673: Livre e BE condenam Rússia. PCP ataca NATO e EUA

“… Na reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, que aconteceu a 24 de Fevereiro (o primeiro dia da guerra), o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, afirmou que o partido condenava “sem reservas, o ataque em curso e a ocupação do território de um país soberano”. Na declaração, o responsável considerou também que “não há imperialismos bons e imperialismos maus, são todos perigosos para os povos”, o que levou o BE a rejeitar a acção militar russa.”

E também é bom lembrar aos burgueses do BE que não existem ditaduras boas e ditaduras más, ou seja, TODAS AS DITADURAS são más, tenham elas a cor que tiverem, por isso, sem qualquer dúvida, tudo o que seja ditadura, é FASCISMO, repressão, perseguição, assassínio. E todos os que apoiam DITADURAS, são iguais a eles. Canções de embalar já não colhem, por isso BE e PCP tiveram o miserável resultado eleitoral recente, porque as pessoas (algumas), já abriram os olhos e castigam quem promete e não cumpre, quem fala em rosas mas oferece apenas os espinhos, apesar do PS também estar incluído neste lote de promessas não cumpridas.

INTERNACIONAL/UCRÂNIA/INVASÃO RUSSA

Uma semana após o ataque, todos os partidos já reagiram à ofensiva. Livre mantém-se fiel aos seus ideais europeístas; BE condena e pede sanções; PCP marca posição anti-NATO e EUA.

A destruição causada pelo ataque russo já chegou a várias cidades ucranianas
© EPA / Sergey Kozlov

Ao fim de uma semana da ofensiva russa na Ucrânia, a comunidade internacional tem condenado este ato.

Portugal, fazendo parte da União Europeia (UE) e da NATO, tomou uma posição de condenação e de imposição de sanções à Rússia. As posições dos partidos, da esquerda à direita, foram mais ou menos consensuais: todos – excepto o PCP – condenam directamente a acção russa na Ucrânia.

Com isto, a posição do PCP tem estado no olho do furacão. Segundo os comunistas, até agora, a NATO, a UE e os Estados Unidos são os principais culpados do ataque, e procuram reforçar “o dispositivo militar junto às fronteiras” da Ucrânia, “que levou à imposição de um regime xenófobo e belicista”, disse o partido em comunicado. Questionado pelo DN sobre esta posição, o PCP recusou comentar.

Segundo explica António Costa Pinto, investigador no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, “esta posição é um reflexo daquilo que tem sido a política externa do PCP desde o fim da URSS”. Ou seja, não é uma posição totalmente pró-Rússia, mas sim uma “posição anti-NATO e, ao mesmo tempo, anti-Estados Unidos”.

Isto acontece, diz, porque “os Estados Unidos são, historicamente, o oposto daquilo que o PCP defende. Têm uma posição anti-socialista muito vincada”. A mesma perspectiva é defendida por Adelino Maltez, politólogo, que considera esta “uma questão de ADN”. “O PCP ainda está muito marcado pelo espírito do sol da Terra”, diz, recorrendo a uma expressão de Álvaro Cunhal, histórico líder comunista, considerando que “esta é uma posição consensual” com aquilo que o PCP tem defendido ao longo da história.

Para Carlos Brito, antigo dirigente comunista, “nada justifica a ofensiva de Putin na Ucrânia, e deve ser condenado por isso”. Segundo o ex-PCP, aquilo que acontece, neste momento, “é uma disputa de zonas de influência”. De um lado, estão os Estados Unidos e a NATO; do outro, está a Rússia. “São dois imperialismos”, resume, apesar de a posição do PCP ser coerente com o histórico do partido. “Foi sempre a condenação da guerra que separou os comunistas de todos os outros, por isso, tenho muita dificuldade em perceber a posição do PCP”, diz Carlos Brito. “A comunidade internacional deve esforçar-se para acabar com o conflito”, considera.

No dia 1 de Março, os dois eurodeputados do PCP votaram contra uma resolução do Parlamento Europeu (num total de 13 votos contra) que condenava a ofensiva russa. Isto fez que o PCP votasse ao lado de forças políticas ligadas à extrema-direita.

Adelino Maltez considera que “o PCP acaba por se colar a forças que normalmente tenta afastar, mais ligadas à direita radical, é a lógica de, por vezes, os extremos se tocarem”.

Livre considera ataque “ilegal e ilegítimo”

Também o Livre reagiu à ofensiva russa na Ucrânia. Contactado pelo DN, o responsável Pedro Mendonça remeteu a posição para um comunicado assinado pela direcção. Publicado no site do partido, o documento considera a invasão “ilegítima, ilegal” e alega que “agrava brutalmente a crise que a Europa vive”.

Na perspectiva do partido, “é urgente preparar a ajuda a refugiados de guerra e Portugal deve estar na primeira linha de defesa dos direitos humanos”. Na opinião de Adelino Maltez, esta posição é, tal como no caso do PCP, “coerente com aquilo que o partido defende. Tem uma perspectiva inequivocamente europeísta e é isso que a posição denota”, conclui.

Além disso, o Livre apontou também a eventuais sanções ao sistema russo. Para o partido, é altura de “investigar o dinheiro sujo dos oligarcas; confiscar propriedades; retirar licenças a bancos russos e retirar a Rússia do sistema SWIFT de pagamentos internacionais, caso não haja cessar das hostilidades e o regresso das tropas às anteriores posições”, lê-se.

Segundo a direcção do partido, “a UE deve agora, perante esta crise, deixar de ter dúvidas sobre a importância, também geo-estratégica, da Europa” e aumentar o investimento em energias renováveis para compensar a falta de gás natural, que importava da Rússia.

Bloco pede mais sanções

Na reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, que aconteceu a 24 de Fevereiro (o primeiro dia da guerra), o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, afirmou que o partido condenava “sem reservas, o ataque em curso e a ocupação do território de um país soberano”. Na declaração, o responsável considerou também que “não há imperialismos bons e imperialismos maus, são todos perigosos para os povos”, o que levou o BE a rejeitar a acção militar russa.

Ouvido pelo DN, o eurodeputado José Gusmão explicou que, entretanto, o BE reforçou também o pedido para que “as sanções económicas fossem consistentes”, apesar das “hesitações iniciais” de alguns Estados membros, como a Alemanha ou a Itália.

Outra das batalhas dos bloquistas trava-se contra os vistos gold, que o partido quer ver extintos. “É necessário revogar estas autorizações de residência a pessoas com altos rendimentos”, considera.

Tal como o Livre, também o Bloco congratula a posição da União Europeia em matéria de refugiados. “Foi dado o passo que faltava, resta garantir que não há discriminação entre pessoas”, conclui.

rui.godinho@dn.pt

Diário de Notícias
Rui Miguel Godinho
04 Março 2022 — 00:15



 

Catarina Martins diz que Governo “talvez queira” uma crise política

– A alta burguesia urbana dos Berloques (BE) é a mesma dos direitolas do PPD, quando o Paulinho Rangel afirmou que a irresponsabilidade do PS pode deixar o país sem rumo“. Esta berloque diz que “Não consigo compreender qual é a estratégia do Governo, a não ser querer eleições antecipadas e eu acho isso de uma tremenda irresponsabilidade”. Repararam na analogia do termo “irresponsabilidade”? Pois é. Uma pseudo extrema esquerda reaccionária que se alia à direita tal e qual aquando da não aprovação do PEC4 que provocou a queda do governo de então. E depois o país passou a ser (des)governado por uma rapazola direitolas, que se subjugou ao Merkelreich. É a sina deste Povo que depois de quase 50 anos após o 25’Abr’74, ainda não sabe reconhecer quem está do lado dele ou contra ele. Estes gajos e estas gajas que dizem ir votar contra o OE2022 são tão estúpidos que, se houver lugar a eleições antecipadas, ainda vão perder mais votos. Siga o baile!

POLÍTICA

“Não consigo compreender qual é a estratégia do Governo, a não ser querer eleições antecipadas e eu acho isso de uma tremenda irresponsabilidade”, lamentou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins
© MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

A coordenadora do BE, Catarina Martins, acusou esta terça-feira o PS de não querer uma solução para o Orçamento do Estado para 2022, considerando que o Governo “talvez queira” uma crise política e eleições antecipadas, o que será “uma tremenda irresponsabilidade”.

“Porque é que o Governo diz que não a propostas tão sensatas, tão ponderadas, tão fundamentais? O Governo quer uma crise política? Talvez queira. É de uma enorme irresponsabilidade”, respondeu aos jornalistas Catarina Martins a propósito do impasse no Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), à margem da manifestação pelo direitos e regulamentação do Estatuto do Cuidador Informal que decorre hoje em frente ao parlamento, em Lisboa.

A líder do BE disse não compreender “porque é que o PS não quer uma solução para este Orçamento do Estado”.

“Eu não consigo compreender qual é a estratégia do Governo, a não ser querer eleições antecipadas e eu acho isso de uma tremenda irresponsabilidade, mas o Bloco de Esquerda aqui está hoje, amanhã, em todos os dias, para construir soluções”, criticou.

Independentemente da posição do Governo do PS, Catarina Martins tem uma certeza: “Há muitos socialistas neste país que também querem soluções”.

Depois de o partido ter anunciado no domingo que voltará a votar contra o orçamento caso não haja avanços até quarta-feira, a coordenadora bloquista garantiu que a situação actual resulta de “falta de vontade do Bloco de Esquerda”, deixando outra pergunta: “Alguém compreende que o PS, que sempre foi contra os cortes nas indemnizações por despedimento, agora seja contra repor?”.

“O BE está a propor em muitos casos aquilo que foram propostas de sempre do PS. Alguém compreende porque é que o PS recusa as suas próprias propostas anteriores?”, criticou ainda.

Questionada sobre se já houve algum contacto por parte do Governo depois de segunda-feira – dia em que foi conhecido o voto contra do PCP, que determinará o chumbo do OE2022 já na generalidade – Catarina Martins respondeu que não houve nenhum.

“Achamos uma perfeita irresponsabilidade que não haja vontade neste momento para construir uma solução de Orçamento do Estado para o país, não uma solução de faz de conta, mas uma solução real. As pessoas não suportam mais anúncios, precisam sim de soluções concretas”, insistiu.

Reiterando que o “Governo tem fechado a porta a todas as propostas” que o BE levou para mesa das negociações, a coordenadora bloquista defendeu que não se pode pedir ao partido “que esqueça o seu mandato” e “vote um documento que não resolve nenhum problema”.

“E o Governo pode anunciar o que quiser, mas há uma prova dos nove: ou está na lei a solução ou se não está, será mais uma vez um engano”, sublinhou.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26 Outubro 2021 — 11:46