734: Bolsonaro concede medalha do ministério da Justiça a si mesmo

INTERNACIONAL/HUMOR

É a segunda vez que o presidente do Brasil se auto-condecora, depois de ter recebido distinção por Mérito Científico, durante o caos da pandemia de covid-19, no ano passado

Jair Bolsonaro
© EPA/Joedson Alves

O presidente Jair Bolsonaro outorgou nesta terça-feira a Ordem do Mérito do Ministério da Justiça e Segurança Pública a si mesmo. A homenagem, publicada no Diário Oficial da União, também foi conferida a outras autoridades, como o ministro da Justiça, Anderson Torres, os juízes do Supremo Tribunal Federal, Kássio Marques e André Mendonça, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o director da polícia federal Paulo Maiurino, todos indicados pata os cargos por Bolsonaro.

Segundo o Ministério da Justiça, a Ordem do Mérito é concedida àqueles que “se destacaram no exercício de sua profissão, tornando-se merecedores do reconhecimento da classe”, tanto pessoas como empresas, corporações militares e instituições civis, nacionais ou estrangeiras, que prestaram relevantes serviços, contribuindo para o crescimento e fortalecimento do Ministério da Justiça ou dos órgãos a ele vinculados.

Não é a primeira vez, entretanto, que Bolsonaro se condecora: em Novembro de 2021, o presidente brasileiro atribuiu a si mesmo a Medalha de Ordem Nacional do Mérito Científico, logo após ser criticado por uma série de declarações consideradas anti-científicas durante fase crítica da pandemia de Covid-19.

Diário de Notícias
João Almeida Moreira, São Paulo
15 Março 2022 — 20:32

 



 

D. João VI foi “astucioso” ao mudar a corte para o Brasil e desafiar Napoleão

UM POUCO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL

1821. O Regresso do Rei, de Armando Seixas Ferreira, é publicado quando passam 200 anos do regresso da corte a Portugal, e um ano antes dos 200 anos da independência do Brasil (1822), “um país que D. João VI amou de verdade”.

O rei D. João VI foi “astucioso” quando empreendeu a ida da corte portuguesa para o Brasil, evitando a prisão da família real, face à iminente invasão napoleónica em 1807, escreve Armando Seixas Ferreira num novo livro.

A obra 1821. O Regresso do Rei é apresentada pelo vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, no dia 12, às 18:00, na sala D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

O jornalista Seixas Ferreira realça que, ao escapar das tropas napoleónicas, João VI, que assumira a regência devido aos problemas psicológicos da sua mãe, a rainha Maria I, “desempenhou um papel crucial quando a soberania do reino foi ameaçada e o país corria o risco de desaparecer”.

“Ao transferir a sede da monarquia para o hemisfério sul, o regente dava uma lição de estratégia a Bonaparte” e teve “o descaramento e a coragem para desafiar o terrível Napoleão”, contrastando com a imagem de “um príncipe medroso, como era tratado pelos jornais franceses”.

Armando Seixas Ferreira partilha da opinião do historiador Oliveira Lima que afirmou que o filho de Maria I “agiu com o único objectivo de garantir a sobrevivência do reino”, não se deixando “aprisionar mantendo viva a nação portuguesa do outro lado do Atlântico” e sublinha que “é muito mais justo considerar a trasladação da corte para o Rio de Janeiro como uma inteligente manobra política de que uma deserção cobarde”.

A corte partiu de Lisboa nos inícios de Novembro de 1801, enfrentou o oceano, “debaixo de uma tempestade”, e mesmo escoltada por navios britânicos foi um risco: “Se a esquadra naufragasse, seria o fim da dinastia e, possivelmente, de Portugal, como hoje o conhecemos”.

Com a família real, além de muitos materiais, jóias, ouro e até alguma maquinaria, seguiram 15.000 pessoas, que enfrentaram ventos adversos, mas chegaram “aclamados” a terras brasileiras.

Quando exilado na ilha de Santa Helena, Napoleão reconheceu que foi com o desastre na Península Ibérica “que se perdeu”, “até à capitulação [em 1815] em Waterloo”, na actual Bélgica.

Após a morte de Maria I, em Março de 1816, João VI, em Fevereiro de 1818, tornou-se o primeiro monarca europeu a subir ao trono no continente americano, numa “espectacular cerimónia”.

Apesar do descontentamento dos portugueses pela ausência do monarca, João VI foi “protelando” a partida do Brasil, porque “sabia que a viagem podia significar a separação dos dois Estados”, como veio a acontecer 1822, mas como dissera ao seu primogénito, primeiro imperador do Brasil e rei Pedro IV de Portugal, preferia que essa separação fosse sob a égide da Casa de Bragança e que a coroa ficasse com o seu filho “do que vê-la passar para as mãos de um aventureiro”.

A obra de Seixas Ferreira centra-se essencialmente na viagem de regresso, iniciada em Abril de 1821, um rei que regressava “vitorioso mas carregado de apreensões”.

Em Agosto desse ano eclodiria no Porto a revolução liberal e ao monarca ia-lhe ser imposta uma Constituição, que retirava o poder absoluto ao rei, decidindo a divisão de poderes legislativo, executivo e judicial.

Como antecipa o autor no prólogo, “além do relato da jornada”, nesta obra são “analisados os episódios mais marcantes do atribulado reinado de D. João VI [que termina com a sua morte em Março de 1826], com especial destaque para a sua permanência no Brasil”.

A obra de Armando Seixas Ferreira, jornalista na RTP, contou com a consulta de fontes documentais inéditas, nomeadamente os manuscritos da nau de João VI, que transportava o monarca, e “uma bibliografia com testemunhos dos principais intervenientes”, além de uma atenta leitura dos diários de bordo, nomeadamente do brigue “Reino Unido” e da corveta “Voador”, que escoltavam a esquadra portuguesa.

1821. O Regresso do Rei, de Seixas Ferreira, é publicado quando passam 200 anos do regresso da corte a Portugal, e um ano antes dos 200 anos da independência do Brasil (1822), “um país que D. João VI amou de verdade”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
07 Outubro 2021 — 11:22