegaram à nave espacial,” diz Milan Maksimovic, do LESIA (Laboratoire d’Études Spatiales et d’Instrumentation en Atrophysique), Observatório de Paris, França, investigador principal da experiência RPW.

Dos instrumentos de detecção remota, tanto o EUI como o STIX (X-ray Spectrometer/Telescope) viram eventos no Sol que poderiam ter sido responsáveis pela libertação de partículas. Enquanto as partículas que fluem para o espaço são as que o EPD e a RPW detectaram, é importante lembrar que outras partículas podem viajar para baixo do evento, atingindo os níveis mais baixos da atmosfera do Sol. É aqui que entra o STIX.

Embora o EUI veja a luz ultravioleta libertada do local da erupção na atmosfera do Sol, o STIX vê os raios-X que são produzidos quando os electrões acelerados pela erupção interagem com os núcleos atómicos nos níveis inferiores da atmosfera solar.

Exactamente como estas observações estão todas ligadas é agora uma questão para as equipas investigarem. Existem indícios da composição das partículas detectadas pelo EPD de que foram provavelmente aceleradas por um choque coronal num evento mais gradual em vez de impulsivamente a partir de uma erupção.

“Pode ser que tenham múltiplos locais de aceleração,” diz Samuel Krucker, FHNW, Suíça, investigador principal do STIX.

Acrescentando outra reviravolta a esta situação, o MAG (Magnetometer) não registou nada de substancial na altura. No entanto, isto não é invulgar. A erupção inicial de partículas, conhecida como EMC (Ejeção de Massa Coronal), transporta um forte campo magnético que o MAG pode facilmente registar, mas as partículas energéticas do evento viajam muito mais depressa do que a EMC e podem preencher rapidamente grandes volumes do espaço, podendo portanto ser detectadas pela Solar Orbiter. “Mas se a EMC falhar a nave espacial, então o MAG não vê uma assinatura,” diz Tom Horbury, Imperial College, Reino Unido, investigador principal do MAG.

Quando se trata do campo magnético, tudo começa na superfície visível do Sol, conhecida como fotosfera. É aqui que o campo magnético gerado internamente irrompe pelo espaço. Para saber o seu aspecto, a Solar Orbiter transporta o instrumento PHI (Polarimetric and Helioseismic Imager). Este pode ver a polaridade magnética norte e sul na fotosfera, bem como a ondulação da superfície do Sol devido às ondas sísmicas que viajam através do seu interior.

“Fornecemos as medições do campo magnético na superfície do Sol. Este campo então expande-se, vai para a coroa e, basicamente, conduz todo o brilho e acção que se vê lá em cima,” diz Sami Solanki, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, em Gotinga, Alemanha, investigador principal do PHI.

Outro instrumento, o SPICE (Spectral Imaging of the Coronal Environment), regista a composição da coroa. Estes “mapas de abundância” podem ser comparados ao conteúdo do vento solar visto pelo instrumento SWA (Solar Wind Analyser).

“Isto irá acompanhar a evolução da composição do vento solar desde o Sol até à sonda e isso diz-nos mais sobre os mecanismos responsáveis pela aceleração do vento solar”, diz Frédéric Auchère, investigador principal do SPICE, do IAS (Institut d’Astrophysique Spatiale), França.

Prevendo o clima espacial

Ao combinar dados de todos os instrumentos, a equipa científica será capaz de contar a história da actividade solar desde a superfície do Sol, até à Solar Orbiter e mais além. E esse conhecimento é exactamente o que vai pavimentar o caminho para um futuro sistema concebido para prever as condições meteorológicas espaciais na Terra em tempo real. No período que antecedeu o periélio, a Solar Orbiter chegou mesmo a ter uma ideia de como um tal sistema poderia funcionar.

A nave espacial estava a voar a montante da Terra. Esta perspectiva única significava que estava a monitorizar as condições do vento solar que iria atingir a Terra várias horas mais tarde. Uma vez que a sonda estava em contacto directo com a Terra, com os seus sinais a viajar à velocidade da luz, os dados chegaram ao solo em poucos minutos, prontos para análise. Por sorte, foram detectadas várias EMCs por volta desta altura, algumas delas dirigindo-se directamente para a Terra.

A 10 de Março, uma EMC varreu a nave espacial. Usando dados do MAG, a equipa foi capaz de prever quando iria subsequentemente atingir a Terra. O anúncio desta notícia nas redes sociais permitiu que os observadores do céu estivessem prontos para a aurora, que chegou devidamente cerca de 18 horas mais tarde, à hora prevista.

Esta experiência deu à Solar Orbiter um sabor do que é prever as condições meteorológicas espaciais na Terra em tempo real. Tal esforço está a tornar-se cada vez mais importante devido à ameaça que o clima espacial representa para a tecnologia e para os astronautas.

A ESA está actualmente a planear uma missão chamada ESA Vigil que estará estacionada num dos lados do Sol, olhando para a região do espaço na direcção da Terra. A sua tarefa será a de observar EMCs a viajar por esta região, especialmente as que se dirigem para o nosso planeta. Durante o próprio periélio, a Solar Orbiter estava posicionada de modo que os seus instrumentos Metis e SoloHI pudessem fornecer exactamente este tipo de imagens e dados.

O instrumento Metis tira fotografias da coroa a uma distância de 1,7-3 raios solares. Ao apagar o disco brilhante do Sol, vê a ténue coroa. “Dá os mesmos detalhes que as observações dos eclipses totais a partir do solo, mas, em vez de alguns minutos, o Metis pode observar continuamente,” diz Marco Romoli, da Universidade de Florença, Itália, investigador principal do Metis.

O SoloHI regista imagens feitas da luz solar dispersa pelos electrões no vento solar. Uma proeminência em particular, de 31 de Março, chegou à classe X, as proeminências solares mais energéticas conhecidas. Até à data, os dados ainda não foram analisados porque grande parte permanece na sonda à espera de transmissão. Agora que a Solar Orbiter está mais longe da Terra, a velocidade de transferência de dados abrandou e os investigadores têm que ser pacientes – mas estão mais do que prontos para começar a sua análise quando esses dados chegarem.

“Estamos sempre interessados nos grandes eventos porque produzem as maiores respostas e a física mais interessante, porque estamos a olhar para os extremos”, diz Robin Colaninno, do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, Washington DC, investigadora principal do SoloHI.

Em breve

Não há dúvida de que as equipas dos instrumentos têm muito trabalho pela frente. O periélio foi um enorme sucesso e gerou uma vasta quantidade de dados extraordinários. E é apenas uma amostra do que está para vir. A sonda já está a navegar pelo espaço para se alinhar para a sua passagem seguinte pelo periélio – ligeiramente mais próxima do Sol – a 13 de Outubro, a 0,29 vezes a distância entre o Sol e a Terra. Antes, a 4 de Setembro, fará o seu terceiro “flyby” por Vénus.

A Solar Orbiter já tirou as suas primeiras fotografias das regiões polares largamente inexploradas do Sol, mas muito mais está ainda por vir.

No dia 18 de Fevereiro de 2025, a Solar Orbiter encontrará Vénus pela quarta vez. Isto resultará no aumentar da inclinação da órbita da nave espacial para cerca de 17 graus. O quinto voo por Vénus, a 24 de Dezembro de 2026, aumentará ainda mais esta inclinação para 24 graus e marcará o início da missão de “alta latitude”.

Nesta fase, a Solar Orbiter vai ver as regiões polares do Sol mais directamente do que nunca. Tais observações em linha de visão são a chave para desenredar o complexo ambiente magnético nos pólos, que por sua vez podem guardar o segredo do ciclo de 11 anos de actividade solar.

“Estamos tão entusiasmados com a qualidade dos dados do nosso primeiro periélio,” diz Daniel Müller, cientista do projecto Solar Orbiter da ESA. “É quase difícil de acreditar que isto é apenas o início da missão. Vamos estar de facto muito ocupados.”

Astronomia On-line
20 de Maio de 2022


EU combati no mato, em África, na Guerra Colonial, durante quase dois anos,
os mercenários treinados por Cuba e armados, municiados e financiados
pela União Soviética (URSS) e China.

 

1013: Missão da Europa a Marte poderá ficar suspensa devido à guerra na Ucrânia

CIÊNCIA/MARTE/MISSÃO

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia muita coisa mudou, e, ainda que indirectamente, estamos a sentir os seus efeitos. Por exemplo, esta é a razão para a missão a Marte, que a Europa tinha programada, ficar suspensa.

A estimativa aponta para uma suspensão que durará até 2026.

A missão da Europa a Marte não tem sido facilitada. Aliás, agora, de acordo com a Sky News, deverá ver-se suspensa durante vários anos, como resultado da invasão da Ucrânia pela Rússia.

O rover foi construído em Inglaterra e estava previsto ser lançado em Setembro, num foguetão russo. O objectivo, que passa por procurar elementos que provem que poderá existir vida em Marte, implica que a missão aterre no planeta vermelho – isto aconteceria através de um equipamento também facultado pela Rússia.

Assim como já aconteceu noutras situações, as sanções impostas à Rússia provocaram uma suspensão da missão que a Agência Espacial Europeia (em inglês, ESA) levaria a cabo. Até agora, esta ainda não propôs uma solução e, por isso, prevê-se que a missão seja suspensa até, pelo menos, 2026.

Segundo o director de exploração humana e robótica da ESA, David Parker, os estados membros da agência, incluindo o Reino Unido, poderão avançar com a missão, escolhendo outro parceiro, ou sozinhos. Afinal, na sua opinião, se é para ser realizada, tendo em conta o “investimento, o desenvolvimento tecnológico e a preparação e testes”, tem de o ser com a garantia de que vão ter sucesso.

Director de exploração humana e robótica da ESA, David Parker

Apesar de o objectivo ser a realização de uma missão exclusivamente europeia, Paker sugeriu que podem vir a falar com a NASA “para ver se há contribuições que eles possam dar”. Ainda assim, a ESA teria de dar conta de vários elementos que estariam a cargo da agência espacial russa.

Actualmente, o rover de nome Rosalind Franklin, em homenagem à pioneira britânica no entendimento do ADN, encontra-se em Turim, num espaço extremamente limpo, por forma a garantir que a missão não leva nada da Terra que possa contaminar Marte.

Pplware
Autor: Ana Sofia Neto
06 Mai 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

962: Sabia que há mais de 30 mil detritos espaciais na órbita da Terra?

TECNOLOGIA/DETRITOS ESPACIAIS

Tudo aquilo que hoje acontece no espaço é normalmente notícia. A aproximação do ser humano com a introdução de novas tecnologias, têm permitido saber muito o que se passa para além da Terra.

Num relatório recentemente divulgado, a Agência Espacial Europeia revela que há mais de 30 mil detritos espaciais na órbita da Terra que estão identificados e são regularmente monitorizados por redes de vigilância.

Órbita da Terra: Quantidade de lixo espacial continua a aumentar

O relatório de 2022 da ESA sobre ambiente espacial realça que a quantidade de lixo espacial continua a aumentar significativamente. Segundo o relatório, foram registados 30.920 detritos na órbita terrestre. O relatório revela também que estão a ser lançados cada vez mais satélites para o espaço, nomeadamente constelações de pequenos satélites de comunicações, e poucos são removidos da órbita baixa da Terra, “fortemente congestionada”, após o fim da sua missão.

Segundo a ESA, existem actualmente no espaço 8.300 satélites, dos quais 5.400 estão activos. Muitos satélites têm de ser desviados de objectos (foguetões, naves, satélites…) que foram lançados há várias décadas e se fragmentaram.

Em Abril, um dos satélites do programa europeu de observação da Terra Copernicus teve de fazer uma manobra para evitar a colisão com um fragmento de um foguetão lançado há 30 anos.

O relatório da ESA estima em mais de 630 o número de rupturas, explosões, colisões ou acontecimentos anómalos que resultaram em fragmentações.

Nem todos os detritos espaciais estão catalogados e rastreados. Partindo de modelos estatísticos, a ESA estima que existem 36.500 detritos com mais de 10 centímetros, mais de um milhão com tamanho variável entre 1 e 10 centímetros e 130 milhões com 1 milímetro a 1 centímetro.

Com lançamento previsto para 2025, a missão ClearSpace-1 será a primeira da ESA dedicada à remoção de lixo espacial, no caso um pedaço de um foguetão enviado em 2013.

Pplware
Autor: Pedro Pinto
23 Abr 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine


 

927: Astrónomos detectam precursor de buraco negro supermassivo à espreita nos dados de arquivo do Hubble

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de GNz7q.
Crédito: ESA/Hubble, N. Bartmann

Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e outros observatórios espaciais e terrestres, descobriram um objecto único no Universo distante e primitivo que é uma ligação especial entre as galáxias formadoras de estrelas e o aparecimento dos primeiros buracos negros super-massivos.

Este objecto é o primeiro do seu género a ser descoberto tão cedo na história do Universo e tem passado despercebido numa das áreas mais bem estudadas do céu nocturno.

Os astrónomos têm lutado para compreender o aparecimento de buracos negros super-massivos no início do Universo desde que estes objectos foram descobertos a distâncias correspondentes a um período apenas 750 milhões de anos após o Big Bang. O rápido crescimento de buracos negros em galáxias empoeiradas e com formação estelar precoce está previsto por teorias e simulações de computador, mas até agora não tinham sido observados.

Agora, porém, os astrónomos relataram a descoberta de um objecto – a que deram o nome de GNz7q – que se pensa ser o primeiro buraco negro de crescimento muito rápido a ser encontrado no início do Universo. Os dados de arquivo do instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble ajudaram a equipa a estudar a emissão ultravioleta do disco de acreção do buraco negro e a determinar que GNz7q existiu apenas 750 milhões de anos após o Big Bang.

“A nossa análise sugere que GNz7q é o primeiro exemplo de um buraco negro de crescimento rápido no núcleo empoeirado de uma galáxia ‘starburst’ numa época próxima do primeiro buraco negro super-massivo conhecido no Universo,” explica Seiji Fujimoto, astrónomo do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e autor principal do artigo que descreve esta descoberta. “As propriedades do objecto, por todo o espectro electromagnético, estão em excelente concordância com as previsões das simulações teóricas.”

As teorias actuais preveem que os buracos negros super-massivos começam a sua vida nos núcleos envoltos em poeira de galáxias “starburst” (com formação estelar explosiva), antes de expulsarem o gás e a poeira circundantes e de emergir como quasares extremamente luminosos. Embora sejam extremamente raros, foram detectados exemplos tanto de galáxias “starburst” poeirentas como de quasares luminosos no início do Universo. A equipa pensa que GNz7q pode ser o “elo que falta” entre estas duas classes de objectos.

“GNz7q proporciona uma ligação directa entre estas duas raras populações e proporciona uma nova via para compreender o rápido crescimento de buracos negros super-massivos nos primeiros dias do Universo,” continuou Fujimoto. “A nossa descoberta é um precursor dos buracos negros super-massivos que observamos em épocas posteriores.”

Apesar de outras interpretações dos dados da equipa não poderem ser completamente excluídas, as propriedades observadas de GNz7q estão em forte concordância com as previsões teóricas. A galáxia hospedeira de GNz7q está a formar estrelas a um ritmo de 1600 massas solares por ano (isto não quer dizer que se formam 1600 estrelas parecidas com o Sol por ano, mas uma variedade de estrelas com massas diferentes que totalizam 1600 vezes a massa do nosso Sol) e o próprio GNz7q aparece muito brilhante no ultravioleta, mas muito ténue em raios-X. A equipa interpretou isto – juntamente com o brilho infravermelho da galáxia hospedeira – para sugerir que abriga um buraco negro de crescimento rápido ainda obscurecido pelo núcleo poeirento do seu disco de acreção no centro da galáxia hospedeira.

Para além da importância de GNz7q para a compreensão das origens dos buracos negros super-massivos, esta descoberta é notável pela sua localização no campo GOODS (Great Observatories Origins Deep Survey) North do Hubble, uma das áreas mais escrutinadas do céu nocturno.

“GNz7q é uma descoberta única que foi encontrada mesmo no centro de um famoso e bem estudado campo celeste – mostrando que mesmo as grandes descobertas podem muitas vezes estar escondidas mesmo à nossa frente,” comentou Gabriel Brammer, outro astrónomo do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga e membro da equipa por detrás deste resultado. “É improvável que a descoberta de GNz7q, dentro da área relativamente pequena do levantamento GOODS-N, tenha sido apenas sorte, mas a prevalência de tais fontes pode, de facto, ser significativamente maior do que se pensava anteriormente.”

A descoberta de GNz7q, escondido à vista de todos, só foi possível graças aos conjuntos de dados únicos e detalhados, em vários comprimentos de onda, disponíveis para o GOODS-North. Sem esta riqueza de dados, GNz7q teria sido fácil de ignorar, uma vez que lhe faltam as características distintas normalmente utilizadas para identificar os quasares no início do Universo.

A equipa espera agora procurar sistematicamente objectos semelhantes utilizando levantamentos dedicados de alta resolução e tirar partido dos instrumentos espectroscópicos do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para estudar objectos como GNz7q com detalhes sem precedentes.

“A caracterização completa destes objectos e o estudo da sua evolução e física subjacente com muito mais detalhe tornar-se-á possível com o Telescópio Espacial James Webb,” conclui Fujimoto. “Uma vez em funcionamento regular, o Webb terá o poder de determinar conclusivamente quão comuns estes buracos negros de crescimento rápido realmente são.”

Astronomia On-line
15 de Abril de 2022


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia


 

853: Mars Express da ESA mostrou o congelamento do “cérebro de Marte”

CIÊNCIA/MARTE

Marte continua todos os dias a proporcionar descobertas que poderão ser fundamentais aos seres humanos, quando estes lá chegarem. A mais recente panorâmica do terreno marciano foi mostrado pela ESA. As novas imagens captadas no passado dia 30 de Março mostram a maior bacia de impacto conhecida do sistema solar. Chama-se Utopia Planitia (“Nowhere Land Plain”).

O robô Viking 2, a segunda nave a chegar ao terreno macio de Marte – pousou e começou a explorar dentro da Utopia Planitia em Setembro de 1976. Hoje o lugar revela outros segredos.

O gelo de Marte

As novas vistas do Mars Express da ESA revelam fascinantes características relacionadas com o gelo na região Utopia de Marte – lar da maior bacia de impacto conhecida não só no Planeta Vermelho, mas no Sistema Solar.

Utopia é uma das três maiores bacias no hemisfério norte de Marte (juntamente com Acidalia e Arcádia) e tem um diâmetro de aproximadamente 3.300 km: pouco menos do dobro do tamanho do deserto do Saara da Terra.

Esta imagem mostra uma fatia de Utopia Planitia, a planície que preenche esta colossal e antiga bacia.

Acredita-se que esta planície se tenha formado quando a bacia da Utopia foi preenchida por uma mistura de sedimentos, lavas e substâncias voláteis (aquelas que vaporizam facilmente, como nitrogénio, dióxido de carbono, hidrogénio e água), todas transportadas pela superfície marciana pela água, vento ou outros processos.

Camadas de gelo

A Utopia Planitia é uma região intrigante e rica em gelo; o gelo foi visto tanto na superfície quanto logo abaixo da superfície, e em maiores profundidades (detectado através de observações de crateras e poços frescos, e sondando as camadas mais profundas de Marte com recurso ao radar).

Visíveis à esquerda e à direita desta cena estão grandes e lisas manchas de superfície conhecidas como ‘depósitos mantos’. São camadas espessas de material rico em gelo e poeira que suavizaram a superfície e provavelmente foram depositadas como neve quando o eixo de rotação de Marte era muito mais inclinado do que hoje (como foi o último caso há cerca de 10 milhões de anos).

Voltando ao centro da imagem, as duas maiores crateras de impacto visíveis aqui são cercadas por montes de material de duas camadas. Uma aparência semelhante em camadas também é visível nos depósitos que se acumularam dentro das próprias crateras e nas bordas grossas das crateras.

Terreno cerebral

Conforme refere a ESA, estas crateras são ainda mais interessantes. A segunda maior cratera desta imagem (logo abaixo do centro) mostra uma textura conhecida como “terreno cerebral”, onde o material se deformou e deformou num padrão concêntrico que se assemelha aos padrões complexos e cristas encontradas na superfície do cérebro humano.

O terreno cerebral está associado ao material gelado encontrado perto da fronteira entre as planícies setentrionais de Marte e as suas terras altas do sul, uma “dicotomia” localizada a sul/sudoeste (parte superior esquerda) desta cena.

Mesmo à direita da cratera com textura cerebral aparece uma região de cor especialmente escura, criada à medida que o solo rico em gelo se contrai e racha a baixas temperaturas. Isto formou padrões poligonais e fracturas que subsequentemente captaram poeira escura soprada através de Marte pelo vento, levando à aparência escura aqui vista.

Além disso, as depressões recortadas são omnipresentes em toda esta imagem. Estas têm formas circulares a elípticas, profundidades de várias dezenas de metros, e tamanhos que variam de dezenas a milhares de metros de diâmetro.

Estas características são o resultado do derretimento do gelo moído ou da sua transformação em gás, o que depois provoca o enfraquecimento e o colapso da superfície. Ao olhar mais de perto, também se podem ver depósitos manchados em camadas dentro e à volta destas depressões recortadas.

Uma superfície diversificada

Mars Express orbita o Planeta Vermelho desde 2003, fazendo imagens da superfície de Marte, mapeando os seus minerais, identificando a composição e circulação da sua atmosfera ténue, sondando sob a sua crosta, e explorando a forma como vários fenómenos interagem no ambiente marciano.

A Câmara Stereo de Alta Resolução da missão (HRSC), responsável por estas últimas imagens, revelou muito sobre as diversas características da superfície de Marte, com recentes lançamentos de imagens mostrando tudo, desde cristas e sulcos esculpidos pelo vento a regiões geologicamente ricas em vulcões, crateras de impacto, falhas tectónicas, canais fluviais e piscinas de lava antigas.

A câmara também captou outras vistas da Utopia Planitia, tais como um instantâneo do Adamas Labyrinthus (Labirinto Adamas).

Pplware
Autor: Vítor M.
02 Abr 2022