769: Primeiro dinossauro do mundo com armadura de espinhos descoberto na Ásia

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Wikimedia
Dinossauro com armadura de espinhos (Ankylozaur)

Uma nova espécie de dinossauro com armadura de espinhos foi descoberta na China e é a mais antiga encontrada na Ásia até à data.

Com uma morfologia distinta, a nova espécie mostra que estes dinossauros podem ter aparecido na altura do Jurássico Primitivo, mas mais cedo do que se calculava anteriormente, segundo a IFL Science.

Juntando-se ao estegossauro e ao Ankylosaurus como membro dos thyreophorans, a nova espécie foi denominada Yuxisaurus kopchicki e é descrita num estudo publicado no eLife, realizado por investigadores da China, dos EUA, e do Museu de História Natural, em Londres.

Tendo vagueado pela província de Yunnan, na China, há cerca de 192 a 174 milhões de anos, é o mais antigo dinossauro com armadura de espinhos, encontrado na Ásia até à data.

Com o corpo como se fosse um tanque, Y. kopchicki tinha uma armadura de espinhos que o teria tornado um adversário forte para os predadores no Jurássico Primitivo.

O seu nome latino presta homenagem ao seu sítio de descoberta com “Yuxisaurus” referindo-se à Prefeitura de Yuxi na China.

A última parte, “kopchicki”, é em honra ao biólogo molecular John J Kopchick, em reconhecimento das suas contribuições para a biologia e para a Universidade Indiana da Pensilvânia, a casa académica de alguns dos autores do artigo.

Segundo Shundong Bi, professor na Universidade Indiana da Pensilvânia e autor sénior do artigo, era muito provável um dinossauro daqueles andar sobre quatro pernas, mas também poderia ter sido capaz de andar sobre apenas duas.

A anatomia e o comportamento do dinossauro foram recolhidos de um esqueleto incompleto, composto por restos do crânio, mandíbula, ombros, membros e espinhos.

Embora não seja o quadro completo, revelam estruturas únicas à volta da cabeça e representam um dos espécimes mais completos e melhor conservados desta época e região.

“Embora tenhamos tido fragmentos fascinantes de dinossauros primitivos com armadura de espinhos da Ásia, esta é a primeira vez que temos material suficiente para reconhecer uma nova espécie da região e investigar a sua história evolutiva”, disse Paul Barrett, Investigador de Mérito do Museu de História Natural.

“Espero que seja o primeiro de muitos dinossauros novos das localidades a serem descobertos pelos meus colegas em Yunnan”, acrescentou.

A descoberta segue os passos de Bashanosaurus primitivus, uma nova espécie de estegossauro apresentada ao mundo no início deste mês.

Também oriundo da Ásia, o pequeno dinossauro andava a pavonear-se há cerca de 160 milhões de anos e pode representar o estegossauro mais antigo do mundo.

Alice Carqueja
19 Março, 2022

 



 

200: Amnistia Internacional denuncia ataque global à liberdade de expressão durante a pandemia

SOCIEDADE/AI/LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Amnistia Internacional dá como exemplo o caso específico da China, em que foram reprimidos aqueles que reportaram o início da pandemia

© YFC | Crédito: EPA

A Amnistia Internacional divulgou um relatório de 40 páginas em que denuncia “ataques à liberdade de expressão por parte de governos, combinados com uma enchente de desinformação por todo o mundo durante a pandemia da covid-19”.

No entender da organização, estas acções de censura e desinformação “tiveram um impacto devastador sobre a capacidade das pessoas para acederem a informação precisa e oportuna, que as ajudasse a lidar com a crescente crise de saúde global”.

O relatório revela como o recurso dos governos e das autoridades à censura e à punição reduziu a qualidade da informação que chega às pessoas. “A pandemia trouxe uma situação perigosa, com vários governos a utilizar nova legislação para desactivar fontes independentes, e atacar pessoas que criticaram ou tentaram analisar a resposta do seu governo à pandemia”, pode ler-se no documento.

Rajat Khosla, director sénior de investigação, advocacia e incidência política da Amnistia Internacional, refere que “ao longo da pandemia, os governos lançaram um ataque sem precedentes à liberdade de expressão, limitando severamente os direitos das pessoas”.

“Foram visados canais de comunicação, censuradas redes sociais, e encerrados órgãos de comunicação social – criando um impacto desastroso na capacidade do público para aceder a informação vital sobre como lidar com a covid-19. Aproximadamente cinco milhões de pessoas perderam as suas vidas devido à covid-19, e a falta de informação terá sido, provavelmente, um factor contributivo”, afirmou o responsável.

A Amnistia Internacional dá como exemplo o caso específico da China, em que durante os dias iniciais de disseminação do vírus, ainda em Dezembro de 2019, profissionais de saúde e jornalistas tentaram chamar a atenção para o início da pandemia mas que foram visados pelo governo por reportarem o surto que, até então, era um tema desconhecido. Segundo o documento, em Fevereiro de 2020 tinham sido abertas 5511 investigações penais contra indivíduos que publicaram informação sobre o surto, por “produção e disseminação deliberada de informação falsa e nociva”.

Outros países que implementaram leis opressivas e limitaram o direito à liberdade de expressão e silenciaram críticas foram a Rússia, a Tanzânia e a Nicarágua.

No caso da Rússia, em causa está a expansão das leis sobre fake news, nomeadamente a introdução de penas criminais para a “disseminação pública de informações falsas” no contexto de emergências, medidas essas que vão continuar em vigor após a pandemia.

Na Tanzânia, nos últimos anos o governo introduziu uma série de leis e que foram utilizadas para silenciar jornalistas, defensores dos direitos humanos e membros da oposição política, com o governo do presidente Magufuli a assumir uma postura negacionista em relação à pandemia.

Já as autoridades de Nicarágua usaram a covid-19 para introduzir a Lei Especial sobre Crimes Cibernéticos em Outubro de 2020, que pune aqueles que criticam políticas governamentais e dá ampla discrição para reprimir a liberdade de expressão.

Diário de Notícias
DN
19 Outubro 2021 — 01:01