952: Lua de Júpiter tem dunas esplêndidas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Potenciais dunas na lua de Júpiter, Io. Uma análise indica que o material escuro (em baixo à esquerda) corresponde a fluxos de lava recentes, enquanto as características repetidas, semelhantes a linhas, que dominam a imagem, são potenciais dunas. As áreas claras e brancas podem ser grãos recém-colocados à medida que os fluxos de lava vaporizam a geada adjacente.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Rutgers

Há muito que os cientistas se perguntam como é que a lua mais interior de Júpiter, Io, tem encostas serpenteantes tão grandes como as que podem ser vistas em filmes como “Duna”. Agora, cientistas forneceram uma nova explicação de como as dunas se podem formar mesmo numa superfície tão gelada e rugosa como a de Io.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, baseia-se numa análise dos processos físicos que controlam o movimento dos grãos, juntamente com uma análise de imagens da missão espacial Galileo da NASA que durou 14 anos, que permitiu a criação dos primeiros mapas detalhados das luas de Júpiter. Espera-se que o novo estudo expanda a nossa compreensão científica das características geológicas destes mundos semelhantes a planetas.

“Os nossos estudos apontam para a possibilidade de Io como um novo ‘mundo dunar'”, disse o primeiro autor George McDonald, investigador pós-doutorado do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Rutgers, New Jersey, EUA. “Propusemos e testámos quantitativamente um mecanismo pelo qual os grãos de areia se podem mover e, por sua vez, formarem-se aí dunas.”

O conhecimento científico actual dita que as dunas, pela sua natureza, são colinas ou encostas de areia amontoadas pelo vento. E os cientistas de estudos anteriores de Io, embora descrevendo a sua superfície como contendo algumas características semelhantes a dunas, concluíram que as encostas não poderiam ser dunas, uma vez que os ventos em Io são fracos devido à atmosfera de baixa densidade da lua.

“Este trabalho diz-nos que os ambientes em que se encontram as dunas são consideravelmente mais variados do que as clássicas e infinitas paisagens desérticas em partes da Terra ou no plano fictício Arrakis do filme ‘Duna'”, disse McDonald.

A missão Galileo, que durou de 1989 a 2003, registou tantas “estreias” científicas que os investigadores até ainda hoje estudam os dados que recolheu. Uma das principais conclusões retiradas dos dados foi a elevada extensão da actividade vulcânica em Io – de tal forma que os seus vulcões ressurgem repetidamente e rapidamente neste pequeno mundo.

A superfície de Io é uma mistura de fluxos de lava escura solidificada e areia, fluxos de lavas “efusiva” e “neve” de dióxido de enxofre. Os cientistas utilizaram equações matemáticas para simular as forças num único grão de basalto ou geada e para calcular o seu trajecto. Quando a lava flui em dióxido de enxofre sob a superfície da lua, a sua descarga é “densa e rápida o suficiente para mover grãos em Io e possivelmente permitir a formação de características de grande escala como dunas”, disse McDonald.

Assim que os investigadores conceberam um mecanismo através do qual as dunas se pudessem formar, procuraram fotografias da superfície de Io, tiradas pela sonda Galileo, em busca de mais evidências. O espaçamento das cristas e os rácios altura/largura observados eram consistentes com as tendências para as dunas vistas na Terra e noutros planetas.

“Trabalhos como este permitem-nos realmente compreender como funciona o cosmos,” disse Lujendra Ojha, co-autor e professor assistente no Departamento de Ciências da Terra e Planetárias. “Afinal de contas, é isso mesmo que estamos a tentar fazer na ciência planetária.”

Astronomia On-line
22 de Abril de 2022


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