804: Gelo revela gigantescas erupções vulcânicas (maiores que todas as dos últimos 2.500 anos)

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

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Os núcleos de gelo têm também provas sobre o impacto no clima das grandes erupções vulcânicas, o que pode ser útil nas previsões futuras.

Um novo estudo publicado na Climate of the Past analisou núcleos de gelo com 60 mil anos e revelou que houve milhares de erupções vulcânicas nessa altura, desde a última Idade do Gelo. 25 das erupções são maiores do que todas as que abalaram a Terra nos últimos 2.500 anos.

Os investigadores escavaram os núcleos perto de ambos os pólos, na Antárctida, onde foram detectadas 737 erupções e na Gronelândia, onde foram descobertas 1.113 erupções, relata o Science Alert.

85 destas erupções foram tão grandes que deixaram provas nos pólos, provas essas que consistem em depósitos de ácido sulfúrico que dão pistas sobre o tamanho e o impacto que alguns vulcões em particular tiveram.

“Quando uma erupção muito grande acontece, o ácido sulfúrico é ejectado até à atmosfera superior, que é depois distribuída globalmente — incluindo até à Gronelândia e à Antárctida. Podemos estimar o tamanho de uma erupção ao olharmos para a quantidade de ácido sulfúrico que caiu“, afirma o físico Anders Svensson, da Universidade de Copenhaga.

NEEM
Anders Svensson examina os núcleos de gelo

A equipa usou o índice de explosividade vulcânica, que vai de ordem crescente de 1 até 8, e descobriu que 69 erupções vulcânicas que excederam a erupção do Tambora em 1815 — que teve uma classificação de 7 no índice e foi forte o suficiente para bloquear a penetração da luz solar e iniciar um período de arrefecimento global.

Estas 69 erupções incluem uma no lago Taupo, na Nova Zelândia, há 26.500 anos, e uma em Toba na Indonésia, há cerca de 74 mil anos, estando ambas no nível 8. A erupções no nível 7 acontecem uma ou duas vezes a cada milhar de anos, por isso podemos ter uma em breve.

Os investigadores antecipam que uma do nível 8 aconteça entre daqui a 100 anos e alguns milhares de anos. O estudo ajuda a preencher algumas das lacunas no registo vulcânico da Terra e baseia-se em pesquisas anteriores que sincronizaram os prazos através dos núcleos de gelo dos dois pólos, podendo assim identificar com maior precisão as erupções que tiveram efeitos mais significativos.

Os núcleos de gelo também captam as temperaturas antes e depois das erupções, o que nos dá um vislumbre do seu efeito no clima global, visto que os eventos mais fortes podem causar um arrefecimento entre 5 e 10 anos após acontecerem.

“Os núcleos de gelo contém informação sobre as temperaturas antes e depois das erupções, o que nos permite calcular o seu efeito no clima. Visto que erupções mais fortes nos dizem muito sobre quão sensível o nosso planeta é às mudanças no sistema climático, podem ser úteis nas previsões climáticas“, remata.

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ZAP
26 Março, 2022

 



 

739: Estrela rara (e explosiva) apanhada a produzir poderosos raios gama

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

DESY / HESS, Science Communication Lab
Conceito artístico do sistema binário RS Ophiuchim, formado por uma anã branca e uma gigante vermelha

A erupção do sistema binário RS Ophiuchi revelou que a onda de choque que se expande para o Espaço actua como um acelerador de partículas que produz radiação gama.

Uma estrela binária rara, que explode repetidamente, está a produzir a forma de luz mais energética do Universo: raios gama.

Os astrónomos analisaram a erupção do sistema RS Ophiuchi, que revelou uma onda de choque que actua como um acelerador de partículas que, por sua vez, gera radiação gama.

Segundo o Science Alert, o sistema é formado por uma anã branca e uma gigante vermelha, e a cada 15 anos (ou mais) ocorre um evento de explosão graças ao “vampirismo estelar” – quando uma anã branca rouba o material da sua companheira gigante vermelha até ter material suficiente para desencadear uma reacção termonuclear.

Quando esse evento acontece, o excesso de material da anã branca é expelido violentamente para o Espaço, à velocidade de 2.600 quilómetros por segundo.

No caminho, parte do material encontra-se com o vento estelar da gigante vermelha: os protões são acelerados em energias muito altas e colidem uns com os outros para produzir fotões de raios gama.

Além de sugerir que os raios gama podem ser produzidos em condições menos extremas do que se pensava, esta descoberta indica que explosões maiores, como super-novas, possam ser aceleradores de partículas ainda mais potentes, produzindo raios cósmicos com energias superiores a um quatrilião de electrão-volts.

“É a primeira vez que conseguimos realizar observações como esta, e isto permitirá obter insights futuros ainda mais precisos sobre como funcionam as explosões cósmicas”, reagiu o astrofísico Dmitry Khangulyan, da Universidade Rikkyo, em Tóquio.

No futuro, os astrónomos poderão eventualmente descobrir “que as novas contribuem para o sempre presente mar de raios cósmicos e, portanto, têm um efeito considerável na dinâmica dos seus arredores imediatos”.

O artigo científico foi publicado, a 10 de Março, na Science.

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ZAP
16 Março, 2022