1291: Pela primeira vez a NASA lança um foguetão de uma base no Outback australiano

CIÊNCIA/NASA/ESPAÇO

Uma base comercial no distante deserto da Austrália permite condições únicas para certos lançamentos.

© ELA/NASA

O primeiro lançamento da NASA de uma base comercial fora dos Estados Unidos foi realizado este domingo na Austrália, um momento “histórico” para a indústria espacial deste país.

Tratou-se do primeiro de três lançamentos planeados do Centro Espacial Arnhem. O foguetão, carregando tecnologia comparável a um mini telescópio Hubble, foi lançado e ascendeu cerca de 350 quilómetros no céu nocturno do Outback australiano.

 

“É um momento importante para nós, como empresa em particular, mas é histórico para a Austrália”, disse à AFP Michael Jones, CEO da Equatorial Launch Australia, pouco antes da descolagem.

Jones, cuja companhia é proprietária e opera uma base de lançamentos no extremo norte da Austrália, descreveu o feito como uma “festa de inauguração” para a indústria espacial do país e ressaltou que a oportunidade de trabalhar com a NASA representava um marco para a indústria espacial comercial australiana.

Após uma série de atrasos por causa das condições climáticas, o foguetão de voo sub-orbital rasgou os céus para estudar os raios X que emanam dos sistemas Alpha Centauri A e B.

Após atingir seu apogeu, a carga útil do lançador deverá captar dados desses sistemas estelares antes de retornar à Terra.

De acordo com a NASA, o lançamento oferece um olhar único sobre esses sistemas distantes e abre uma janela de possibilidades para os cientistas.

“Estamos empolgados de poder lançar missões científicas importantes do hemisfério sul e observar objectos que não podemos dos Estados Unidos”, disse Nicky Fox, director da divisão de heliofísica da NASA, em Washington, no anúncio da missão.

Segundo Michael Jones, a localização única dificultou os preparativos, com anos de trabalho para obter aprovação do governo, existindo ainda a necessidade de transportar os foguetões em barcaças para o local de lançamento, que fica cerca de 28 horas de carro de Darwin, no norte da Austrália.

Este é o primeiro foguetão da NASA lançado da Austrália desde 1995, e o projecto foi aclamado pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, como o início de uma “nova era” para a indústria espacial do país.

Diário de Notícias
DN/AFP
26 Junho 2022 — 18:52


 

603: Investigadores descobrem restos mortais de dinossauro no interior de um crocodilo com 95 milhões de anos

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Davide Bonadonna

Não foi possível identificar com detalhe o ornithopod porque este tinha sido parcialmente digerido, apesar de na altura da sua morte pesar cerca de 1.7 kg.

Uma equipa de investigadores australianos anunciou a descoberta não só de uma espécie de crocodilo, mas também a sua provável última refeição: um dinossauro. O fóssil do crocodilo, chamado Confractosuchus sauroktonos, foi recuperado numa estação de ovelhas, em Queensland, e estima-se que tenha mais de 95 milhões de anos. Durante o processo de análise e ao juntar o crocodilo, os investigadores encontraram restos do esqueleto de um pequeno dinossauro ornithopod juvenil dentro do seu estômago.

Os responsáveis pela descoberta apontam que esta é a primeira evidência de que os crocodilos comeram dinossauros na Austrália. “A descoberta de um pequeno e juvenil ornithopod juvenil no conteúdo intestinal de um crocodilo da era Cretácea é extremamente raro, já que apenas uma mão de exemplos de predação de dinossauros são conhecidos globalmente”, explicou o Museu da Era dos Dinossauros da Austrália.

O fóssil foi primeiramente descoberto e escavado pela primeira vez por membros e voluntários do museu em 2010.

Devido ao facto de os ossos do crocodilo serem demasiado frágeis e estarem densamente acondicionados num pedaço de rocha que seria removido, foram usadas tecnologias de digitalização de neutrões e raios X micro-CTP para onde os ossos estavam localizados, descreveu Joseph Bevitt. Posteriormente, o investigador enviou os dados para Matt White, associado do museu que preparou digitalmente o espécimen, um projecto que necessitou de 10 meses de processamento informático para construir uma projecção 3D do esqueleto.

Matt White revelou ainda que o número de ossos do crocodilo encontrado é “espantoso”, com 35% do animal preservado. O esqueleto inclui um crânio quase completo, embora faltem a cauda e as patas traseiras. “Na altura da sua morte, este crocodilo de água doce tinha cerca de 2,5 metros de comprimento e ainda estava a crescer. Apesar de o Confractosuchus não se ter especializado em comer dinossauros, não teria negligenciado aquela que pode ter sido uma refeição fácil, como evidenciam os jovens restos ornitófilos encontrados no seu estômago.”

No entanto, não foi possível identificar com detalhe o ornithopod porque este tinha sido parcialmente digerido, apesar de na altura da sua morte pesar cerca de 1.7 kg. Uma vez que os ossos foram encontrados juntos, é provável que crocodilo tenha matado directamente o animal ou praticado a necrofagia logo após a morte.

“Dada a falta de espécimes globais comparáveis, este crocodilo pré-histórico e a sua última refeição continuarão a fornecer pistas sobre as relações e comportamentos dos animais que habitaram a Austrália há milhões de anos atrás”, disse o White à Sky News.

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ZAP
19 Fevereiro, 2022