479: Última análise política às legislativas de Janeiro 2022

– O partido racista, xenófobo e fascista que por uma questão de nojo, me escuso a mencionar, “teve cerca de 66 mil votos em 2019 (e um deputado); agora subiu para 12 deputados, com 385 mil votos. São quase 400 mil portugueses a votar neste partido. Como é – ou foi – possível existirem estes números em Portugal, depois de quase CINQUENTA ANOS de fascismo salazarista?

10 anos de Costa, PSD com mais votos, 400 mil no Chega: outros números das eleições

José Sena Goulão / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa

António Costa vai bater um recorde na História de Portugal. 18 vitórias do PS e CDS com mais votos do que Livre e PAN.

Um aviso antes de todas contas seguintes: estes números ainda não incluem os votos nos consulados portugueses. Falta contabilizar as preferências dos portugueses que moram no estrangeiro.

A reacção foi geral, a partir das 20 horas: a surpresa instalou-se e o dia 30 de Janeiro de 2022 fica na História da política portuguesa. O Partido Socialista, contrariando todas as previsões recentes, venceu as eleições legislativas com maioria absoluta. E conseguiu dois recordes no Portugal democrático – já lá vamos.

Outra surpresa foi a abstenção que, apesar de continuar elevada (42,04%), foi muito inferior à registada nas legislativas de 2019, que foi de 51,43% – e não havia coronavírus nessa altura.

CDS desapareceu

Antes do grande vencedor, o facto histórico: pela primeira vez (em eleições livres), o Centro Democrático Social – Partido Popular não conseguiu eleger qualquer deputado. O CDS-PP, um dos fundadores da democracia em Portugal, que foi diversas vezes o terceiro partido mais votado em Portugal, que tinha 42 deputados em 1976, que tinha 24 deputados já em 2011… Ficou com zero. Como se esperava, Francisco Rodrigues dos Santos demitiu-se. E não se sabe o que virá a seguir nos democratas-cristãos.

Dois recordes do PS

Agora, o grande vencedor da noite: António Costa. Ao ser eleito novamente, o líder do PS vai chegar a Janeiro de 2026 como primeiro-ministro, se não aparecer uma grande novidade entretanto (recordemos Durão Barroso, em 2004). E, assim, olhando para o pós-25 de Abril, torna-se no político que será primeiro-ministro durante mais tempo em Portugal: 10 anos. Vai superar Cavaco Silva, que ficou muito perto dos 10 anos no cargo.

E mais: nessa altura, o PS terá governado o país em 16 dos últimos 20 anos. Outra maioria absoluta.

O PS conseguiu outro registo inédito: venceu nos 18 distritos de Portugal Continental. E, tendo em conta, que também ganhou nos Açores, só a Madeira “escapou” do domínio socialista.

A maioria absoluta surpreendente foi conseguida, apesar de esta ser a maioria absoluta com menor percentagem de sempre em Portugal: 41,68%. O menor número anterior pertencia igualmente ao PS, quando José Sócrates conseguiu 45.03% dos votos em 2005. Curiosamente, já houve duas ocasiões em que o PS conseguiu percentagens maiores mas não chegou à maioria absoluta – em 1995 e em 1999, ambas com António Guterres no comando.

PSD com mais votos, mas…

O segundo lugar foi para o Partido Social-Democrata. Uma noite de derrota para Rui Rio, que no entanto conseguiu mais votos do que em 2019, ano das legislativas anteriores. Tinha conseguido na altura 1.420.644 votos e agora subiu ligeiramente, para os 1.498.605 votos. Mas, novamente, as percentagens podem enganar: de 77 passou para 71 deputados.

Várias sondagens previram um empate técnico entre PS e PSD mas, no dia decisivo, o PS ficou com mais 46 deputados do que o PSD: 117 contra 71. Uma diferença de quase 750 mil votos, favorável aos socialistas.

Grandes subidas à Direita

Então, se o PSD tem menos deputados e se o CDS desapareceu da Assembleia, para onde foram os votos dos eleitores de Direita? Para os recém-chegados Chega e Iniciativa Liberal.

Os dois partidos tinham-se estreado no Parlamento apenas em 2019 mas já passaram a ser, respectivamente, as terceira e quarta forças políticas mais fortes em Portugal.

O Chega teve cerca de 66 mil votos em 2019 (e um deputado); agora subiu para 12 deputados, com 385 mil votos. São quase 400 mil portugueses a votar no Chega, que ainda pode atingir esse número redondo, quando “chegarem” os votos dos consulados.

A Iniciativa Liberal tinha um deputado e 65 mil votos; passou a ter oito deputados e 268 mil votos – mais do triplo dos votos no CDS.

Grandes descidas à Esquerda

O CDS desapareceu mas o Bloco de Esquerda também foi alvo de uma queda considerável: de 19 deputados passa a ter apenas cinco.

Curiosamente o Bloco teve mais votos do que a Coligação Democrática Unitária (CDU), com uma diferença ligeira de quase quatro mil preferências; mas a CDU é que terá seis deputados, contra os cinco do Bloco. Na disputa pelos “extremos”, o Chega terá mais deputados do que BE e CDU juntos (12-11).

Os comunistas terão seis representantes em São Bento mas nenhum deles será João Oliveira, que era líder parlamentar e que substituiu Jerónimo de Sousa nos debates desta campanha. E nenhum deles será um deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” – o PEV também sai do Parlamento.

Por falar em ecologia, o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) só conseguiu colocar Inês Sousa Real. E essa eleição surgiu mesmo nos últimos minutos da contagem. O PAN passa de quatro para uma deputada.

Quer o PAN, quer o Livre (um deputado), tiveram menos votos do que o CDS: 86 mil no CDS, 82 mil no PAN e 69 mil no Livre. Mas a contabilidade dos círculos eleitorais, dos distritos, colocou o CDS fora do Parlamento.

Os “outros”

Um pouco mais abaixo, verificamos que, retirando das contas os nove partidos que já tinham pelo menos um deputado, o partido mais votado foi o Reagir Incluir Reciclar. O RIR, liderado por Vitorino Silva, reuniu mais de 22 mil votos, bem acima de todos os outros mais “pequenos”.

O CDS caiu, Bloco e CDU também desceram muito. Mas, em termos relativos, olhando para a escala, o partido que sofreu a maior queda de todas foi o Aliança. Foram quase 40 mil votos em 2019, não muito longe do Livre, que conseguiu um deputado na altura. Em 2022 desceu para menos de dois mil votos. A diferença chama-se Pedro Santana Lopes, que em 2020 deixou o partido.

Há pelo menos 260 portugueses a apoiar a Monarquia em Portugal. Foi esse o número de votos no Partido Popular Monárquico, o PPM (último classificado na noite passada).

Nuno Teixeira da Silva
31 Janeiro, 2022


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475: Portugal Continental e Regiões Autónomas Território Nacional

PARTIDOS % VOTOS  DEPUTADOS

PS 41.68% 2.246.483 117

PPD/PSD 27.8% 1.498.605 71

CH 7.15% 385.543 12

IL 4.98% 268.414 8

B.E. 4.46% 240.257 5

PCP-PEV 4.39% 236.630 6

CDS-PP 1.61% 86.578 0

PAN 1.53% 82.250 1

L 1.28% 68.971 1

PPD/PSD.CDS-PP 0.94% 50.634 3

PPD/PSD.CDS-PP.PPM 0.53% 28.520 2

R.I.R. 0.42% 22.705 0

JPP 0.2% 10.935 0

PCTP/MRPP 0.2% 10.755 0

ADN 0.19% 10.017 0

MPT 0.12% 6.437 0

MAS 0.11% 5.990 0

VP 0.1% 5.528 0

E 0.09% 4.756 0

PTP 0.06% 3.239 0

NC 0.06% 2.997 0

A 0.04% 1.902 0

PPM 0.0% 260 0

31.01.2022


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474: PS com maioria absoluta esmaga BE e PCP. Crises de liderança no PSD e no CDS

Voto útil à esquerda concentra votos no PS, que conquista a segunda maioria absoluta da sua história. Bloquistas e comunistas esmagados – mas os comunistas voltam a estar à frente do BE em número de deputados (seis contra cinco). PAN reduzido a um deputado e Livre reconquista reeleição, com Rui Tavares a superar os resultados de Joacine Katar Moreira. À direita, PSD não subiu nem desceu. CDS-PP desapareceu do Parlamento, engolido pelo forte crescimento do Chega (de um para 12 deputados) e da Iniciativa Liberal (de um para oito).

Aconteceu o que nenhuma sondagem antecipou: o PS venceu ontem as eleições legislativas com maioria absoluta. Pela segunda vez na história do partido – a primeira foi em 2005, com José Sócrates – os socialistas lograram eleger mais de 115 deputados (no mínimo 117, provavelmente 119, contando com os dois tradicionais eleitos socialistas nos círculos emigrantes).

António Costa sagrou-se como o grande vencedor da noite e agora pode formar Governo e fazer aprovar o seu Orçamento do Estado para 2022 sem ter de o negociar com ninguém, nem à esquerda nem à direita.

O resultado do PS obteve-se sobretudo por esmagamento do Bloco de Esquerda e da CDU. O voto útil à esquerda funcionou em pleno a favor de Costa. Foi “absolutamente esmagador”, reconheceria Rui Rio, quando pelas 23.20 admitia a derrota e parabenizava o líder do PS. Nessa mesma declaração, Rio admitiria que “o PSD não obteve nem de longe nem de perto” o resultado que pretendia e anunciaria que, tendo o PS maioria absoluta, não estava a ver como poderia continuar a ser útil ao PSD. “Eu não estou a ver como posso ser útil ao PSD, sinceramente não estou a ver.” Tudo indica que brevemente se iniciará no PSD o processo de sucessão.

António Costa fez o discurso da vitória pouco depois da meia-noite, no hotel do costume em Lisboa onde o PS organiza as suas noites eleitorais, o Altis.

Apesar de nessa altura os resultados oficiais ainda não o dizerem – o PS nessa altura só tinha 112 eleitos -, o líder do PS já assumia que o seu partido iria alcançar a maioria absoluta, “com 117 ou 118” eleitos, não contando com os (presumivelmente dois) eleitos pela emigração (a maioria faz-se a partir dos 116 deputados).

António Costa tentou dissuadir todos os medos associados à ideia de maioria absoluta. “Uma maioria absoluta não é o poder absoluto, não é governar sozinho, é uma responsabilidade acrescida”, prometeria. E até existe um “desafio”, que é o de “reconciliar os portugueses com a ideia de maioria absoluta”.

Portanto – acrescentou – esta será uma “maioria de diálogo com todas as forças políticas” e irá “promover os consensos necessários na Assembleia da República e com os parceiros sociais”. Assim, depois de ser indigitado primeiro-ministro pelo Presidente da República, irá reunir com os partidos parlamentar, excepto o Chega (“não faz sentido”).

Quando o líder do PS acabou de falar havia já a certeza que o partido venceria com maioria absoluta. Porém, os resultados definitivos não estavam apurados. Pelas 00.30 de hoje faltavam apurar 18 deputados: 14 no território nacional, dois pelo círculo da Europa e mais dois pelo círculo de Fora da Europa.

Tudo apontava nessa altura que o PSD ficaria com um score mais ou menos parecido – eventualmente um pouco superior – ao obtido em 2019 (27,9 por cento e 77 deputados eleitos). Às 00.30, o PSD tinha 72 deputados (mas, repete-se, estavam 18 deputados por atribuir).

João Oliveira falha eleição

À esquerda, as eleições foram um arraso tanto para bloquistas como para comunistas – e tanto Jerónimo de Sousa como Catarina Martins culparam a “bipolarização artificial” e “falsa” criada durante a campanha. Às 1.00 da manhã, a CDU tinha seis eleitos (12 em 2019) e o Bloco cinco (19 em 2019).

Na bancada da CDU, os dois deputados do PEV deixaram de ter assento, falhando a sua eleição. E também sai o histórico António Filipe (falhou a eleição em Santarém) e, além dele, João Oliveira, líder parlamentar, que também não conseguiu ser eleito em Évora (e assim se vê afastado da posição de candidato à cada vez mais premente sucessão de Jerónimo de Sousa). Na prática, o único histórico que restará na bancada comunista será o próprio líder.

Também o PAN sairia derrotado – à hora do fecho desta edição tinha um único deputado eleito (foram quatro em 2019).

Quem pode cantar vitória foi o Livre. Rui Tavares, cabeça de lista em Lisboa, conseguiu ser eleito, e com um resultado melhor do que o de Joacine Katar Moreira (28,2 mil votos contra 22,4 mil em 2019).

CDS desaparece da AR

À direita, o mapa reconfigurou-se às avessas do que aconteceu à esquerda. Enquanto à esquerda, a força se concentrou num partido, o PS, à direita assistiu-se a um forte crescimento tanto do Chega (de um para pelo menos 12 deputados) como da Iniciativa Liberal (de um para oito deputados).

A grande vítima do crescimento do Chega e da IL foi o CDS-PP. Pela primeira vez desde a fundação da democracia, nas eleições para a Constituinte em 1975, o partido fundado por Freitas do Amaral deixa de ter qualquer representação no Parlamento. O líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, assumiu as consequências anunciando a demissão.

Projecções acertam

Às 20.00 (hora do continente) as televisões publicaram as suas projecções de boca de urna. Ficou de imediato claro que António Costa seria o grande vencedor da noite. Mas essas projecções não só apontavam para uma vitória clara dos socialistas como para a forte possibilidade de chegarem à maioria absoluta.

Outros dados ficavam claros: o Bloco de Esquerda e a CDU seriam fortemente penalizados pelo efeito do voto útil no PS, passando de terceira e quarta força para quinta e sexta. O Livre mantinha nas projecções a eleição de um deputado (como em 2019) ou talvez dois. E o PAN – partido que não gosta de ser visto como de direita ou de esquerda – perderia representação, não vendo assim premiada a sua atitude equidistante.

O efeito do voto útil não funcionaria, porém, à direita. O PSD reforçaria a sua votação mas ficando longe do PS. Mas, mais do que isso, Rui Rio revelar-se-ia incapaz de impedir o crescimento de dois partidos no extremo da ala direita parlamentar, a Iniciativa Liberal e o Chega. As projecções colocavam os dois partidos a disputar renhidamente o terceiro lugar, com ligeira vantagem para o partido de André Ventura. De resto, ainda à direita, o CDS-PP seria reduzindo à quase inexistência mas mantendo representação parlamentar.

Num primeiro comentário, o PS revelou-se prudente mas já salientando que a concentração de votos à esquerda no partido revelava uma vontade renovada de estabilidade governativa. “A confirmarem-se os resultados, será uma vitória da humildade, da confiança e pela estabilidade [política no país]. Mas vamos esperar pelos resultados”, dizia Duarte Cordeiro, director da campanha do PS, numa declaração aos jornalistas que acompanhavam a noite eleitoral socialista no sítio do costume, o Hotel Altis, em Lisboa.

No PCP o primeiro comentário foi no sentido de explicar o mau resultado da CDU como consequência da bipolarização entre PS e PSD. “Tudo indica que estas eleições dão um resultado muito expressivo ao PS e isto, num quadro de uma fortíssima bipolarização artificial, como demonstram os resultados do PSD, serviu, sobretudo, para prejudicar a votação da CDU”, dizia Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

No PSD, a direcção escolheu não reagir às projecções. A título pessoal, Alexandre Poço, membro da direcção do PSD e líder da JSD, reconhecia a sua “óbvia frustração” por os resultados aparentemente não reflectirem a mobilização que tinha assistido nas ruas durante a campanha. E tirava também a conclusão óbvia: “É justo reconhecer que há maior tendência de voto útil à esquerda do que à direita.” O PAN também recusava comentar as projecções, dizendo Ricardo Vicente que o partido aguardava “serenamente” os resultados finais.

No Chega, André Ventura reconhecia então o resultado como “positivo para o Chega mas mau para o país”, tendo em conta o crescimento do PS.

Já na Iniciativa Liberal, o ambiente era esfuziante. “A probabilidade de ser uma grande noite para o liberalismo é grande, mas aguardemos porque a noite vai ser longa, mas é já certo que Portugal está hoje mais liberal”, afirmava o porta-voz do partido, Rodrigo Saraiva.

Agora o processo eleitoral segue para Belém. Na terça-feira, o Presidente da República receberá os partidos com representação parlamentar e depois indigitará António Costa para formar Governo. Marcelo vai pela primeira vez lidar com uma maioria mono-partidária e sabe que terá a sua margem substancialmente reduzida. Se queria mesmo o país governado ao centro, assente em entendimentos mais ou menos formais entre o PS e o PSD, falhou nesse objectivo.

Hoje o Presidente certamente salientará um dos dados mais relevantes desta eleição: a diminuição da abstenção (de 45,5% para 42% no território nacional).

joao.p.henriques@dn.pt

Diário de Notícias
João Pedro Henriques
31 Janeiro 2022 — 02:45


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471: Eleições Legislativas 30 de Janeiro de 2022

Afinal o basófias que afirmava que ia ganhar estas eleições, que eram favas contadas e que se o PS perdesse o Costa deveria ter a dignidade de se demitir, não foi bem assim… Penso que o bruxo que o aconselhou atirou ao lado.

Já aqui afirmei – e para quem não leu -, sou um completo ATEU religioso e partidário porque não acredito em aldrabões (políticos) que andam a enganar os eleitores (todos eles, sem excepção) por um lado e, por outro, andam a ROUBAR quem menos tem para continuarem a encher a pança aos ricos que representam uma minoria em quantidade mas uma maioria em termos de capitalismo.

Por isso, a vitória do PS não me diz nada, não me afecta nada, assim como não me afectam os resultados dos outros partidos.

Mas sendo ateu partidário, continuo a ser um crente político. E isto quer dizer que não me abstenho de criticar, sempre que exista motivo para isso e em minha opinião pessoal, todos aqueles que atentarem contra Portugal e contra o Povo Português.

Apenas tenho a lamentar que um partido racista, xenófobo, fascista, da extrema-direita, tenha conseguido alcançar o terceiro lugar na votação geral, passando por cima de partidos de esquerda. Quo Vadis Portugal?

É triste as pessoas já se terem esquecido do sofrimento causado durante o fascismo salazarista, da tenebrosa PIDE/DGS ao serviço de salazar e do regime do Estado Novo. E aqueles que não viveram esses tempos, teriam a obrigação de consultarem a História para que Portugal não tenda a cair novamente num regime de ditadura fascista, tão do agrado desse terceiro classificado que até sinto nojo por escrever o nome dele.

Francisco Gomes
30.01.2022

 

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468: “Ter medo do voto dos portugueses” é “ter medo da democracia”. Presidente já votou e recusa especular sobre futuro Governo

– Quem fala de democracia, vindo de um regime da União Nacional do Estado Novo salazarista, é obra! Não é de admirar dado que muitos fascistas viraram “democratas” depois do 25’Abril’74… Depois e falando em meu nome pessoal, porque ninguém me passou procuração, eu não tenho medo do voto e muito menos da democracia! O que eu tenho medo é dos políticos que andam a enganar os eleitores há quase 50 anos, quase tantos anos como os que Portugal viveu no tempo do fascismo salazarista, sob a batuta de salazar e a famigerada PIDE/DGS que parece estar esquecida, pelos actos terroristas que infligiu a muitos anti-fascistas…! E a dissolução da Assembleia da República foi apenas e tão só uma jogada política para ver se o partido deste presidente tomaria o poder “legalmente”. Porque não era necessário dissolver a Assembleia mesmo com o OE2022 chumbado pelos partidos reaccionários que o fizeram! Apenas foi aproveitada a “boleia” para dar ao PPD de Rui Rio a possibilidade de ser primeiro-ministro. Ainda não me esqueci das políticas do famigerado Passos Coelho e do mal que ele causou a Portugal e aos Portugueses! Infelizmente, as pessoas são de memória curta…

SOCIEDADE/ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2022

Hugo Delgado / EPA

Marcelo Rebelo de Sousa já votou, em Celorico de Basto. O chefe de Estado diz que não se arrepende de ter dissolvido a Assembleia da República e recusa especular sobre futuras soluções governativas.

O Presidente da República também já votou por volta das 13h05, na freguesia de Molares, em Celorico de Basto, tendo chegado em viatura própria.

Marcelo Rebelo de Sousa apelou à participação dos portugueses e lembra que não há desculpa para a abstenção tendo em conta o bom tempo. O chefe de Estado também saudou a maior participação dos portugueses até ao meio-dia, comparativamente às legislativas de 2019.

“É preciso olharem para o fundamental e votarem e pelos vistos os números são melhores dos que os de 2019. É uma prova de vida, de vitalidade e de democracia. E uma prova de que as pessoas querem exprimir a sua voz”, disse, reforçando que espera que seja possível que, entre as 18 e as 19 horas, “muitos dos portugueses isolados venham votar, não prejudicando ninguém e exercendo o seu direito”.

O chefe de Estado afirmou ainda que  “ter medo do voto dos portugueses” é “ter medo da democracia”. “Ninguém tem que ter medo do voto dos portugueses, porque isso é ter medo da democracia. Uma coisa é a nossa opinião e o nosso voto, outra coisa é admitir a diversidade e o voto de todos os portugueses”, realçou.

Marcelo voltou a falar na lei eleitoral, especificamente no caso dos isolados, depois de ter sugerido na mensagem de ontem que esta seja revista.

“Uma solução alternativa poderia ser os isolados votarem no sábado, mas a lei não permite. Ou então alargar o horário, mas a lei não permite. Temos uma lei feita para outras circunstâncias. Foi como o dia da reflexão, que aparece porque era tudo muito intenso. Entendia-se que era uma forma de pacificação, depois de uma intensidade grande na campanha. A democracia está institucionalizada, é altura de pensar sobre esse dia”, propõe.

Alguns emigrantes estão também a ter dificuldades para votar. O PR defende que o parlamento tem de repensar as regras e lembra que há outros “problemas burocráticos que a covid-19 acentuou”.

Questionado sobre se estava arrependido de ter dissolvido o parlamento, respondeu: “O que está feito, está feito, é preciso olhar para o futuro”. O Presidente disse ter feito “em consciência o que tinha de fazer”, recordando que “o Conselho de Estado, esmagadoramente, apoiou, os portugueses apoiaram”.

Sobre os diferentes cenários governativos que possam sair destas eleições, Marcelo disse não pretender “entrar em especulações”.

“Sabem que vou receber os partidos na terça e na quarta, sabem que este é o conjunto de problemas que os portugueses conhecem e que o futuro Governo vai ter de enfrentar”, afirmou, lembrando que “a fórmula de governo e o tipo de governo”, é que vai “perguntar aos partidos, olhando para os resultados, como é que veem o futuro imediato em termos de governação”.

“Antes disso não me vou pronunciar”, insistiu.

Marcelo Rebelo de Sousa seguiu para almoçar no restaurante habitual, com o Presidente da Junta de Freguesia de Molares. O chefe de Estado segue depois para Lisboa, onde terá um “jantar pequeno” antes de ir para Belém.

  ZAP // Lusa

ZAP
30 Janeiro, 2022

 

 

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404: A elite que dominou durante décadas o parlamento

– Quando o tacho e as mordomias são boas, há que aproveitar! Porque não é intrinsecamente a defesa dos mais desfavorecidos que impulsa esta gente, mas tão só os benefícios pessoais e partidários. Infelizmente, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres! E se a profissão de deputado não fosse boa, alguém estaria lá? “deputados que entraram aos 20 e poucos anos para a actividade política e que não sabemos quando irão sair. O que é eles fizeram sem ser deputados? Não fizeram mais nada. Ou, pelo menos, não lhes é conhecido outro tipo de actividade privada que não tenha que ver com a actividade de deputado”. E viva a “democracia”…!!!

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2022

Os que ficaram poucos anos na Assembleia da República são muitos, mas há uma minoria de 475 deputados que foi ficando: uns por 12 anos, os restantes por 20, 30, quase 40 anos. Este é o retrato dos 1.588 eleitos desde 1976.

© Ilustração /Vítor Higgs

Um foi eleito deputado 14 vezes, dois foram eleitos 13 vezes, quatro foram deputados por 12 vezes, outros quatro foram eleitos 11 vezes e dois foram eleitos dez vezes para a Assembleia da República.

Miranda Calha, Jerónimo de Sousa, Mota Amaral, José Magalhães, José Cesário, Jaime Gama, Arménio Santos, Jorge Lacão, Manuel Alegre, Pedro Pinto, Correia de Jesus, António Filipe e Ferro Rodrigues (por esta ordem) fazem parte do topo da “elite” de 475 deputados que foram permanecendo ao longo dos anos; uns 12 anos (36,8%); outros mais de 20, 30 anos (a grande maioria: 63,1%).

Deste grupo, só Jerónimo de Sousa (cabeça-de-lista por Lisboa) e António Filipe (por Santarém) continuam a carreira parlamentar. Miranda Calha, eleito pela última vez em 2015, morreu em Março de 2020; Jorge Lacão, José Magalhães, José Cesário e Pedro Pinto não são candidatos às eleições de 30 de Janeiro; Ferro Rodrigues decidiu abandonar a vida parlamentar; os restantes já tinham saído nos últimos anos.

A partir daqui, deste grupo restrito de deputados mais vezes eleitos – entre dez e 14 vezes -, o número de “repetentes” cresce um pouco: nove foram eleitos sete vezes, 14 foram eleitos por oito vezes, 32 por sete vezes, 47 por seis vezes, 76 por cinco vezes, 115 por quatro vezes, 175 foram eleitos três vezes.

E depois surgem aqueles que foram eleitos, até 2019, entre duas e uma vez, e que são a grande maioria: 1.113 dos 1.588 deputados eleitos desde 1976. Ou seja, 70% dos parlamentares estiveram, alguns ainda estão, na Assembleia da República por dois mandatos ou menos e 30% permaneceram, e ainda permanecem alguns, por três ou mais legislaturas.

Profissão ou ocupação? Seja qual for a perspectiva, na verdade, “em termos médios, a percentagem de permanência dos mesmos deputados, de um mandato para o seguinte, andou sempre em valores a rondar os 40%” de parlamentares que foram eleitos para três mandatos ou mais, e sem distinção de partido, “a evolução da curva geral de estagnação [deputados que se mantiveram pelo menos 12 anos], na Assembleia da República [AR], tem vindo a seguir uma tendência de constante repetição de nomes”.

A investigação de Jorge Fraqueiro [pós-doutoramento sobre a Renovação ou estagnação dos deputados (1976-2019)] revela ainda que “entre o primeiro e o mais recente ato eleitoral para a AR, respectivamente 1976 e 2019, os anos em que a permanência de deputados para o mandato seguinte assistiu a valores mais elevados foi em 1985 e 2005, momento em que em ambas as eleições permaneceram no lugar 45% dos parlamentares” com três mandatos ou mais. Olhando para os últimos anos, verifica-se que em 2015 continuaram no lugar 49% dos deputados com 12 ou mais anos de parlamento e que em 2019 permaneceram 46%.

“Se tivesse cruzado estes dados com as idas para autarquias, Parlamento Europeu, ministérios e secretarias de Estado, empresas do Estado, etc., garantidamente que iríamos verificar que o tempo de estagnação política, não somente o parlamentar, aumentaria para a casa dos 70%, 80%”, alerta Jorge Fraqueiro.

Os partidos

Segundo a investigação, o PCP é, de todos, o partido que mantém por mais tempo os seus deputados. “No período entre 1976 e 2011, registava valores percentuais médios de estagnação na ordem dos 60%, tendo chegado mesmo a atingir os 78% em 1985 (…) em 2015 a percentagem foi de 60% e em 2019 baixou para 45% (…) a eleição em que mais renovou os seus deputados foi em 1999, altura em que manteve apenas 33% com três ou mais mandatos.” “Actualmente, em termos médios, regista valores de estagnação de 43%” de parlamentares que se mantiveram pelo menos 12 anos.

O Partido Ecologista Os Verdes (PEV), que surge em 1985 e que concorre em coligação com o PCP, e dado o seu número reduzido de deputados, de 1991 a 2011 “foi registando um valor médio de permanência dos mesmos nomes na ordem dos 68%”. Em 2002 e 2005 teve “estagnações de 100%”, de deputados com três ou mais mandatos, que repetiu em 2015. Nas últimas legislativas renovou todos os seus deputados. “A percentagem média geral de estagnação, desde que se apresentou, pela primeira vez a eleições legislativas, e o último ato eleitoral, é de 42%” de deputados com três ou mais mandatos.

O PS, que “regista níveis mais altos de estagnação nas legislaturas em que assume o papel de oposição” e que esteve “com oscilações diversas” nas 15 eleições analisadas – andou “quase sempre acima dos 40%”-, teve alturas, como em 1987, “em que ficou próximo dos 60%” de deputados eleitos por três ou mais vezes. Em 2002 e 2011, por exemplo, os valores de estagnação “atingiram os 45%”. Com um nível médio de estagnação até 2011, “na ordem dos 56%, assistimos agora a uma quebra acentuada caindo para os 36% actuais” de parlamentares com pelo menos 12 anos de exercício.

O PSD, tal como o PS, também teve várias oscilações até 2019, mas “quase sempre em redor dos 40%”. O pico mais alto foi em 2005 com 45% de repetentes com três mandatos ou mais; o mais baixo em 1980 com apenas 25%. A curva de estagnação tem vindo a baixar desde 2009 (46%) caindo para os 29% em 2011 e 2015. Nas últimas eleições foi de 27%. O valor médio desde 1976 é de 31% de deputados com 12 ou mais anos de parlamento.

O CDS, que registou até 2011 níveis médios de 46% – excepto em 1980, 1987 e 1991 em que andou pelos 30% e em 1995 em que apenas repetiu 7% dos deputados com três mandatos ou mais – registou nas últimas duas eleições legislativas percentagens altas de repetição: 67% em 2015 e 60% em 2019 de deputados com pelo menos 12 anos de Assembleia da República. A média desde 1976 é de 31%.

O BE, que foi a primeira vez a eleições em 1999, e, portanto, com um percurso histórico de menos 23 anos, teve até 2011 um nível médio de 40%. A baixa repetição de deputados em 2009 (13%), em 2015 (11%) e em 2019 (16%) colocam o partido com um nível médio de 17% de deputados com pelo menos 12 anos de vida parlamentar.

Os resistentes: três exemplos

Évora foi o círculo que, de 1976 até 2019, mais repetiu o nome dos seus parlamentares (41%). “E foi em 2002 que, em comparação com o mandato anterior, mais manteve os seus candidatos” com três ou mais mandatos: “atingiu os 100% de repetições”. “Os anos de 1980 e 1987 foram, ao longo destes 44 anos os dois em que Évora renovou [saíram os deputados com mais de 12 anos de parlamento] completamente as suas listas.”

Segue-se, na lista dos resistentes, Portalegre com um valor médio de 40%. “Foi em 1985, ainda na fase de consolidação da democracia, que o círculo de Portalegre registou a maior estagnação (100%). O segundo ano mais estagnador foi 1999 com 67% de deputados com pelo menos 12 anos de parlamento. Os anos de menor estagnação (0%) foram 2011 e 2019.

Setúbal, que tem um valor médio de 38%, teve em 1985 o ano mais estagnador: 59% de deputados com três ou mais mandatos. O segundo ano mais “parado” foi em 2015 com 56%. Já aquele em que se registou o nível mais baixo de repetição de nomes foi em 2009 com 18%.

Os renovadores: dois exemplos

Beja foi o círculo que mais renovou os candidatos ao longo destes 44 anos: não ultrapassa os 16% de média geral. Somente em 1980 teve 40% de eleitos com três ou mais mandatos. Das 15 eleições, em seis delas a estagnação foi mesmo inexistente: todos tinham menos de 12 anos de parlamento.

Vila Real, outro dos casos dos poucos círculos que mais renovam, tem um valor de 19%. “Os anos em que houve menor nível de estagnação foram 1991, 2002 e 2005 em que todos os parlamentares [com mais de 12 anos de exercício] foram mudados em relação ao mandato anterior.” O ano de maior estagnação foi nas últimas eleições legislativas (2019) “com 40% de deputados” com três ou mais mandatos.

Deputado é uma profissão?

“Os deputados exercem o seu serviço público, como eles dizem, mas muitos como actividade principal, remunerada, com hierarquia, a título permanente… portanto, preenche todas as condições para ser, efectivamente, uma profissão. Ainda que isso”, sublinha o investigador, “seja às vezes difícil de aceitar pelos deputados porque uma profissão, como eles acham, é uma carreira que dizem não ter.” Jorge Fraqueiro equaciona os casos de “deputados que entraram aos 20 e poucos anos para a actividade política e que não sabemos quando irão sair. O que é eles fizeram sem ser deputados? Não fizeram mais nada. Ou, pelo menos, não lhes é conhecido outro tipo de actividade privada que não tenha que ver com a actividade de deputado”.

“Por exemplo, dos deputados eleitos em 2019 com menos de 40 anos, dez já vão no segundo mandato. Ou seja, muitos deles vieram quase dos bancos da faculdade para os bancos do parlamento. Isso não será uma forma de validar a perspectiva de profissão?”, questiona.

O investigador revela que mais de 60% dos entrevistados para o pós-doutoramento consideraram que a actividade política “nos últimos anos, desde há uns dez, 15 anos ou mais, se tinha tornado realmente uma profissão, a profissão”. O que o surpreendeu foi o facto de entre os políticos questionados [Mota Amaral, António Capucho, Mário Soares, António José Seguro, Figueiredo Lopes, Álvaro Barreto, entre outros] “aqueles que já estavam a sair ou já tinham saído da chamada política activa não terem qualquer dúvida de que tem havido uma profissionalização da política e admitirem isso de forma directa e clara”.

E mais, acrescenta, “dizendo que haveria, nos últimos anos, uma redução da qualidade dos actores políticos. Não por qualidades pessoais, mas por falta de experiência de vida, que não traziam aquilo que era necessário. Mário Soares, por exemplo, mas também Álvaro Barreto, não se escusaram a dizer tudo isto”. O antigo Presidente da República disse mesmo que “nos últimos anos, por força de gente nova e sem experiência, essa qualidade se tinha perdido”.

Já “os que estavam em exercício de funções”, sublinha, “foram aqueles que mais tiveram dúvidas e reticências em aceitar a ideia da profissão”.

A repetição de eleitos pelo Porto com pelo menos 12 anos de deputado é, em média, de 30%. Em Lisboa, o valor é de 34%. Os dois círculos elegem 88 parlamentares (38% do total).

António Filipe, deputado do PCP, que em Fevereiro faz 33 anos de vida parlamentar, diz perceber que “os grupos parlamentares possam precisar de renovação, mas também precisam de experiência. E aí o povo é soberano, o povo elege os deputados em quem vota.

– Afirmação falsa! O Povo não elege deputados, o Povo elege partidos!

É natural que haja uma renovação, mas também acho natural que possa, que deva, haver deputados que exerçam o seu mandato por várias legislaturas por terem a confiança dos seus pares e dos seus eleitores. Os partidos são soberanos na elaboração das suas listas e o povo é soberano no seu voto, faz parte da democracia. São reeleitas as pessoas que têm a confiança popular, a soberania popular deve ser respeitada”.

José Magalhães, que cessa agora a sua vida parlamentar, começou como assessor de imprensa e mais tarde chefe de gabinete antes de ser eleito deputado, em 1983, pela primeira vez pelo PCP, e anos depois, em 1991, pelo PS, considera que o seu “caso é em certo sentido especial porque a minha profissão nunca deixou de ser professor universitário. Com mais intensidade ou não fui sempre professor de Direito Público a partir de 1989. A minha vida foi atípica porque acumulei sempre com outras actividades”.

O deputado socialista, que diz ter mantido “sempre um grau de independência” e não ter tido “uma atitude de servidão”, concorda com a leitura de Mário Soares dos que “chegam sem profissão” ao parlamento. E numa evidente, ainda que subtil nas palavras, referência a um antigo líder recorda “essa ideia de que o deputado ideal é uma criatura virgem, saída de uma capela académica, sem qualquer experiência no terreno para vir aprender em São Bento, como o famoso deputado “o grande escritor”, as artes da queda de um anjo”.

Para José Magalhães, os deputados não deviam ter ficado de fora na norma, criada a partir de 1997, que limita mandatos políticos. “A minha opinião, hoje, é que não é correcto. O cargo de Presidente da República tem limites, os presidentes de câmara também, embora a limitação devesse abranger os vereadores. Se todos eles têm, os deputados não podem estar de fora.” E ironiza: “É que há muita gente que sai [do parlamento] para ir directamente para o voto de pesar.”

O social-democrata José Cesário, que esteve quase 39 anos como deputado, considera que “estar na política sem profissão traduz-se em dependência, uma grande dependência. Eu quando cheguei à política já era professor, já estava a exercer a profissão e isso permitiu-me fazer as coisas de outra forma. Sabe, o modo como se encara a actividade política, seja na óptica da ocupação ou da profissão, depende de cada um. Eu encarei-a sempre como uma ocupação, algo transitório. A verdade é que foram 12 legislaturas seguidas, mas aprendi com os mais antigos: trabalhar como se o mandato não tivesse fim, mas estando preparado para sair de um dia para o outro”.

José Cesário, que foi eleito pela primeira vez em 1983, tem ainda presente na memória o dia em que subiu a escadaria e entrou na Assembleia da República. “Nunca esquecerei esse dia, entrei juntamente com um colega, que já faleceu, o Luís Martins. E eu tinha essa ambição, não o escondo, nunca o escondi, até porque nasci na política. A entrada por aquela porta principal da Assembleia é algo que nunca mais esquecerei. Senti-me um bocado esmagado, esmagado pelo peso da instituição, pelas pessoas com quem estava a contactar, estava na casa da soberania popular. E até um pouco perdido, confesso.”

E a explicação é simples. Havia dois mundos, o de Lisboa e o do restante país. “Eu vinha, venho, de fora de Lisboa, venho de Viseu, não sou um lisboeta, nunca fui e nunca me assumi como tal. O chegar ali foi muito forte, esmagador.”

artur.cassiano@dn.pt

Diário de Notícias
Artur Cassiano
17 Janeiro 2022 — 00:36




 

388: Governo lança site para inscrição em voto antecipado

SOCIEDADE/VOTO ANTECIPADO/ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

Para facilitar a votação em qualquer ponto do país e de forma antecipada no dia 23 de Janeiro, o Executivo lançou um site com instruções e onde os eleitores se podem inscrever.

Em 2019 também houve voto antecipado
© Amin Chaar / Global Imagens)

O site https://votoantecipado.gov.pt/ já está online e foi lançado pelo governo para facilitar a inscrição dos eleitores que queiram votar a 23 de Janeiro e em qualquer ponto do país, independentemente do local em que estão recenseados.

No site, o Executivo esclarece que todos os eleitores se podem inscrever entre os dias 16 e 20 deste mês, e se falharem a votação, por qualquer motivo no dia 23, poderão votar a 30 de Janeiro, data oficial das eleições legislativas,

O Governo esclarece que para este voto antecipado foram criadas 2549 mesas de voto. E garante total segurança neste processo.

“Depois da correta identificação de identidade, receberá o boletim de voto e dois envelopes, um branco e um azul. Preencha o boletim de voto, dobre em quatro, introduza-o no envelope branco e feche. Introduza então o envelope branco fechado no envelope azul e feche. Este envelope será de seguida selado com uma vinheta de segurança, altura em que receberá do Presidente da Mesa um duplicado dessa vinheta, que servirá de comprovativo do exercício do seu direito de voto”, esclarece o Executivo no próprio site.

Para o voto antecipado, pode inscrever-se para votar no local que lhe seja mais conveniente, não sendo necessário coincidir com o da morada de recenseamento eleitoral.

Diário de Notícias
Paula Sá
13 Janeiro 2022 — 14:52




 

370: Campanha. É tudo hipocrisias, larachas, técnicas velhas e gastas

– Ou seja, em termos práticos, uma cambada de aldrabões, hipócritas, cínicos e sem competência para governarem Portugal.

Eleições legislativas 2022

O que mudou em 47 anos de campanhas eleitorais? Quatro especialistas analisam debates, marketing, discursos e o palco digital. E as mudanças nos hábitos. A política já não é o que era, mas as “armas” que usa são as mesmas.

Já ninguém cola cartazes nas paredes com cola da farinha, já é raro ver carros com megafones de sons agudos e estridentes, os comícios deixaram de ser – e não apenas por causa da pandemia – ajuntamentos de milhares e nem sequer os debates, que passaram de grandes para micro-debates, param o país em frente à televisão. Até sexta, o mais visto, em canal aberto, foi o que opôs Catarina Martins a Rui Rio [1,4 milhões de telespectadores] na SIC.

Nos canais de cabo, raros são os que ultrapassam os 190 mil telespectadores, segundo as análises da Universal McCann, agência de meios do grupo Media Brands. Em 2015, o frente-a-frente entre Passos Coelho e Costa foi seguido por 3,4 milhões de portugueses, um recorde – mas passou em simultâneo na SIC, na RTP e na TVI e nos respectivos canais de informação. E longe do programa mais visto (quase 5,6 milhões) da televisão portuguesa desde que há medições: o Portugal vs. Holanda no Euro 2004. E longe do impacto incomparável do célebre debate de quase quatro horas do “Olhe que não! Olhe que não!” que colocou frente-a-frente, em 1975, Álvaro Cunhal e Mário Soares – 19 dias depois dava-se o 25 de Novembro.

E agora, 47 anos depois das primeiras legislativas o que, de facto, mudou de substancial nas campanhas eleitorais?

Edson Athayde, director criativo da FCB Lisboa, centra a análise nas últimas três décadas e não vê que tinha havido grandes alterações. “Em grande parte não mudou muita coisa, por incrível que pareça. Os partidos continuam a comunicar usando os mesmos suportes que basicamente se usavam há 30 anos: cartazes, tempos de antena, folhetos, arruadas, comícios. E aliás, se não há arruadas e comícios agora, é mais pela pandemia do que pela vontade dos partidos. Há 20 anos, por aí, começou a usar-se timidamente as plataformas digitais, os sites… e agora as redes sociais, mas nenhum partido se destaca grandemente nessas áreas.”

“Do ponto de vista físico, de concreto, não há muita diferença: o que diz um pouco sobre a maneira como os partidos comunicam, uma incapacidade de evoluir para onde a sociedade vai, nomeadamente a parte digital. Não temos nenhum que possa dizer que usa as ferramentas digitais de maneira brilhante, nem agora nem nunca”, considera. “Boa parte da campanha”, considera ainda Edson Athayde, “é feita para a comunicação social, é uma maneira de os candidatos, os partidos aparecerem para a maioria da população”.

No entanto, avisa, faltam mensagens fortes e claras na comunicação. E isso, considera, “tem que ver com medo. Há 30, há 20 anos, havia curiosidade e até alguma permissividade da sociedade em olhar e entender que aquilo é campanha, não se procurava ver num cartaz uma verdade absoluta ou algo de um programa de governo. E ao mesmo tempo a sociedade era mais passiva. Sempre houve piadinhas, trocadilhos, mas ficavam na mesa do café. Como há as redes sociais, qualquer cartaz, qualquer comunicação, qualquer frase, qualquer soundbite hoje é um espinho porque pode ser completamente destruído, destroçado e voltar como um boomerang para quem o emitiu.

E as redes sociais são muito úteis a fazê-lo, são mais utilizadas como contrapropaganda do que para propaganda. Então há muito medo de os partidos usarem qualquer tipo de coisa que sai da norma, nomeadamente os partidos maiores. Os menores e os das pontas, esses têm menos problemas, esses sempre disseram coisas mais agressivas e mais visíveis e mais vistosas. Não têm medo porque têm menos gente.”

Debates com candidato do Chega, André Ventura, estão entre os mais vistos

Edson Athayde confessa que “aqui em Portugal, parece que é preciso acordar para a vida, nada surpreende. Os recursos de uma campanha em Portugal são muito curtos”. “Não acho mal nem bem, é apenas uma realidade. Então, se você vai gastar os poucos recursos que tem a fazer as mesmas coisas não vai sobrar nunca para fazer outras.” É tudo normal, “tudo passado”, conclui.

“Olho para a campanha e espero que alguém me surpreenda pela positiva. Se não me surpreende, se não me chama a atenção é a não mensagem… e aí encaixa 99% do que se faz. Depois tem 1% das coisas a que até presto atenção, mas como são de partidos que são dos extremos também não me surpreendem e não me abalam enquanto eleitor. A minha, digamos assim, grande ansiedade é ver os quatro maiores, esses sim, terem a capacidade de encontrar uma maneira de fazer as suas ideias chegarem a mais pessoas, mas nesse momento eu não vejo isso”, afirma.

Hábitos, soundbites e hipocrisias

Manuel Falcão, consultor de media, sublinha que “as maiores diferenças estão ao nível da profunda alteração dos hábitos de consumo de media que existiam até à primeira década deste século e o que se passava nessa altura”. Recuando “aos anos 80 e 90, e por maior razão nos anos 70 – quando as leis eleitorais em vigor foram inicialmente feitas, mesmo com as revisões que houve posteriormente… -, a realidade do consumo dos media não tem nada que ver com a realidade de hoje.

Os mais consumidos eram a televisão, a rádio e os jornais, os jornais tinham um peso enorme na comunicação com o grande público, mas tudo isso se alterou ao ponto de, no caso da televisão, por exemplo, os canais generalistas, que eram largamente dominantes nessa altura, hoje não chegarem – os três em conjunto, RTP1, SIC e TVI, não chegarem muitas vezes – em muitos dias sequer aos 50% do total da audiência que existe disponível a ver televisão”.

“O impacto que tinham, quer os tempos de antena quer os debates nos canais generalistas, era completamente diferente. E depois não existia a Internet, não existiam os sites de informação, não existiam as redes sociais e também não havia fake news, tal como as conhecemos hoje. São três coisas ligadas ao mundo digital que alteram completamente a maneira de consumir informação. Nem sequer a nossa lei eleitoral, mesmo nas adequações menos antigas, tem esta alteração toda em consideração”, destaca.

Para Manuel Falcão, existe um desajustamento entre a realidade dos dias de hoje e a forma, ainda antiga, como os partidos se posicionam. “O que nós temos é um país em que as pessoas estão habituadas a ver a comunicação de uma determinada forma e um sistema político e partidário que comunica de outra forma. E um sistema eleitoral que tem regras antigas aplicadas a uma realidade nova.

Esta conjugação destas três coisas é explosiva sobretudo num contexto ainda mais complicado com as dificuldades gerais que a questão da pandemia coloca. Temos uma diferença muito grande entre o que é o retrato do consumo dos media, ao longo de um dia, e aquilo que é a percepção pública do que são as actividades dos políticos.”

Debate entre Passos e Costa em 2015 foi o mais visto de sempre

O consultor de comunicação sublinha “as limitações que existem em Portugal no recurso à publicidade para contactar os eleitores”, que considera “hipócritas” e que “limitam”, por exemplo, que possa haver uma comunicação mais eficaz do ponto de vista digital. “Digo que são hipócritas porque em 1974, em 1984 era a militância dos partidos que colocava os cartazes, andavam a colar cartazes na rua, eles é que faziam a sua propaganda, entregavam folhetos, tinha comícios, essa coisa toda.

Desde há pelo menos 15 ou 20 anos que tudo são outdoors, de praticamente todos os partidos, são outdoors comerciais, encapotadamente mas comerciais. São de empresas que se dedicam à propaganda política e aquilo tem custos, e no entanto, não se pode fazer publicidade paga nos outros meios – mas na rua é permitido. Há aqui uma hipocrisia que tem que ver com falta de adequação aos novos tempos que também limita toda a eficácia da comunicação.”

E depois, há os “soundbites e os debates de “murro no nariz”. Sinal dos tempos, mas principalmente “sinal da incapacidade de os actores políticos conseguirem fazer uma transmissão clara das suas ideias. Das duas uma: ou não têm programa político e não têm propostas, coisa que acontece em alguns casos, ou não as sabem transmitir de forma eficaz. Isto depois redunda em debates que são mais duelos de esgrima do que propriamente esclarecimento de ideias.

Este formato de debates é um formato “pugilista”, a ver quem é que ganha, a ver quem é que acerta mais murros no nariz do adversário. Isto nunca é uma solução boa para conseguir ter esclarecimento. Temos aqui um problema grave a funcionar, um problema sério que passa por o sistema político e partidário encarar que isto é problema, que tem que ser resolvido e que tem de haver correspondentes alterações na lei eleitoral ao nível do acesso a outras formas de comunicação que tem mais que ver com a jornada diária de consumo de informação e com as possibilidades de fazer coisas mais eficazes”.

Por último sublinha, nos debates, para além da questão do tempo, há “uma questão de eloquência, da capacidade dos intervenientes e dos protagonistas. Nós temos protagonistas confusos, não quero citar nenhum nome, mas há um protagonista de debates que só faz confusão atrás de confusão, e há outro que só faz barafunda atrás de barafunda… assim é muito difícil chegar a alguma conclusão. E na maior parte dos casos, estamos a falar de debates em que os protagonistas estão a rezar a missa para os que já estão convertidos, não vão buscar ninguém que não seja fiel”, conclui Falcão.

Exércitos do nojo, ditaduras da laracha e do dichote

Rui Calafate, consultor de comunicação e comentador na CNN Portugal, afirma que “em termos de marketing político, as coisas estão todas inventadas. As únicas evoluções são as que advêm das circunstâncias actuais e das tecnologias actuais. As tecnologias têm que ver com a maior aposta no digital, apesar de, no meu entender, ainda se trabalhar mal as questões digitais. O segundo factor tem que ver com as questões pandémicas. Temos aqui um case study: um país com três eleições em plena pandemia”.

“Nas autárquicas foi como se fosse uma eleição normal. Não havia grandes preocupações pandémicas e, portanto, as técnicas, o que foi utilizado, foi basicamente o que era normal. A eleição presidencial foi a mais anormal e por um motivo: vivemos naquela altura um número elevado de mortes. As presidenciais foram marcadas por algum confinamento, muitas limitações de circulação, etc… e o que é que aconteceu? Uma das técnicas, os outdoors – um dos meios habitualmente mais usados – praticamente não existiu. O candidato presidencial que veio a ganhar [Marcelo Rebelo de Sousa] nem um outdoor pôs na rua. Porquê? Quem aconselha os candidatos viu que não havia muita circulação automóvel. O que é que está a acontecer neste ano? O contrário. Já há muitos outdoors espalhados pelo país”, explica o consultor de comunicação.

Agora, com as limitações causadas pela covid, há “um regresso ao passado com estes 15 dias de debates”, considera o consultor. “No passado o que era importante mesmo eram os debates, era daí que vinham as audiências, eram os debates que marcavam e não se ligava tanto às questões de marketing político, de campanha política, de outdoors. Eram os debates entre Mário Soares, Álvaro Cunhal, Sá Carneiro, Freitas do Amaral que marcavam as coisas. Até há, curiosamente pela questão pandémica, um regresso à importância do debate. Mas concordarei com alguns observadores: são debates muito curtos, há pouco conteúdo, tem havido pouco conteúdo sobre o que é importante para as pessoas.”

A mudança substancial está, assegura Rui Calafate, na indefinição das ideologias e no entretenimento em que a política se transformou. “Nos anos 80 e 90 havia algo que efectivamente desapareceu: havia combates com uma matriz ideológica. Sabíamos das raízes e valores de todos os partidos, sabíamos ao que vinham”. “Tínhamos”, sublinha, debates “com ideologia, com ideias, e também – tem de se dizer – com líderes de outro calibre”. Agora, “há uma ditadura do soundbite, há uma ditadura do dichote, há uma ditadura da laracha, e aquilo que passa é o que é engraçado. E por um motivo: a sociedade actual é uma sociedade do entretenimento, não é uma sociedade de informação. Antes, as pessoas estavam mais informadas, hoje estão mais entretidas. Essa é a grande diferença.”

O que é preciso combater? “O lado negativo do digital que está espalhado por todo lado. Esses exércitos do nojo que são pessoas que têm 20, 30 perfis falsos, os boots que vão fazer disseminar fake news… infelizmente vemos várias matilhas do exército do nojo a actuar nas redes sociais. Ler mais, ler mais imprensa, ler mais jornais é o melhor caminho para uma pessoa se manter informada. É preciso separar o trigo do joio, saber o que é real na mensagem”, conclui Calafate.

As novas arenas, os chavões e a ideologia instrumental

Sofia Aureliano, professora auxiliar e coordenadora executiva da pós-graduação em Comunicação e Marketing Político no ISCSP, considera que essencialmente o que “mudou, nas últimas décadas, foi o aparecimento de um novo palco, o palco digital, que veio trazer várias novidades: mudou a arena dos debates, mudou a forma como se faz marketing político, e sobretudo existe agora uma relação tripartida entre jornalistas, o eleitor e o candidato. Dantes, a mensagem estava sempre dependente de um filtro, o filtro jornalístico. Ele continua a existir, não desapareceu, só que agora existe outra forma de comunicar, de ir directamente ao público-alvo”.

“A possibilidade de relação directa entre eleitores e candidatos permite chegar a muito mais pessoas, adequar a mensagem, segmentar a mensagem de uma forma mais eficiente e obviamente permite alguns exageros e o nascimento de movimentos populistas que de outra maneira, sem o palco dos media, não conseguiriam espaço neste teatro político”, afirma.

Entre “chavões”, “linguagem superficial” e “ideias genéricas” os políticos “não chegam nunca a aprofundar coisa nenhuma”. E nos “debates”, reforça, tem-se assistido a isso. “Ou caem naquela armadilha de ficar só nas acusações pessoais ou na questão ideológica quando a questão ideológica é completamente instrumental. No fundo, esquerda e direita, hoje em dia, já não quer dizer nada, são conceitos vazios. Tanto é que as ideias concretas, hoje em dia, muitas vezes até se cruzam.”

“Se perguntarem, aos portugueses o que é que eles acham que determinados candidatos vão fazer quando chegarem ao poder… não sabem, não sabemos. Na realidade não se sabe o que é que eles [os partidos] querem efectivamente fazer de diferente do que está a ser feito.” E além do mais, considera, como o tempo que “lhes é dado é curto”, recorrem “à mensagem curta e rápida, o que do ponto de vista das ideias é pouco fértil”. E “não se sai daqui, não se aprofunda nada”.

artur.cassiano@dn.pt

Diário de Notícias

349: Governo admite suspensão de isolamento para votar

“O isolamento profilático, se existe, é para evitar a transmissão excessiva da variante Omícron, mas no nosso ver é fundamental é encontrar uma solução”,”. Será que todas estas cabecinhas pensadoras têm assim tanta dificuldade em arranjar uma solução para este tremendamente difícil problema? Já aqui dei uma opção, de várias, voto por correspondência como os imigrantes ou criarem uma janela no Portal das Finanças onde surgiria o boletim de voto. Não existe possibilidade de fraude porque a entrada no Portal tem de ser com password ou chave digital. Complicam o que é fácil. A serradura na cabeça não dá para melhores desenvolvimentos. Além disso, misturar pessoas infectadas com saudáveis é a situação mais absurda que já li e/ou ouvi.

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS vs PANDEMIA

Está também a ser equacionado se ainda é possível avançar com alterações à lei para acautelar o direito ao voto nas legislativas de 30 de Janeiro.

© Tiago Petinga/Lusa

O Governo pediu ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer para saber se o isolamento obrigatório pode ser suspenso para que os eleitores possam exercer o direito de voto nas legislativas de 30 de Janeiro.

Foi o Presidente da República quem o afirmou, em declarações ao início da tarde desta quarta-feira, após a reunião com especialistas do Infarmed. “O senhor primeiro-ministro anunciou que a senhora ministra da Administração Interna terá pedido ao Conselho Consultivo da PGR um parecer sobre o saber-se se o isolamento impede o exercício do direito de voto, ou se é possível exercer o direito de voto, em condições de segurança, apesar do isolamento, isto é, suspendendo o isolamento para esse efeito”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

De acordo com o Presidente da República há uma outra hipótese que está a ser equacionada: “se é possível ou não constitucionalmente, e se é possível ou não em tempo útil, haver um retoque legislativo que também ajude a enfrentar esta situação”.

O chefe de Estado sublinhou ainda o reforço de meios, nomeadamente com o “aumento significativo do número de mesas de voto”, para que os eleitores possam votar antecipadamente.

O PSD, pela voz do deputado Ricardo Baptista Leite, já veio dizer que estará “na linha da frente para fazer parte da solução, seja a partir do Parlamento seja no sentido de apoiar outras medidas da parte do Governo”.

Segundo o parlamentar social-democrata, citado pela Lusa, o primeiro-ministro colocou várias hipóteses, na intervenção que fez durante a reunião com os especialistas do Infarmed.

A primeira seria a Comissão Permanente “poder legislar” e “encontrar mecanismos para alterar o voto antecipado”, o que segundo Baptista Leite terá sido afastado pelo Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, dado que a Assembleia da República está já dissolvida.

“A hipótese B, transmitida pelo próprio primeiro-ministro, seria a própria Direcção-Geral de Saúde poder rever as normas no que diz respeito ao isolamento profilático”, acrescentou o deputado, elencando ainda a hipótese C, de se avaliar se “pode haver um regime de excepção para as pessoas em regime de isolamento poderem votar”.

“Qualquer um destes cenários terá de salvaguardar a segurança de cidadãos. O isolamento profilático, se existe, é para evitar a transmissão excessiva da variante Omícron, mas no nosso ver é fundamental é encontrar uma solução”, defendeu Baptista Leite.

Sobre a forma como se poderá operacionalizar a votação das pessoas confinadas – por exemplo, com um horário específico ou mesas de voto próprias -, Baptista Leite disse que “o primeiro-ministro não adiantou mais senão dizer que depois compete às autarquias reorganizarem-se” para darem resposta.

“Parece-me – e agora é uma opinião – terá de haver cuidado para garantir que aqueles que estão em isolamento não sejam misturados com a população geral não confinada e garantir que, mesmo para os que se encontram em isolamento profilático, haja regras extraordinárias que garantam a sua protecção e protecção dos demais cidadãos“, defendeu o parlamentar social-democrata.

Diário de Notícias
Susete Francisco
05 Janeiro 2022 — 13:55