782: RIP Leonard. O “Cometa do Natal” desintegrou-se

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Patrick Prokop / HeavenlyBackyardAstronomy
O cometa Leonard fotografado a 1 de Dezembro, em Savannah (EUA)

Leonard não fará a sua próxima viagem de 80 mil anos à volta do Sol. O “Cometa do Natal” parece ter-se desintegrado no final de Fevereiro.

O cometa Leonard, que passou perto do Sol a 3 de Janeiro, está agora a afastar-se da nossa estrela. Segundo o Earth Sky, não só se desvaneceu, como tem em falta as suas duas partes mais importantes: o núcleo e a coma (atmosfera temporária).

O astrónomo Gregory Leonard, do Catalina Sky Survey, foi o primeiro a detectar o cometa a 3 de Janeiro de 2021, um ano antes do seu periélio. Na altura, o cometa ainda estava longe de estar no seu ponto mais próximo do Sol.

No seu periélio, Leonard, também conhecido como cometa C/2021 A1, chegou a um raio de 90 milhões de quilómetros da nossa estrela. Em termos comparativos, a Terra chega, durante o periélio, a um raio de 147 milhões de quilómetros da estrela.

O calor do Sol deu vida a Leonard, fazendo-o libertar gás e poeira, mas a permanência do cometa no Sistema Solar interno acabou por ser o seu maior infortúnio.

Os cientistas estudaram o conhecido “Cometa do Natal” utilizando o Observatório de Relações Solares Terrestres-A (STEREO-A), da NASA, e a Solar Orbiter, um projecto conjunto da agência espacial norte-americana e da ESA.

Quando foi observado por Gregory Leonard, especulou-se que poderia tornar-se visível a olho nu à medida que se aproximava, mas tal acabou por não acontecer. Agora, o cometa de 1,6 quilómetros de largura, que mal tinha começado a sua viagem de regresso ao Sistema Solar exterior há 40.0000 anos, parece ter-se desintegrado.

Os astrónomos começaram a notar os sinais por volta da época do seu periélio: flutuações no brilho a cada três a cinco dias e mudanças estruturais bruscas na sua cauda.

A 23 de Fevereiro, o astrónomo Martin Mašek, do Instituto de Física da Academia Checa de Ciências, descobriu que Leonard, que só podia ser visto no hemisfério sul, se tinha tornado uma faixa de desvanecimento no Espaço, sem cabeça resplandecente.

Segundo os cientistas, o cenário mais provável é que o núcleo se tenha desintegrado ou evaporado – ou uma combinação dos dois. Independentemente do que terá acontecido, Leonard ficará na história como o cometa mais brilhante de 2021.

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ZAP
23 Março, 2022