1082: Lisboa tem espaço para o dobro dos turistas?

OPINIÃO

O tempo urge. Aí vêm elas. As retro-escavadoras do novo aeroporto. Esta semana o presidente da Câmara de Lisboa deu o mote: “Aeroporto já. Nós precisamos de um aeroporto. Se ele é num sítio ou noutro, isso deve ser uma decisão técnica”, afirmou num almoço promovido pelo lobby Associação da Hotelaria de Portugal.

Dói sobretudo pensar-se que Carlos Moedas foi comissário europeu da Ciência e para ele os “estudos técnicos” são um pré-requisito. O aeroporto é “já”. O ambiente da cidade e da região, a avifauna e o estuário, o risco de subida do nível da água, ou o impacto brutal da criação de uma cidade aeroportuária, bom, são formalidades “técnicas”. Tipo: despachem lá isso. É para andar. Já.

Mas este grito de marcha para o aeroporto dado por Carlos Moedas é o mesmo de António Costa e até Marcelo Rebelo de Sousa, sucessivas vezes. Espanta, por isso, o facto de nem ele, nem o seu antecessor, nem o Governo, nem o Turismo de Portugal, nem a hotelaria, nos darem elementos estudados sobre isto: se passarmos a capacidade aeroportuária de Lisboa dos actuais 35 milhões para 50 milhões de passageiros, onde se mete mais gente nas zonas turísticas? As pessoas queixam-se do trânsito, ruído e da saturação demográfica. Acentuamos o problema até à xenofobia contra os turistas? Matamos a galinha dos ovos de ouro?

É para não destruir o turismo que vale a pena NÃO fazer um novo aeroporto em Lisboa. Em alternativa, a capacidade de reabilitar o aeroporto de Beja daria uma oportunidade de descoberta sobre o esse tesouro chamado Alentejo, a par de uma ligação ferroviária rápida à capital.

O mesmo se passa com a base aérea de Monte Real, que potenciaria o turismo religioso de Fátima, e abriria uma nova equação para os eixos Leiria-Santarém, Castelo Branco-Guarda-Viseu e mais uma alternativa para Coimbra-Aveiro. A base aérea de Monte Real está a 1h de Lisboa e o Alfa passa ali ao lado. A pista de aterragem já existe. Dizer-se que os militares não têm alternativa a Monte Real é tão-só inacreditável.

Por fim: o aeroporto de Lisboa é irreformável? Não é. Moedas falou das “quatro horas de espera” para se passar do avião até à porta do aeroporto. Todos os que usamos a Portela sabemos que essa não é a regra (a ANA deveria mostrar os números). Mas nem sequer é essa a principal razão quanto ao mau funcionamento. As verdadeiras questões estão, de novo, no Expresso de sexta: desde logo a hesitação da concessionária Vinci, compreensível, sobre se vale a pena melhorar a Portela.

Depois, os problemas do SEF nos picos de chegadas dos voos intercontinentais ou britânicos. A seguir, o adiamento da conclusão das obras de apoio à pista principal – é que aumentar o número de voos na Portela depende da mudança de local da torre de controlo, questão que o Estado não resolve dentro do próprio Estado. Por fim, também o Ministério das Infra-estruturas não se consegue entender com o Ministério da Defesa para tirar dali a base de Figo Maduro e gerar mais espaço para estacionamento.

Como é óbvio, a solução mais fácil e barata é arrasar o estuário do Tejo no Montijo ou gastar-se quase 10 mil milhões só no aeroporto de Alcochete (fora os acessos, ferrovia, etc.). Só que há que duplicar Lisboa em altura para isto ter sentido. Muitos filmes futuristas mostram como podem ser essas cidades totalmente saturadas, num ecossistema destruído e a caminho da putrefacção. Se alinharmos na prioridade ao betão, o cavaquismo/socratismo que tanto amaldiçoamos com os seus erros estratégicos, repete-se agora. Com as nossas palmas “progressistas”.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
22 Maio 2022 — 00:28


EU combati no mato, em África, na Guerra Colonial, durante quase dois anos,
os mercenários treinados por Cuba e armados, municiados e financiados
pela União Soviética (URSS) e China.

 

899: A vitória de Le Pen é a vitória de Putin

– Não só é a vitória do filho da Putina, mas de todos os fascistas/nazis que desprezam tudo o que cheire a democracia. Por cá, também existe muita merda dessa e até com assento no Parlamento…

OPINIÃO

O Brexit parece ter acontecido há séculos. Retrospectivamente é o maior sucesso no combate que Putin lançou contra a União Europeia, através da guerra de desinformação, e que culminou na estrondosa saída do Reino Unido de uma organização vital para a paz económica.

Não que os ingleses não sejam suficientemente snobs para se pensarem no centro do mundo, herdeiros de um império que já não existe. Mas é exactamente por esta mesma ideia de grandeza irresponsável, num mundo altamente inter-conectado, que a França está sempre no fio desta navalha: qual o momento em que abandona a Europa?

Assim chegamos a Le Pen. À consciência da alma francesa. Ao ultra-nacionalismo. O mesmo de Putin, de Trump, de Nigel Farage e ironicamente de Boris Johnson. Todos à bolina de um certo retomar da História – como princípio e fim de todas as coisas – e face à qual, opiniões públicas viciadas em emoções, embarcam por necessidade de referências colectivas.

No dia em que Le Pen, ou algum dos candidatos que agregam ideários idênticos, vencer as eleições em França, o que restará da União Europeia? No entanto, quase 50 por cento dos franceses estão contra Emmanuel Macron, o único do “sistema”. E isto acontece – não quando as consequências do Brexit, de Trump e, limite-limite, da loucura russa estão já esquecidas – mas em plena guerra na Ucrânia.

Dir-se-ia que tamanhas atrocidades, cometidas por um manipulador da democracia como Putin, seriam suficientes para quebrar a hipnose a que se submeteu um país com tal “sagesse” (sabedoria) da História e fundadora do mundo moderno. Mas não. As vicissitudes económicas e o azedume de uma integração social por realizar engrossam diariamente as trincheiras dos descontentes.

De que se queixam os franceses? Em geral de tudo. E quem somos nós para lhes tirar as razões intrínsecas do seu protesto permanente? Ainda que, de fora, nos pareçam viver num país geograficamente extraordinário, com uma cultura e línguas sublimes, apoiados num Estado social como poucos no mundo, é notório que o crescimento das desigualdades e perdas de rendimento os fazem preferir o desconhecido. O caminho da radicalização que desencadeia o tudo ou nada.

Quanto mais não seja por respeito com a barbárie da Ucrânia, talvez todos nós, no mundo ocidental, devêssemos experimentar alguma contenção. Uma contenção necessária face aos preços dos combustíveis, à escalada da inflação, à perda de postos de trabalho, às dificílimas condições para governar onde quer que seja. Se estivermos apenas do lado dos que querem, a toda a força, empurrar a bola de neve colina abaixo, não a vamos apanhar. Destruímos o Estado Social e tornamos irreversível o caminho rumo à crise climática.

Passamos a acreditar que a democracia é essencialmente liberdade e grito de revolta. E ninguém quer pagar a conta. Opções? Uma mudança mais lenta do “sistema” sem destruir o edifício extraordinário que nos fez chegar a esta sociedade de alguma prosperidade e bem-estar. Não está em causa abdicar da luta contra o modelo financeiro que concentra e esconde o capital necessário para a produção e redistribuição. Mas sem uma casa comum não temos onde viver.

Se a França auto-implodir a sua posição de trave-mestra da Europa, dos escombros será muito mais difícil chegar-se a qualquer melhoria das condições de vida. Infelizmente, a distância entre nós e os desfechos destas derivas populistas é permanentemente escassa (Ucrânia, por exemplo). O voto francês, hoje e na segunda volta, deveria ser, por isso, um voto inequívoco contra Putin e a fraccionada Europa com que ele sonha.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
10 Abril 2022 — 00:17


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia



 

855: Rússia exporta medo. Xi Jinping engole Putin

OPINIÃO

O medo é sempre um produto de enorme sucesso, sobretudo se baseado em armas poderosas. Mas foi logo no dia em que ameaçou com a força máxima – o nuclear – que percebemos o tremendo fracasso de Putin. Quem começa a guerra com a máxima cartada, qual joga depois?

Estas poucas semanas mostram já a exponencial tragédia para a Rússia dos mais de 20 anos de poder de Putin. Um espião, especializado em geo-estratégia da Guerra Fria e assassinato sofisticado, não criou uma boa economia nem melhorou a tecnologia ou ciência, excepto a que lhe é instrumental – a de guerra e espionagem.

Assistimos assim ao desmoronamento de uma super-potência, tão enfraquecida na sua capacidade de sobreviver à economia do século XXI quanto um colonato africano de séculos passados – um país limitado a viver de matérias-primas. A que junta armas e terrorismo cibernético do futuro. No topo, um homem que se dedicou à oligarquia comissionista. Ao seu redor, um conjunto de interesses que deixaram o seu povo inacreditavelmente mais pobre face à fortuna de combustíveis e metais preciosos que exporta todos os dias.

A Rússia ocupa o 11.º lugar no PIB mundial (10 vezes menos que a China e três vezes menos que a Índia), uma dimensão económica comparada a Itália/Espanha (dependendo da alta dos combustíveis). Teve, segundo a The Economist, o dobro das mortes por covid-19 face aos Estados Unidos, ou o triplo comparando com a Europa. Uma criação de riqueza tão fraca que é 57.ª no PIB per capita (Portugal é 42.º), mas que esconde uma vertiginosa linha descendente quanto ao número de pobres. Um fracasso total, de cima abaixo, que o encadeamento malévolo da propaganda e repressão de Putin consegue abafar internamente.

Na sequência desta estratégia, o Presidente russo entregou-se àquele que deveria ser o seu principal rival: Xi Jinping. A Rússia ruma agora a oriente, política e socialmente, quando o essencial da sua história mostra um país virado a ocidente e a cultivar os princípios políticos europeus – mesmo quando eram inexequíveis, como era o caso da construção de uma civilização tendo por base os escritos de Marx e Engels.

Hoje, colocado sob cordão sanitário a ocidente, e tornando-se vassalo a oriente, Putin fará o que Xi Jinping deixar. É a suprema derrota de um homem vazio, que deixa o mundo a arder na violência da carestia de vida, na fome, e nos atentados aos sistemas eleitorais democráticos (via manipulação das redes sociais e financiamento de campanhas sujas). Não desmerece Nero e inspira Trump.

Por isso é tão inquietante continuar-se a sonhar com a paz de Putin. O que é paz para Putin senão a anexação dos países e interesses económicos, seja a que custo for? Resta-lhe pôr-se ao serviço da China, forçando os custos da energia a subirem de tal forma a ocidente que os produtos chineses e indianos ganham um novo fôlego competitivo por contarem com tarifas para amigos. É às democracias que ele quer aniquilar pela violência da inflação nas ruas.

De facto, esta guerra parte o mundo em dois e não há como escapar-lhe. O consórcio China&Rússia (&Índia) procura, além do mais, o objectivo errado: maximização económica quando estamos a precisar de equilíbrio social e ambiental. Por isso Zelensky diz, e bem, estar em causa o futuro do mundo se o medo vencer. Não só na Ucrânia, mas no dia a dia de todos nós – na capacidade de suportar os embates económicos deste sequestro energético. Daqui para a frente, resistir é poupar.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
03 Abril 2022 — 01:02

 



 

817: Luz ao fundo do túnel: Napoleão sai da Ibéria

OPINIÃO

Apesar de terem passado mais de 30 anos da adesão ibérica à União Europeia, foi preciso a Ucrânia para nos livrarmos da França. Sim, do inominável bloqueio energético francês à exportação da energia portuguesa e espanhola para lá dos Pirenéus. E mesmo assim falta ver isso preto no branco, porque o nuclear francês pretende ser a nova solução para todos os problemas causados por Putin, o que manifestamente é absurdo e em contra-ciclo com um futuro de energias limpas.

Imaginem que Portugal e Espanha passam a exportar “sol” para o centro da Europa. Na verdade, estamos na antecâmara do maior milagre económico da nossa geração: a autonomia energética nacional + exportação, baseada nas renováveis e, correndo bem, no hidrogénio verde.

É importante dar-se um enorme – gigantesco mesmo – desconto aos especialistas de energia do costume que se parqueiam nos canais de notícias e jornais económicos, debitando a mesma receita ad infinitum, e que se baseia numa só coisa: perpetuar os oligopólios da energia dos quais nunca mais nos livraríamos. Vejamos o que aí vem sem sonhos verdes: temos um potencial fotovoltaico gigantesco para transformar a energia solar em hidrogénio.

Além disso, o processo de aumento de capacidade de armazenamento a partir de baterias (possivelmente com sal, em vez de lítio, a médio prazo) joga a favor da electricidade. Por outro lado, o hidrogénio pode tomar o lugar do petróleo e do gás natural nos sistemas de distribuição. E temos ainda as energias hídricas e eólicas.

Macron quer instalar nuclear pela Europa (e mundo) mas está a vender um negócio caríssimo, inseguro, e que recoloca sempre o no centro da segurança mundial o próprio problema da extracção de urânio, o seu enriquecimento e as condições de transporte. Como já mencionei aqui, um profundíssimo estudo levado a cabo na Universidade de Oxford mostra a exorbitância do investimento em tecnologias como o nuclear, por alternativa aos preços sistematicamente decrescentes das energias limpas.

Justiça se faça ao agora ex-ministro Matos Fernandes e à estratégia do Governo: Portugal esteve sempre no ponto para onde aponta o futuro – nas renováveis, na interligação com Espanha (onde o nuclear não vai desaparecer tão cedo e, portanto, complementa os nossos altos e baixos) e no hidrogénio. A decisão de acabar com o carvão é acertada e se a guerra não se prolongar por muitos meses, não precisará de ser revertida. Até porque o preço do carvão no mercado mundial está, infelizmente, altíssimo porque a Rússia é um fornecedor essencial.

Mas o ponto crítico, para fazer face à mudança que temos pela frente, passa por alterar hábitos nesta fase de transição. Como escreveu há poucos dias a Agência Internacional de Energia, mudar a climatização das casas na Europa, de 22 para 21 graus, evitaria a importação de 10 mil milhões de metros cúbicos de gás – aproximadamente um mês de importações russas. Agora imagine baixar-se 2 graus! Comparativamente ao que sofrem os ucranianos, seria pedir demais? E usar-se as escadas em vez dos elevadores, pelo menos algumas vezes? E, para quem quer e pode, que tal aderirmos aos transportes públicos em força?

São pequenos gestos. Mas todos contam. Putin domina 25 por cento do mercado combinado de gás, petróleo e carvão. A especulação interessa-lhe. Uma Humanidade mais atenta encontraria aqui a grande oportunidade para, de forma determinada, mudar o jogo a curto prazo. Basta de plutocracias carbónicas.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
27 Março 2022 — 07:00

 



 

766: A invasão de Moscovo está em curso

OPINIÃO

Todos os impérios colapsaram. Do romano ao otomano, do português ao britânico, da tentativa de Napoleão ao falhanço nazi. O poder da mudança atravessa a História e derruba os ditadores. E fica condenado ao fracasso quem copia o passado para replicar as mesmas arquitecturas geo-estratégicas, décadas ou séculos depois. A Ucrânia demonstra isso mesmo: a vitória de opiniões públicas informadas, intransigentes em aceitar passivamente a perda de liberdades básicas e respeito pelos direitos humanos.

Com o acesso (cada vez mais impossível de controlar) à informação e ao empoderamento de cada cidadão como decisor da História, a democracia está lentamente a vencer em todas as latitudes – do mais recôndito lugar de África ou Índia, até ao germinar de novas ambições num qualquer jovem chinês ou russo. E é exactamente aí que isto muda.

A solução para esta guerra representa esse esmagador desejo de liberdade dos povos: dos ucranianos, dos cidadãos do mundo, mas igualmente dos russos – e um dia, dos chineses. Chega sempre o “turning point”, a viragem onde a avassaladora vontade de quase todos se descobre a si mesma, tornando-se capaz de controlar os acontecimentos e o poder. Vimos isso com o nosso 25 de Abril, vemos isso em praticamente todas as mudanças de regime: o dia em que os militares, os legisladores e os membros do poder estabelecido ficam encostados à parede pela torrente de cidadãos que exigem respirar e fazer parte de um mundo ao qual aspiram: mais livre e próspero.

A cegueira de Putin – de remontar uma Rússia semi-imperial, como terceiro bloco de força, num mundo cada vez mais bipolar entre Estados Unidos e China -, redundou num colapso que o torna na nova Coreia do Norte. Pior: à sua frente, os irmãos ucranianos, dominados por uma vontade indómita de serem donos do seu próprio destino, mostram aos russos que recusar a opressão é possível, e essa liberdade é tão importante que se dispõem a ir para além da morte, ou seja, a ficarem na História como um inabalável ponto de resistência do século XXI contra o esmagador poder de uma autocracia. É o maior caso prático de recusa de um mundo moldado à imagem do trio Trump-Putin-Xi Jinping. É a vacina anti-Le Pen, Salvini ou novo Partido Republicano.

Quem quer um autocrata a tomar conta da sua vida? Ou, dito de outra maneira, quantos russos aspirariam, se pudessem, a viver num país membro da União Europeia, um bloco económico dominado pela ideia de paz, prosperidade e consenso? Não estou com isto a traçar um quadro onírico de Bruxelas, mas o que ela garante para uma vida básica dos seus cidadãos é único no planeta, apesar de milhões terem achado que podiam viver melhor sem ela…

Ao dia de hoje existe esta dúvida: é a Rússia que esmaga a Ucrânia, ou é a Ucrânia que pulveriza diariamente o arcaico sistema de corrupção russo, onde os seus cidadãos vivem numa democracia faz-de-conta, os media são controlados e os opositores políticos envenenados e presos?

Há uma só guerra. Putin versus todos os cidadãos livres dos dois países. Também a batalha subterrânea de Moscovo se adensa todos os dias. É mais difícil fazer trincheiras à informação e ao bloqueio económico que aos tanques.

Putin pode acabar por não deixar pedra sobre pedra na Ucrânia – talvez recue antes. Mas neste momento o vento da História sopra nas costas de Zelensky. Pensar que podemos recuar séculos é descurar a mais fundamental das mudanças no curso da humanidade: as pessoas hoje já sabem ler e escrever. E pensar pelas suas cabeças. Putin ficou lá atrás.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
20 Março 2022 — 08:10

 



 

719: Putin só nos temerá se mostrarmos coragem

OPINIÃO

Depois de tanto estudo sobre a II Guerra Mundial, acabamos estacionados no mesmo pântano. Os ataques nazis eram de tal modo horrendos que as notícias não podiam ser lidas sem o desconto de “propaganda”. Quase um século depois, os órgãos de informação que constituem o pilar da sociedade global democrática – New York Times, The Guardian, CNN, BBC, Sky News, France24, Deutsche Welle e muitos outros órgãos ocidentais – passaram agora a ser “parciais” aos olhos do génio intelectual dos desalinhados. A questão é importante, porque instalar a dúvida gratuita na opinião pública é o primeiro passo para abandonar o combate cívico à guerra e a compreensão dos sacrifícios que ela vai trazer para todos.

Interrogo-me, por essa razão, sobre quem assimilou o discurso pré-guerra de Vladimir. Está lá tudo: a Grande Rússia, a inexistência histórica da capital Kiev – excepto como berço da nação russa – e também o delírio sobre a ameaçadora NATO na ex-União Soviética.

Sem um gesto de coragem do Ocidente, toda a iniciativa depende sempre e só de Putin. E ele ameaça-nos com todas as hipóteses, considerando que até mesmo a defesa do espaço aéreo ucraniano pela NATO é um ato de guerra. Como tal, o Ocidente não faz defesa humanitária, nem mesmo com milhares de mortos, hospitais destruídos, fome à vista.

Se a Rússia usar armas químicas ou biológicas, como aconteceu com Assad na Síria, também fechamos os olhos? Qual é o nosso limite?

Vejamos então em concreto o que é agir. Hipótese-limite: se Putin atirasse uma ou mais ogivas nucleares para um dos países da NATO por defendermos o espaço aéreo da Ucrânia, teríamos de responder na mesma moeda de imediato? O que acharia o resto do mundo de mais esse ato cobarde? A China e a Índia continuariam impassíveis na ONU ou desmascarar-se-iam aos olhos do seu próprio povo? Algum país decente ficaria ainda com dúvidas sobre o carácter de Putin e a impossibilidade de se confiar na Rússia?

Estamos a escolher apenas quais os mortos que queremos. Com uma nuance: os ucranianos vão morrer de certeza, enquanto não é absolutamente certo que Putin avançasse nesse ataque-NATO.

Entretanto, a diferença é enorme: daríamos hipóteses aos ucranianos de não serem esmagados pelo ar, ou por prováveis armas químicas, mas através de um duro confronto em batalhas terrestres – o que já é tremendo. Ora, essa perda de vantagem russa talvez levasse ao impasse e ao fim da guerra.

Além disso, não é possível assistirmos à enorme coragem da Polónia – ao dar os seus aviões à NATO para que os ucranianos se possam defender – e depois a NATO ignorar essa possibilidade. Tal como em 1939/40, os Estados Unidos deixaram Hitler esmagar a França e o Reino Unido, limitando-se a apoiar logisticamente (leia-se: vender armamento) os países amigos. Sem a loucura japonesa em Pearl Harbor, a história da Europa talvez tivesse sido outra.

O medo de morrer é o estado normal dos homens. Heróis são os outros. Estamos cá para os aplaudir. Zelensky e os seus soldados! Bravo! E, na verdade, é isto que somos: os que têm medo de enfrentar Putin. Não está em causa um desejo de guerra, mas a necessidade de o limitar, defendendo cidades e pessoas, em nome da paz. Porque ele vai perder.

E quanto mais depressa perceber que teria de destruir todo o Ocidente (e em simultâneo o seu país), e que mesmo assim não levaria a melhor, menos ficamos paralisados nesta guerra. Ele só entende uma linguagem: braço de ferro. Mais tarde ou mais cedo vamos ter de nos sentar do outro lado da mesa e fazê-lo recuar no bluff.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
13 Março 2022 — 00:19



 

687: A Ucrânia é Auschwitz da nossa geração

OPINIÃO

O medo é uma ficção. Um “bluff”. Putin sabe que os direitos humanos estão no coração de cada pessoa de bem deste planeta, por mais que tenhamos aprendido a ignorar os migrantes afogados, os povos em fuga de guerras, ou pura e simplesmente os envenenados do Kremlin. Mas há limites: ver morrer em directo os ucranianos, hora a hora, na sua própria terra, invadida sem qualquer legitimidade, é um novo teste de indiferença que finalmente não vamos conseguir passar.

As Nações Unidas e a NATO têm de colocar em cima da mesa a “legítima defesa humanitária”. Novos tempos exigem novos conceitos. Holocausto nuclear? Nós já estamos a perecer aos poucos neste holocausto da liberdade de um povo que podia ser qualquer país livre. Gente como nós, colocada num gigantesco campo de concentração – a sua própria terra.

Exige-se às Nações Unidas, ou à NATO, ou à União Europeia, ou a alguns dos países da União Europeia, o apoio aéreo a um povo indefeso: aviões com logística de sobrevivência, a par de outros para defesa de um espaço de exclusão militar nos céus da Ucrânia. E, se não funcionar, responder com a entrada em acção desses aviões para concretizarem essa “legítima defesa”.

Zelensky roga esse mínimo: lutar em terra, na desproporção de 10 ou 20 ou 100 soldados russos por cada ucraniano, até morrerem todos os que defendem Kiev e o resto do país. Implora apenas uma batalha justa, sem ataques aéreos. A cobardia russa não autoriza. Nós obedecemos. E aguardamos a qualquer momento o óbvio massacre, inimaginável, das bombas e colunas de blindados de 50 km a desfazerem Kiev e as outras cidades. Lamentaremos então o horror, impossível de olhar. Será tarde demais.

O equilíbrio do mundo não tem forma de se manter. A mais pequena tentativa do Ocidente de defender Zelensky, ou a capital da Ucrânia, culminará numa resposta “legítima” de um homem que se considera detentor do “ethos” da guerra, da vontade dos vizinhos e arquitecto de fronteiras imaginárias. Não temos como evitar o confronto com Putin.

Na II Guerra Mundial, em Varsóvia, 1938, o Ocidente tolerou o gueto: era “apenas” um gueto. Eram “apenas” judeus. A seguir vieram os campos de concentração. Como não actuámos antes, não sabíamos até onde o mal pode ir. E continuamos a não aprender. Hoje dizemos: são “ucranianos”. Porque não são da NATO – por medo nosso, não os deixamos ser. Portanto, podem morrer.

Ainda só passaram 10 dias. A desgraça é gigantesca e ainda nem sequer começou. Este é um momento decisivo na História: ou vencem os valores do Ocidente, com as pessoas e a democracia em primeiro lugar, ou perpetuamos ditadores globais no poder.

Não parecia crível que tivéssemos de enfrentar uma escolha tão medieval. Mas não podemos ter dúvidas. O nosso testemunho para as gerações vindouras é o de cairmos de pé ou triunfarmos sem medo. Não ceder a Putin, Xi Jinping, ao indiano Modi, ao ISIS, aos talibãs, não reeleger Trump, é uma resposta de cada um dos povos.

Mas a Ucrânia, neste momento de genocídio, é uma responsabilidade da humanidade.

Esta é a nossa oportunidade. Putin tornou isto cristalino. Porque connosco vivos não voltará a haver o império soviético. Mesmo que haja a hipótese (“bluff”?) de morrermos de frio e fome ou sobre bombas nucleares.

Um homem é apenas pó, terra, cinza, nada. Temer Golias é ignorar que uma pequena pedra o derrubará.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
06 Março 2022 — 07:00



 

643: Depor Putin. O mundo vai apoiar os russos

– “... Putin enlouqueceu e não tem limites – incluindo o botão vermelho nuclear. Há quem o interne?”. Não é só o Vladimir Putin que tem de ser internado. Xi Jinping, kim jong un, Donald Trump, Jair Bolsonaro e afins, deviam levar o mesmo tratamento. Porque os Povos de todo o Mundo não precisam de ser governados por loucos acéfalos indigentes, assassinos profissionais, que apenas injectam destruição e morte a inocentes.

OPINIÃO

Putin é um espião profissional e a sua especialidade é coligir informação e actuar na oportunidade. O Ocidente definiu o padrão. A invasão do Iraque, a propósito das ficcionadas “armas de destruição maciça”, foi o primeiro momento. A legitimidade da defesa própria em terreno alheio, a partir de imaginárias estratégias nucleares, consumou-se em Março de 2003. E serve hoje de guião.

Putin é um fora-da-lei e não precisava desta legitimação. Durão Barroso e Portas, Aznar ou Blair, numa ingenuidade (?) oportunística, subjugaram-se à narrativa de Dick Cheney, Rumsfeld, Karl Rove e da marioneta George W. Bush. A invasão, selada nas Lajes, tornou-se oficial. Fomos a “Bielorrússia” dos falcões de Washington.

Quase 20 anos após, é infame vermos as ruas de Kiev invadidas pelos blindados russos, depois de termos dado a entender aos ucranianos que estavam protegidos pelas melhores democracias do mundo. Não podíamos, mas prometemos.

Em cima desta fraude política ocidental, no terror de tantas cidades como Odessa, Dniepro ou Mariupol, passeia igualmente um fantasma: Xi Jinping. Sem ele, Putin não teria ousado tanto. O omnipotente Partido Comunista Chinês prossegue a sua ofensiva económica e cibernética, tentando tomar o mundo sem tiros, mas pelo dinheiro e terrorismo digital. (Falta ver o que sucede em Taiwan).

Sem a China não estaríamos neste desmando russo na Ucrânia, todos rebaixados a esta omissão crucial no nosso tempo, tentando manter a lucidez essencial e triste: a Ucrânia não vale uma guerra nuclear, por mais que não atacar doa ao Ocidente. E é nisto que Putin acredita. Na nossa lucidez.

Vladimir, o déspota, que prende os oponentes, controla os média e voga num delírio mitómano em redor de Pedro o Grande ou Estaline o Sanguinário, ficará na história apenas como mais um ditador abjecto. Se algum dia perder o poder, será entregue ao Tribunal Internacional de Haia como o sérvio Milosevic. Não apenas pelas atrocidades na Ucrânia, ou previamente na Geórgia, etc..

Há 20 anos de terror junto dos vizinhos, invasões e anexações territoriais incluídas – um poder desmesurado assente numa plutocracia infame. Adicione-se ainda a estratégia de assegurar diversos poderes-fantoche onde puder pelo mundo (Trump incluído). A Bielorrússia é o maior exemplo, mas a lista dos agrilhoados ao diktat de Moscovo será infinita, se deixarmos.

Lá está, Hitler, ainda antes de invadir a Polónia, tomou conta da Áustria e anexou a Checoslováquia. Porque podia. E era tolerável. Mas depois veio a Polónia. E os americanos assobiaram para o lado e os ingleses ainda andaram a apanhar bonés. Até que finalmente chegou a França. Mesmo assim, não fosse o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, sinal da demente aliança entre alemães e japoneses, e os americanos ainda teriam ficado a exportar material bélico e a ver no que dava.

Por isso mesmo, esqueçamos um pouco os interesses “Biden” e aceitemos a dolorosa perda do gás ou a subida dos preços. Tratando-se da nossa casa europeia, ceder a um vizinho louco é ceder a um vizinho louco. O “czar” está tomado por uma espiral mitómana que desagua na alucinação imperial que jamais existirá connosco vivos: o regresso ao tempo do Muro de Berlim.

99% da população mundial pede aos russos a coragem de evitar uma aniquilação colectiva, lutando contra o ditador. O mundo vai apoiá-los nas ruas. Putin enlouqueceu e não tem limites – incluindo o botão vermelho nuclear. Há quem o interne?

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
27 Fevereiro 2022 — 01:03



 

515: Dívida, social, ambiente: o PS abdica de qual?

OPINIÃO

Em 2026 António Costa deixará o cargo e um legado político: o Portugal pós-troika foi dele e as decisões vão ficar por décadas, tal como o Cavaquismo (1986-1995) impôs um modelo de desenvolvimento incontornável. Desde 2015 que o primeiro-ministro conseguiu ir gerindo os temas críticos do nosso tempo – contas, questões sociais e alterações climáticas – com a aprovação da maioria dos portugueses. Mas os eleitores querem, como é normal, a quadratura do círculo, ou seja, tudo. Ora, pode o PS continuar a ser tudo para todos num contexto económico mais adverso?

António Costa dirá que sim, e juntar-lhe-á o “diálogo”, esse slogan impossível de concretizar sob pena de estar sempre a governar para contentar os seus adversários. O problema é que, com juros mais altos, enfrentar a dívida pública é de transcendente importância e isso retira dinheiro para o reforço social. Recua? É importante não esquecer que os eleitores preferiram as dificuldades do presente, não uma estratégia de maior rigor nas contas públicas para um futuro que nunca chega. Para isso tinham o PSD.

Aplicar o dinheiro em salários mais altos no Estado e nas pensões, melhor SNS e acelerar o investimento público da “bazuca”, torna o país melhor, é popular, mas coloca-nos mais à mercê de quem nos empresta ou dá dinheiro: os mercados e Bruxelas.

A fórmula Mário Centeno para nos tirar do rating “lixo” resultou muito da capacidade de fazer algum ilusionismo macroeconómico, fazendo com que o Orçamento de Estado ficasse sempre com uma parte por cumprir (as famosas cativações) e, assim, descer o défice e abater o máximo de dívida possível. Costa corre o risco de ter de voltar, em parte, a esta trajectória. E vai sofrer com a contestação de rua. É o que resta ao Bloco e PCP.

Há um ponto, no entanto, onde estamos no terreno da decisão política transcendente e onde a oposição não é a rua – é o caos climático. É um adversário que ultrapassa em força todos os outros, porque a ameaça é categórica e as consequências redesenharão a vida em Portugal ainda no nosso tempo. Ora, como se está a ver ano após ano, não há nenhum outro factor tão vital no país como a água.

E pensar-se em construir um aeroporto em Alcochete, com o que isso significa de destruição de um ecossistema-guardião do maior lençol freático da Península Ibérica, seria criminoso. O mesmo se passa em pôr a água das barragens e aquíferos do Gerês ao serviço da extracção do lítio, sabendo-se que por cada 10 toneladas de lítio há 90 de resíduos e uma quantidade ciclópica de água e químicos usados para fazer essa separação.

Enfrentar problemas estruturais. Sim. Mas é outra a questão: tanto no lítio como no aeroporto, estamos a responder a problemas conjunturais de tecnologia energética ou turística com decisões que mudam o território por séculos. Como se fossem mais urgentes do que todos os outros, só porque são problemas humanos e não do ecossistema. Este é o grande dilema de quem governa: conseguir respeitar a história, o território e recursos, as gentes, pensando nas pessoas que vão cá estar amanhã, mas ainda não votam.

Um primeiro-ministro é, obviamente, um gestor de oportunidades em ciclos de quatro anos. Mas, com maioria absoluta, tem a obrigação de distinguir entre o que contenta os negócios de ocasião versus a defesa de um país ainda habitável e com enorme potencial natural para atrair investimento sustentável. Legado é resistir à vertigem do poder, em vez da decisão impactante e irreversível. O que nos resta, enquanto território, é melhor do que a ambição de tudo o que queremos ter, seja como for.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
06 Fevereiro 2022 — 00:33


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465: Pandemia e lobo mau: uma história diferente

OPINIÃO

Por estranho que pareça, bendita Ómicron. Evoluiu para se espalhar mais, matando menos. Sempre Darwin. Claro que o melhor era que não houvesse este vírus na comunidade humana, mas as nossas decisões de agressão à biodiversidade têm um risco. E os vírus cá andam – um parasita regulador do ecossistema, a vida em tamanho ínfimo a evoluir à frente dos nossos olhos. Os humanos… esse breve fenómeno na história do planeta.

Damos luta. Conseguimos a vacina e a vida está a voltar lentamente ao normal. Entre vacinados e imunizados pela doença, o pneumologista Filipe Froes dizia esta semana que chegaremos em Portugal quase aos oito milhões no final de Fevereiro. Ou seja, transformou em números o que muito bem disse em Dezembro o nosso melhor cientista nesta crise, Manuel Carmo: não podíamos segurar o tsunami Ómicron com medidas e mais medidas. A China e a sua política de contágio zero é neste momento uma caricatura do que a política pode fazer quando ignora a ciência.

Dinamarqueses e ingleses, sempre na frente, abandonam as medidas todas – incluindo as máscaras. Há quem ache que é por terem melhores sistemas de saúde para aguentarem estes tsunamis. Talvez não seja apenas isso (no caso inglês, o NHS é bastante caótico), mas sim a noção clara de que, desta vez, e porque não há uma gravidade extrema, quanto mais depressa a sociedade se imunizar, mais rapidamente pode regressar à vida, ao trabalho, à festa. Sem festa, encontros, concertos, celebrações, de que serve uma vida de trabalho?

E por isso mesmo estivemos muito bem em não encerrar as escolas no meio destes números caóticos de 2022. Com mais ou menos aulas, piores ou melhores computadores, resistir era importante. Só falhamos ao não vacinarmos o máximo de crianças. Isso contribuiu para tornar casos infantis muito mais graves do que seria de esperar, como se torna evidente na comparação entre o esmagador número de crianças não vacinadas internadas versus crianças vacinadas.

A teoria de que os pais estavam a pensar mais em si mesmos do que nos filhos andou por muito lado. Os cálculos apontam para que quase metade das crianças não tenha sido vacinada. Muitas destas pessoas eram também as que queriam as escolas abertas a todo o custo em Janeiro de 2021, numa altura em que a situação era radicalmente diferente – ainda não tínhamos vacinas e a escola era o corredor de passagem entre filhos de confinados com filhos de não confinados. Manuel Carmo Gomes afastou-se nessa altura das reuniões do Infarmed, porque era a voz sensata que ia contra a corrente. Em consequência disso, fechámos as escolas apenas a 22 de Janeiro, com as consequências de mortes conhecidas. Nessa altura – lembram-se? – ainda vigorava a tese de que a covid não era significativa nas crianças. Era mesmo o único vírus que não ia à escola…

Chegamos agora ao início de Fevereiro, a União Europeia já aconselhou os países a pedirem certificados de vacinação nas fronteiras, em vez de testes, e mesmo assim Portugal ainda não actuou, apesar de 1 de Fevereiro ser já na terça-feira. Talvez o Ministério da Saúde o faça amanhã, mas é urgente agir para finalmente a aviação e o turismo poderem funcionar sem tantos sobressaltos.

A “pandemia” não acabou no mundo, mas felizmente tem um enorme intervalo à vista por cá. Temos uma população imunizada ou vacinada até ao próximo inverno. Precisamos de acelerar. É certo que há sempre riscos em tudo, mas, como dizia Pessoa, navegar é preciso.

Jornalista

Diário de Notícias
Daniel Deusdado
30 Janeiro 2022 — 00:09

 

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