799: Revelado o rasto de destruição deixado pelo asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Um novo estudo revela o rasto de destruição deixado pelo asteróide que dizimou os dinossauros, há 66 milhões de anos.

Pequenas manchas brancas pontilham uma zona de rochas ao longo do Rio Brazos, no Texas, Estados Unidos. À primeira vista não passam disso mesmo — pequenas manchas —, mas a realidade é que escondem pistas sobre o dia mais catastrófico da história do nosso planeta. 

Há 66 milhões de anos, um enorme asteróide atingiu a Terra, causando uma cratera com mais de 180 quilómetros de diâmetro, conhecida como cratera Chicxulub.

O impacto desencadeou incêndios florestais e tsunamis. De seguida, as oscilações do clima deram início à extinção de cerca de 75% de todas as espécies, incluindo os dinossauros não-aviários. Foi o princípio do fim do seu fim.

Uma equipa de investigadores recorreu agora às pequenas pedras encontradas no Texas, conhecidas como lapilli, para revelar novos detalhes sobre o que aconteceu nos minutos após o impacto do asteróide, escreve a National Geographic.

Os resultados do estudo publicado este mês na revista científica Geology mostram que o asteróide atingiu com tanta força a Terra que vaporizou instantaneamente uma espessa camada de rocha, enviando uma pluma gasosa para o ar juntamente com fragmentos rochosos explodidos da superfície.

O impacto, localizado naquilo que é hoje o México, fez “chover” lapilli a milhares de quilómetros de distância, incluindo Belize, Texas e até Nova Jersey.

O lapilli também pode conter pistas sobre quanto dióxido de carbono permaneceu na atmosfera após o impacto, que causou um período estimado de até 100 mil anos de aquecimento global.

A análise de isótopos de carbono e oxigénio no novo estudo apoia a tese de um mecanismo sugerido anteriormente: os gases condensados das rochas vaporizadas podem agir como cola lapilli, mantendo os pequenos aglomerados juntos.

David Burtt, autor principal do artigo, diz ainda que os cientistas conseguiram medir a temperatura da nuvem de gás que se dissipou no ar há milhões de anos após o impacto. Os resultados indicam que as pequenas pedras formaram-se a 155 ºC.

“O que há de novo é que eles realmente fixaram uma temperatura num tipo específico de objecto”, salienta David Kring, que dedicou muita da sua investigação à cratera Chicxulub, mas que não participou no estudo.

Estudos anteriores indicavam a possibilidade de se terem registado temperaturas ainda mais altas e sugeriam que o impacto terá causado incêndios até 2.500 quilómetros de distância.

À volta do local do impacto, as temperaturas teriam sido altas o suficiente para causar a ignição instantânea das plantas. Num estalar de dedos, todas as plantas na zona ficaram reduzidas a cinzas.

A formação de lapilli dentro da nuvem de vapor consumiria parte do dióxido de carbono, influenciando alterações climáticas nos anos após a colisão do asteróide.

A mistura de emissões de enxofre, dióxido de carbono e vapor de água levou a um aquecimento espontâneo da Terra, que desmoronou cadeias alimentares e enviou inúmeras espécies rumo à extinção.

  Daniel Costa, ZAP //
Daniel Costa
25 Março, 2022

 



 

691: Encontrados depósitos de sal em Ceres. Cratera do planeta anão pode conter outro vulcão gelado

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL-Caltech / UCLA / MPS / DLR / IDA
A bacia de Urvara em Ceres

Imagens da missão Dawn da NASA, que orbitou Ceres entre 2015 e 2018, revelaram depósitos de sal na cratera Urvara, que podem estar associados a vulcões gelados.

Ceres pode ter mais um crio-vulcão na sua superfície. Dados da missão Dawn permitiram aos astrónomos descobrir depósitos de sal na bacia de Urvara, que podem estar relacionados com vulcões gelados.

Entre 2015 e 2018, a sonda Dawn orbitou e explorou o pequeno planeta, localizado no Cinturão de Asteróides entre as órbitas de Marte e Júpiter. Além de ter avistado a cratera Urvara, o estudo apontou a relação dos depósitos de sal com as actividades de crio-vulcões — que expelem gelo em vez de lava.

É com alguma frequência que se encontram depósitos de sal em Ceres, o que leva os cientistas a suspeitar da existência de uma fonte abaixo do solo, um possível oceano salino. Mas, com apenas 482 quilómetros de diâmetro, como poderia um planeta anão conter tanta água?

Citada pelo Space, Andreas Nathues, do Instituto Max Planck, explicou que são as grandes estruturas de impacto de Ceres que dão aos cientistas acesso às camadas mais profundas do planeta.

A topografia e composição das crateras, por exemplo, parecem apontar para “processos geológicos complexos e duradouros que alteraram a superfície do planeta anão”.

Ora, com 170 quilómetros de largura, Urvara é um exemplo disso mesmo: a cratera ter-se-á formado há 250 milhões por um impacto que “escavou” material até 50 quilómetros de profundidade.

As imagens obtidas pela sonda Dawn, a apenas 35 quilómetros da superfície de Ceres, deram detalhes em alta resolução que permitiram observar paredes de crateras, uma grande cadeia de montanhas e um material brilhante – que seria o material expelido pelo crio-vulcão da região.

Esta foi a primeira vez que um estudo detectou depósitos de sal e compostos orgânicos na superfície de um mundo — especialmente concentrados numa encosta a oeste das montanhas centrais.

A descoberta orgânica tem “implicações importantes para a história geológica geral de Ceres, bem como potenciais ligações à astrobiologia e habitabilidade“, observou o cientista Guneshwar Thangjam, do Instituto Nacional de Educação e Investigação Científica em Bhubaneswar, na Índia.

O artigo científico foi publicado, em Fevereiro, na Nature.

  ZAP //

ZAP
7 Março, 2022