434: Astrónomos descobrem nova classe de “vaca espacial” (ainda mais poderosa)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Bill Saxton, NRAO / AUI / NSF
Comparação de uma super-nova normal com uma super-nova semelhante a uma “vaca espacial”

Em 2018, foi avistado no céu havaiano um misterioso flash numa galáxia vizinha: a explosão estelar foi dez vezes mais brilhante à luz visível do que as típicas super-novas. Agora, a classe Cow acaba de receber um novo membro.

Baptizado de “AT2020mrf“, o novo evento é o quinto a integrar a classe Cow [Vaca] e é considerado o mais brilhante já observado até ao momento.

Segundo o Tech Explorist, é possível que a super-nova recém-descoberta, assim como as demais da mesma categoria, seja alimentada por um objecto extremo, como um buraco negro em formação ou até uma estrela de neutrões.

Os astrónomos detectaram AT2020mrf em raios-X, em vez de luz óptica. O evento foi originalmente detectado em Julho de 2020, utilizando dados de raios-X do telescópio russo-alemão Spektrum-Roentgen-Gamma (SRG).

A equipa verificou as observações feitas à luz óptica pelo Zwicky Transient Facility (ZTF), que funciona a partir do Observatório Palomar da Caltech, e descobriu que o ZTF também tinha avistado o mesmo evento.

Os dados revelaram que esta explosão brilhava inicialmente com 20 vezes mais luz de raios-X do que o evento original.

Um ano mais tarde, os dados captados pelo Observatório de Raio-X Chandra, da NASA, mostraram que a explosão estava a brilhar com 200 vezes mais luz de raio-X do que a detectada no evento original.

“Quando vi os dados do Chandra, não acreditei. Reanalisei várias vezes. Esta é a super-nova Cow mais brilhante já observada em raios-X”, salientou Yuan Yao, estudante de pós-graduação da Caltech.

A grande quantidade de energia libertada, juntamente com a rápida variabilidade de raios-X, sugerem que existe um magnetar ou um buraco negro bastante activo a alimentar esta super-nova. No entanto, ainda não se sabe exactamente o motivo pelo qual os “motores centrais” destes eventos são tão activos.

A possível explicação pode incidir no tipo de estrela que os formou, que pode ter causado algo diferente das explosões comuns.

Como esse evento não era parecido com os anteriores, Yao considera que a classe Cow é ainda mais diversificada do que se pensava.

O artigo científico foi submetido para publicação no The Astrophysical Journal, mas encontra-se disponível no arXiv, carecendo ainda de revisão por pares.

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22 Janeiro, 2022

– Aqui, na Terra, também existem muitas vacas, mas são de outro catálogo…