Carlos Mineiro Aires: “Quem não vota, nunca terá legitimidade para exigir ou criticar o que quer que seja”

– Estes gajos ainda não entenderam o conceito de DEMOCRACIA! No tempo do salazar, os mortos votavam mas não era OBRIGATÓRIO VOTAR! E vivia-se o fascismo em toda a sua pujança reaccionária, atentando contra as liberdades do Povo, que não existiam. A PIDE/DGS fazia tudo, a mando do salazar, para que isso acontecesse. Agora, surgem estes “democratas” a vomitarem que “Quem não vota, nunca terá legitimidade para exigir ou criticar o que quer que seja”. Quem não vota tem o direito de o fazer e OBRIGAR as pessoas a VOTAREM, contra a sua vontade, é um acto fascista de repressão individual sem cabimento mesmo na pseudo-democracia em que vivemos. Quem não se revê em qualquer partido, porque infelizmente a grande maioria dos políticos que os compõem, serem uma cambada de aldrabões, fazedores de promessas NUNCA CUMPRIDAS depois de estarem no poleiro, não é, não pode ser, considerado um cidadão que não se preocupa com o futuro do país! Isto é PURA FALÁCIA, é uma afirmação abjecta! Confirma-se, desde há muito, que não é por possuir-se um canudo académico que se é melhor daquele que tem a antiga quarta classe primária. Aliás, é nesta classe “académica”, que encontramos muita podridão putrefacta.

SOCIEDADE/O DIREITO A NÃO VOTAR

Carlos Mineiro Aires é o bastonário da Ordem dos Engenheiros.

Carlos Mineiro Aires
© Amin Chaar / Global Imagens

Dia 30 há eleições legislativas. Como convencer um abstencionista a ir votar?
Quem se abstém fá-lo essencialmente por duas razões: não se revê em qualquer partido ou não se preocupa com o futuro do país. O voto é um dever e um direito que alcançámos e que infelizmente não existe em todos os países. Quem não vota, nunca terá legitimidade para exigir ou criticar o que quer que seja, pois não fez parte do jogo.

Qual a primeira medida na sua área que o governo deveria tomar?
Estabelecer um pacto transversal com os restantes partidos que garanta a estabilidade na execução do PRR e do PT 2030, como últimas soluções e apoios financeiros que o país disporá e onde a engenharia terá um papel crucial.

E qual a primeira medida para o país, em geral?
Assegurar soluções para a urgente transformação da nossa economia, ajudando as empresas a serem competitivas e produzirem riqueza e empregos adequadamente remunerados. O país só crescerá com menos Estado e mais sector privado.

Na sua opinião o que seria melhor para Portugal: um governo de maioria absoluta ou de coligação entre vários partidos?
Olhando para o actual espectro político e número de partidos acho que a obtenção de maiorias absolutas é cada vez mais uma miragem, salvo se existirem coligações prévias, o que não foi o caso. Por esta razão, o futuro governo terá que resultar de um cenário de coligação, efectiva ou apenas com apoio parlamentar, sob pena de a longevidade da legislatura estar comprometida. À esquerda ou ao centro, o importante é garantir a estabilidade do país.

Fiscalidade: o novo governo deve baixar primeiro os impostos às famílias ou às empresas? Qual das soluções trará mais rápido crescimento ao país?
Quando não se produz riqueza, não se reparte, pelo que o agravamento da carga fiscal torna-se numa fonte de rendimentos que conduz ao sufoco das empresas e da classe média. A prioridade deve ser o apoio às empresas através de financiamento e desagravamento de impostos, para que possam gerar mais lucros e remunerar melhor os seus trabalhadores e o Estado. A fiscalidade deve ser revisitada. Os impostos indirectos (ex. combustíveis e energia) são bem mais gravosos do que o IRC ou o IRS, sendo que o IVA necessita de ajustamentos aos diferentes bens e actividades.

– Só ouço e vejo falar na classe média! Porra! A classe miserável, – e são milhares – aqueles que (sobre)vivem no fio da navalha, deixou de existir? Não contam para estes fazedores de opinião, comentadeiros de vão-de-escada?

O PRR pode mudar o país? Qual a sua expectativa em relação à execução do PRR durante esta legislatura?
Por si só, não mudará, mas muito ajudará a mudar o país, pelas múltiplas áreas onde incide e pelos generosos financiamentos que aportou. Um dos problemas das crises políticas é comprometerem as programações e compromissos assumidos, razão por que esta legislatura, que coincide praticamente com o PRR e que se estende até 2026, é crucial para a sua execução. Como qualquer cidadão consciente, a minha expectativa é muito elevada e exigente quanto à concretização desse objectivo, que deve ser um desígnio nacional.

Escolha dois ou três políticos da História de Portugal (que não sejam candidatos a estas eleições) e que continuam a ser uma inspiração para si?
Como cidadão independente, tenho de correr o espectro partidário e por ordem alfabética, para não ser mal-entendido: Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro, Francisco Lucas Pires e Mário Soares.

Diário de Notícias
Depoimentos recolhidos por Rosália Amorim
20 Janeiro 2022 — 00:12