“A maior e mais perigosa situação” aconteceu: a Ucrânia perdeu Lugansk

Quando se canta vitória pelo resultado da invasão e dos bombardeamentos intensos dos zoviéticos terroristas genocidas sobre residências civis, hospitais, maternidades, escolas e pessoas de todas as idades desde crianças a idosos, está completa a radiografia destes actos de puro terrorismo ideológico e genocida efectuado e organizado por um demente que, sem apelo nem agravo, deveria ser presente, condenado e punido exemplarmente pelo TPI por crimes de guerra contra a Humanidade.

 

INVASÃO ZOVIÉTICA NA UCRÂNIA/TERRORISMO/NAZISMO

A retirada das tropas ucranianas de Lysychansk deu a Putin a primeira parte de uma vitória: ocupar a região de Lugansk. Pouco falta para que Moscovo tome por completo o Donbass.

A resistência ucraniana foi quebrada. Os militares ucranianos abandonaram a bombardeada Lysychansk
© RIS MESSINIS / AFP

Primeiro ocupam Lugansk, depois ocupam Donetsk. E o caminho está quase feito. A queda anunciada de Lysychansk significa, nas palavras do ministro russo da Defesa, a conclusão de um objectivo. A região de Lugansk foi “libertada”, o que falta de Donetsk é quase nada: as duas províncias da bacia industrial do Donbass estão quase, na sua totalidade, nas mãos da Rússia.

O plano, a tomada de Lysychansk, apenas demorou mais sete dias do que o denunciado pela vice-ministra da Defesa ucraniana: “O Kremlin ordenou aos militares russos que conquistassem toda a região de Lugansk até domingo (dia 26 de Junho).”

Doze dias depois desta declaração, o Ministério da Defesa russo, em comunicado, foi claro: “Serguei Shoigu [ministro da Defesa] informou o comandante supremo das Forças Armadas russas, Vladimir Putin, da libertação da república popular de Lugansk […], controlo completo de Lysychansk e outras cidades próximas, entre as quais Belogorovka, Novodroujesk, Maloriazantsevo e Belaya Gora.”

A versão ucraniana foi diferente, mas menos firme durante horas. Yuriy Sak, porta-voz do Ministério ucraniano da Defesa, dizia que “Lysychansk não está sob controlo total das forças russas […], os russos atacam a cidade sem parar”, enquanto Serguiy Gayday, governador ucraniano da região de Lugansk, afirmava que “os russos reforçaram as suas posições na região”.

Volodymyr Zelensky, que reconhecia a “situação difícil e perigosa” para a Ucrânia – “não temos vantagem, lá é o nosso ponto fraco, mas noutras zonas estamos a avançar [referência a Kharkiv] ” -, não dava por perdida, mas quase, a guerra nesta zona.

E o quase estava no uso de um “hoje” numa frase que amortecia o inevitável. Não podemos dizer hoje que Lysychansk está sob controlo russo. Há combates nos arredores”, dizia Zelensky.

Este sentimento de perda já tinha sido acentuado, sábado, nas palavras de um assessor de Zelensky, que assumia que “as coisas ficarão muito mais claras dentro de um dia ou dois”, porque, para além do intensificar dos combates, as tropas separatistas e russas já haviam cruzado o rio Siverskiy Donets, avançando sobre a cidade pelo lado norte.

A menos de 100 quilómetros, Slovyansk – mais a norte na direcção de Lzyum – e Kramatorsk, cidades praticamente encostadas, são as últimas e as mais fáceis de ocupar, após a tomada de Lysychansk, que completam praticamente o plano de tomada do Donbass.

A queda estava de tal forma evidente que a retórica ucraniana foi mudando. Se toda a região do Donbass cair, não será o “fim do jogo”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa da Ucrânia. “Existem outras cidades na região de Donetsk” sob controlo das forças armadas ucranianas. “Cidades que nos últimos dias foram alvo de severos ataques de mísseis e bombardeamentos de artilharia, mas a batalha pelo Donbass ainda não acabou”, assegurou.

Yuriy Sak garantiu que a Ucrânia está a reunir artilharia pesada e outro armamento, que “nos permitirá libertar as nossas terras”.

Parte desta esperança reside nas duas unidades National Advanced Surface-to-Air Missile System (NASAMS), na entrega de munições para o sistema de artilharia HIMARS e para os canhões M777 Howitzer, que os Estados Unidos vão fornecer em breve.

“Outro passo significativo em apoio à Ucrânia” afirmou o ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, agradecendo a Joe Biden, presidente norte-americano, e Lloyd Austin, secretário de Defesa.

No final da tarde, a mudança total. “Depois de intensos combates por Lysychansk, as Forças Armadas da Ucrânia viram-se obrigadas a retirar das suas posições e linhas ocupadas.” A derrota foi assumida pelo Estado-Maior ucraniano no Facebook. E a explicação foi linear. A continuação dos combates pela defesa da cidade teria “consequências fatais” face à superioridade das “forças ocupantes. Para preservar a vida dos defensores ucranianos, tomou-se a decisão de se retirarem. A vontade e o patriotismo não são suficientes para o êxito”, eram necessários “recursos materiais e técnicos”.

“A maior e mais perigosa situação” para a Ucrânia, nas palavras de Zelensky, aconteceu. O receio de que “a região de Lugansk” ficasse “completamente ocupada” com a perda de Lysychansk confirmou-se. Para o completo sucesso russo só falta ocupar uma pequena parte da região de Donetsk.

Mas, caindo o Donbass, o que muda? O ex-chefe do Exército britânico, Lord Dannatt, acredita que “negociações significativas” podem surgir assim que se confirme a queda das regiões de Lugansk e Donetsk.

Belgorod e os mísseis abatidos

Logo pela manhã, o governador de Belgorod, cidade russa, anunciava que “fortes explosões” causaram pelo menos três mortes e ferimentos em quatro pessoas e que 11 prédios residenciais e 39 casas foram danificados em cinco ruas atingidas pelas explosões e situadas no norte da cidade, não longe do centro. Na altura disse que “as circunstâncias do incidente” estavam a ser “averiguadas” e que aparentemente as defesas antiaéreas foram activadas”, não acusando a Ucrânia por estes ataques.

Horas depois, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konachenkov, veio dizer que “as defesas antiaéreas russas abateram os três mísseis Totchka-U lançados pelos nacionalistas ucranianos contra Belgorod”. E depois explicou que “os destroços de um deles caíram sobre uma casa da cidade”.

Diário de Notícias
Artur Cassiano
03 Julho 2022 — 22:05

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Uma “fotografia” para acordar o mundo

UCRÂNIA/INVASÃO SOVIÉTICA/ASSASSÍNIOS/CRIMES DE GUERRA/CRIANÇAS

Enviado Pedro Cruz faz o relato, todos os dias, dos acontecimentos na zona do conflito.

Os carrinhos vazios junto à câmara de Lviv lembram o número de crianças que perdeu a vida com a guerra na Ucrânia.
© EPA / Michele Esposito

Um bebé de três meses morreu ontem ao fim da tarde. Estava ferido, depois de uma explosão em Mariupol. Um dia depois, não resistiu. Soube da notícia minutos depois de ter falado com Svitlana Blinova, directora de comunicação da Câmara Municipal de Lviv. Foi dela a ideia de colocar carrinhos e cadeiras de bebé diante dos Paços do concelho, uma por cada criança morta desde 24 de Fevereiro. Quando se lembrou da “performance”, há uns dias, tinham já morrido 37 crianças.

Enquanto juntava vontades, e recolhia carrinhos, o número de vítimas quase triplicou. Em pouco tempo. Svitlana queria mostrar “à Europa e a todo o mundo” uma fotografia que desse a ideia do cemitério de crianças em que se tornou a Ucrânia, nos últimos 23 dias. “O meu objectivo é que todos percebam, desta forma, a quantidade de crianças que já morreram.

Talvez, assim, os políticos de todo o mundo, que só têm falado de negociações e sanções, possam perceber a realidade e ajudar”. Agradece o apoio de toda a comunidade internacional. No entanto, colada à gratidão, sincera, vem um mas: “É preciso agir, agir depressa, agir já. Por cada dia que passa, mais crianças vão morrer”.

“Agora”, diz ela, emocionada, “temos mais de cem anjos a protegerem os nossos céus”. Mas por muita força que tenham estas palavras, os anjos da Ucrânia não conseguem evitar a força aérea da Federação Russa, que continua a bombardear cidades inteiras.

“Até 24 de Fevereiro, as crianças de Lviv e de toda a Ucrânia podiam andar livremente na rua, brincar, viver. Agora, estão a morrer”, explica ela. Em média, desde que começou a invasão da Ucrânia, morrem cinco crianças por dia. “Cento e nove crianças mortas é muito? Ou é pouco? Não sei. Cada um pode olhar para esta fotografia e tirar as suas conclusões. Foi isso que quis transmitir”, explica. Terminámos a conversa, diz-me que depois da guerra gostava de conhecer Portugal.

Viu uma reportagem de viagens sobre os Açores e ficou encantada com “a paisagem”. Deseja que essas férias cheguem o mais depressa possível, “é sinal de que a guerra acabou”. Despede-se. Passado uns segundos volta atrás, tem o telefone na mão, recebeu uma mensagem. Diz-me apenas: “cento e dez. Já são cento e dez crianças mortas”. Acabara de morrer um bebé que tinha ficado ferido. Segue para o edifício da câmara e coloca mais um carrinho ao lado dos outros cento e nove, alinhados como se fossem lápides num cemitério.

Crianças e mães

Os homens entre os 18 e os 60 não podem abandonar o país, porque está imposta a lei marcial. Estão “convocados” para o que for necessário, desde combater no exército, até garantir a defesa civil. Por isso, os quase três milhões de ucranianos que já passaram as várias fronteiras, naquele que é o êxodo mais rápido de sempre – um milhão de pessoas em apenas em dez dias, cem mil por dia, quase 4200 por hora, 70 pessoas por minuto, uma por segundo – são, sobretudo, mulheres, crianças e idosos.

As organizações não governamentais ucranianas estão preocupadas com os relatos que têm chegado de raptos, violações e desaparecimento, sobretudo de mulheres e crianças. As redes de tráfico humano estão atentas a grandes fenómenos migratórios e aproveitam o momento: “As mulheres e as crianças estão fragilizadas, debaixo de um grande stress e procuram segurança, alimentação e conforto”, explica Iryna Andrusiak, directora do Centro para a Igualdade de Género de Lviv, professora no politécnico da cidade.

Coordena uma campanha de informação em massa, sobretudo através das redes sociais – Telegram, WhatsApp, Facebook, Instagram. O objectivo é passar a mensagem, espalhar a palavra, alertar as mulheres para o que pode acontecer em situações de grande vulnerabilidade, fraqueza e, portanto, pouco discernimento. “Temos dezenas de relatos de mulheres que foram violadas, raptadas ou que estão encarceradas”, relata Iryna.

Esta realidade é contada na primeira pessoa e, depois, difundida nas redes. Cada mulher que tomar conhecimento de histórias destas, ficará mais consciente do risco que corre. Ainda assim, por vezes, “é muito difícil reconhecer os predadores. As mulheres devem estar muito atentas, o melhor que podem fazer é confiar na polícia”.

A este conselho, junta-se um outro: desconfiar. “Normalmente”, explica Iryna, quem faz este tipo de aliciamento está “disfarçado de voluntário”. “Nunca se deve confiar num voluntário que esteja sozinho, os voluntários que realmente querem ajudar trabalham em organizações e estão em grupo”. É sempre preciso perguntar para que organização trabalham os voluntários que estão nas estações de comboio, nas centrais de camionagem ou junto às fronteiras.

Ontem, além dos meios electrónicos, os voluntários do Politécnico de Lviv distribuíram panfletos nos locais da cidade de onde ainda continuam a sair mulheres e crianças para destino incerto, para vidas incertas. Para futuros duvidosos. E nem sempre seguros.

Hoje, dia do pai, é o 24.º dia de guerra na Ucrânia.

Diário de Notícias
Pedro Cruz, em Lviv
19 Março 2022 — 00:01



 

670: Os novos explosivos criados numa fábrica militar caseira

SOCIEDADE/INVASÃO RUSSA/UCRÂNIA/

Enviado Pedro Cruz faz o relato, todos os dias, dos acontecimentos na zona do conflito.

Fábrica nos arredores de Lviv onde são produzidos cocktails molotov em massa. 3160 unidades com 200 pessoas trabalhar diariamente por turnos.
Foto André Luís Alves / Global Imagens

Lviv, Ucrânia.
“Tens medo?”
“Não”, respondi eu.
“Então anda, vamos
experimentar!”

Por um momento pensei que Sasha, dono de um restaurante em Lviv, me ia passar para as mãos o que ele chama de “novo cocktail molotov”. Mas não. Estava apenas a convidar-me para assistir ao primeiro arremesso de uma nova bomba artesanal que ele e o amigo Olexandr tinham acabado de construir.

O conceito é o mesmo do “clássico” cocktail molotov, mas sem aquele pedaço de tecido, que serve de rastilho, a espreitar do gargalo. Em vez disso, colada à base da garrafa, há uma mecha feita com uma mistura de esferovite – é fácil de encontrar em qualquer lugar – e óleo de fritar. Uma misturadora, das que se usam nas obras, transforma a esferovite em pó e o pó com óleo numa pasta viscosa e inflamável.

Sasha parece um miúdo com um brinquedo novo. Leva a sua invenção para fora do pátio da carpintaria transformada numa fábrica de guerra. Ou melhor, de resistência. Ao lado, outro voluntário tem um extintor preparado, caso alguma coisa corra mal. Ele agarra na garrafa, cinzenta, que em tempos esteve cheia com gin que servia no restaurante, e atira-a com toda a força contra uns blocos de betão. A bomba explode de imediato e provoca uma chama que se vai alastrando à volta. Ele fica feliz. Afinal, a invenção funciona. Diz que é um objecto mais “leve” e, portanto, pode ser atirado de mais longe. Ou para mais longe, consoante a situação.

Fábrica nos arredores de Lviv onde são produzidos cocktails molotov em massa. 3160 unidades com 200 pessoas trabalhar diariamente por turnos.
© André Luís Alves / Global Imagens

Agora que a ideia passou a projecto, o projecto a protótipo e que a experiência está feita, a linha de montagem no pátio da carpintaria vai dividir-se em duas. Uma trata dos cocktails molotov “tradicionais”, a outra vai produzir em massa a invenção de Sasha.

Duzentos homens e mulheres, nem sempre todos ao mesmo tempo. Mas, quando podem, trabalham numa verdadeira linha de montagem de fabrico de bombas artesanais, os conhecidos cocktails molotov. Há uma mesa com pessoas que colocam a gasolina dentro das garrafas, outra onde se embebem as tiras de pano que vão servir de rastilho, outra ainda onde as garrafas são bem fechadas. Por entre os vários postos de trabalho da “fábrica”, circulam carrinhos que transportam com todo o cuidado as garrafas de um lado para o outro. Quando está pronto, o cocktail é envolto em plástico, colocado em grades e armazenado. Mal seja possível, as 3.200 bombas artesanais que já estão prontas vão seguir para Kiev. É na capital que toda a ajuda faz falta, para evitar a captura da cidade pelo exército russo.

Fábrica nos arredores de Lviv onde são produzidos cocktails molotov em massa. 3160 unidades com 200 pessoas trabalhar diariamente por turnos.
© André Luís Alves / Global Imagens

Mila Yaroshevich trabalha na Rádio Galícia – não, não tem nada que ver com a Galiza, em Espanha, é o nome de uma antiga região autónoma, que começava em Cracóvia, na Polónia, e que se estendia até à parte ocidental da agora Ucrânia – e escreve livros para crianças. Educar e cuidar dos três filhos dá-lhe material suficiente para as suas histórias. “O meu irmão pediu-me ajuda e, como sou boa irmã, aqui estou”, explica, a rir-se. Ela coordena uma grande parte do trabalho desta linha de montagem, para que nada falhe. “É o que posso fazer, ajudar.” As bombas artesanais, como farão para as colocar em Kiev, a quase 500 quilómetros de distância? “Vão nas malas de carros particulares, para não levantar suspeitas”. Hão de lá chegar.

A carpintaria continua a funcionar, mas agora apenas produz, em massa, camas rudimentares para utilizar nos abrigos e nos centros de deslocados. Uma tábua em contraplacado, quatro pernas, está pronta. Noutra zona, um homem, sem parar, transforma tiras de metal numa espécie de ganchos gigantes, pontiagudos. Servirão para colocar na estrada e impedir os camiões do exército russo de avançar. Tudo feito a um ritmo alucinante, sem um queixume, uma lamuria, um reparo.

A cave estava desactivada e entretanto foi limpa, e tem algumas camas, água potável e electricidade. Já albergou 120 pessoas
© André Luís Alves / Global Imagens

“Isto é a resistência, nós vamos vencer.” Mila, tal como os outros todos, acredita que este esforço de guerra vai valer a pena, na luta por uma Ucrânia livre, independente e democrática.

Olexandr levanta a mão direita, punho cerrado, “Glória à Ucrânia!”

Despede-se, volta ao trabalho, ele e Sasha terão agora de ensinar como se fazem os novos cocktails, quem sabe se virão a chamar-se Sasha.

Diário de Notícias
Pedro Cruz e André Luís Alves (Fotografia), em Lviv
03 Março 2022 — 00:13



 

Navalny apela a manifestações contra a guerra e descreve Putin como “czar louco”

– É esta a “liberdade” e as “amplas liberdades democráticas” que os comunistas portugueses (PCP) tanto apregoam e APOIAM, quando um louco assassino, ex-KGB de formação na ex-União Soviética (URSS), nacionalista de gema e fascista convicto, manda matar, num genocídio global, tudo o que seja contra a vontade dele. Putin não é a Rússia, diz com razão Navalny mas infelizmente e enquanto esse assassino não for julgado no Tribunal de Haia por crimes contra a Humanidade, os Ucranianos terão de se defender desta invasão sem precedentes, com ameaças até de confronto nuclear!

SOCIEDADE/UCRÂNIA

O opositor lembrou que está preso e não pode comparecer aos protestos, mas reiterou o seu apelo aos cidadãos para que se manifestem diariamente contra a invasão da Ucrânia.

Alexei Navalny, líder da oposição na Rússia
© Global Imagens

O opositor russo Alexei Navalny, actualmente preso na Rússia, convocou esta quarta-feira os seus compatriotas a saírem às ruas contra a invasão da Ucrânia ordenada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, a quem descreveu como um “czar louco”.

“A Rússia quer ser uma nação de paz. Infelizmente, poucas pessoas nos chamariam assim agora. Mas, pelo menos, não nos tornemos num país de pessoas assustadas e silenciosas, de cobardes que fingem não notar a guerra contra a Ucrânia desencadeada pelo nosso, obviamente, czar louco”, escreveu Navalny na rede social Twitter.

“Putin não é a Rússia. E se há algo agora na Rússia do qual nos podemos orgulhar são essas 6.824 pessoas que foram detidas porque — espontaneamente – saíram às ruas com cartazes a dizer: ‘Não à guerra'”, declarou o opositor.

Navalny estava a referir-se aos milhares de pessoas que foram detidas nos últimos dias em várias cidades russas por se manifestarem contra a guerra.

“Não posso, não quero e não vou ficar em silêncio a ver absurdos pseudo-históricos sobre eventos de há 100 anos tornarem-se uma desculpa para os russos matarem os ucranianos e os ucranianos matarem os russos para se defenderem”, afirmou Alexei Navalny, o principal opositor do regime de Putin.

“É a terceira década do século 21 e estamos a ver notícias sobre pessoas a serem queimadas e casas a serem bombardeadas. Estamos a ver ameaças reais do início de uma guerra nuclear em nossas televisões”, acrescentou.

O opositor lembrou que está preso e não pode comparecer aos protestos, mas reiterou o seu apelo aos cidadãos para que se manifestem diariamente contra a invasão da Ucrânia.

“Não podemos esperar mais. Onde quer que esteja, na Rússia, Bielorrússia e mesmo do outro lado do planeta, vá à praça principal da sua cidade todos os dias”, declarou.

“Devemos cerrar os dentes e vencer o medo, sair e exigir o fim da guerra. Cada detido [nas manifestações] deve ser substituído por dois recém-chegados” aos protestos, declarou.

Navalny foi envenenado em Agosto de 2020 com um agente químico de fabricação russa (Novichok) e acusa os serviços secretos russos de tentativa de assassínio.

Depois de retornar à Rússia em Janeiro de 2021, após ter passado vários meses a convalescer na Alemanha, Navalny foi detido e condenado a dois anos e meio de prisão. Desde então, o Ocidente exige insistentemente pela sua libertação.

O opositor russo está a ser julgado novamente por novas acusações de corrupção, que o Ocidente e algumas organizações não-governamentais (ONG) consideram meramente políticas.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de milhares de deslocados e refugiados ucranianos na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

Diário de Notícias
DN/Lusa
02 Março 2022 — 11:45