1203: ESA aprova construção de sonda que pretende interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/ESPAÇO

A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou recentemente que aprovou a construção da sonda principal da missão, com lançamento adiado para 2029.

O objectivo é procurar interceptar, pela primeira vez, um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol. A missão é promovida pela ESA em colaboração com a congénere japonesa JAXA.

Cientistas pretendem obter respostas sobre a origem da vida na Terra a partir de um cometa primitivo

Na missão Comet Interceptor (Interceptor de Cometa, em tradução livre), que tinha lançamento inicialmente previsto para 2028, participa a astro bióloga portuguesa Zita Martins, que faz parte da equipa internacional que vai analisar os dados que depois forem recolhidos, segundo revela a Lusa.

Na prática, os cientistas pretendem obter respostas sobre a origem da vida na Terra a partir de um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

A ESA referiu  que “a fase de estudo” da missão “está concluída” e que a construção da sonda principal “começará em breve”, depois de ter sido seleccionado o consórcio contratante.

A Comet Interceptor vai colocar a sonda principal a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol. Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Pplware
Autor: Pedro Pinto
10 Jun 2022


 

922: Maior cometa já visto tem tamanho confirmado pelo telescópio Hubble

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Lucas Vinicius Santos via nexperts

Nesta terça-feira (12), a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) confirmou o tamanho do maior cometa já visto pela humanidade. O cometa gelado, com aproximadamente 128 quilómetros de diâmetro, foi observado pelo Telescópio Espacial Hubble. Segundo a agência espacial, o cometa tem o maior núcleo já analisado por astrónomos, cerca de 50 vezes maior que a maioria dos cometas conhecidos.

O objecto voador, nomeado de C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein), tem massa de 500 triliões de toneladas e está se movendo a 32 mil quilómetros por hora — a descoberta foi realizada pelos astrónomos Pedro Bernardinelli, brasileiro, e Gary Bernstein em 2010. O tamanho dele é cerca de 100 mil vezes maior que a massa de um cometa típico encontrado próximo do Sol.

Comparativo entre os maiores cometas já observados por astrónomos
Fonte: NASA

“Este cometa é literalmente a ponta do icebergue de muitos milhares de cometas que são muito fracos para serem vistos nas partes mais distantes do sistema solar. Sempre suspeitamos que este cometa tinha que ser grande porque é tão brilhante a uma distância tão grande. Agora confirmamos que é”, disse o co-autor de um novo estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters, David Jewitt.

Cometa a caminho da Terra?

É importante destacar que, por enquanto, o cometa não representa nenhum perigo à Terra, já que ele nunca chegará a menos de 1,6 bilhão quilómetros de distância do Sol — o máximo de proximidade será em 2031, quando chegar próximo a Saturno.

Até então, o cometa recordista em tamanho era o C/2002 VQ94, com um núcleo de 96 quilómetros de diâmetro, descoberto em 2002 pelo projecto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR).

Quando o C/2014 UN271 foi descoberto, em Novembro de 2010, estava a cerca de 3 bilhões de quilómetros de distância do Sol. Actualmente, ele está um pouco mais próximo e, por isso, o Hubble conseguiu captar informações sobre a luz brilhante do cometa e comparar os dados com observações anteriores.

TecMundo
12/04/2022 às 17:39


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética na Ucrânia


 

785: Novo estudo sugere que o oxigénio abundante do Cometa 67P é uma espécie de ilusão

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko visto pela nave espacial Rosetta da ESA em Março de 2015. O cometa 67P foi o primeiro cometa conhecido a emitir oxigénio molecular, uma molécula raramente encontrada em todo o Universo devido à sua reactividade química e à dificuldade de a detectar.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM

Quando a nave espacial Rosetta da ESA descobriu oxigénio molecular em abundância proveniente do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (67P) em 2015, intrigou os cientistas. Nunca tinham visto um cometa a emitir oxigénio, muito menos em tal abundância. Mas mais alarmantes eram as implicações profundas: que os investigadores tinham que explicar tanto oxigénio, o que significava reconsiderar tudo o que pensavam já saber sobre a química do Sistema Solar primitivo e de como este se formou.

Uma nova análise, contudo, liderada pela cientista planetária Adrienn Luspay-Kuti no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, mostra que a descoberta da Rosetta pode não ser tão estranha como os cientistas imaginavam inicialmente. Em vez disso, sugere que o cometa tem dois reservatórios internos que fazem parecer que há mais oxigénio do que realmente tem.

“É uma espécie de ilusão,” disse Luspay-Kuti. “Na realidade, o cometa não tem esta alta abundância de oxigénio, pelo menos não tanto no que toca à sua formação, mas acumulou oxigénio que fica preso nas camadas superiores do cometa, que depois é libertado todo de uma só vez.”

Embora comum na Terra, o oxigénio molecular (dois átomos de oxigénio duplamente ligados um ao outro) é marcadamente invulgar em todo o Universo. Liga-se rapidamente a outros átomos e moléculas, especialmente aos átomos universalmente abundantes de hidrogénio e carbono, pelo que o oxigénio aparece somente em pequenas quantidades em apenas algumas nuvens moleculares. Este facto levou muitos investigadores a concluir que qualquer oxigénio, na nebulosa protosolar que formou o nosso Sistema Solar, provavelmente tinha sido absorvido de modo idêntico.

No entanto, quando a Rosetta encontrou oxigénio a sair do cometa 67P, tudo ficou ao contrário. Ninguém tinha visto oxigénio num cometa antes e, como a quarta molécula mais abundante na cabeleira brilhante do cometa (depois da água, do dióxido de carbono e do monóxido de carbono), precisava de alguma explicação.

O oxigénio parecia sair do cometa com a água, fazendo com que muitos investigadores suspeitassem que o oxigénio ou era primordial – o que significava que se prendeu à água no nascimento do Sistema Solar e se acumulou no cometa quando mais tarde se formou – ou que se formou a partir da água depois da formação do cometa.

Mas Luspay-Kuti e a sua equipa estava cépticos. À medida que a forma de haltere do cometa gira gradualmente, cada hemisfério enfrenta o Sol em vários pontos, o que significa que o cometa tem estações, pelo que a ligação oxigénio-água pode não estar sempre presente. Ao longo de curtos períodos de tempo, os voláteis podem potencialmente ligar-se e desligar-se à medida que descongelam e voltam a congelar com as estações.

Agora veem-no, agora não

Tirando partido destas estações, a equipa examinou os dados moleculares em períodos curtos e longos, imediatamente antes do hemisfério sul do cometa entrar no verão e depois novamente no final desta estação. Como relatado no seu estudo, publicado dia 10 de Março na revista Nature Astronomy, a equipa descobriu que à medida que o hemisfério sul se afastava e estava suficientemente longe do Sol, a ligação entre o oxigénio e a água desaparecia. A quantidade de água que saía do cometa caiu precipitadamente, pelo que ao invés o oxigénio parecia fortemente ligado ao dióxido de carbono e ao monóxido de carbono, que o cometa ainda estava a emitir.

“Não há hipótese disso ser possível sob as explicações sugeridas anteriormente,” disse Luspay-Kuti. “Se o oxigénio fosse primordial e ligado à água na sua formação, não deveria haver qualquer altura que o oxigénio estivesse fortemente correlacionado com o monóxido de carbono e com o dióxido de carbono, mas não com a água.”

Em vez disso, a equipa propôs que o oxigénio do cometa não vem da água, mas de dois reservatórios: um composto de oxigénio, monóxido de carbono e dióxido de carbono no interior do núcleo rochoso do cometa, e uma bolsa mais rasa mais próxima da superfície onde o oxigénio se combina quimicamente com moléculas de água gelada.

A ideia é a seguinte: um reservatório profundo de oxigénio, monóxido de carbono e dióxido de carbono gelado está constantemente a emitir gases porque o oxigénio, o dióxido de carbono e o monóxido de carbono evaporam-se a temperaturas muito baixas.

No entanto, como o oxigénio atravessa o interior do cometa até à superfície, parte insere-se quimicamente na água gelada (um dos principais constituintes do núcleo do cometa) para formar um segundo reservatório de oxigénio, mais raso. Mas a água gelada vaporiza a uma temperatura muito mais elevada do que o oxigénio, por isso, até o Sol aquecer suficientemente a superfície e vaporizar a água gelada, o oxigénio fica preso.

A consequência é que o oxigénio pode acumular-se neste reservatório raso durante longos períodos até que a superfície do cometa seja finalmente aquecida o suficiente para que a água gelada se vaporize, libertando uma pluma muito mais rica em oxigénio do que estava realmente presente no cometa.

“Dito de outra forma, as abundâncias de oxigénio medidas na cabeleira do cometa não refletem necessariamente as suas abundâncias no núcleo do cometa,” explicou Luspay-Kuti.

Consequentemente, o cometa também vacilaria com as estações do ano entre a forte associação à água (quando o Sol aquece a superfície) e a forte associação ao dióxido de carbono e ao monóxido de carbono (quando esta superfície não está virada para o Sol e o cometa está suficientemente longe) – exactamente o que a Rosetta observou.

“Esta não é apenas uma explicação: é a explicação, porque não há outra possibilidade,” disse Olivier Mousis, cientista planetário da Universidade de Aix-Marselha em França e co-autor do estudo. “Se o oxigénio estivesse apenas a vir da superfície, não veríamos estas tendências observadas pela Rosetta.”

A principal implicação, disse, é que significa que o oxigénio do cometa 67P é, de facto, oxigénio que se acumulou no início do Sistema Solar. Apenas que é somente uma fracção do que as pessoas tinham pensado.

Luspay-Kuti disse que quer aprofundar o tema examinando as espécies moleculares menos abundantes do cometa, como o metano e o etano, e a sua correlação com o oxigénio molecular e com outras espécies maiores. Ela suspeita que isto irá ajudar os investigadores a ter uma melhor ideia do tipo de gelo em que o oxigénio foi incorporado.

“Ainda é necessário encontrar uma forma de incorporar o oxigénio no cometa,” disse Luspay-Kuti, considerando que a quantidade de oxigénio ainda é maior do que a observada na maioria das nuvens moleculares. Mas ela disse que esperava que a maioria dos investigadores acolhesse o estudo e as suas conclusões com um suspiro de alívio.

Astronomia On-line
22 de Março de 2022

 



 

782: RIP Leonard. O “Cometa do Natal” desintegrou-se

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Patrick Prokop / HeavenlyBackyardAstronomy
O cometa Leonard fotografado a 1 de Dezembro, em Savannah (EUA)

Leonard não fará a sua próxima viagem de 80 mil anos à volta do Sol. O “Cometa do Natal” parece ter-se desintegrado no final de Fevereiro.

O cometa Leonard, que passou perto do Sol a 3 de Janeiro, está agora a afastar-se da nossa estrela. Segundo o Earth Sky, não só se desvaneceu, como tem em falta as suas duas partes mais importantes: o núcleo e a coma (atmosfera temporária).

O astrónomo Gregory Leonard, do Catalina Sky Survey, foi o primeiro a detectar o cometa a 3 de Janeiro de 2021, um ano antes do seu periélio. Na altura, o cometa ainda estava longe de estar no seu ponto mais próximo do Sol.

No seu periélio, Leonard, também conhecido como cometa C/2021 A1, chegou a um raio de 90 milhões de quilómetros da nossa estrela. Em termos comparativos, a Terra chega, durante o periélio, a um raio de 147 milhões de quilómetros da estrela.

O calor do Sol deu vida a Leonard, fazendo-o libertar gás e poeira, mas a permanência do cometa no Sistema Solar interno acabou por ser o seu maior infortúnio.

Os cientistas estudaram o conhecido “Cometa do Natal” utilizando o Observatório de Relações Solares Terrestres-A (STEREO-A), da NASA, e a Solar Orbiter, um projecto conjunto da agência espacial norte-americana e da ESA.

Quando foi observado por Gregory Leonard, especulou-se que poderia tornar-se visível a olho nu à medida que se aproximava, mas tal acabou por não acontecer. Agora, o cometa de 1,6 quilómetros de largura, que mal tinha começado a sua viagem de regresso ao Sistema Solar exterior há 40.0000 anos, parece ter-se desintegrado.

Os astrónomos começaram a notar os sinais por volta da época do seu periélio: flutuações no brilho a cada três a cinco dias e mudanças estruturais bruscas na sua cauda.

A 23 de Fevereiro, o astrónomo Martin Mašek, do Instituto de Física da Academia Checa de Ciências, descobriu que Leonard, que só podia ser visto no hemisfério sul, se tinha tornado uma faixa de desvanecimento no Espaço, sem cabeça resplandecente.

Segundo os cientistas, o cenário mais provável é que o núcleo se tenha desintegrado ou evaporado – ou uma combinação dos dois. Independentemente do que terá acontecido, Leonard ficará na história como o cometa mais brilhante de 2021.

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ZAP
23 Março, 2022

 



 

771: O cometa 323P/SOHO está a namoriscar a destruição à medida que se aproxima do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Hui et al. 2022
O Telescópio Lowell Discovery captou esta imagem do cometa 323P/SOHO em Fevereiro de 2021

Além de terem descoberto que o cometa 323P/SOHO perdeu entre 0,1-10% da massa do núcleo, os cientistas identificaram dois fragmentos de 20 metros de diâmetro, em Março de 2021. O corpo parece estar a caminho da destruição.

O cometa 323P/SOHO está a sofrer um lento processo de destruição. O seu periélio — o ponto da órbita mais próximo do Sol — é de apenas 0,04 unidades astronómicas, estando muito perto da nossa estrela. Já o seu período orbital é de pouco mais de quatro anos terrestres.

Em 2020, observações com o telescópio Subaru mostraram que o cometa não tinha algumas características típicas, como coma e cauda, à medida que se aproximava do periélio mas, segundo o Universe Today, isso mudou.

O 323P/SOHO “desenvolveu uma cauda longa e estreita que imita uma nuvem de detritos cometários em desintegração”, escreveram os autores do artigo científico, que está disponível no arXiv.

O cometa tem a rotação mais rápida de todos os cometas conhecidos do Sistema Solar e um núcleo com apenas cerca de 172 metros de diâmetro. Apesar de ter uma alta força coerciva – ou seja, é resistente aos encontros gravitacionais com o Sol – essa característica não será suficiente para o salvar da destruição.

A convicção dos autores do estudo tem por base a identificação de dois fragmentos de 20 metros de diâmetro originários do objecto, em Março de 2021.

Além disso, a equipa descobriu que o 323P/SOHO perdeu entre 0,1-10% da massa do núcleo.

Os investigadores também chegaram à conclusão de que o cometa pode ter feito parte da família de Júpiter. Contudo, os cometas dessa família originaram-se como objectos do Cinturão de Kuiper e contêm muitos voláteis congelados.

Ao contrário dos seus supostos “parentes”, 323P/SOHO não apresenta uma cauda perceptível quando aquecido pelo Sol. “Pelo contrário, é muito provavelmente desencadeada pela instabilidade rotacional, além do grande stress térmico induzido pelo enorme gradiente de temperatura dentro do seu núcleo em torno do periélio.”

O artigo defende que é muito improvável que o cometa sobreviva por muito tempo: quer por causa da sua instabilidade rotacional, quer pela forte ressonância orbital com Saturno que diminuirá o seu periélio, deixando-o ainda mais perto do Sol.

Ainda assim, é um processo moroso e certamente já cá não estaremos para o observar. “O 323P tem uma probabilidade de 99,7% de colidir com o Sol nos próximos dois milénios”, rematam os autores.

  ZAP //

ZAP
21 Março, 2022